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1.1  Bisarro-Estágio curricular

No documento Bisarro (páginas 34-38)

A oportunidade de estágio curricular surge no âmbito da cadeira Projeto I, lecionada pelo docente Afonso Borges com parceria entre a Universidade da Beira Interior e a Bisarro. A seleção do aluno a realizar estágio curricular ficou definida após a avaliação das competências apresentadas pelos alunos, através do projeto desenvolvido no 1º ano, 1º semestre proposto pela Bisarro no ano letivo 2016-2017. Um projeto desenvolvido para o setor de utensílios de cozinha acompanhado pelo professor Afonso Borges, docente da cadeira de Projeto, com reuniões complementares ao longo do processo de desenvolvimento pelos autores do Briefing e fundadores da marca, Renato Rio Costa e Daniel Pera. Estes concluíram que, o aluno selecionado para iniciar estágio curricular demonstrou qualidade na resposta ao briefing, possuindo conhecimentos sobre a marca bem como os seus produtos e métodos produtivos.

De forma sucinta, o briefing contemplava a criação de uma peça em barro, ou no máximo até três peças utilitárias para uso doméstico. No caso de ser um conjunto de peças estas deviam pertencer a uma coleção, ou seja, deviam seguir a mesma linguagem, podendo-lhes, no entanto, atribuir diferentes utilidades. O material a utilizar neste projeto proposto deveria ser predominantemente barro, podendo ser considerados outros materiais complementares às peças desenvolvidas como a cortiça (várias granulometrias) e a madeira (carvalho, pinho e contraplacados) tendo em atenção a viabilidade de maquinação das formas em torno, CNC ou corte a laser. O método de produção relativo à peça de barro passava pela modelação manual na roda de oleiro. O Mercado-alvo seria sobretudo o mercado externo, concretamente o mercado Americano, Inglês e Nórdico, tendo o mercado nacional como considerado por defeito. Conforme o referido anteriormente, o segmento alvo seria o segmento doméstico utilitário. Os produtos desenvolvidos, contudo, podiam contemplar valências e características para o segmento hoteleiro. Pretendia-se, com as peças desenvolvidas no âmbito deste briefing, atingir um público heterogéneo, entre os 25 e os 50 anos. O consumidor tipo destas peças podia ser um consumidor final (doméstico), que poderia adquirir o produto em lojas físicas ou online; ou um consumidor técnico (armazenistas ou retalhistas), que adquire o produto em mais quantidades para revender, como por exemplo lojas, pontos turísticos, etc.

A principal diferença entre estes dois clientes prende-se com a valorização do produto. A compra de um consumidor final será definida pela apreciação do produto, se este é apelativo, atrativo, funcional, se a embalagem comunica bem o produto e a sua função. Pois o consumidor técnico dá prioridade à pertinência do produto no mercado, ao preço, à embalagem, à facilidade de armazenamento e transporte.

Para efeitos de pesquisa e inspiração, foram aconselhadas as seguintes marcas:

-Bolia / Menu AS / Atipico / Layer Design / EVA SOLO / Skagerak / Rosenthal / Rosendahl / Crate&Barrel / Alessi/ HAY.

Após a recolha de informação e análise de métodos produtivos, os produtos da marca e o mercado em questão, iniciou-se o desenvolvimento de um projeto de cerâmica centrado no barro preto de Bisalhães.

O projeto de seu nome ‘’Bô’’, figura 3, expressão que caracteriza a população de Trás-os- Montes, é um projeto focado na memória e tradição. A memória das lareiras dos nossos antepassados que abrasam em dias frios nas casas enraizadas nas encostas das serras, com aromas a fumo cravado no ar. Estas circunstâncias que acabam por ser uma tradição de muitas famílias encaminharam para o desenvolvimento de um produto que se remete esta memória. Uma panela com uma pega em madeira, assente numa base onde se incluem brasas para manter a refeição calorosa. Para cozinhar e servir à mesa, mantendo sempre a refeição quente. Este foi um dos projetos selecionados que deu mais tarde, origem à proposta de estágio. A marca estava numa fase de reestruturação do seu portfolio e atuação no mercado, propondo assim um papel importante nesta reestruturação trazendo grandes benefícios na medida em que surge assim a oportunidade de trabalhar num contexto real, com contato direto com a produção, resolução de problemas processuais, produtivos e comerciais, bem como o contato direto com clientes. Com a oportunidade de implementar conhecimentos adquiridos durante o contexto académico durante todo o processo de desenvolvimento na Bisarro.

A função prevista a desempenhar durante o tempo de estágio foi, anteriormente ao início do mesmo, proposta e discutida com o Diretor de Mestrado, o docente Afonso Borges e com os designers da empresa. Tal como o plano de possíveis atividades a desempenhar na mesma. No entanto, a função desempenhada é principalmente definida pelas possibilidades e necessidades da empresa. Na perspetiva de que os objetivos apresentados previamente são os pretendidos e a função desempenhada é o que a empresa possibilita de realizar.

A função principal atribuída enquanto estagiário na Bisarro reincidiu maioritariamente no apoio ao processo de reestruturação da marca e da sua presença no mercado, desenvolvimento de produtos complementares à coleção existente, comunicação e apresentação dos mesmos, participação em reuniões com clientes e fornecedores, acompanhamento de produção, e desenvolvimento de projetos específicos para clientes.

Assim, o período do estágio profissional teve início no dia 2 de outubro de 2016 e terminou no dia 2 de fevereiro de 2017, com uma carga horária semanal de 40 horas, distribuídas por 5 dias, das 9:00 às 19:00.

A realização deste estágio, no ponto de vista do estagiário, é de elevada importância pois são testadas todas as competências adquiridas ao longo da licenciatura e do mestrado, o contato com a realidade de trabalhar numa empresa proporciona a oportunidade de adquirir novas aprendizagens que não seriam possíveis de outra forma pois toda a teoria obtida no meio académico, carece de um contexto prático pois só com esta simbiose é possível ter uma preparação adequada para que no futuro tenhamos autonomia suficiente para lidar com todas as ambiguidades da profissão, enfrentando obstáculos e aprendendo com os erros.

 Fig. 3 PROJETO ‘’BÔ’’, MICAEL BACELAR PEREIRA, 2016

BISARRO

2.

No documento Bisarro (páginas 34-38)