3. BLENDED LEARNING
3.7. Blended Online POPBL
O modelo Blended Online POPBL é em sua natureza carregado de um pioneirismo audacioso porque é o encontro de uma modalidade inovadora (Blended Learning) com uma metodologia de vanguarda (POPBL). No âmbito de iniciativas pioneiras que abordam o Blended Learning, Delialioğlu (2012) chama a atenção para um estudo feito por três pesquisadores da Universidade de Sidney, na Austrália. Neste estudo, realizado em 2007, Ana-Maria Bliuc, Peter Goodyear e Robert A. Ellis examinaram uma volumosa quantidade de pesquisas que abordava o Blended Learning no ensino superior. Os pesquisadores concluíram que uma pesquisa educacional cientificamente relevante sobre Blended Learning precisa investigar a relação entre os diferentes modos de aprendizagem nessa modalidade e como eles podem ser integrados.
Nessa perspectiva de integração de diferentes modelos de aprendizagem, An (2013) destaca quatro características da modalidade Blended Learning que potencializam o processo do POPBL:
1) Os alunos são imersos em um ambiente de aprendizagem mais flexível e construtivista, onde podem assumir o controle de sua aprendizagem e trabalhar com recursos ricos e dinâmicos.
2) Em ambientes de aprendizagem combinada (Blended), os alunos e professores estão livres das restrições de tempo e espaço da sala de aula tradicional.
3) Blended Learning promove a interação e a colaboração entre os alunos e os professores, tanto dentro como fora da sala de aula. Esse recurso também é adequado para o POPBL uma vez que esta metodologia depende da aprendizagem colaborativa.
4) Blended Learning tem o potencial de proporcionar aos alunos que são tímidos em ambientes presenciais a oportunidade de participar ativamente na resolução cooperativa de problemas.
Além disso, todo o processo de resolução de problemas e desenvolvimento do projeto fica registrado no ambiente online, proporcionando um repositório metacognitivo, ou seja, o professor e os alunos conseguem observar a evolução do pensamento registrado no ambiente online, pois eles refletem sobre o próprio pensamento no processo de resolução de problemas e desenvolvimento de projetos.
A dinâmica do modelo Blended Online POPBL tende a se concentrar em um determinado Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), por meio do qual os alunos desenvolvem colaborativamente estratégias de resolução de problemas, dispõem de material online, recursos para comunicação, portfólio, entre outros recursos. Dessa maneira, enquanto em um nível, o uso do AVA pelos estudantes os leva a ter acesso aos recursos materiais e de comunicação, que apoiarão o aprendizado, em outro nível, eles se comprometem com as atividades presenciais nos grupos de aprendizagem baseada em problemas (Savin-Baden, 2006).
Trapp (2006) pondera que uma aprendizagem bem sucedida e eficaz sempre está relacionada com o grau de implicação do aluno no processo de aprendizagem. Com a aprendizagem orientada a problemas que utilize métodos exploratórios, os alunos estão diretamente implicados. No entanto, há poucas iniciativas na modalidade Blended Learning cuja estratégia metodológica seja essencialmente a resolução de problemas e os métodos de investigação.
Mas é importante que se tenha critério ao utilizar o POPBL como estratégia pedagógica em uma modalidade que mistura educação online e presencial. É vital que sejam verificadas as similaridades entre os elementos que irão compor essa abordagem Blended,
caso contrário, será realizada porque está na “moda”, é o hype7 do momento, sendo destituída de qualquer julgamento sobre seu valor epistemológico. Assim, se a perspectiva epistemológica que ancora um modelo misto é o construcionismo, Bartolomé (2004) defende que o Blended Learning deve ser um modelo de aprendizagem no qual o estudante possa desenvolver habilidades importantes para sua vida futura na sociedade:
• Buscar e encontrar informação relevante na rede;
• Desenvolver critérios para validar essa informação, segundo indicadores de qualidade;
• Aplicar a informação na elaboração de nova informação e em situações reais; • Trabalhar em equipe compartilhando e elaborando informação;
• Tomar decisões com base em informações conflitantes; • Tomar decisões em grupo.
De acordo com Pesce (2010), a aprendizagem é um processo individual, mas que pode ser potencializado com atividades colaborativas que articulem a resolução de problemas com interações sociais de modo que sejam desenvolvidas habilidades individuais e coletivas. Nesse sentido, Almeida e Prado (2003) consideram que representar no computador as interações sociais da aprendizagem baseada em problemas faz com que os alunos tenham maior consciência do processo de aprendizagem, além de refletirem e depurarem suas ideias, uma vez que o ambiente virtual, em razão do registro das diferentes etapas de aprendizagens, é propicio para promover a melhora continua nas produções dos alunos, bem como a compreensão de todo o processo que culminou na resolução de um problema.
Por essa razão, são inúmeros os trabalhos que enfatizam a vantagem mais significativa que os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) oferecem para as metodologias ativas: a aprendizagem colaborativa (ATAN et al, 2005). Todavia, apenas oferecer aos alunos ferramentas de comunicação remota, não garante o surgimento de interações sociais que levem à efetiva colaboração. Para melhorar a coesão do grupo, Sancho et al. (2011) propõe estimular nos alunos uma mudança de atitude para um papel mais ativo e ajudá-los a praticar e melhorar habilidades sociais durante o processo de aprendizagem.
Focando as ferramentas assíncronas de comunicação presentes nos AVA, Jonassen (2000), pondera que o uso da tecnologia para apoiar a argumentação durante a resolução de problemas é denominado Computer-Supported Collaborative Argumentation (CSCA), ou em sua tradução literal Argumentação Colaborativa Apoiada por Computador. O modelo CSCA
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prevê uma organização hierárquica para estruturar as comunicações com foco na resolução de problemas (Figura 6).
Figura 6 – A CSCA está organizada hierarquicamente.
Fonte: Jonassen (2000, p. 280).
O problema no processo do modelo CSCA corresponde a uma afirmação incompleta ou a uma controvérsia, algo que remeta a um problema a ser resolvido. A partir do problema é definida uma proposta de solução. As propostas, ou planos de ação, são dirigidas a afirmações encontradas no problema. Desse modo, o argumento é elaborado a partir de evidências que apoiam uma proposta. Assim, para resolverem um problema, “os alunos submetem propostas com argumentos sustentáveis” (JONASSEN, 2000, p. 280).
Da mesma maneira que o modelo CSCA de Jonassen, o modelo Open Learning Environments (OLE), cuja tradução é Ambientes de Aprendizagem Aberta, proposto por Michael Hannafin, Susan Land e Kevin Oliver, é centrado no aluno e promove a construção do conhecimento baseado na resolução de problemas, focando o desenvolvimento de pensamento crítico e múltiplas perspectivas para resolução de problemas. O modelo OLE prevê um ambiente virtual baseado na teoria da aprendizagem aberta que valoriza o contexto e a experiência. Tal ambiente conduz os alunos em experiências que promovem a compreensão por meio de exploração, oferecendo oportunidades para “conhecer” uma ideia ao invés de simplesmente falar sobre ela. A estruturação do modelo OLE possui algumas diretrizes metodológicas, como podemos ver na Tabela 2 (LIMA; CAPITÃO, 2003).
Estabelecer o Contexto Recursos de Informação Ferramentas Cognitivas Suporte • Externamente imposto • Externamente Induzido • Definido pelo aluno • Eletrônicos • Impressos • Humanos • Processamento de informação • Manipulação da informação • Ferramentas de comunicação • Conceitual • Metacognitivo • Procedimental • Estratégico
Tabela 2. Métodos do Modelo OLE de Hannafin, Land e Oliver
Fonte: Adaptado de Lima e Capitão (2003, p. 98).
Lima e Capitão (2003) detalham os métodos do Modelo OLE da seguinte maneira: O modo como o aluno se enquadra no problema que ele tem para resolver ocorre mediante a escolha do contexto, que pode ser:
Externamente imposto: o contexto é apresentado ao aluno de forma fechada e com
necessidades especificas;
Externamente induzido: o contexto é apresentado de forma aberta, cabe ao aluno
determinar quais as necessidades especificas, o contexto é uma situação-problema real que o aluno interpreta e especifica as necessidades que irá tratar;
Definido pelo aluno: O aluno determina o contexto e o problema que irá tratar.
No tocante aos recursos de informação, estes podem ser eletrônicos (tutoriais multimídia, vídeos, animações digitais etc), impressos (livros, revistas, jornais etc) ou
humanos (especialista, professores, profissionais etc).
De acordo com Salomon et al. (1992), entende-se por ferramentas cognitivas os recursos tecnológicos que realizam uma operação cognitiva pelo usuário e assim podem ser considerados como parceiros do usuário no processo que Pea (1989 apud Salomon et al., 1992) chama de "cognição distribuída". As ferramentas cognitivas permitem que os alunos manipulem as fontes de informação e suas ideias, seu uso varia de acordo com o contexto em que se apresenta o problema. Genericamente, as ferramentas cognitivas podem ser de
processamento da informação (motores de busca na web, processadores de texto etc), manipulação da informação (planilhas eletrônicas, linguagens de programação etc) e ferramentas de comunicação (assíncrona ou síncrona).
O suporte ao aluno pode ser conceitual (auxilia o aluno nos conceito que são importantes considerar, é aplicado quando o problema em estudo é definido, ou seja, quando é estabelecido o contexto), metacognitivo (faz com que o aluno pense sobre o próprio pensamento usado para resolver o problema, a reflexão, nesse caso, leva a um patamar de ideias mais elevado), procedimental (guia o aluno para conhecer os recursos do ambiente
virtual de aprendizagem), estratégico (oferece auxilio ao aluno nas decisões que ele toma para resolver o problema) (SALOMON et al., 1992).
O modelo OLE oferece uma gama de possibilidades de adaptações ao Blended Online POPBL, no entanto, convém ressaltar, que a proposição da abordagem Blended Online POPBL, seja mediante o modelo CSCA ou o modelo OLE, não significa a substituição do modelo convencional de ensino e aprendizagem, mas é uma abordagem educacional dedicada a complementar e desenvolver o que já existe (SAVIN-BADEN, 2006).
Para além da modalidade, ou metodologia empregada no processo de ensino e de aprendizagem, há que se ter uma atenção especial aos conteúdos que serão elementos-chave desse processo. Os conteúdos devem ser trabalhados seguindo uma coerência epistemológica, por essa razão a próxima seção apresentará as bases para o tratamento do conteúdo a partir do referencial construtivista e do racionalismo prático.