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4. O INSTITUTO DE PESQUISAS MATEMÁTICAS

4.3. A biblioteca do IPM

Entre as previsões estabelecidas no decreto 37.235, que instituiu o Instituto de Pesquisas Matemática, estava a organização de uma biblioteca que reunisse os acervos “da biblioteca especializada de Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Escola Politécnica, e das demais Faculdades sediadas na Capital participantes do IPM”580. Para tanto, o documento apresentava algumas previsões, como a ressalva patrimonial, que ficaria reservada à cada unidade de origem, a aprovação do depósito pelos órgãos diretivos dessas unidades e o livre acesso ao acervo para todos os professores e assistentes da Universidade de São Paulo. Ao final, o decreto ainda previa que o funcionamento da biblioteca seria regulado por meio de normas definidas pela direção e Conselho Deliberativo do Instituto.

Neste cenário, a biblioteca do IPM foi sendo organizada ao longo de seu funcionamento, de forma um tanto precária, como apontam os relatórios de atividades do IPM, referentes aos anos de 1965 e 1966, os quais indicam que sua biblioteca funcionou até o referido período de maneira muito precária, sem ao menos sequer contar com um funcionário581.

Contudo, as dificuldades impostas pelos contingenciamentos orçamentários adotados pela gestão central da Universidade não impediram o encaminhamento de algumas ações por parte da direção do Instituto. Nesse sentido, em novembro de 1966 foi iniciada a:

Unificação no Instituto, das bibliotecas especializadas de matemáticas, para o que contou com a cooperação esclarecida da Sociedade de Matemática de São Paulo e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, tendo a Escola Politécnica cedido provisoriamente amplo salão para o depósito dos acervos582.

Todavia, a referida unificação aparentemente sofreu resistências das unidades que estavam cedendo seus livros, o que pode explicar o período de quase cinco anos entre a criação do Instituto e o início da unificação das bibliotecas. Antes disso a biblioteca já funcionava, mesmo que de maneira precária. Uma evidência de seu funcionamento pode ser extraída do

580 Decreto 37.235 do Governo do Estado de São Paulo, 1960.

581 Relatório de Atividades do Instituto de Pesquisas Matemáticas de 1965; Relatório de Atividades do Instituto de Pesquisas Matemáticas de 1966.

decreto 42.627, de 28 de outubro de 1963, que concedeu crédito orçamentário a Universidade de São Paulo para aquisição da biblioteca “que pertenceu ao Professor José Octávio Monteiro de Camargo, destinada à Escola Politécnica e ao Instituto de Pesquisas Matemáticas, da Referida Universidade, de acordo com o processo RUSP n. 19. 650-63”583.

No âmbito da Politécnica, encontramos uma comunicação de julho de 1966, em que o IPM, na figura de seu diretor João Augusto Breves Filho, solicitava duas autorizações à Escola. A primeira para instalação da biblioteca do Instituto em uma sala do seu Departamento de Matemática. A outra para aprovação do Departamento de Matemática e da Direção da Escola para o depósito de livros da Escola na referida biblioteca, que se encontrava em processo de organização. Esta aprovação era uma exigência prevista no artigo 13, §1º, do Decreto 37.235584. A provocação feita pelo IPM desencadeou um debate na Politécnica sobre a cessão dos livros de sua propriedade ao Instituto. Com o argumento de que se tratava de uma questão envolvendo o patrimônio da instituição, seu diretor encaminhou o assunto para a Congregação da Escola, que por sua vez, solicitou um parecer do Conselho Departamental. Oportunamente, a partir do posicionamento favorável do Conselho, a Congregação aprovou a participação da Escola no processo de formação da biblioteca do IPM585.

Assim, o mês de novembro de 1966 marcou o início do processo de unificação das bibliotecas especializadas em Matemática, cujas obras foram concentradas no IPM586. Este procedimento continuou até o final dos anos 1960, quando da criação do IME, que incorporou a estrutura do IPM. Com essa mudança institucional, a biblioteca recebeu o nome de “Professor Carlos Benjamin de Lyra”587, reunindo, além do acervo do IPM, obras do Centro de

Computação Eletrônica (CCE/USP), Departamento de Matemática da Faculdade de Economia e Administração (FEA/USP), Departamento de Estatística e de Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL/USP), Departamento de Matemática da Escola Politécnica (POLI/USP), e por fim, da Sociedade de Matemática de São Paulo. Assim, a biblioteca Prof.

583 Decreto 42.627, do Governo do Estado de São Paulo, 1963.

584 Ofício do Instituto de Pesquisas Matemáticas, de 04 de julho de 1966.

585 Ata da 870a sessão da Congregação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 1966; Relatório de Atividades do Instituto de Pesquisas Matemáticas de 1966.

586 Segundo o ofício enviado pela direção do IPM à Politécnica em julho de 1966, a unificação das bibliotecas ficou restrita as obras de pesquisa e pós-graduação, não abrangendo bibliotecas didáticas (Ofício do Instituto de Pesquisas Matemáticas, de 04 de julho de 1966, Op. Cit.).

587 Carlos Benjamin Lyra (1927 – 1974), assumiu a cadeira de Análise Matemática com a aposentadoria de Omar Catunda, em 1963, permanecendo como seu titular até sua morte. Ver: COBRA, T. T. L. Carlos Benjamin de

Lyra e a topologia algébrica no Brasil. 2014. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) – Instituto de

Carlos Benjamin de Lyra, fundada em 1969, “atualmente possui um dos mais completos

acervos na área de matemática da América Latina”588.

588 HISTÓRICO - INSTITUTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA. s/d. Disponível em: <https://www.ime.usp.br/bib/historia>. Acesso em: 14 nov. 2017.