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reflexiva e educativa

BLOCOS TEMAS OBJETIVOS DE COLETA DE DADOS

1 Dados de

identificação

Composição familiar, recursos econômicos, escolaridade, formação acadêmica e tempo de experiência profissional.

2 Escolha e formação

profissional

Escolha profissional e trajetória de formação do entrevistado.

3 Câncer e interação

profissional– paciente

Concepções pessoais e profissionais do entrevistado no que se refere ao câncer e ao relacionamento profissional,

paciente e equipe.

4 Avaliação da atuação

profissional e final da entrevista

Satisfação do profissional no exercício de sua profissão; avaliação do momento da entrevista e coleta sugestões

para o curso . Quadro 2. Objetivos de coleta de dados dos blocos temáticos da entrevista.

De modo geral, aos blocos temáticos foram atribuídos objetivos de coleta de informações referentes: às atitudes, aos pensamentos e aos sentimentos dos profissionais em interação com os pacientes, familiares dos pacientes e equipe de trabalho; ao percurso de formação do profissional da saúde, desde a escolha da profissão, passando pela formação básica, até a formação continuada (cursos, especializações e pós-graduação); às experiências da prática do profissional na área da oncologia; às experiências pessoais relacionadas a questões de saúde e doença; ao local de trabalho; às características da população atendida (gênero, tipos de tratamento, conseqüências temporárias e permanentes da enfermidade); à rede de apoio ao profissional, formada por outros profissionais (colegas de profissão e equipe de trabalho) e por familiares dos profissionais (valorização profissional quanto à dedicação e ao empenho); às concepções e aos valores religiosos, morais e sociais.

Após transcrição integral das dez entrevistas foram feitas leituras do material coletado para a composição de uma síntese do conteúdo do que foi relatado por cada profissional, de acordo com os blocos temáticos da entrevista (Anexo 5).

Por meio das sínteses pode-se reunir dados das entrevistas referentes: 1. Ao modo como os profissionais caracterizam a clientela atendida: quem é o

paciente, quem é o paciente com câncer da mama, quem é o paciente difícil e quem é o paciente ideal;

2. Aos aspectos considerados gratificantes e difíceis desta interação: respectivamente, satisfação e aprendizado proporcionados pelo trabalho e pela interação com a clientela atendida; dificuldades em momentos específicos de interação com os pacientes;

3. Às Atividades e atitudes em interação com os pacientes: caracterização das atividades e/ou atitudes dos profissionais na interação com a clientela.

Com base nestas sínteses pode-se identificar e descrever as possíveis relações estabelecidas entre a escolha da profissão, a formação básica e continuada, as condições de trabalho, as crenças religiosas do profissional e seu conhecimento sobre as políticas no sistema de saúde pública.

No final da entrevista foi acordado que os participantes teriam acesso à tese, em sua versão final. Neste mesmo dia, os profissionais foram consultados a

respeito do interesse em participar de encontros com outros profissionais. Todos aceitaram o convite, sugerindo que as questões abordadas na entrevista fizessem parte das discussões do grupo.

Importante mencionar que a realização da entrevista no ambiente de trabalho dos participantes não foi impedimento para que avaliassem suas práticas profissionais. Pelo contrário, pôde-se constatar que neste ambiente os participantes buscaram estimulações presentes (exemplos e casos atendidos naquele dia) para identificação, explicitação, reconhecimento e avaliação de suas práticas. Segundo os relatos dos participantes, a entrevista possibilitou um momento de avaliação das práticas atuais dos profissionais. As falas de A2, A3 e E1 podem ilustrar o efeito do momento da entrevista

“(...) é bom estes momentos que a gente pode conversar sobre o trabalho, para poder pensar sobre o que não se está fazendo e o que a gente pode fazer. Para a gente não ficar naquele atendimento rotineiro, se bem que aqui não tem rotina... mas para gente pensar no que mais além a gente pode fazer. Hoje eu descobri o que me frustra.... Saber que eu tenho que fazer as visitas domiciliares, os grupos, as visitas hospitalares e não tenho como fazer, não consigo fazer... então foi ótimo ter respondido esta entrevista” (A2).

“Foi ótimo. Adorei. É sempre bom a gente repensar” (A3).

“Eu gosto disso, falta isso na saúde... da gente conversar, por pra fora nossas vontades presas dentro da gente, isso não tem. Não tem espaço para falar o que você pensa, como você gostaria que fossem as coisas, isso me angustia”(E1)

4.2- O curso

Depois de dois meses da entrevista um resumo dos principais dados coletados foi elaborado e entregue aos participantes. Na entrega deste documento fizemos uma consulta dos horários livres dos profissionais, para a realização do curso. A princípio todos os participantes entrevistados indicaram que haveria disponibilidade às sextas-feiras, sendo que cinco podiam no período da manhã e os outros cinco, no período noturno.

Dos dez entrevistados, seis profissionais estiveram presentes em, no mínimo, cinco encontros (70% de freqüência), dos oito planejados para realização do

curso de formação continuada, a saber: A1, A2, E1, E2, F1 e P1.

A Tabela 2 apresenta a freqüência de participação dos profissionais nos encontros do curso.

Tabela 2. Número de participantes por encontro e percentual de freqüência no curso de formação continuada.

Intitulado de "FORMAÇÃO CONTINUADA NA ÁREA DA SAÚDE: INTERAÇÃO PROFISSIONAL E MULHERES COM CÂNCER DA MAMA", o curso foi elaborado com base nas informações coletadas nas entrevistas.

Durante o curso foram abordados os seguintes temas: • Mulheres com câncer da mama: gênero, sexualidade e doença; • Enfrentamento de mulheres com câncer da mama;

• Identidade profissional;

• Interação profissional da saúde e paciente;

• Profissional da saúde diante de situações estressantes; • Competências interpessoais;

• Trabalho em equipe.

Antes do início do curso foi confeccionado um folder (Anexo 6) contendo:

• Apresentação - justificativa e objetivos do curso; • Programa - datas e temas a cada encontro;

• Ficha de inscrição – nome, profissão, endereço, telefone, e-mail; • Orientação e coordenação do curso.

A1 A2 E1 E2 F1 M1 P1 1oEncontro X X X X - X X 2oEncontro X X X X X - X 3oEncontro X X X X X - X 4o Encontro X X X X X - X 5o Encontro X X X X X X X 6oEncontro X X X X X X - 7oEncontro X X X X X - X 8oEncontro - X X X X - X Número e Percentual de freqüência 07 87,5% 08 100,0% 08 100,0% 08 100,0% 07 87,5% 03 36,5% 07 87,5%

Para cada tema foi elaborado um plano geral do encontro, contemplando os seguintes itens:

• Tema do encontro;

• Objetivo geral do encontro;

• Objetivos específicos de cada atividade; • Procedimentos de cada atividade; • Instrumentos técnicos;

• Materiais;

• Modo de avaliação;

• Estimativa de duração de cada atividade.

Aos participantes foi também explicitado que a proposta do curso estava vinculada ao Programa de Pós Graduação em Educação – Metodologia de Ensino, sob supervisão Profa. Dra. Aline Maria de Medeiros Rodrigues Reali e sob coordenação da discente doutoranda, Alessandra de Andrade Lopes (C1) e da discente, Denise Stefanoni Combinato (C2), graduanda em Psicologia na UNESP/Bauru e bolsista do Programa Iniciação Científica - PIBIC/CNPq/Faculdade de Ciências.

O curso foi dividido em oito encontros, um por semana, com duração média de três horas e meia. De acordo com a disponibilidade dos participantes dois grupos se formaram, cada um com cinco profissionais e duas coordenadoras (C1 e C2). Todos os encontros foram gravados em fita cassete para efeito de registro e análise de dados.

O curso de formação continuada foi realizado no Centro de Psicologia Aplicada (CPA) da UNESP/ Câmpus de Bauru. A sala utilizada no CPA foi uma sala de grupos, equipada com: ar condicionado, aparelho de som, bebedouro, lousa, tela branca para projeção de imagens, cadeiras individuais e uma mesa de 1m2.

Para cada encontro foi selecionado um tema de estudo, com o objetivo de organizar o curso de modo que os profissionais fossem estimulados a participarem de diferentes discussões. Como solicitado pelos profissionais, os temas selecionados foram, em síntese, os mesmos abordados nos blocos temáticos do roteiro de entrevista, considerando, porém, que no curso as discussões foram incrementadas pelas diferentes

experiências e opiniões dos participantes e pelas atividades propostas pela coordenação do curso.

A partir do segundo dia, no início de cada encontro um resumo do anterior era apresentado, seguido de comentários, perguntas, informações e avaliações registradas. O resumo do encontro anterior era feito com base nas gravações. Na seqüência fazia-se a leitura do plano de atividades que seria desenvolvido naquele dia. Após realização das atividades, e de um breve intervalo, os participantes faziam a avaliação do encontro.

No primeiro encontro os participantes se conheceram e após apresentação do programa do curso puderam manifestar e comparar suas expectativas iniciais em relação à proposta de trabalho (Anexo 7 – Síntese do Primeiro Encontro).

No segundo encontro foram temas de estudo: as condições históricas, sociais e emocionais de mulheres com câncer da mama, os procedimentos de tratamento prescritos e as relações entre pacientes, familiares e equipe de atendimento (Anexo 8 – Síntese do Segundo Encontro).

No terceiro encontro os profissionais conheceram e discutiram, por meio de exemplos de relatos registrados em entrevistas já transcritas de mulheres com câncer da mama, os modos pelos quais as pacientes enfrentam o câncer e outros eventos aversivos que acompanham o diagnóstico (Anexo 9 – Síntese do Terceiro Encontro).

No quarto encontro os participantes relataram sobre suas atitudes, suas atividades, os eventos, os fatos e as concepções que os identificam pessoalmente e profissionalmente. Além disso, avaliaram suas aprendizagens profissionais durante os cursos de formação básica, em interação com os pacientes e com profissionais da equipe de trabalho (Anexo 10 – Síntese do Quarto Encontro).

No quinto encontro a apresentação resumida dos dados da entrevista inicial favoreceu a identificação e a avaliação do modo como os profissionais vêm interagindo com a clientela atendida (Anexo 11 – Síntese do Quinto Encontro).

No sexto encontro as situações estressantes das práticas cotidianas dos profissionais foram evidenciadas em grupo e pôde-se discutir sobre o enfrentamento do profissional frente a estas situações (Anexo 12 – Síntese do Sexto Encontro).

No sétimo encontro os profissionais participantes relacionaram as conseqüências de seus comportamentos em interação com os pacientes, familiares dos pacientes e com equipe de trabalho. O trabalho em equipe, mais especificamente, a interação com a equipe de trabalho foi mencionada, por todos, como a dimensão mais desgastante e desafiante das práticas profissionais desenvolvidas (Anexo 13 – Síntese do Sétimo Encontro).

No oitavo encontro a discussão sobre o trabalho em equipe foi retomada e finalizada com a apresentação de projetos idealizados e que poderiam ser desenvolvidos nos locais de trabalho (Anexo 14 – Síntese do Oitavo Encontro).

Embora o programa geral do curso estivesse pronto no primeiro encontro, todas as sugestões iniciais, discussões e avaliações posteriores dos participantes foram consideradas, implicando alterações na seleção do material bibliográfico e metodologias empregadas, tais como: dinâmicas de grupo, instruções para estudos de casos de pacientes com câncer da mama e questões que orientaram as discussões e as avaliações dos temas dos encontros.

Ao término de cada encontro os participantes avaliaram oralmente ou por escrito às atividades e às discussões do dia. Foram utilizados diferentes instrumentos de coleta de dados relacionados aos temas dos encontros, entre estes: dinâmicas de grupo, instruções para estudos de casos de pacientes com câncer da mama, questões que orientaram as discussões e as avaliações dos temas dos encontros.

De acordo com a necessidade para o desenvolvimento dos temas em discussão, os seguintes materiais foram utilizados: papel sulfite, lápis de cor, giz de cera, canetas hidrográficas, pincéis atômicos, slides, equipamento de multimídia pertencente à Biblioteca do Câmpus da Unesp/ Bauru, artigos especializados, textos resumos elaborados pelas coordenadoras, entrevistas com mulheres com câncer da mama, gravador e fita cassete.

O Quadro 3 resume os temas, os objetivos e os participantes dos encontros, bem como indica os profissionais que responderam à avaliação final da pesquisa (entrevista e curso).

Temas Objetivos das atividades desenvolvidas pela coordenação do curso Objetivos relacionados à participação dos profissionais Participantes 1o Encontro Expectativas iniciais e integração Apresentação do grupo, manifestação e discussão

das expectativas iniciais em relação ao curso.

Identificar expectativas iniciais e compará-las

com a dos outros participantes.

A1, A2, E1, E2, M1, P1 2o Encontro Mulheres com câncer da mama: gênero, sexualidade e doença Manifestação e discussão das características mais eminentes das pacientes com câncer da mama.

Identificar características da clientela, bem como

suas atitudes, pensamentos e sentimentos diante da

mesma.

A1, A2, E1, E2, F1, P1 3o Encontro Enfrentamento de mulheres com câncer da mama Apresentação de procedimento de identificação e de análise de comportamentos de enfrentamento de mulheres

com câncer da mama.

Identificar comportamentos de enfrentamento e relatar

possíveis intervenções junto aos pacientes.

A1, A2, E1, E2, F1, P1 4o Encontro Identidade Profissional Manifestação de características que personalizam os participantes em diferentes ambientes e contextos.

A1, A2, E1, E2, F1, P1 5o Encontro Interação profissional da saúde e paciente Apresentação e discussão dos diferentes comportamentos de profissionais da saúde em

interação com seus pacientes.

A1, A2, E1, E2, F1, M1, P1 6o Encontro O profissional da saúde diante de situações estressantes Apresentação e discussão de diferentes eventos estressantes. Identificar características pessoais e profissionais relacionadas ao modo como interagem com os

pacientes; Identificar situações estressantes da interação

profissional e paciente, bem as condições que podem estar favorecendo

estas situações ou que possam minimiza-las.

A1, A2, E1, E2, F1, M1

7o Encontro Competências

interpessoais

Manifestação e discussão de quais deveriam ser as habilidades interpessoais de profissionais da saúde

em interação com pacientes oncológicos.

Identificar e definir quais deveriam ser as habilidades interpessoais,

de profissionais da saúde em interação com pacientes, bem como os elementos e as condições que poderiam estabelecê-

las.

A1, A2, E1, E2, F1, P1 8o Encontro Trabalho em equipe Apresentação e discussão dos projetos de intervenção elaborados, contando com o envolvimento de equipe. Identificar a função do trabalho em equipe na interação com o paciente

e relacioná-lo à satisfação do profissional

no trabalho.

A2, E1, E2, F1, P1

Responderam ao questionário de avaliação final da pesquisa A2, E1, E2, F1, P1

Todos os documentos produzidos pelos participantes ao longo dos encontros foram organizados e analisados (registros cursivos referentes às dinâmicas de grupo propostas e às avaliações por escrito).

Os dados do curso, juntamente com os coletados na entrevista, foram analisados de acordo com os seguintes passos:

• Passo 1: Releitura do conteúdo das dez entrevistas realizadas e do material produzido ao longo dos oito encontros: planos dos encontros, textos de referência bibliográfica, material por escrito produzido pelos participantes durante o desenvolvimento das atividades propostas e mediante solicitação de avaliação das atividades;

• Passo 2: Categorização e análise dos conteúdos das entrevistas e dos encontros entre os profissionais. Os relatos dos participantes foram organizados em cinco categorias, que serviram de recurso para analisar os dados relacionados à formação e às práticas dos profissionais: 1- Motivações relacionadas à escolha da profissão e pela área de oncologia; 2- A interação profissional e paciente: características da clientela, situações gratificantes e difíceis; 3 - A formação do profissional da saúde: teoria versus prática, competência técnica versus competência interpessoal; 4- A interação de profissionais da saúde: trabalho de equipe; 5- A interação profissional e políticas de saúde pública: o Sistema Único de Saúde.

Após dois meses do último encontro foi entregue aos participantes um questionário de avaliação final da pesquisa (Anexo 15).

Nos próximos e dois últimos capítulos serão apresentados os resultados, a análise dos dados e as considerações finais deste estudo: Capítulo V - Formação e

Práticas de Profissionais da Saúde em Interação com Pacientes Oncológicos e