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De maneira geral, a baixa qualidade do leite pode ser atribuída a deficiências no manejo, higiene de ordenha, mastite, manutenção e sanitização inadequada dos equipamentos e refrigeração ineficiente ou até mesmo inexistente (NERO et al., 2005). Assim, cuidados higiênicos para evitar a contaminação do leite devem ter início na ordenha e seguir até o seu beneficiamento (CATÃO; CEBALLOS, 2001), por meio das boas práticas agropecuárias de produção e fabricação.

A implantação do manejo sanitário adequado resulta na redução da quantidade de microrganismos da matéria prima, melhoria da sanidade da glândula mamária dos animais, que associadas às boas práticas no beneficiamento, levam a maior vida de prateleira do produto (NELSON, 1992).

Várias medidas devem ser tomadas durante o processo de ordenha mecânica com a finalidade de minimizar a transmissão de agentes causadores de mastite e diminuir a quantidade de microrganismos que podem ser transferidos ao leite, depreciando sua qualidade microbiológica. A ordenhadeira, a mão do ordenhador, práticas de higiene e lesões nos tetos são fatores importantes que expõem a superfície dos tetos aos microrganismos patogênicos contagiosos, sendo esses transmitidos de animais infectados para não infectados durante o processo de ordenha (AMARAL et al., 2004).

Smith, Fox e Middleton (1998), estudando surtos de mastite em vacas leiteiras estabuladas, verificaram que dentre as medidas para controlar a ocorrência da doença, tem grande importância um programa de higiene durante a ordenha, pois seus agentes causais são transmitidos principalmente nesse momento. A desinfecção dos tetos é um dos mais importantes aspectos de prevenção de enfermidades e, nesse contexto, muitos desinfetantes foram

desenvolvidos especificamente para a prevenção das doenças na indústria leiteira (BODDIE; NICKERSON; ADKINSON, 1997).

Medidas de higiene, inclusive a desinfecção de insulfladores entre vacas, aplicadas durante a ordenha em propriedades com grande incidência de mastite subclínica em vacas lactantes reduziram a prevalência da enfermidade de 96% para 47% (QUEIROGA; CANAIPA; VILELA, 1997).

Os programas de controle da mastite bovina incluem diferentes estratégias para reduzir a prevalência em níveis economicamente aceitáveis uma vez que a erradicação dessa enfermidade não se mostra como uma meta viável (COSTA, 1991).

A infecção da glândula mamária dos bovinos pode ser controlada com a utilização de substâncias germicidas nos tetos antes e após a ordenha, antibioticoterapia no período de secagem, eliminação dos casos crônicos, tratamento dos casos clínicos durante a lactação e o adequado funcionamento dos equipamentos de ordenha (PHILPOT; NICKERSON, 1991).

Os princípios ativos mais utilizados para desinfecção dos tetos são o iodo, clorexidina, ácido sulfônico, cloro, peróxidos, lauricidina e ácido cloroso. Com objetivo de minimizar a irritação e condicionar a pele dos tetos, são utilizadas algumas bases e emolientes na formulação das soluções antissépticas utilizadas após a ordenha (pós-dipping) como a glicerina, lanolina, propilenoglicol, sorbitol, óleos vegetais, minerais e colágenos (SANTOS; FONSECA, 2006).

Dessa forma, a utilização de soluções antissépticas nos tetos tende a controlar e até mesmo diminuir os riscos de novas infecções da glândula mamária. Entretanto, os desinfetantes podem apresentar pouca eficiência quando na presença de matéria orgânica, sujidades ou urina, dificultando a atuação eficaz do produto (QUINN, 1991).

Neave, Kingwill e Dood (1966) determinaram que a incidência de infecções intramamárias está correlacionada à quantidade de patógenos causadores da mastite nas extremidades dos tetos. Portanto, o modo como os tetos são limpos é de fundamental importância para prevenir a ocorrência dessa doença (BRITO; BRESSAN, 1996).

Ainda, de acordo com Rasmussen, Galton e Petersson (1991), o uso do pré dipping (higienização prévia dos tetos) pode estimular a ejeção do leite e diminuir a contagem bacteriana no leite e nos tetos. A higienização prévia dos tetos, além de prevenir doenças como a mastite tem papel importante na qualidade microbiológica do leite. A higienização das mãos dos ordenhadores e do local de ordenha também é de grande importância para reduzir a quantidade de microrganismos patogênicos no leite, e melhorar as condições higiênicas do mesmo (NADER FILHO et al., 1982).

A utilização do cloro, como agente desinfetante, é prática comum nas propriedades leiteiras do Brasil, uma vez que o produto é bom agente desinfetante e apresenta baixo custo. Entretanto, tem como desvantagem a baixa estabilidade, além da não observação dos produtores dos critérios de uso, sem análise do efeito residual ou da sua eficiência, o que pode interferir na qualidade do processo de desinfecção dos insulfladores, fator este muito importante na prevenção da mastite (AMARAL et al., 2004). Margatho, Hipolito e Kaneto (1998) indicam a utilização da concentração de 150 ppm de cloro ativo para desinfecção de insulfladores, entre a ordenha de uma vaca e outra, como uma das ações importantes no controle da mastite, uma vez que essa enfermidade é transmitida por fômites7 contaminados, com destaque para os insulfladores da ordenhadeira mecânica.

7 Objeto inanimado ou substância capaz de absorver, reter e transportar agentes infecciosos para os animais ou homem (HALLIWELL; GORMAN, 1989).

Costa et al. (1998) destacaram a importância do uso adequado dos desinfetantes no controle das mastites uma vez que a presença de matéria orgânica determinou acentuada redução na eficiência dos mesmos. Vários trabalhos demonstraram a eficiência dos desinfetantes na redução dos casos de mastite subclínica quando utilizados de maneira adequada (BRITO, 2000).

Rebhun (2000) destaca que as vacas devem ter acesso ao alimento depois da retirada do leite, para mantê-las em pé até que a extremidade da teta seque e o canal estriado se feche completamente. Essa técnica ajuda a impedir uma contaminação ambiental imediatamente após a ordenha.

A relação do bom funcionamento do equipamento de ordenha com a incidência de mastite é difícil de ser medida, estimativas mais recentes apontam que a ordenha mecânica apresenta efeitos diretos e indiretos e que, conjuntamente, podem estar relacionados com uma parcela de novos casos de mastite em um rebanho, variando de 6 a 20%. Os efeitos diretos podem representar cerca de 10% das novas infecções, estando ligados à transferência de bactérias entre vacas e entre tetos, contaminação cruzada e penetração de bactérias para dentro do teto. Os efeitos indiretos representariam os outros 10% das novas infecções e estão relacionados às lesões causadas na extremidade e pele dos tetos. No entanto, estas são apenas estimativas devido ao caráter multifatorial da mastite (SANTOS, 2004).

Manter a extremidade dos tetos em boas condições é extremamente importante, pois nessa região, a musculatura do esfíncter desempenha um papel fundamental na contração do canal do teto mantendo-o fechado entre as ordenhas, o que impede a entrada de patógenos no interior da glândula mamária (NICKERSON, 1994).

As lesões de esfíncter de teto comprometem a oclusão, facilitando a entrada de bactérias. Estas lesões são conhecidas como hiperqueratose ou calosidades, que é a hiperplasia do extrato córneo (NEIJENHUIS; MEIN;

BRITT, 2001). As causas podem ser pulsação inadequada de ordenhadeiras, remoção dos insulfladores sem cessão do vácuo e ordenha por tempo excessivo (BARRET, 2002). O hábito do ordenhador de pressionar a ordenha também é capaz de provocar hiperqueratose (SANTOS; PORCIONATO, 2010). Segundo Neijenhuis et al. (2000), as alterações na integridade da extremidade dos tetos resultam, principalmente, de forças mecânicas advindas de colapsos do vácuo e a magnitude destas forças depende do nível do vácuo, da pulsação, do tipo de equipamento de ordenha e da forma física do teto.