6. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
6.7 CUSTO DE CAPITAL
6.7.5 BETA β
O beta, segundo Damodaran (2014) é uma medida de risco relativo que gira
em torno de um. Ações com beta acima de um estão mais expostas ao risco de
mercado, e ações com beta abaixo de um estão menos expostas ao risco de
mercado.
É uma medida estatística da volatilidade do preço de ações com relação à
carteira referencial de mercado (Bovespa, Dow Jones, S&P 500 etc.). Representa o
risco sistemático e específico da empresa e/ou de seu setor de atuação. Entende-se
por risco sistemático ou não diversificável aquele atribuível a fatores de mercado que
afetam todas as empresas e, por isso, não pode ser eliminado por meio da
diversificação. Fatores como guerra, inflação, taxas de juros, câmbio, eventos
políticos etc. respondem pelo risco sistemático. Quanto maior o Índice de
Volatilidade da empresa (β), maior o risco do investimento (SANTOS, 2011).
Para facilitar o entendimento do Beta, Assaf Neto (2014) propõe o seguinte
quadro para interpretação desse índice:
Tabela 07: Interpretação do Índice
β Comentário: Move-se na mesma direção do mercado
2,0 Ocorrerá uma mudança positiva de 2% no retorno da ação para cada
mudança positiva de 1% no retorno da carteira do mercado.
1,0 Ocorrerá uma mudança positiva de 1% no retorno da ação para cada
mudança positiva de 1% no retorno da carteira do mercado.
0,5 Ocorrerá uma mudança positiva de 0,5% no retorno da ação para cada
mudança positiva de 1% no retorno da carteira do mercado.
β Comentário: Move-se na direção contrária do mercado
- 0,5 Ocorrerá uma mudança negativa de 0,5% no retorno da ação para cada
mudança positiva de 1% no retorno da carteira do mercado.
- 1,0 Ocorrerá uma mudança negativa de 1% no retorno da ação para cada
mudança positiva de 1% no retorno da carteira do mercado.
- 2,0 Ocorrerá uma mudança negativa de 2% no retorno da ação para cada
mudança positiva de 1% no retorno da carteira do mercado.
Santos (2011) argumenta que, quando as empresas são listadas e tem
negociação expressiva em bolsa de valores, a avaliação deve considerar que o Beta
da ação é calculado regredindo seus retornos (diários, semanais, mensais etc.) com
relação ao índice de mercado escolhido durante períodos anteriores à data-base da
avaliação – é recomendável entre três e cinco anos anteriores.
A medição prática do Beta é efetuada pelo uso da Análise de Regressão de
Mínimos Quadrados para encontrar o Coeficiente de Regressão (b
j).
A equação Y = a+bX+ε é a forma-padrão de uma Regressão Simples ou
Linear, sendo:
Y = Retorno requerido sobre um ativo no período (R
A)
a = Constante ou intercepto que iguala a taxa livre de risco (T
LR)
b = Coeficiente de Inclinação ou Coeficiente Beta do Ativo (b
A)
X = Variável independente ou o retorno requerido sobre a carteira de
mercado
ε = Termo de erro aleatório que reflete os riscos não sistemáticos do ativo
(Santos, 2011, p. 90).
A equação define que a variável dependente, Y, é igual a uma constante, a,
mais b vezes X, em que b é o Coeficiente de Inclinação ou o Coeficiente Beta do
Ativo (β
A) e X é a variável independente, mais um Termo de Erro, ε. Assim, a taxa de
retorno sobre a ação em um período dado (Y) depende do que acontece no mercado
de ações em geral, que é medido pela taxa de Retorno de Mercado (R
M).
A equação de regressão linear representa uma reta com Coeficiente Angular
(b) e intercepto (a). conforme a figura abaixo:
Figura 04: Representação da equação de regressão linear
O autor ainda aponta que o Coeficiente Angular da reta (b) indica a variação
de Y por unidade de variação de X, ou ∆Y/∆X. Considerando o mercado de capitais,
o intercepto (a) representa a Taxa Livre de Risco; a + bX
i, a Taxa de Retorno da
Carteira Referencial de Mercado; e X
i, o Beta da Carteira Referencial de Mercado (=
1). Fórmula para calcular o Coeficiente Beta (β):
β = [(δ
EMPRESA
/δ
MERCADO
) X Correl
EMPRESA&MERCADO
]
Sendo:
δ
EMPRESA= Desvio-padrão do retorno histórico da empresa
δ
MERCADO= Desvio-padrão do retorno histórico da carteira referencial de
mercado
Correl
EMPRESA&MERCADO= Correlação entre o retorno histórico da empresa e o retorno
histórico da carteira referencial de mercado
Pode-se observar que o Desvio-padrão é a medida estatística mais utilizada
para verificar a volatilidade do retorno histórico da empresa e da carteira referência
de mercado. Desvio-padrão é uma medida de dispersão dos valores de uma
distribuição normal com relação à sua média. Quanto maior é o Desvio-padrão,
maior é a dispersão, ou seja, maior é a distância do retorno médio esperado
(SANTOS, 2011). Formula do Desvio-padrão (δ):
δ = ;Σ (Xᵢ − µ)
?
/(n − 1)
Sendo:
δ = Desvio-padrão
∑ = Soma
X
i= Retorno Observado
µ = Retorno Médio
n = Tamanho da Amostra
O autor ainda afirma que:
Em teoria da probabilidade, o coeficiente da correlação indica a força e a
direção do relacionamento linear entre duas variáveis aleatórias. No uso
estatístico geral, correlação se refere à medida da relação entre duas
variáveis. O coeficiente de correlação (ρ
X,Y) entre duas variáveis aleatórias
X e Y com valores esperados µ
Xe µ
Ye desvios-padrão δX e δY é definida
como (Santos, 2011, p. 92):
ρ
X,Y = CDE (&,G)
HI HJ =
K(( &* L G)(G* LG))
HI HJ
Para o mesmo autor, pode-se dizer que a covariância (cov
X,Y) é uma
mensuração estatística absoluta do relacionamento entre duas variáveis. Ela Serve
para medir o comportamento de movimentação de duas variáveis, ou seja, é igual à
correlação entre duas variáveis aleatórias (r
RA;RM) vezes o resultado de seus
desvios-padrão (s
RAe s
RM). Fórmula da Covariância entre R
Xe o R
Y(cov
RX,RY):
cov
RX,RY
= Correl
RX;RY*
δ
RX
*δ
RY
Sendo:
cov
RX,RY= Covariância entre o Retorno do Ativo (Y) e o Retorno do Mercado (X)
Correl
RX;RY=Correlação entre o Retorno do Ativo (Y) e o Retorno do Mercado (X)
δ
RX= Desvio-padrão do Retorno do Ativo (Y)
δ
RY= Desvio-padrão do Retorno do Mercado (X)
Todas essas medidas estatísticas podem ser tranquilamente conseguidas
em calculadoras financeiras e no programa Excel. Conforme (Santos, 2011) pode-se
calcular o Coeficiente Beta (β), com a seguinte fórmula:
β = cov(R
A;R
M)/Var
RMSendo:
Cov = Covariância
R
A= Retorno do Ativo
R
M= Retorno do Mercado
Var
RM= Variância de Retorno do Mercado
Para Gallo (2011) no caso das empresas que não possuem histórico de
rentabilidade de ações que justifiquem o cálculo Beta, ou que sejam de capital
fechado, pode-se obter o Beta baseando-se no Beta Médio extraído de uma amostra
de Betas de empresas do mesmo setor de alavancagem e portes similares.
Antes de efetuar o cálculo da média, é preciso proceder a um ajuste que visa
retirar de cada índice os efeitos da relação Dívida/Patrimônio Líquido (D/PL) das
empresas originais, ou seja, desalavancar os Betas. Em seguida, deve-se adequar o
Beta calculado à estrutura de capital da empresa em estudo por meio do processo
de alavancagem (GALLO , 2011).
Santos (2011) descreve que os betas (alavancado e não alavancado) podem
ser obtidos a partir das seguintes fórmulas:
Fórmula 01
β
NA=
βM[(*O)PM]