Capítulo II – Benefícios Fiscais
2.3 Análise a benefícios fiscais
2.3.1 Benefício fiscal – Criação de emprego – Artigo 19.º
18.836.042,42
Majoração quotizações empresariais (art.º 44.º do CIRC)
2.932.650,36 Majoração aplicada aos custos suportados com a aquisição, em território Português, de combustíveis
para abastecimento de veículos (art.º 70.º, n.º 4 do EBF)
que optamos por analisar mais detalhadamente apenas os benefícios fiscais referentes à criação de emprego e relativos ao Mecenato, por se tratar de benefícios fiscais abrangentes a todo o contexto empresarial.
2.3.1 Benefício fiscal – Criação de emprego – Artigo 19.º
Debruçamo-nos, agora, sobre um benefício fiscal com carácter estrutural contemplado na parte II capítulo I do EBF, que, na sua essência é um benefício fiscal de natureza social.
Esta medida teve como intuito promover a criação de emprego no país, nitidamente com um interesse público relevante e justificativo da redução de receita fiscal associada.
Para as empresas que contratam pessoal, apresenta-se como um benefício fiscal muito expressivo na redução da matéria coletável.
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No entanto, ao longo dos anos, os princípios a obedecer para o cumprimento dos requisitos deste benefício têm revelado impactos diferentes na redução da matéria coletável e a sua aplicação dificultada.
Estamos, assim, a referir-nos ao Artigo 19.º Criação de emprego do EBF que refere no seu nº1,
“ Para a determinação do lucro tributável dos sujeitos passivos de IRC e dos sujeitos passivos de IRS com contabilidade organizada, os encargos correspondentes à criação líquida de postos de trabalho para jovens e para desempregados de longa duração, admitidos por contrato de trabalho por tempo indeterminado, são considerados em 150 % do respetivo montante, contabilizado como custo do exercício.”
Este benefício fiscal consiste, assim, numa dedução ou abatimento à matéria coletável e visa deduzir às realidades que constituem o objeto do imposto uma certa fração de matéria coletável que, em circunstâncias normais, seria tributada.
Trata-se de um regime de concessão automática, dado que é um incentivo concedido que não carece de qualquer apreciação administrativa, pois deriva de disposições integradas na lei e produzem efeitos a partir do momento em que se verifiquem os factos nela indicados.
No entanto nem sempre os conceitos são claros, daí que por vezes existe a necessidade de despachos administrativos, que, de certo modo, comprometem a natureza de concessão automática de alguns benefícios. Além de provocar algum constrangimento em certos profissionais no uso dessas medidas, por receio de duvidosa interpretação, preferindo infelizmente optar por abdicar dessas reduções em prejuízo dos contribuintes, para não correr o risco de futuras correções à matéria coletável com implicações de coimas e juros.
2.3.1.1 Âmbito do benefício
Tendo em conta o objetivo deste benefício, é óbvio que se destine a entidades suscetíveis de promover o emprego e sujeitas a tributação em matéria de impostos.
Como tal, este benefício tem como destinatários os sujeitos passivos de IRC e os sujeitos passivos de IRS com contabilidade organizada.
2.3.1.2 Requisitos do benefício
São contemplados, para efeitos de cálculos, os encargos correspondentes à criação líquida de postos de trabalho para jovens e para desempregados de longa duração. Assim, para
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clarificar o entendimento acerca do que são jovens e desempregados de longa duração encontramos no n.º 2 a), do artigo 19.º do EBF a qualificação dada a jovem como sendo:
“…. os trabalhadores com idade superior a 16 e inferior a 35 anos, inclusive, aferida na data da celebração do contrato de trabalho, com exceção dos jovens com menos de 23 anos, que não tenham concluído o ensino secundário, e que não estejam a frequentar uma oferta de educação-formação que permita elevar o nível de escolaridade ou qualificação profissional para assegurar a conclusão desse nível de ensino;”
e o n.º 2 b) do artigo 19.º do EBF define como Desempregados de longa duração
” os trabalhadores disponíveis para o trabalho, nos termos do Decreto-Lei n.º 220/2006, de 3 de Novembro, que se encontrem desempregados e inscritos nos centros de emprego há mais de 9 meses, sem prejuízo de terem sido celebrados, durante esse período, contratos a termo por período inferior a 6 meses, cuja duração conjunta não ultrapasse os 12 meses;”
Derivado das diversas interpretações por omissão de definição objetiva existiu manifeste interesse em clarificar o entendimento de encargos neste contexto.
Assim, no n.º2 c) do Artigo 19.º do EBF verificamos que «Encargos» são “ os montantes suportados pela entidade empregadora com o trabalhador, a título da remuneração fixa e das contribuições para a segurança social a cargo da mesma entidade;”
Resta, assim, dar a conhecer o que constitui a criação líquida de postos de trabalho. No n.º 2 d) é definida como tratar-se “.. a diferença positiva, num dado exercício económico, entre o número de contratações elegíveis nos termos do n.º 1 e o número de saídas de trabalhadores que, à data da respetiva admissão, se encontravam nas mesmas condições.”
Porém, essa abordagem revelou-se insuficiente, tendo surgido dúvidas sobre em que consiste, na realidade, a criação líquida de postos de trabalho.
Na sequência dessa questão, foi emitida uma informação vinculativa que consta da ficha doutrinária processo n.º 2691/2007, despacho do Subdiretor-Geral, de 26/11/2007, que vem esclarecer que, um trabalhador é admitido por contrato sem termo somente quando no contrato não está determinado o número de meses ou anos que o trabalhador deverá prestar serviço na respetiva empresa. Deste modo, apenas os contratos firmados nessas condições contam para o cálculo da criação líquida de postos de trabalho.
Mais ainda, acrescenta que uma vez que os contratos com termo não relevam para efeitos do artigo 17.º do EBF (atual artigo 19.º), quando estes se transformam em contratos sem termo podem entrar, a partir do respetivo exercício, para a aferição da criação líquida de
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postos de trabalho, desde que todos os outros requisitos de acesso ao benefício estejam preenchidos. (Anexo I)
Quanto aos meios que poderão constituir produção de prova dos pressupostos, vem esclarecer a ficha doutrinária processo 1979/2008, com despacho concordante do substituto legal do Director – Geral, de 10 de setembro que o contribuinte deve munir-se dos trabalhadores que integrem o agregado familiar da respetiva entidade patronal na determinação da criação líquida de postos de trabalho.
2.3.1.3 Quantificação do benefício
Pela criação líquida de cada um dos postos de trabalho nas condições identificadas no ponto anterior, são considerados os encargos correspondentes à criação líquida do posto de trabalho contabilizados como custo do exercício elevados em 150% do respetivo montante.
Porém, indica-nos o n.º 3 do artigo 19.º do EBF que o montante máximo da majoração anual, é, o correspondente a 14 vezes a retribuição mínima mensal garantida, constituindo, assim, para o ano transato o valor máximo de 6.790,00€ por cada posto líquido criado.
Contudo, na legislação em vigor não existe limitação quanto ao número máximo de criação líquida de postos de trabalho, permitindo atingir, desta forma, um montante elevado de redução à matéria coletável.
Muito embora esse montante de redução à matéria coletável perdesse determinada importância na legislação vigente em 2010 por via da limitação constante do artigo 92.º do CIRC, que felizmente veio a ser alterada para o período de tributação de 2011, sucedendo-se em 2012 e mantendo-sucedendo-se igualmente para o ano 2013 de acordo com a publicação da LOE para 2013.
41 2.3.1.4 Natureza temporal do benefício
É indispensável para correta aplicação verificar qual a natureza temporal do benefício, pelo que constatamos no n.º 5 do artigo 19.º do EBF “A majoração referida no n.º 1 aplica-se durante um período de cinco anos a contar do início da vigência do contrato de trabalho…”
Assim sendo, a aplicação do benefício poderá aplicar-se durante seis exercícios, dado que a contagem é feita a partir da data da entrada em vigor do contrato e por um período de cinco anos, esclarecimento confirmado pelo Despacho nº 1498/2006, de 26.09.2006 do Diretor Geral. (Anexo III)
2.3.1.5 Limitação do benefício
No entanto, a utilização deste benefício não se pode aplicar conjuntamente com outros benefícios de natureza idêntica. É o que verificamos no n.º 5 do artigo 19.º EBF que refere
“… não sendo cumulável, quer com outros benefícios fiscais da mesma natureza, quer com outros incentivos de apoio ao emprego previstos noutros diplomas, quando aplicáveis ao mesmo trabalhador ou posto de trabalho.”
Segundo despacho do Substituto Legal do Diretor-geral dos Impostos que consta da ficha doutrinária processo n.º 1145/07 de 26 de Maio de 2008, o benefício fiscal do artigo 19.º n.º1 do EBF não é cumulável com outros benefícios fiscais e incentivos de apoio ao emprego, não o sendo quando aplicado ao mesmo trabalhador ou posto de trabalho, com os incentivos previstos nos seguintes diplomas, uma vez que contêm incentivos e normas de apoio à criação de emprego. Veja-se os seguintes normativos:
• Decreto-Lei n.º 89/95, de 6 de Maio;
• Despacho Conjunto n.º 561/2001, de 22 de Junho; • Lei n.º 53.º-A/2006, de 29 de Dezembro, artigo 41.º;
• Estatuto dos Benefícios Fiscais, artigo 43.º.
Este benefício do n.º 1 do artigo 19.º do EBF, porém, já é cumulável, uma vez que é um incentivo à formação profissional, com o previsto no Decreto-Lei n.º 51/99, de 20 de Fevereiro. (Anexo IV)
Contudo, excecionalmente, em 2010, com vista ao incentivo à criação de emprego, o benefício fiscal previsto no artigo 19.º do EB, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 215/89, de 1
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de julho, foi cumulável com outros incentivos de apoio ao emprego previstos noutros diplomas, quando aplicáveis ao mesmo trabalhador ou posto de trabalho.4 (Anexo V) O n.º 4 do artigo 19.º também refere que “ Para efeitos da determinação da criação líquida de postos de trabalho, não são considerados os trabalhadores que integrem o agregado familiar da respetiva entidade patronal.”
Além da limitação anterior, o n.º 6 do artigo 19.º do EBF também é condicionada a sua aplicabilidade da seguinte forma “ O regime previsto no n.º 1 só pode ser concedido uma única vez por trabalhador admitido nessa entidade ou noutra entidade com a qual existam relações especiais nos termos do artigo 63.º do Código do IRC.”
Das limitações previstas, dever-se-á analisar quais as medidas mais vantajosas a ter em conta para a redução máxima de imposto a pagar.