2.3 ADOÇÃO DE BOAS PRÁTICAS NO COMBATE ÀS PERDAS
2.3.3 Boas Práticas no combate à perda de concreto
Conforme Freire (2001), o planejamento quanto à esta etapa do processo construtivo, embora seja a de menor duração, deve ser elaborado cuidadosamente, a fim de otimizar a grande quantidade de recursos envolvidos no processo.
A utilização do concreto dosado em central, como alternativa na redução das perdas e garantia de qualidade do produto final, foi discutida no item 2.2.2, o qual ainda descreve as etapas do processo de concretagem sujeitas a perdas: recebimento, transporte e aplicação final, também listadas no quadro 4.
Nesta seção, relacionar-se-ão tais etapas com boas práticas capazes de racionalizar o uso do concreto dosado em central nas obras de edifícios.
2.3.3.1 Recebimento
O concreto aqui definido para estudo, na modalidade dosado em central, tem como primeira etapa no canteiro de obras, a fase do seu recebimento. Nesta, a construtora realiza procedimentos relacionados a seu papel de consumidor do produto oferecido pelas concreteiras, a fim de assegurar o atendimento às características técnicas solicitadas.
A entrega do concreto à obra se dá por caminhão-betoneira, que deve obrigatoriamente conter um lacre identificador, como forma de garantir sua integridade desde a saída da central dosadora. A conferência de todos os caminhões deve ser feita por profissional devidamente preparado, cabendo a este a conferência da nota fiscal quanto ao volume solicitado e à resistência característica à compressão (fck). Seguindo os procedimentos descritos na NBR 12655 (ABNT, 2015), realiza-se os ensaios de abatimento do tronco de cone e molda-se os corpos de prova para posterior ensaio de verificação da resistência característica à compressão (FREIRE, 2001).
Deve-se contemplar nesta etapa, além da verificação do volume e resistência característica solicitados, o atendimento quanto ao tempo limite de 150 minutos entre a saída da central dosadora até a aplicação final do produto, prescrito na NBR 7212 (ABNT, 2012).
Apesar de trabalhoso, até mesmo para o concreto dosado em central, o controle técnico no recebimento apresenta-se como fator decisivo na prevenção e redução das perdas. Uma conferência eficaz entre os volumes requeridos e os recebidos, pode proporcionar além de processos mais eficientes e precisos às construtoras, uma fiscalização quanto à conduta das concreteiras (AGOPYAN et al., 1998).
Pode-se propor, que como forma de combater as perdas de concreto na etapa de recebimento do mesmo na obra, seja realizada medição minuciosa por profissional capacitado, de preferência com a presença de um representante da concreteira, assegurando assim a exatidão dos volumes solicitados.
2.3.3.2 Transporte
A partir da validação dos requisitos para confirmar a qualidade do concreto recebido, inicia-se a etapa de transporte, que representa a transferência do material do caminhão betoneira até a forma. Esta, deve acontecer da maneira mais rápida possível, preservando a homogeneidade da mistura (DANTAS, 2006).
As particularidades da estrutura da obra e do layout do canteiro de obras, são ponto de partida para a escolha do sistema de transporte, já apresentados na seção 2.2.2.1. São ainda, segundo Freire (2001), parâmetros de análise pertinentes: os volumes a serem concretados e as distâncias horizontais e verticais entre a posição do caminhão-betoneira e as formas.
A otimização da mão de obra envolvida no processo propiciada pela utilização de bombas, seja ela estacionária ou com lança acoplada, tornou este sistema de transporte muito utilizado nas obras de edifícios. Contudo, o sistema carrega consigo um revés na questão do desperdício aqui estudada. Como já citado, Agopyan et al. (1998) concluíram que a principal perda nesta etapa ocorre pelas sobras na tubulação da bomba.
Assim, a prática de combate às perdas sugerida à esta etapa, não está voltada especificamente ao processo de transporte do concreto, e sim, ao planejamento da concretagem quanto ao transporte utilizado. Quando a concretagem se dá pela utilização de bombas, é indicada a preparação de vergas e contra-vergas, vigas e pilares de amarração, para serem concretados com as sobras de concreto da tubulação das mesmas. Na ausência de alvenaria executada no edifício, essas sobras podem ainda serem utilizadas para execução de pisos de garagens e de áreas específicas do canteiro, como baias de agregados, central de armação e base do elevador (FONSECA et al., 2011).
2.3.3.3 Aplicação Final
Em virtude dos diferentes elementos que compõem a estrutura, observa-se diferenças presumíveis entre a concretagem de pilares e de lajes, por exemplo. Tendo em vista que os números mais expressivos de perdas de concreto dosado em central, conforme (SOUZA; 2005; FONSECA; 2011; AGOPYAN, 1998) ocorrem nas concretagens de lajes, as atividades da aplicação citadas a seguir referem-se ao procedimento de concretagem de uma laje.
A tarefa em questão, tem papel decisivo na qualidade final da estrutura, e pode-se presumir sua relevância ao compreender o número de atividades englobadas nesta etapa: lançamento, espalhamento, adensamento, nivelamento, acabamento superficial e cura.
Lançamento: esta etapa abrange o preenchimento da forma, no qual o concreto é despejado do equipamento de transporte à peça. Exige cuidados quanto ao tempo decorrido desde o amassamento e quanto à altura máxima de lançamento de 2m prescrita na NBR 14931 (ABNT, 2004), com a finalidade de evitar a segregação do concreto; Espalhamento: etapa na qual os operários, com o auxílio de enxadas e pás, devem
garantir o preenchimento de toda a forma, facilitando a etapa seguinte;
Adensamento: imprescindível para que o concreto atinja a resistência solicitada e a vida útil prevista da estrutura. Nesta, predominantemente realizada com vibradores de imersão, o objetivo é expulsar os vazios do concreto, tornando-o o menos poroso possível;
Nivelamento: com o objetivo de garantir a espessura prevista no projeto e o nível mais homogêneo possível ao pavimento, são utilizadas taliscas de diferentes materiais, como referências para o sarrafeamento. Ainda, para que essa técnica seja eficaz, é necessário que a forma da laje permaneça nivelada, o que deve ser conferido durante a concretagem pela parte de baixo da mesma;
Acabamento Superficial: caracteriza o serviço de dar à laje a textura desejada, que deve ser definida levando em conta diversos fatores, sendo o principal deles o custo da mão de obra. Em relação aos diferentes níveis de acabamentos superficiais das lajes, Souza (1996) classifica-as em: convencional, nivelada ou acabada (laje zero);
Cura: não se trata de um item opcional, e sim uma condição exigida pelo concreto. Conforme Mehta e Monteiro (2014), tem função de evitar a perda precoce de umidade e manter a temperatura da mistura, até que este alcance a resistência desejada.
Segundo a NBR 14931 (ABNT, 2004), deve ser feita por pelo menos 7 dias após o lançamento do concreto, podendo requerer um prazo mais longo conforme o cimento utilizado. Orienta ainda, que a proteção pode ser feita mantendo a umidade da superfície do concreto ou protegendo-a com película impermeável (DANTAS, 2006).
Dentre as diversas atividades citadas, no quesito perdas e desperdício merece atenção especial a parte de nivelamento da laje. Diversas pesquisas (FREIRE et al., 2000); (AGOPYAN et al., 1998); (FONSECA et al., 2011) apontam as sobreespessuras de concreto em lajes como responsáveis por volumes incorporados em excesso, sendo assim, o controle do processo de concretagem figura como uma excelente prática no combate às perdas.
Esse controle, engloba o antes, durante e depois da concretagem. Respectivamente, faz- se o controle do nivelamento da forma, através da locação e nivelamento das taliscas; corrige- se suas possíveis imperfeições; e por fim, verifica-se a precisão do nivelamento obtida (SOUZA et al., 1998).
3 METODOLOGIA DA PESQUISA
A pesquisa científica, se traduz em uma forma ativa de conhecimento, que vai além do memorizar o conteúdo. Ainda que a pesquisa teórica não resulte em imediata intervenção na realidade, pode ditar condições elementares ao sucesso de uma posterior intervenção. Este método, enquanto exercido, faz da educação um instrumento emancipatório, o qual se mostra essencial no desenvolvimento da cidadania (DEMO, 2012).
A pesquisa em questão, está inserida na terceira grande área do conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) – Engenharia (GIL, 2010). Quanto ao método de abordagem, a pesquisa em questão está classificada como pesquisa quantitativa, tendo em vista que “recorre à linguagem matemática para descrever as causas de um fenômeno, as relações entre variáveis” (FONSECA, 2002, p. 20). Conforme classificação apresentada em Gil (2010, p. 41), quanto aos objetivos pode ser classificada como de nível exploratório, tendo “como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses”.
Quanto ao procedimento, se configura como uma pesquisa de campo, considerando a pluralidade de instrumentos de coleta de dados utilizados, incluindo além da pesquisa bibliográfica e documental, a obtenção de dados junto à pessoas, no caso desta, através da realização de entrevista e preenchimento de um checklist (FONSECA, 2002).