3 DESENVOLVIMENTO
3.3 TRATAMENTO CONVENCIONAIS
3.3.5 Benzodiazepinicos
Habitualmente empregados na medicina veterinária por ter propriedade sedativa, hipnótica, anticonvulsivante, relaxante muscular e ansiolítica, os benzodiazepínicos podem cessar distúrbios comportamentais. Porém, seu uso isolado não é recomendado, e o uso em conjunto com um antidepressivo é preconizado. Estes fármacos devem ser utilizados somente em casos agudos, já que em casos crônicos pode haver consequências renais e hepáticas. A duração do tratamento deve durar até o momento em que persistirem os comportamentos agressivos leves e moderados (SIMPSON; PAPICH, 2003). O seu mecanismo de ação se dá pelo aumento da transmissão de gaba, que facilita a abertura de canais de cloreto.
O diazepam (2mg/kg SID VO) e Midazolam (0,05 - 0,1mg/kg SID VO) são os mais usados dessa classe na veterinária, porém apresenta meia vida curta (ao redor de 6 horas) em gatos domésticos (PLUMB, 2002). Estudos indicam que sua administração pela via oral pode levar a falência hepática em felinos, sendo mais indicado o seu uso pela via intramuscular, intravenoso ou intra retal. Essas vias de aplicação dificultam sua execução pelo próprio tutor, necessitando de uma pessoa treinada para realizar o tratamento (BAGLEY, 2006; SIMPSON;
PAPICH, 2003).
Já o oxazepam, lorazepam e temazepam não possuem metabólitos intermediários que passam obrigatoriamente pelo fígado e, portanto, podem ser mais seguros para serem utilizados em gatos. O uso a longo prazo dessas drogas que são de uso controlado podem levar a dependência fisiológica e comportamental, de modo que a abstinência aguda pode resultar no efeito contrário ao esperado onde o animal apresente aumento de tremores, espasmos, ansiedade e maiores níveis de agressividade (Beaver, 2005).
3.3.6 Antiespasmódicos
Os antiespasmódicos são fármacos que ajudam no relaxamento da musculatura. Apesar de haver poucos estudos, a implementação dos antiespasmódicos que se direcionam a musculatura lisa é mais benéfica se agressividade for devido a dores relacionadas a afecções como da cistite idiopática felina. Esse tratamento exige cautela, uma vez que pode levar a hipotensão. Os fármacos mais utilizados são a Acepromazina (0,05-0,2 mg/kg IV, IM ou SC,
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ou 1-3 mg/kg VO), Prazosina (0,25-1,0 mg/gato BID ou TID,VO), Fenoxibenzamina (0,5-1,0 mg/kg BID, VO) durante um período de 7 a 14 dias, sendo mais indicado realizar a remoção do fármaco de forma gradual (GUNN-MOORE, 2003).
3.3.7 Anticonvulsionante
Os anticonvulcionantes ou antiepiléticos, como o nome já remete, são medicamentos que vão atuar na prevenção de crises convulsivas e epiléticas. Tem como mecanismo de ação o bloqueio de canais de sódio, aumento da inibição gabaérgica que vai mediar a ativação muscular e sinapses entre nervos e células musculares, bloqueando canais de cálcio ou ligação a proteína PSV2A.
A gabapentina diminui a ansiedade e vem sendo usada no auxílio do comportamento agressivo em gatos, a gabapentina é usada na dose de (100mg/gato SID VO), não deve ser usado em animais hipotensos um dos seus efeitos adversos é a ataxia.
Já existem estudos que comprovam o benefício desse psicofármaco, que pode auxiliar no efeito sedativo e onde há uma maior facilidade administrar nos animais que estejam em tratamento (SIAO; PYPENDOP; IIKIW, 2010; PANKRATZ et al., 2017).
3.3.8 Antidepressivos
Antidepressivos tricíclicos são os medicamentos utilizados geralmente para tratar o mal comportamento incluído a agressividade de felinos e devem ser administrados preferencialmente a noite. Sua dose pode ser aumentada de forma a se ajustar as respostas apresentadas pelo animal, principalmente a amitriptilina (1mg/kg SID VO), clomipramina (0,5mg/kg SID VO) e doxepina.
Estes fármacos têm como mecanismo de ação a recaptação de noradrenalina pelas terminações nervosas, bloqueando os receptores de glutamato e canais de sódio. Dentre os efeitos adversos causados por estas drogas temos: amitripilina - boca seca, taquicardia e sedação; clomipramina - pode causar diarreia, náusea e vomito e é importante ressaltar que os efeitos digestivos podem ser minimizados caso a dose seja dívida duas vezes ao dia; doxepina - promove sonolência.
Os inibidores seletivos da receptação de serotonina (ISRS) são fármacos inibidores da recaptação da serotonina possuem três tipos de funções: ansiolítica, anticonvulsivante e anti agressiva. Têm sido úteis no tratamento a longo prazo de problemas relacionados ao estresse, assim como a fluoxetina (1- 2 mg/kg SID VO). A fluoxetina tem dentre dos seus efeitos adversos em gatos relatos de letargia, perda de apetite, vomito depressão, tremor e agitação
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(Curtis, 2015). Dentre as desvantagens apresentadas por estes fármacos, está seu tempo de ação até que atue no SNC, o que leva no mínimo 30 dias. Desse modo, não é preconizado que seja utilizado de forma isolada em casos agudos, recomendando-se a associação com benzodiazepínicos, e a retirada do fármaco deve ser gradativa e cuidadosa (ALHO, 2012).
3.3.9 Enriquecimento ambiental
O conceito de enriquecimento ambiental visa técnicas que proporcionem uma melhor integração e adequação do animal ao ambiente em que se insere, sendo uma área de estudo relativamente nova e foi inicialmente porposta para atender as demandas comportamentais de animais selvagens que vivem em cativeiro. O enriquecimento ambiental é visto como benéfico para todos os felinos, sendo de extrema importância para diminuir sua carga de estresse e diminuição dos índices de agressividade (BUFFINGTON et al., 2006).
De acordo com o Fawc (2010), as 5 liberdades dos animais devem ser atendidas a fim de que se promova um bom bem-estar, sendo elas: 1. Livre de fome e sede: ou seja, o gato há deve ter agua fresca e dieta balanceada. Para isso, já está disponível no mercado fontes de agua que possuem água corrente e as mais luxuosas possuem até mesmo sistema de refrigeração.
Quanto, a dieta, estão disponíveis nos petshops comedouros inteligentes que liberam rações em horários precisos e pré-estabelecido, para que o tutor tenha maior segurança com a oferta de alimento de acordo com uma rotina; 2. Livre de desconforto: é importante que o animal tenha um espaço adequado para andar e dormir, que as caixas de areias sejam em número e de tamanho adequado. 3. livre de dor ou doença: é importante visitas regulares ao médico veterinário para averiguar a sanidade do animal; 4.livre para expressar seu comportamento natural: proporcionar espaço suficiente, torres, arranhadores, estruturas adequadas em locais altos para que o mesmo possa expressar seus hábitos semi-arborícolas de escalada; 5. Livre de medo e estresse: é importante que o tutor se atente ao que faz o animal sentir medo ou ficar estressado, para que possa controlar esses tipos de estímulos.
É importante também fazer com que o felino tenha maior tempo de interação com o tutor, com brinquedos, ter rotinas de passeio ou de olhar a vizinhança em caso de moradia em apartamentos, permitir e adequar a casa com objetos como torres, fontes, tocas, bebedouros, pois eles auxiliam na execução de comportamentos naturais (caça, escaladas, esconderijos).
Dentre os tipos de enriquecimento que podem ser inseridos temos o enriquecimento alimentar, que visa introduzir novas formas de apresentação dos alimentos (em brinquedos que liberem a comida quando forem encostados pelo felino, por exemplo). É importante que seja
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oferecida ração úmida ao gato a fim de evitar a ocorrência de doenças renais, já que um dos seus hábitos como caçador é fazer poucas pausas para ingestão de agua.
Outro tipo de enriquecimento é o sensorial, que visa o estimulo da visão, olfato e audição. Brinquedos com texturas diferentes, que possuam som ou formato de presas comuns aos felinos, como pequenas aves e roedores, são bons aliados ao estimulo sensorial, bem como o uso de feromônios.
Já o enriquecimento cognitivo, busca apresentar problemas a serem resolvidos em troca de petiscos (como o abrir de gavetas, ou o uso da pata para adentrar em alguma caixa e pegar os petiscos). O enriquecimento social trata do contato com outras pessoas e animais, sendo especialmente importante durante o período de socialização do felino. Por último, o enriquecimento físico pode contar com arranhadores, principalmente os verticais, para que o animal venha a imitar o comportamento de felinos na natureza. Podem também ser utilizadas estruturas de suporte elevadas e tocas de proteção para o mesmo (HOSEY et al. 2009).
3.4 Tratamento Complementar
Os métodos de tratamento como a cromoterapia, hormonioterapia, fitoterapia e outros citados nesse trabalho, surgiram na medicina veterinária com o objetivo de complementar ou substituir os métodos tradicionais de tratamento. A agressividade tem como característica principal elevados níveis de estresse a maioria das terapias complementares visam auxiliar o paciente por meio da redução do estresse, sendo as terapias complementares ótimos meios para ajudar a diminuir a agressividade de felinos (ROCHA et al. 2020).
3.4.1 Acupuntura
A acupuntura é uma técnica da medicina oriental que busca garantir a homeostase corpórea por meio da estimulação de partes especificas do corpo atingidas por alguma afecção.
A associação de acupuntura (Associated Press) discute as diversas questões que influenciam na homeostase corpórea, e que vão desde o estilo de vida, clima, qualidade do ambiente a qual o animal está vivendo até a nutrição. Os pontos que são estimulados são chamados de acupontos, e são considerados portas de entrada e saída de energia do corpo. Nessas áreas, é possível manipular a energia para restaurar a homeostase, acreditando-se que todos os pontos são interligados por redes de energia (ALTMAN, 1997).
O uso da acupuntura durante crises de estresse agudo pode ter influência na diminuição dos comportamentos caraterísticos do estresse, a exemplo da agressividade. A eletroacupuntura
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foi aplicada e demostrada como eficiente para redução dos níveis de estresse emocionais de ratos, apresentando efeitos semelhantes ao de um ansiolítico. (BECHARA et al. 2001)
3.4.2 Canabidiol
Estudos com a cannabis vem ganhando destaque no Brasil, sendo que o oléo de cannabis pode ser prescrito pelo médico veterinário caso se julgue ser uma alternativa interessante. A cannabis é uma planta cujos ingredientes incluem canabidiol (CBD) e delta-9-tetrahidrocanabidiol (THC), chamados fitocanabinóides. Esses fitocanabinoides se ligam aos receptores das células CB1 e CB2, sendo que o THC demonstrou em alguns estudos ser tóxico para os gatos. Assim, o CBD se tornou um potencial alvo de pesquisas na medicina veterinária, demonstrando efeito ansiolítico, anti-inflamatório e antálgico (ROCHA, 2020).
O óleo de CBD foi recentemente testado, sendo relatado que seu uso influencia positivamente no bem-estar dos indivíduos, humor dos animais e ocasiona a diminuição da sensação de medo (OIL, 2019).
A dosagem de CBD recomendada pode diferir entre espécies bem como entre indivíduos. Assim, cada felino deverá começar com a dosagem mais baixa descrita na bula, e caso melhoras não sejam observadas, a dosagem do oléo de CBD pode ser aumentada gradativamente. O médico veterinário responsável pelo tratamento deve possuir experiência com o uso do oléo de canabbis, já que é prescrito por porcentagem de concentração e pode variar pelo peso e raça do felino.
3.4.3 Aromaterapia com Óleos Essenciais.
A aromaterapia, cuja etimologia remete a cura pelo cheiro, é baseada no uso de fragrâncias com intuito de melhorar o bem-estar físico de pessoas e animais, usada como medicina complementar ou alternativa. Óleos essenciais capturam grande parte dos compostos químicos das plantas das quais são fabricados, e que fornecem características medicinais que ajudam a aliviar ansiedade, depressão, induzir o sono ou intensificar a energia. Deve-se ter cuidado com o uso dos óleos essenciais em demasia, já que o excesso pode causar efeitos como dor de cabeça ou fadiga. No caso dos felinos, jamais deve ser utilizada de forma tópica uma vez que possuem o olfato extremamente apurado e sensível e que estes óleos podem inclusive levar a dermatites. O uso dos óleos essenciais deve ser feito, portanto, em ambientes ventilados, utilizando poucas gotas, por tempo limitado e onde haja a possibilidade de o animal escolher se quer permanecer no ambiente aromatizado ou não.
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Os gatos carecem quase completamente de enzimas hepáticas que são importantes na metabolização de constituintes dos óleos essenciais. Algumas destas enzimas são a UDP-glucuronosiltransferase (UGT), e UGT1A6, UGT1A9 e UGT2B7 que são da mesma família e sua ausência aumenta o risco da toxicidade da aromaterapia em gatos. O mentol, por exemplo, é metabolizado em humanos e roedores principalmente por meio da glucuronidação, sendo que os testes de toxicidade mostram que o mentol é 3-4 vezes mais tóxico para um gato do que para um rato. Assim, pequenas quantidades devem ser utilizadas no tratamento de felinos, sempre seguindo as orientações de um ambiente ventilado. (TISSERAND et al. 2018). Os óleos essenciais utilizados para agressividade e estresse são alecrim, hortelã, lavanda e laranja. O alecrim possui propriedades analgésicas e estimulantes, auxiliando na diminuição do cansaço físico e mental. O de laranja libera a energia estagnada no corpo, ajudando a ter mais serenidade e tranquilidade para lidar com emoções fortes e destrutivas, como a raiva e o ódio, ajudando a aliviar o estresse. O de lavanda ajuda a promover a calma, o bem-estar, a reduzir o estresse, a ansiedade e possivelmente até a dor leve. Hortelã purifica a mente, ajuda a clarear as ideias e diminui o estresse e a fadiga.
3.4.4 Hormonioterapia
Segundo Little (2012), o uso de hormônios sintéticos é um ótimo tipo de terapia complementar para gatos que sofrem de estresse crônico, ou até mesmo, picos de estresse agudo, como rápidas saídas de casa, sendo uma ótima ajuda para o manejo desses felinos. Uma das frequentes terapias que está sendo usada frequentemente por médicos veterinários e tutores de felino é o difusor “feliway”, “felifriend”, e o “Feliscratch”, que tem como mecanismo de ação um análogo sintético do odor facial felino. O hormônio análogo pode ser usado em todos os novos estímulos que possam vir a levar o animal a ser agressivo: desde a vinda de novos animais ou de novas pessoas, idas ao veterinário, mudança de casa, ruídos altos como fogos de artifícios, e é também uma grande ajuda na melhora de comportamentos indesejados, como arranhaduras, pulverização de urina e crises de ansiedade por separação.
3.4.5 Fitoterapia
A fitoterapia é uma técnica que se utiliza de plantas e vegetais na forma de tinturas, em chás, garrafadas ou extrato. Essa técnica vem sendo bastante usada em humanos, porém, na veterinária o estudo da dosagem que deve ser empregada ainda é algo novo (VÉGAS, 2007).
Entre as plantas utilizadas em felinos, a principal é a catnip, que é conhecida como “erva-de-gato”, pertence à família Lamiaceae. A catnip é utilizada de forma recreativa, e pode ser
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adquirida em PetStores na forma de folhas secas picadas, pós, líquido e spray, podendo ser utilizada dentro de pequenos brinquedos ou em arranhadores na intenção de divertir e estimular o relaxamento dos felinos, acarretando um comportamento excitação seguido por relaxamento (BEAVER, 2005). Segundo Silva e Suyenaga (2019), o catnip tem em sua maioria a substância nepetalactona (4,7-dimetil-5,6,7,7a-tetraidro-ciclopenta[c]piran1(4aH)-ona, que pode ser comparada com o neurotransmissor serotonina, que é responsável pelo humor, ansiedade e depressão, fazendo com que essa planta cause sensação de bem-estar e prazer em felinos.
Segundo Barbosa (2011), as folhas do maracujá-vermelho (Passiflora incarnata) são recomendadas porque promovem o relaxamento animal, ajudando a diminuir ansiedade e agressividade. Para sua utilização, recomenda-se a dose de 2ml de tintura, TID VO ao dia, durante 90 dias ou 3ml por 21 dias (CAVALCANTI, 1997).
Já foi relatado também o uso do chá ou infusão de camomila (Matricaria chamomilla) em condições de estresse dos felinos, já que assim como descrito pela medicina humana, proporciona efeitos sedativos (MANN; STABA, 1986).
3.4.6 Cromoterapia
A cromoterapia faz parte de um dos ramos da medicina holística e tem como uma de suas técnicas a utilização de luzes em diferentes frequências e as cores. A utilização sutil da luz pode restaurar a homeostase do animal doente, sendo considerada como um ‘remédio complementar’ (MASÍAS, 2008). De acordo com Rocha (2020), em pacientes que apresentem estados emocionais alterados, a exemplo dos animais agressivos e ansiosos, a cromoterapia pode ser realizada três vezes por semana de forma a maximizar o resultado em conjunto com outras terapias, como a hormonioterapia. As cores que podem ajudar os pacientes estressados e agressivos são o azul, que possui propriedades calmantes, e o índigo, que ajuda no relaxamento e possui ação anti-inflamatória.
3.4.7 Musicoterapia
A musicoterapia se baseia no uso da música para promover mudanças positivas nos aspectos físicos, mentais, sociais e cognitivos de indivíduos com problemas de saúde ou de comportamento. Estudos já mostram que o resultado com musicoterapia pode promover mudanças nos animais relacionadas ao controle da dor, aumento da felicidade e redução da fadiga e a ansiedade. Os efeitos positivos começaram a ser estudados na medicina veterinária em todo o mundo, sendo utilizada como um rico recurso para propiciar um ambiente calmo ao felino e diminuir os níveis de estresse do mesmo (CALAMITA, 2016). Na plataforma online
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do “spotify” ou “youtube” é possível encontrar uma variedade de playlists de músicas destinadas especificamente para acalmar gatos.
3.4.8 Socialização
A socialização é de extrema importância, sendo que os primeiros 6 meses de vida são particularmente críticos no desenvolvimento comportamental dos felinos. Se durante esse período, os animais forem apresentados ao máximo estímulos possíveis, como diferentes cheiros, animais, pessoas e demais estímulos, será mais difícil que desenvolva problemas que levem a agressividade, tendo em vista sua familiarização com esses estímulos.
Caso não seja apresentado a essa diversidade de fatores estressantes nos períodos iniciais de vida, a introdução de novos estímulos pode demandar muito treinamento até que possa começar a aceita-los ou tolerá-los. Filhotes que são frequentemente manuseados a partir das suas 2 semanas de idade tornam-se mais responsivos às pessoas do que aqueles não são manuseados, sendo uma forma de evitar a agressividade a presença e ao toque humano (Beaver, 2005).
De acordo com Seitz (1959), filhotes que são separados de suas genitoras com menos de 30 dias de vida tornam-se ansiosos e agressivos na fase adulta, e demoram mais que o normal para se recuperarem de estímulos intensos e estressantes, havendo também maior dificuldade no aprendizado.
3.5 Aplicação prática
Os antidepressivos tricíclicos e os inibidores seletivos da receptação de serotonina, são muito utilizados nos casos onde há agressividade contra humanos. Os benzodiazepínicos recomendam-se que sejam usados em casos onde há casos agudos seja de ansiedade medo ou estresse, usados em conjunto os antidepressivos e benzodiazepínicos causam o relaxamento do animal (CURTIS et al. 2008).
O enriquecimento ambiental pode ser utilizado em animais com todos os tipos de agressividade citados nesse trabalho, principalmente em animais com medo e estressados causando uma melhora em seu quadro, sendo um dos tratamentos mais recomendados, já que não há malefícios em sua aplicação (ELLIS, 2009). Quando utilizado de forma simultânea, o enriquecimento ambiental e a terapia com fármacos benzodiazepínicos e antidepressivos é notória a diminuição da excitação do felino. Porém, como os fármacos apresentam problemas de efeitos adversos e alguns chegarem a causar dependência, o melhor é que ele seja utilizado
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como facilitador e coadjuvante do enriquecimento ambiental, e nos casos da agressividade por territorialismo, preconizando a castração, para diminuição da testosterona.
A classe de fármacos analgésicos e antiespasmódicos devem ser utilizadas nos casos em que agressividade seja por patologias primárias, como exemplo na agressividade por FIV ou FeLV, assim como os anticonvulcionantes, onde a agressividade vem de animais que sofram de convulsões. Neurolépticos tem uma indicação maior quando a agressividade é causada por defesa territorial, e os ansiolíticos como o nome já remete em casos de ansiedade.
De acordo com OVERALL (1997), é inapropriado que se estabeleça uma terapia medicamentosa para alteração comportamental sem que seja visado um plano de abordagem terapêutica sem fármacos, entrando no mérito das terapias não convencionais, dentre elas, o uso de ferômonios, musicoterapia, aromaterapia, cromoterapia, fitoterapia e acupuntura. As respectivas terapias não tem restrições e são fáceis de serem colocadas em pratica, devendo ser acordado entre o tutor e o profissional comportamentalista para melhora do animal e podendo ser usadas em qualquer das causas de agressividade citadas nesse trabalho.
O uso do cannabis em felinos que apresentam alto grau de estresse e ansiedade tem sido visto como satisfatório, A acupuntura pode ser utilizada desde de animais que estejam tendo crises de ansiedade, animais que apresentem medo e estresse, e até mesmo para animais que apresentem agressividade por dor já que além de relaxante tem um grande efeito anti-inflamatório (Rocha et al. 2020).
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4. CONCLUSÃO
Tendo em vista que agressividade felina é um problema comportamental que pode ter causas variadas, a exemplo da dor ou como resultado de estímulos estressores, e sendo ela uma das principais causas de abandono de felinos, faz-se necessário um manejo preventivo para evitar que o animal desenvolva esse tipo de comportamento.
Quando o animal já tem comportamentos agressivos, tratamentos convencionais como o uso de fármacos que atuem de forma ansiolítica e modulem o estresse, são efetivos para evitar recorrências e podem ser necessários e devem ser usados apenas por um curto período de tempo tendo em vista seus malefícios, até que o hábito seja rompido juntamente com o manejo ambiental e o fator de estresse seja eliminado, proporcionando uma melhor qualidade de vida dos animais. Deve-se sempre preconizar o uso do enriquecimento do ambiente e da castração afim de modular e retirar comportamentos agressivos desenvolvidos por felinos, e associando à inclusão da terapia complementar, já que todas as terapias complementares que foram apresentadas não têm efeitos adversos, ou seja, podem ser utilizadas de forma simultânea, devem ser sempre acompanhadas por um profissional da área.