Esta biblioteca foi criada no dia 18 de abril de 1950, em Salvador, por meio da Lei no 284/1950, na gestão do governador Dr. Otávio Mangabeira, que tinha
como secretário de Educação o renomado educador Anísio Teixeira.
Para a realização deste projeto, foi necessário muito empenho, pois a história da BIML foi marcada por grandes dificuldades, desde o início. Muitas pessoas colaboraram, porém a idéia só se concretizou pela incansável dedicação de Denise Tavares.
Em abril de 2000, a Biblioteca fez 40 anos e, para as atividades de comemoração, muitos documentos estão servindo para a pesquisa de diversos profissionais. Entre eles, podemos encontrar preciosos recortes de jornais, com momentos gloriosos da Biblioteca, bem como reportagens onde se denunciava o descaso público em relação à mesma.
Objetivando realçar a importância da BIML para a comunidade baiana, registramos nas próximas páginas alguns fatos históricos.
Para que Denise Tavares e seus amigos pudessem realizar o sonho de estruturar uma biblioteca destinadas especialmente às crianças, tiveram como primeira iniciativa, de arrecadar dinheiro para esta empreitada. Isto aconteceu por meio de um livro de ouro6que circulou entre amigos que se sensibilizaram com esta
causa.
Na busca de uma sede para iniciar as atividades, localizaram um “chalezinho da Prefeitura”, em que se guardavam material e ferramentas de jardinagem. Esta foi a primeira sede da BIML (BIBLIOTECA..., [199-]a, não paginada).
Após 4 anos de funcionamento, este chalé foi demolido e deu lugar a “um prédio de linhas funcionais, com instalações apropriadas para o funcionamento de uma biblioteca, sendo o mesmo inaugurado em 1956” (BIBLIOTECA..., [199-]a, não paginada). Mas, em 1962, um temporal desabou o teto da Biblioteca, muitos livros foram danificados e os demais tiveram que ser encaixotados. As autoridades não providenciaram as devidas reformas e Denise, inconformada com a não tomada de providências por parte do Estado, invadiu um casarão onde funcionara a Assembléia Legislativa e instalou ali a BIML.
Os anos foram passando e a verba necessária para restaurar o prédio danificado não foi liberada. Denise recorreu ao Governo Federal e, após várias tentativas para conseguir uma audiência com o Presidente da República, que na época era João Goulart, utiliza-se da seguinte estratégia: escreve uma carta (anexo A) para a filha do Presidente, cujo nome também é Denise, contando que ela morava no Sítio do Picapau Amarelo, com a Emília, o Pedrinho [...] “mas o teto desabou com a infiltração das águas de chuva e você nem queira saber o desastre! Livros, muitos livros molhados, tudo perdido. Um prejuízo incrível!”. Denise queria que a menina conversasse com o pai para que ele ajudasse e mudasse o fim desta história. “Ah! Denise! Se você soubesse como é horrível ver tantos livros – que estão valendo milhões e que tanto custaram juntar – estragarem-se num porão úmido!”. Algum tempo depois, não obtendo resposta, foi à Brasília. Localizou a escola em que a
6 Livro de ouro – “livros onde se registravam nomes ilustres, nomes de pessoas que contribuem para determinado fim altruístico (FERREIRA, 1986, p.1042).
menina estudava, aproximou-se dela, e mais uma vez solicitou a sua ajuda. Desta forma, Denise Tavares consegue uma audiência com João Goulart, que, sensibilizado com o trabalho desenvolvido por aquela baiana, destina as verbas necessárias para as reformas da Biblioteca; mas, logo em seguida, o Presidente foi deposto, ficando o dinheiro retido no Banco do Brasil. E foram necessárias muitas negociações e muitas interferências de políticos para que Denise conseguisse a liberação desta verba e pudesse ver a BIML voltar a funcionar. Ela conseguiu, e mais do que isto, fez novas articulações, até que, em 1960, por meio do Decreto Lei no 17.837 de 11 de novembro
de 1960, fosse criado o
[...] SERVIÇO DE BIBLIOTECAS INFANTO-JUVENIS DA BAHIA, encarregado de organizar, instalar e coordenar Bibliotecas Infantis Sucursais no Interior do Estado e nos Bairros da Capital, tendo a BIML como órgão padrão e central (TAVARES, 1970, p.44).
Este decreto resultou na criação de sucursais nas cidades de: Itapetininga (1962), Vitória da Conquista (1962), Livramento de Nossa Senhora (1963), Feira de Santana (1963), Ipiaú (1965), Jitauna (1970) e Gandú (1970) (TAVARES, 1970, p.52).
Atualmente, a BIML está situada no Jardim Nazaré, à praça Almeida Couto, em Salvador, instalada numa área construída de 1.267 m2, estando
subordinada à Diretoria de Bibliotecas Públicas, Fundação Cultural do Estado da Bahia e à Secretaria da Cultura e Turismo. A ela compete:
• Programar, executar e avaliar programas, projetos e atividades voltadas para o estímulo, a formação e o desenvolvimento do hábito de leitura, em consonância com o Departamento de Bibliotecas;
• Oportunizar o uso da informação como meio de facilitação da vida sociocultural da comunidade em geral;
• Coordenar, supervisionar e avaliar as atividades desenvolvidas pelas equipes técnicas integrantes da BIML;
• Promover e orientar cursos e palestras voltados para a valorização e desenvolvimento profissional dos funcionários que atuam junto ao público jovem;
• Apoiar a educação formal, no acolhimento a estudantes, em programações conjuntas às escolas da comunidade;
• Exercer outras atividades correlatas. (FUNDAÇÃO..., [199-], não paginada).
Para cumprir estes objetivos, conta como uma estrutura composta de duas seções, a Seção de Informação e Assistência ao Público e Seção de Iniciação à Leitura. Estas seções dividem-se em: Setor de Estudos e Pesquisas, Setor Circulante,
Setor de Periódicos, Setor de Leitura, Setor de Dinamização Cultural e Setor de Recreação.
No momento da pesquisa (julho de 1999), o acervo continha livros de todas as áreas, com peso maior em ficção infanto-juvenil. Era composto de 56.097 exemplares de livros; 121 títulos de periódicos; 1.403 discos e 215 pastas com recortes de jornais, que são utilizados para pesquisa. A biblioteca mantém também um banco de gravuras, montado com recortes de periódicos velhos, que são doados aos usuários para ilustração de suas pesquisas.
O público atendido por esta biblioteca é diversificado, pois abrange desde o pré-escolar até pessoas de nível superior. Acreditamos ser importante registrar que, segundo o Almanaque Abril (1998, p.81), a população de Salvador era de 2.274.167 habitantes e a contagem da população infanto-juvenil feita pelo IBGE/1997, apontava como existentes em Salvador 753.379 mil indivíduos nessa faixa etária (IBGE, 1997, sem paginação).
Quanto à freqüência mensal na BIML, “é bastante variável, chegando a atingir o total de 21.961” [anotação de setembro de 1997]; isto resulta numa média diária de 843 pessoas. Estas pessoas [...] “são procedentes desde o Centro até o Subúrbio devido à proximidade de grandes Colégios como Severino Vieira e ICEIA” e também familiares dos doentes que estão sendo atendidos nos diversos hospitais que se localizam na redondeza (BIBLIOTECA..., [199-]b, sem paginação).
A atual diretora da BIML é a bibliotecária Ceres Maria Soares Pimentel, que está administrando a Biblioteca há 8 anos. É graduada em Biblioteconomia desde 1965, formada pela Universidade Federal da Bahia.