BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de Educação (CNE). Resolução CNE/CEB 4/2010. Define Diretrizes Curriculares Nacionais
Gerais para a Educação Básica. Diário Oficial da União, Brasília, 14 de julho de 2010, Seção 1, p. 824.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de Educação (CNE). Resolução CNE/CEB 2/2001. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Diário Oficial da União, Brasília, 14 de setembro de 2001. Seção 1E, p. 39-40.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de Educação (CNE). Resolução CNE/CEB 1/2000. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação e Jovens e Adultos. Diário Oficial da União, Brasília, 05 de julho de 2000.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de Educação (CNE). Resolução CEB 1/1999. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Diário Oficial da União, Brasília, 13 de abril de 1999. Seção 1, p. 18.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de Educação (CNE). Resolução CEB 2/1998. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Diário Oficial da União, Brasília, 15 de abril de 1998. Seção 1, p. 31. Alterada pela Resolução CNE/CEB 1/2006.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de Educação (CNE). Resolução CNE/CEB 1/2005. Atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação para o Ensino Médio e para a Educação Profissional Técnica de nível médio. Diário Oficial da União, Brasília, 03 de fevereiro de 2005.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Secretaria de Educação Básica (SEB). Elementos Conceituais e Metodológicos para Definição dos Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento do Ciclo de Alfabetização (1º, 2º e 3º anos) do Ensino Fundamental. Brasília, 2012.
BRASIL. Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Brasília, 2007.
Secretaria Municipal de Educação (SME). Considerações sobre o Currículo e os Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento dos Alunos na Rede Municipal de São Paulo: Contexto e Perspectivas. São Paulo,
2013. Disponível em:
http://www.portalsme.prefeitura.sp.gov.br/Documentos/texto%20para%20refle xão%20sobre%20diretrizes%20curriculares%2017abr13.pdf
HADDAD, Fernando. Um Tempo Novo para São Paulo: Plano de Governo.
São Paulo, 2012.
SÃO PAULO. Programa de Metas – Prefeitura de São Paulo 2013-2016.
São Paulo: Diário Oficial da Cidade, 29 de março de 2013.
MAIS EDUCAÇÃO SÃO PAULO
Programa de Reorganização Curricular e
Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo
ANEXO I – NOTAS TÉCNICAS
Secretaria Municipal de Educação
São Paulo
10 de outubro de 2013
ANEXO I
Programa Mais Educação São Paulo
Notas Técnicas sobre o Documento de Referência do Programa de Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de
São Paulo
Considerando:
- As dúvidas e sugestões a respeito da Educação Básica recebidas no decorrer da Consulta Pública do Programa Mais Educação São Paulo – Programa de Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, encaminhadas por Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino (RME), famílias, Organizações não Governamentais (ONGs), Sindicatos e Universidades, por meio do site Mais Educação São Paulo.
- As dúvidas e sugestões consolidadas em documentos elaborados por entidades organizadas e as surgidas nas reuniões, audiências públicas e plenárias realizadas em diversas regiões e espaços da cidade.
- As discussões sobre Educação Básica realizadas pelas Equipes das Diretorias Regionais de Educação (DRE).
- Os estudos, pesquisas e encontros formativos realizados pela Diretoria de Orientação Técnica da Secretaria Municipal de Educação (SME).
- A análise dos relatórios realizados por meio de visitas às Unidades Educacionais e encontros formativos realizados pelas Diretorias Regionais de Educação (DREs) da Cidade.
- O acúmulo histórico de conhecimentos e as experiências de reflexão e ação dos educadores da Rede Municipal de Ensino de São Paulo.
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo publica as 23 Notas Técnicas que justificam as alterações realizadas em razão do processo de Consulta Pública do Programa Mais Educação São Paulo – Programa Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo.
Essas alterações constam na versão final do documento de referência do Programa Mais Educação São Paulo.
PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO SÃO PAULO Notas Técnicas
Sumário
Notas Técnicas Predominantemente Conceituais:
1. Educação Infantil 1: Currículo Integrado para a Primeira Infância;
Articulação da Educação Infantil com o Ensino Fundamental e Avaliação na Educação Infantil...04 2. Educação Infantil 2: Centro Municipal de Educação Infantil – CEMEI...07 3. Ensino Fundamental - Ciclos de Aprendizagem: Conceito de Ciclos de
Aprendizagem e a reorganização dos Ciclos do Ensino Fundamental de 9 anos...08 4. Alfabetização: Ciclos, Conceito de Alfabetização e Ciclo de Alfabetização;
Direitos e Objetivos de Aprendizagem e Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa – PNAIC...10 5. Interdisciplinaridade: Conceito de Interdisciplinaridade e o Ciclo
Interdisciplinar...14 6. Autoria: Conceito de Autoria e o Ciclo Autoral...16 7. Aprendizagem por Projetos no Ciclo Autoral: Elaboração de projetos,
intervenção social...18 8. Educação de Jovens e Adultos: Acesso e permanência, semestralidade, perfil do estudante da Educação de Jovens e Adultos, formação de educadores, currículo e avaliação, PRONATEC e plano de expansão...23 9. Educação Especial 1: Avaliação dos estudantes com deficiência, transtorno
global do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades/superdotação, matriculados na Rede Municipal de Ensino (RME) de São Paulo...29 10. Educação Especial 2: Especificidade linguística dos estudantes Surdos e
ensino de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais nas EMEBS – Escolas Municipais de Educação Bilíngue para Surdos...32 11. Diversidade, diferenças e desigualdades: Educação para as Relações
Étnico-Raciais; Educação, Gênero e Sexualidade...34 12. Avaliação para a Aprendizagem: Avaliação Externa, Autoavaliação, Lição de Casa, Banco de Itens e Experimentos e Boletim...37
13. Processo de Aprendizagem: Aprovação automática, retenção, recuperação/Apoio Pedagógico Complementar...42 14. Caderno Interfaces Curriculares...46 15. Formação de Educadores: Conceito e objetivos do Sistema de Formação
de Educadores...48 16. Recuperação de Férias: possibilidade de utilização de períodos de férias ou
recesso para recuperação...52
Notas Técnicas Predominantemente Operacionais:
17. Composição da Jornada Docente no Sexto Ano do Ciclo Interdisciplinar: jornada docente no sexto ano, docência compartilhada...53 18. Jornada de Trabalho...55 19. Infraestrutura da Rede Municipal de Ensino de São Paulo...56 20. Matrizes Curriculares: alterações nas Matrizes Curriculares no Ensino
Fundamental, na Educação de Jovens e Adultos e na Educação Especial..58 21. Regimentos Educacionais...60
Alterações Tópicas
22. Dependência: Justificativa para não implantação da dependência...62 23. Avaliação Bimestral: Justificativa para revisão do termo Prova
Bimestral...63
Nota Técnica nº 1 – Programa Mais Educação São Paulo Educação Infantil 1
CURRÍCULO INTEGRADO PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA; ARTICULAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL COM O ENSINO FUNDAMENTAL;
AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Currículo Integrado para a Primeira Infância e Articulação da Educação Infantil com o Ensino Fundamental
A Educação Infantil paulistana tem como um dos desafios superar a divisão entre as faixas etárias de zero a três anos e de quatro a cinco anos e onze meses, garantindo o atendimento à criança com base na pedagogia da infância, que busque articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral das crianças.
É importante que uma proposta político-pedagógica integradora para a primeira infância seja efetivada por meio de um currículo que considere as crianças de zero a cinco anos e onze meses, independente de serem atendidas em Unidades Educacionais distintas, com o compromisso de garantir às crianças o direito de viver situações acolhedoras, seguras, agradáveis, desafiadoras, que lhes possibilitem apropriar-se de diferentes linguagens e saberes que circulam na sociedade.
Os conhecimentos hoje disponíveis sobre a Educação Infantil e as experiências desenvolvidas pelos profissionais da Rede Municipal de Ensino darão base a uma nova proposta curricular para a Educação Infantil, atualizando orientações vigentes e trazendo novos elementos capazes de bem orientar o trabalho com as crianças nas diferentes etapas de seu desenvolvimento.
Outro desafio a ser enfrentado diz respeito à articulação da Educação Infantil com o Ensino Fundamental, em que se considere que a Infância não se encerra aos cinco anos e onze meses de idade, quando a criança deixa a Educação Infantil, mas ela se estende, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, até os doze anos de idade. Assim, a Secretaria
Municipal de Educação terá ações de formação integradas envolvendo os educadores das duas modalidades (Educação Infantil e Ensino Fundamental), ressaltando-se a importância de que no Ciclo da Alfabetização a brincadeira, a ludicidade, a expressão corporal e a imaginação sejam elementos integrantes do currículo.
Avaliação na Educação Infantil
Outro aspecto bastante abordado no decorrer da Consulta Pública refere-se às questões relacionadas à avaliação na Educação Infantil.
A avaliação na Educação Infantil está em sintonia com a prática cotidiana vivenciada pelas crianças e o planejamento do(a) educador(a), constituindo-se em um elo significativo. Para isso é imprescindível que o(a) educador(a) tenha uma reflexão permanente sobre as ações e pensamentos das crianças, realizando uma análise sistêmica contínua de suas observações. Desta forma, a avaliação servirá para que o(a) educador(a) possa rever seu planejamento com base nos interesses e necessidades das crianças, com vistas a ajudá-las a refletirem sobre os movimentos de construção de seu conhecimento, sobre si e do mundo.
A avaliação na Educação Infantil acontece nos âmbitos da aprendizagem e do Projeto Político-Pedagógico da Unidade Educacional, entendida como avaliação institucional.
No âmbito da aprendizagem, desde agosto de 1992 quando da aprovação do Regimento Comum das Escolas Municipais de São Paulo, a avaliação da aprendizagem na Educação Infantil é efetivada através de relatórios descritivos individuais que têm por objetivo descrever as atividades das crianças, sem, contudo, classificá-las nem tão pouco servir de critérios para retê-las no prosseguimento de sua vida escolar.
Com o passar dos anos a Rede Municipal de Ensino tem aprimorado esses relatórios e introduzido o conceito de documentação pedagógica, entendida como instrumentos que auxiliam o professor a historicizar o processo vivido no dia a dia pelas crianças no percurso de suas aprendizagens.
Os instrumentos utilizados nessa avaliação passam por diferentes formas de registro: relatórios descritivos, portfólios individuais e do grupo, fotos, filmagens, as próprias produções das crianças (desenhos, esculturas,
maquetes, entre outras). Ressalta-se que a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo se afasta de toda e qualquer forma de avaliação na Educação Infantil que compare ou meça o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças com finalidades classificatórias e segregacionistas.
No âmbito da avaliação institucional, as unidades de Educação Infantil realizam anualmente a autoavaliação em que são analisados aspectos pautados nas ações cotidianas das unidades com base na rotina das crianças e dos(as) educadores(as), bem como na infraestrutura organizacional das unidades. É importante que a concepção de avaliação se amplie, oportunizando o envolvimento das famílias e a avaliação de toda estrutura do Projeto Político-Pedagógico, organização e funcionamento das Unidades Educacionais.
Nesse sentido, a Secretaria Municipal de Educação está colocando a avaliação como um ponto de pauta nas formações de educadores, em especial com a organização de Seminários Regionais que discutirão o tema
“Qualidade e Avaliação na Educação Infantil”. Tais seminários incentivarão as Unidades Educacionais a utilizarem os Indicadores de Qualidade para a Educação Infantil, publicados pelo Ministério da Educação em 2009, como um instrumento de autoavaliação. Os seminários servirão também como disparadores para a construção conjunta de Indicadores de Qualidade que ajudarão a avaliar as práticas desenvolvidas na Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, com o intuito de subsidiar decisões e encaminhamentos, tanto na rede direta, quanto na indireta e na conveniada particular. Tais Indicadores possibilitarão que as Unidades Educacionais e a Secretaria Municipal de Educação redirecionem trajetórias, subsidiem decisões e formulem políticas e planos com vistas à melhoria da qualidade do atendimento dado às crianças na Educação Infantil da Cidade de São Paulo.
Nota Técnica nº 2 – Programa Mais Educação São Paulo Educação Infantil 2
CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL - CEMEI
A criação de novos Centros Municipais de Educação Infantil (CEMEI) baseia-se na perspectiva da Lei de Diretrizes e Babaseia-ses da Educação Nacional que estabelece a Educação Infantil como “primeira etapa da Educação Básica”, oferecida em espaços institucionais não domésticos que cuidam e educam crianças de zero a cinco anos de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial.
Nessa perspectiva, o CEMEI se constitui em uma das formas de atendimento na Educação Infantil, oferecida em unidades que atendem crianças de zero a cinco anos e onze meses em um mesmo prédio. Assim como nos Centros de Educação Infantil (CEI) e nas Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEI), os CEMEI são caracterizados por uma Proposta Político-Pedagógica Integradora para a Primeira Infância.
Atualmente, existe um CEMEI em funcionamento na Diretoria Regional de Educação de Campo Limpo. Paulatinamente serão construídos novos CEMEIs na Cidade. Contudo, não haverá transformação ou fusão das Unidades de Educação Infantil já existentes.
Para que os novos prédios atendam adequadamente as crianças neles matriculadas, a Secretaria Municipal de Educação estabeleceu parceria com representantes da Secretaria do Desenvolvimento Urbano, discutindo as questões arquitetônicas desse novo equipamento. A SME também estabeleceu, junto a representantes das Diretorias Regionais de Educação, um grupo de trabalho para discussão e encaminhamentos sobre a Proposta Político-Pedagógica Integradora para Primeira Infância.
Nota Técnica nº 3 – Programa Mais Educação São Paulo Ensino Fundamental – Ciclos de Aprendizagem
CONCEITO DE CICLOS DE APRENDIZAGEM E A REORGANIZAÇÃO DOS CICLOS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 (NOVE) ANOS
Conforme dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no 9394/96, é facultado aos sistemas de ensino desdobrar o Ensino Fundamental em ciclos. Assim, o Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de São Paulo terá duração de 9 (nove) anos e estará organizado em 3 (três) ciclos de 3 (três) anos cada, denominados: Ciclo de Alfabetização, Ciclo Interdisciplinar e Ciclo Autoral.
Conceituando, um ciclo de aprendizagem é definido, em primeiro lugar, pelas aprendizagens a que visa, como uma etapa da escolaridade associada a conteúdos de ensino e a níveis de domínio das competências de base visadas pelo conjunto do curso. Portanto, um ciclo está diretamente relacionado aos direitos e objetivos de aprendizagem definidos por um currículo e dispostos no respectivo Projeto Político-Pedagógico.
Nessa perspectiva, a organização em ciclos de aprendizagem permite a construção/apropriação do conhecimento em períodos em que a singularidade dos estudantes seja respeitada em seus ritmos e considere sua condição social, cognitiva e afetiva. Também fortalece concepções de Educação no que tange à garantia dos direitos e objetivos de aprendizagem de maneira a assegurar a formação básica comum e o respeito ao desenvolvimento de valores culturais, étnicos, artísticos, nacionais e regionais.
Sendo assim, no Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, o ciclo de aprendizagem é uma etapa da escolaridade, organizado em três anos, no qual os alunos percorrem juntos um Projeto Político-Pedagógico definido, direitos e objetivos de aprendizagem claramente anunciados e gestão e implementação compartilhada por vários profissionais. A avaliação é formativa, permitindo comandar as aprendizagens e os percursos de formação de modo que todos os alunos atinjam os objetivos ao final de cada ciclo. Os conhecimentos e as competências de diferentes saberes podem ser
introduzidos, ampliados e consolidados dentro da especificidade de cada ciclo proposto, com o objetivo de assegurar a aprendizagem de conceitos e formas de lidar com o conhecimento em diferentes áreas e de diversas formas de sistematização.
Cada comunidade escolar organizará as ações pedagógicas avaliativas, como parte do processo ensino e aprendizagem, visando a contribuir com os estudantes e seus responsáveis na tomada de consciência de seus avanços e necessidades, e visando ao redimensionamento das ações didáticas para o alcance dos direitos e objetivos de aprendizagem.
Considera-se a organização em ciclos a estrutura mais apropriada do ponto de vista da luta contra o fracasso escolar, e também a mais exigente. Requer uma estrutura curricular que favoreça a continuidade, a interdisciplinaridade e a progressão, princípios fundamentais para uma educação de qualidade.
Implica em ação e responsabilidade coletiva.
Contudo, a responsabilidade coletiva não se limita à obrigação "de resultados" de final de percurso. Ela é exercida no cotidiano por meio do conjunto de decisões tomadas pela equipe escolar, das ações que ela empreende, dos meios que mobiliza ao longo da duração do ciclo para oferecer a seus alunos condições de aprendizagem ótimas e de garantia de seus direitos. Portanto, a possibilidade de retenção no interior do Ciclo Autoral (7o e 8o anos), além da possibilidade de retenção ao final dos três Ciclos, em nada contradiz o conceito de Ciclo, pois está associada a múltiplas estratégias de acompanhamento pedagógico complementar e inserida no contexto da avaliação para a aprendizagem.
Para trabalhar em ciclos, os professores e a equipe escolar envolvida deverão permanentemente colocar em questão a reinvenção de suas práticas pedagógicas e ter em vista a organização do trabalho dentro de cada escola de forma integrada e participativa.
Nota Técnica nº 4 – Programa Mais Educação São Paulo Alfabetização
CICLOS, CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO E CICLO DE ALFABETIZAÇÃO; DIREITOS E OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA - PNAIC
O Programa Mais Educação São Paulo propõe para a Rede Municipal de Ensino de São Paulo uma nova configuração para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos em 3 (três) ciclos de 3 (três) anos: Ciclo de Alfabetização, Ciclo Interdisciplinar e Ciclo Autoral. A organização em ciclos está garantida pelo que dispõe o § 1º do artigo 32 da lei 9.394/96: “É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o Ensino Fundamental em ciclos”.
Ciclo de aprendizagem é uma organização dos tempos e espaços e das interações entre os diferentes sujeitos e objetos do conhecimento. Tal organização está relacionada com a necessidade de se pensar uma nova concepção de currículo sócio-histórico e cultural com maior integração e articulação entre os anos do Ensino Fundamental. Nesse sentido o ciclo tem a função de constituir progressões em etapas plurianuais.
O Ciclo de Alfabetização (1º, 2º e 3º anos), consubstancia-se na aprendizagem das crianças de 6 a 8 anos. A meta é alfabetizá-las considerando suas potencialidades, seus diferentes modos de aprender e seus diversos ritmos como processos intersubjetivos sócio-históricos e culturais. Constitui-se como um período com inúmeras possibilidades para que toda criança em processo de alfabetização possa construir conhecimentos diversificados e multifacetados de forma contínua e progressiva ao longo dos três anos.
Nesse ciclo é importante que as ações pedagógicas considerem as especificidades das infâncias – das crianças como sujeitos produtores de cultura – e contemplem atividades lúdicas, como o brincar, o ouvir, contar e ler histórias com/para as crianças de modo que a cognição e ludicidade caminhem juntas e integradas para garantir os espaços de apropriação e produção de conhecimentos.
A concepção de alfabetização considerada na perspectiva do letramento supõe que o estudante avance rumo a uma alfabetização não somente na aprendizagem do sistema de escrita, mas também nos conhecimentos sobre as práticas, usos e funções da leitura e da escrita, o que implica o trabalho com todos os componentes curriculares e em todo o processo do Ciclo de Alfabetização. Dessa forma a alfabetização relacionada ao processo do letramento envolve vivências culturais mais amplas e exige que professores, gestores educacionais, Conselho de Escola e comunidade escolar assumam o compromisso e a responsabilidade de garantir que TODOS e CADA UM dos estudantes, de fato, se beneficiem do direito de estar alfabetizado.
O plano curricular no Ciclo de Alfabetização aponta para a necessidade de planejar a organização do tempo sem fragmentar os conhecimentos oriundos dos diferentes componentes curriculares. Os conhecimentos devem, portanto, ser tratados de modo articulado, retomados e aprofundados de um ano para o outro. Para isso o planejamento deve estar fundamentado nos direitos de aprendizagem, que expõem como tratar a progressão de conhecimento e capacidade durante o Ciclo de Alfabetização. Um determinado conhecimento e capacidade pode ser introduzido em um ano e aprofundado em anos seguintes. Vale observar que, para o final do 1º ano do Ciclo de Alfabetização, as crianças devem ter se apropriado do sistema de escrita alfabética e conseguir ler e escrever palavras, frases e textos, ainda que apresentem dificuldades. No 2º ano, deve ser garantido o progresso dos conteúdos e das aprendizagens e, ao final do Ciclo, a alfabetização, de forma que sejam capazes de ler e produzir textos de diferentes gêneros com autonomia.
Os princípios dos direitos e objetivos de aprendizagem encontram-se expressos no documento Elementos Conceituais e Metodológicos para a Definição dos Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento do Ciclo de Alfabetização (1º, 2º e 3º Anos) do Ensino Fundamental, que aborda o contexto atual do movimento curricular do Ensino Fundamental e do conceito de aprendizagem como um direito humano, e portanto, a alfabetização como um direito social. Garantir esse direito significa proporcionar a todas as crianças condições para expressarem suas escolhas e exercerem sua cidadania, em qualquer situação social. Faz-se necessário, portanto,
construir, no cotidiano do sistema educacional, condições que permitam a plena concretização desse direito.
Uma das ações que foram implementadas e que viabiliza essas condições foi a adesão do Município de São Paulo ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), que propicia a formação continuada, presencial, para todos os professores alfabetizadores (1º, 2º e 3º anos), incentivo aos professores participantes, distribuição de recursos materiais do MEC – livros didáticos, acervos literários, biblioteca do professor e jogos pedagógicos.
No PNAIC, quatro princípios centrais são considerados ao longo do desenvolvimento do trabalho pedagógico:
1. A exigência de um ensino sistemático e problematizador do Sistema de Escrita Alfabética.
2. O desenvolvimento das capacidades de leitura e de produção de textos durante todo o processo de escolarização, garantindo acesso a gêneros discursivos de circulação social e a situações de interação em que as crianças se reconheçam como protagonistas de suas próprias histórias.
3. Os conhecimentos oriundos das diferentes áreas podem e devem ser apropriados pelas crianças, de modo que elas possam ouvir, falar, ler, escrever sobre temas diversos e agir na sociedade.
4. A ludicidade e o cuidado com as crianças como condições básicas nos processos de ensino e de aprendizagem.
Um dos grandes desafios na implementação do Ciclo da Alfabetização é a exigência de um trabalho focado, conjunto e integrado, pautado em meios diferenciados de gestão, coletivos e participativos, que envolvam verdadeiramente todos os sujeitos da comunidade escolar nesse mesmo propósito.
Para a superação dessa necessidade, propõe-se um planejamento para os três anos, para cada ano e para os componentes curriculares, elaborado coletivamente pelos professores do Ciclo de Alfabetização, visando a atender a cada criança em seu processo de aprendizagem. Essa forma de planejamento cria oportunidades diferenciadas para cada criança, o que pode representar um ganho significativo na direção da formação de todos, sem