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Percebe-se que, na literatura da área de Biblioteconomia, existe uma certa variedade de termos que se referem a um sistema que comporta um conjunto de documentos em suporte ‘não físico’.

Não há um consenso claro acerca das definições na literatura que tratam do assunto sobre qual termo seria o mais adequado, entretanto, “os termos são sinônimos, apesar de cada um destes termos privilegiar determinado aspecto da tecnologia” (MARCONDES et al., 2006, p. 147) e:

O termo bibliotecas eletrônicas enfatiza o fato de os acervos encontrarem-se registrados em meio eletrônico;

Bibliotecas digitais enfatizam o fato de a informação encontrar-se codificada em base digital;

Biblioteca virtual enfatiza o fato de o sistema utilizar tecnologias de realidade virtual. Alguns autores entendem também que nesse tipo de biblioteca a informação não está presente no servidor onde se encontra a biblioteca, mas em outros servidores remotos. Portanto, esse tipo de biblioteca encerra um conjunto de links (MARCONDES et al., 2006, p. 147-148).

Dessa forma, entende-se que a Biblioteca Virtual atende ao conceito biblioteca virtual ao disponibilizar links que dão acesso a outras bibliotecas digitais, repositórios e bases de dados.

Biblioteca digital: biblioteca que tem como base informacional conteúdos em texto completo em formatos digitais – livros, periódicos, teses, imagens, vídeos e outros – que estão armazenados e disponíveis para o acesso, segundo processos padronizados, em servidores próprios ou distribuídos e acessados

34 via rede de computadores em outras bibliotecas ou redes de bibliotecas da mesma natureza (MARCONDES et al., 2006, p. 16).

Entretanto, essa similaridade não desconsidera a primeira afirmação dos autores, quando expõem que os termos são sinônimos, visto que o objetivo desses sistemas de informação é o mesmo, disponibilização de informação na web de forma organizada e recuperável.

A biblioteca digital é também conhecida como biblioteca eletrônica (termo preferido dos britânicos), biblioteca virtual (quando utiliza os recursos da realidade virtual), biblioteca sem paredes e biblioteca conectada a uma rede. O conceito biblioteca digital aparenta algo revolucionário, mas, na verdade, ele é resultado de um processo gradual e evolutivo. Nas últimas décadas, o computador tem sido utilizado de forma cada vez mais crescente, desde os anos 70 muitas bibliotecas implementaram catálogos em linha, passaram a acessar bancos de dados, iniciaram o uso regular de cd-rom para recuperar referências bibliográficas e textos completos de artigos de periódicos, verbetes de enciclopédias e itens de outras fontes de referência (CUNHA, 1999, p. 258).

No dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia (CUNHA, 2008), encontram-se as definições dos termos citados. Biblioteca digital é a

[...] biblioteca que armazena documentos e informações em forma digital em sistema automatizado, geralmente em rede, que pode ser consultado a partir de terminais remotos. Proporciona o “acesso em linha, não somente a catálogos, mas também a uma grande variedade de recursos eletrônicos existentes na própria biblioteca ou fora, como, por exemplo índices e resumos bibliográficos, bases e bancos de dados, sistemas de cd-rom, entrega de documentos, jornais eletrônicos, bases de dados de imagens. A biblioteca digital seria aquela cujos documentos se apresentassem – todos – sob a forma de dígitos, em vez de quantidades físicas variáveis, quer dizer analógicas. Combinação de uma coleção de objetos digitais (repositório), descrições desses objetos (metadados), o conjunto de usuários e os sistemas que oferecem vários serviços, como captação, indexação, catalogação, busca, recuperação, provisão, arquivamento e preservação de dados ou informações (CUNHA, 2008, p. 50).

Sobre biblioteca eletrônica, o mesmo dicionário de termos de biblioteconomia traz a seguinte definição:

Biblioteca que provê acesso não somente ao seu próprio acervo, mas também, por meio de redes eletrônicas, a outros tipos de documentos e serviços providos por outras bibliotecas. É vista como uma biblioteca fisicamente identificável, mas que não possui material impresso e que faz parte de uma biblioteca digital (CUNHA 2008, p. 51).

35 Para biblioteca virtual, entretanto, assim como na definição do termo anterior, o autor faz referência a biblioteca digital como um acervo

[...] informacional eletrônico que pode ser acessado, de forma remota, e que está hospedado em diversos computadores. Biblioteca digital. Esse tipo de biblioteca não implica localização física, seja para o usuário final, seja para a fonte. O usuário pode acessar a informação a partir de qualquer ponto e a informação pode estar em qualquer lugar. Há um sentido de aleatoriedade, pois é irrelevante para o usuário saber onde a informação é mantida’. O termo biblioteca digital é mais apropriado, pois o termo ‘virtual’ (emprestado da realidade virtual) pode sugerir que o uso deste tipo de biblioteca não seja o mesmo de um ente real, quando, de fato, a experiência de leitura e visualização de um documento na tela do computador pode ser, qualitativamente, diferente da leitura dessa mesma publicação em forma impressa; porém, o conteúdo da informação permanece igual, independentemente do formato do documento (CUNHA 2008, p. 53).

O espaço virtual pode e deve ser utilizado como ferramenta de mediação entre a instituição e o aluno, estimulando o uso dos serviços oferecidos. Gomes (2008, p. 8) afirma que “uma das funções da Biblioteca é a de favorecer o acesso a informação”.

A biblioteca digital cumpre sua função precípua tornando disponível um sistema de suporte a formação ao longo de toda a vida, fornecendo material e serviços para o estudo também a estudantes adultos e à distância. O sistema de ensino eletrônico (e-learning) está na prática testando essa importante união entre bibliotecas digitais e educação, com experiências interessantes principalmente para os conteúdos abertos (TAMMARO; SANTARELLI, 2008, p.116).

Lévy (2000) afirma que as tecnologias intelectuais favorecem novas formas de acessos à informação e novos estilos de raciocínio e de conhecimento. Logo, faz-se necessária a construção de novos modelos e espaços de conhecimento.

Como essas tecnologias intelectuais, sobretudo as memórias dinâmicas, são objetivadas em documentos digitais ou programas disponíveis nas redes (ou facilmente reproduzíveis e transferíveis), podem ser compartilhadas entre numerosos indivíduos, e aumentam, portanto, o potencial de inteligência coletiva dos grupos (LÉVY, 2000, p. 157).

Entendendo a biblioteca on-line como um novo espaço estruturado de conhecimento, disponível na rede, entende-se também que ela pode favorecer o aprendizado personalizado. E, ainda, como organismo integrante da universidade, tanto a biblioteca física quanto a biblioteca virtual devem contribuir para as

36 atividades desenvolvidas a fim de atender às necessidades de informação dos alunos, cumprindo, assim, a missão da instituição.

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