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(%) Fruto Inteiro 28,

6.1 Biodiesel de Mamona

Definida como prioritária no PNPB do governo federal, a mamona começou a ser reavaliada, pois as indústrias questionam a competitividade dessa matéria-prima em relação a outras culturas, como a soja e o girassol. Segundo dados técnicos da Embrapa, o biodiesel feito da mamona tem durabilidade de 3 anos, enquanto que o biodiesel da soja tem validade de 15 dias.

Em dezembro de 2004, o governo brasileiro fez revisão do projeto e incentivou a regionalização do mercado de biodiesel. A mamona passou então a ser uma cultura prioritária, mas não exclusiva do programa, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, devido ao fato de que o objetivo principal do programa é a inclusão social, gerando emprego e renda às famílias carentes.

A expansão do plantio da mamona depende de políticas econômicas para atrair investimentos. Segundo dados estimados pelo governo federal, a obrigatoriedade da mistura de 2% de biodiesel ao óleo diesel, a partir de 2008, demandará a produção de 1 bilhão de litros de biodiesel por ano. E, a partir de 2013, o percentual da mistura será de 5% exigindo uma oferta de 2,4 bilhões de litros por ano.

A seguir, a Figura 04 mostra o fluxograma de produção do biodiesel, obtido a partir da mamona, desde a lavoura até o produto final.

FIGURA 04 - Fluxograma de Produção do Biodiesel de Mamona

No Nordeste, a demanda de biodiesel foi estimada em 300 milhões de litros por ano que implica num crescimento de 180% do plantio de mamona até 2008. Além disso, o custo do biodiesel de mamona ainda é preocupante, pois atualmente chega a ser 50% mais caro que o óleo diesel. Segundo análise da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, a produção de biodiesel de mamona é positiva quanto à questão da inclusão social, mas do ponto de vista do custo da produção, o biodiesel de soja ganha

espaço. Isso pôde ser confirmado no tópico 6.3 sobre custo de produção do biodiesel, mais adiante.

Outro fator que reduz a competitividade da mamona é a falta de uso para a torta – farelo que sobra do esmagamento, correspondente a 60% da oleaginosa e de teor tóxico, não adequado ao uso como ração animal. Um outro entrave ao biodiesel de mamona é que ele ainda não se classifica nas especificações internacionais. Portanto, é necessário que o Brasil harmonize a política de combustível com a padronização das especificações internacionais.

Além desses problemas, o biodiesel de mamona também sofre com a concorrência do mercado de óleos para a indústria cosmética e farmacêutica, pois o óleo de mamona tem alto valor agregado nesses segmentos. O óleo bruto de mamona atualmente tem valor de mercado de aproximadamente R$ 3,00/kg. Dentre os gargalos que inibem a produção, pode-se citar a baixa oferta de mamona para a produção de biodiesel e o alto preço do óleo extraído da planta. Responsável pela implantação do Pró-Álcool na década de 1970, o engenheiro José Walter Bautista Vidal, do Instituto do Sol afirma e explica que “a mamona é um produto muito nobre para ser queimado... ela é mais

indicada para a produção de lubrificantes ou na refino-química, e não como combustível”.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, as empresas que produzem biodiesel de mamona no Nordeste recebem benefício fiscal de R$ 218,00 por milhão de litros. Visando incentivar o plantio por pequenos produtores, o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) abriu linha de crédito para cerca de 30.000 famílias de agricultores no Nordeste, onde as condições são favoráveis à produção de mamona.

O governo estuda estratégia para abrir o mercado de biodiesel, cujo preço deverá ser definido entre o valor do diesel (R$ 1,03/litro) e o valor pago pela Europa (R$ 4,00/litro). Segundo dados da Conab, a produção de mamona no Brasil, na safra 2004/2005, foi de 161,7 mil toneladas, crescendo 50,7% em relação à safra anterior. No Nordeste, a produção foi de 154,1 mil toneladas, aumentando 47,5%.

As políticas públicas de incentivo à produção de biodiesel no país devem estabelecer medidas de obrigatoriedade da mistura e tratamento fiscal diferenciado, como já é feito em alguns países pioneiros. Quanto à primeira medida, a Lei 11.097 – de janeiro/2005 instituiu a mistura compulsória de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo. De início, o preço do biodiesel vai oscilar de acordo com a formação de preço dos óleos vegetais, que sofre influência da sazonalidade. No médio prazo, com a escassez de matéria- prima e o aumento dos preços do petróleo, os ganhos de produtividade farão com que o preço do biodiesel caia gradativamente até se tornar mais competitivo.

Quanto à segunda medida, para iniciar a produção de biodiesel em grande escala, é necessária uma política tributária de incentivos. A Lei 11.116, de 18/05/2005 estabelece privilégios ao PIS/COFINS, com isenção de 100% da tributação, para o

biodiesel de mamona, de palma e de dendê produzido nas regiões norte, nordeste e semi-árido por agricultura familiar. Nas outras regiões do país, a produção de biodiesel não recebe isenção fiscal.

O Sebrae lançou, no início de 2005, o Projeto do Agronegócio da Mamona que visa transformar o estado do Piauí num banco de sementes e inovador na produção desse tipo de biodiesel, abrangendo um total de 42 municípios e cerca de 4.500 agricultores familiares.

Abaixo, a Tabela 15 apresenta os custos médios de produção por litro de biodiesel, em dólar, de acordo com a matéria-prima utilizada, para o ano de 2002. Percebe-se que o custo do biodiesel proveniente do óleo de mamona é mais elevado que o da soja, confirmando o que já havia sido dito anteriormente, ou seja, o biodiesel de mamona não possui vantagem econômica, somente vantagem social, pois seu custo de produção é superior ao do biodiesel proveniente do óleo de soja.

TABELA 15 - Custos Médios de Produção por Litro de Biodiesel Matéria-Prima Utilizada Custo/Litro (em US$)

. Óleo de Soja 0,47 . Óleo de Mamona 0,80 . Óleo de Fritura 0,25 . Óleo de Babaçu 0,72 . Sebo Bovino 0,33 Fonte: COPPE/UFRJ – 2002.

Em relação ao plantio da mamona no Brasil, em 1980, verificou-se uma redução na área colhida, bem como na produção, passando de 415 mil toneladas de mamona em 1980 para 78 mil toneladas em 1995. A partir do ano 2000, esse quadro começou a ser revertido, com aumento da produção e também da área colhida, chegando a 189 mil toneladas de mamona em 2004.

TABELA 16 – Plantio da Mamona no Brasil

Ano Área Colhida

(1.000 hectares) Produção (1.000 toneladas) 1980 281 415 1990 134 239 1995 48 78 2000 80 161 2004 148 189 Fonte: CONAB.