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3.2 A BUSCA CHINESA POR ENERGIA NO BRASIL (1990-2010)

3.2.2 O modelo energético brasileiro

3.2.2.5 Biocombustíveis

3.2.2.5 Biocombustíveis

Nas últimas décadas, os processos da globalização têm causado um efeito devastador no planeta, principalmente por meio do fomento ao consumismo desenfreado. Por outro lado, o desenvolvimento de novas técnicas permite ao homem trabalhar projetos ecológicos de fluxos de energia e de matérias-primas. O objetivo do capitalismo global é de elevar ao máximo a riqueza e o poder de suas elites e a meta do projeto ecológico é o de aumentar ao extremo a sustentabilidade da vida na Terra.

Após a utilização em larga escala dos combustíveis não renováveis altamente poluentes (carvão mineral e petróleo), principalmente no século XX, provocando o esgotamento de várias fontes e intensa poluição ambiental, neste novo milênio as sociedades deverão buscar novas fontes de energia. Dentro deste contexto, a prática da energia limpa e renovável atuará como determinante para os países não sofrerem interrupções em seu abastecimento energético interno, pois se isso ocorrer pode causar algum tipo de recesso ou estagnação, principalmente, na economia.

A riqueza das energias renováveis em todas as regiões do globo gera novas previsões para as nações pobres e de sustentabilidade para os Estados mais abastados. No Brasil, 60% da energia gerada atualmente (2010) provêm das fontes renováveis, no mesmo momento em que outros países se esforçam para alcançar

12%. No ano de 2010, 85% da matriz energética mundial é de origem fóssil e 80%

dessa energia tem sua utilização concentrada em, cerca de, dez países. A contribuição do Brasil na emissão de gás carbônico para a atmosfera é de 0,41%, ao passo que as cotas da China, EUA, Alemanha, Rússia e Japão, somam 65%

(CAMPOS, 2003).

Os combustíveis vegetais dos trópicos, especialmente do Brasil, representam o contraponto à intensa utilização dos combustíveis fósseis utilizados por anos no Hemisfério Norte. No século XXI, o Brasil deverá desempenhar uma relevante função no tocante às energias renováveis, podendo aproveitar-se economicamente desta questão.

No futuro, o Brasil deverá se consolidar como o principal fornecedor mundial de combustíveis renováveis de alto grau energético, sem em nenhum momento colocar em risco a alimentação de sua população, dadas suas terras férteis para o plantio das mais diferentes plantas. Ao contrário dos chineses, que não dispõem de terras agricultáveis suficientes (CAMPOS, 2003).

Dentro deste contexto, o biodiesel aparece como uma alternativa de amenização da dependência dos derivados de petróleo e como um novo mercado para as plantas oleaginosas. O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por variados processos tais como o craqueamento, a esterificação ou pela transesterificação. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou óleos vegetais, havendo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como: mamona, dendê, girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso, soja, dentre outras.

A inserção do biodiesel no mercado representará uma nova dinâmica para a agroindústria, com seu consequente efeito multiplicador em outros ramos da economia, envolvendo óleos vegetais, álcool, óleo diesel e outros insumos e subprodutos da produção do éster vegetal (CAMPOS, 2003).

A viabilização do biodiesel exige, contudo, a execução de uma estrutura regular para produção e distribuição de maneira a alcançar, competitivamente, os mercados potenciais. A inclusão do biodiesel demanda, contudo, investimentos ao longo da cadeia produtiva para asseverar a oferta do produto com qualidade, além

da perspectiva de retorno do capital investido no desenvolvimento tecnológico e na sustentabilidade do fornecimento em longo prazo (CAMPOS, 2003).

O Brasil ocupa a segunda posição de produtor e exportador mundial de óleo de soja (CAMPOS, 2003), e poderá tornar-se um importante produtor e consumidor de biodiesel, e de alguns outros óleos vegetais das distintas regiões do país, e assim reduzir a dependência da compra de óleo diesel, melhorando o balanço de pagamentos e gerando riqueza para os brasileiros.

O interesse brasileiro pelos combustíveis renováveis remonta a década de 1920, quando o Instituto Nacional de Tecnologia – INT já pesquisava e experimentava combustíveis alternativos e renováveis, como o álcool de cana-de-açúcar. Posteriormente, outros países, motivados pela demanda da Segunda Guerra Mundial e das crises do petróleo, também desenvolveram e testaram os biocombustíveis (CAMPOS, 2003).

A década de 1990 se consolidou pela produção comercial e instalação de plantas em escala industrial, preocupando-se com a questão ambiental e o incentivo proporcionado pela concorrência dos custos do petróleo e dos óleos vegetais.

Desde 1991, o Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT coordena projetos de fomento tecnológico para combustíveis renováveis, como a biomassa de madeira, de cana-de-açúcar e de folhas, contando ainda com o auxílio do Global Environment Facility-Banco Mundial e, seguidamente, da União Europeia – UE (CAMPOS, 2003).

No ano 2000, foi instalada no Mato Grosso a fábrica de biocombustíveis da ECOMAT para a produção de éster de soja, um aditivo especial da mistura álcool diesel. No ano de 2003, a disponibilidade brasileira imediata de biodiesel a partir da soja se convergiu na perspectiva do diferencial entre a capacidade nominal de produção da ordem de 51 milhões de toneladas, para uma capacidade de processamento de 36 milhões de toneladas, com a correspondente produção de óleo de soja da ordem de 5 bilhões de litros e a capacidade de produção de biodiesel que é da ordem de 1,5 bilhão de litros (CAMPOS, 2003).

O consumo anual de diesel no Brasil é da ordem de 36 bilhões de litros, deste montante 20% é oriundo de outros países. A região Sudeste do país consome 44%, a região Sul 20%, o Nordeste 15%, o Centro-Oeste 12% e a região Norte 9%.

A região Sudeste consome 44%, a região Sul 20%, o Nordeste 15%, o Centro-Oeste 12% e a região Norte 9%.

O diesel se utiliza preferencialmente para transporte 80% e 20% para sistemas elétricos isolados, agroindústria e usinas emergenciais de eletricidade (1000 MW instalados). A produção nacional de biodiesel em adição ao diesel comum pode melhorar a qualidade do diesel e, também, pode contribuir na redução da atual dependência de importação de óleo diesel, que é da ordem de 7 bilhões de litros ao ano, desonerando a balança de pagamentos e criando riqueza no interior do Brasil (CAMPOS, 2003).

A produção e a utilização do biodiesel no Brasil variam de acordo com cada região. Na região Norte destacam-se o dendê, babaçu, soja e gordura animal; No Nordeste: babaçu, soja, mamona, dendê, algodão, coco, gordura animal e óleo de peixe; para o Centro-Oeste: soja, mamona, algodão, girassol, dendê, gordura animal; para o Sul: soja, colza, girassol, algodão, gordura animal e óleos de peixes;

e, para o Sudeste: soja, mamona, algodão, girassol, gordura animal e óleos de peixes (CAMPOS, 2003).

O presente cenário mostra-se favorável, haja vista a prática do livre mercado para combustíveis, a redução de barreiras fiscais, a política energética realizada, o perfil de produção e consumo de diesel, a urgência de se amenizar a poluição atmosférica e o considerável interesse e competitividade da indústria local.

Considera-se plausível o esforço do governo brasileiro em desenvolver o

“bom combustível” e garantir o preço e o uso do produto no país. O fomento das tecnologias dos processos de produção e de utilização do biodiesel e seus subprodutos deve estar sempre junto com a demonstração da viabilidade econômica e socioambiental, da competitividade e, igualmente, da promoção do aceitamento pelo mercado consumidor.

Por outro lado, analisa-se também que para mudar a matriz energética do Brasil, e também da China, é necessário somar importantes esforços, como do governo, dos empresários, e, principalmente, parcerias com outros países, no caso da China, para arrecadar investimentos na área.