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2.2 SOLIDARIEDADE INSTITUCIONAL E SANEAMENTO BÁSICO

2.2.3 BOM JESUS

O saneamento básico é colocado como tema relevante em diversas diretrizes municipais, em Bom Jesus. Na Lei orgânica do Município (2009), o saneamento está presente como assunto de interesse local, devendo estar garantido através de programas a fim de atender, sobretudo, áreas e população mais pobre. A Política Municipal de Saneamento Básico, já era pensada naquela época, com objetivo de planejar e executa-la em articulação

com o estado e a União. Observa-se, inclusive, o interesse, por parte do município, de aumentar o nível de participação social, através de ações de educação sanitária.

A Lei 282 de 2009 trata do código sanitário para o município, onde se prever ações para o saneamento ambiental, relacionando com o cuidado à saúde pública e o direito da população ao acesso aos serviços de saneamento básico. O código já traz os quatro eixos do saneamento, apesar de não tratá-los de forma integrada como é previsto na Lei 11.445/2007. Dez anos depois, em 2018, o município aprovou o seu Plano Municipal de Saneamento Básico. Em seu comitê executivo, participaram membros das secretarias municipais de Meio Ambiente, Assistência Social, Saúde, Obras e Educação, além de representação da Câmara de Vereadores, Prestadores de Serviço e Outras Instituições. Já no Comitê de Coordenação, a participação veio de membros das secretarias municipais Saúde e de Obras, além de representação da Câmara de Vereadores, um Representante da Sociedade Civil e representantes de outras instituições, incluindo a FUNASA.

No processo de elaboração do PMSB, para sensibilizar a população da importância do Saneamento básico, a equipe técnica realiza reuniões de mobilização social que tem, como objetivo, convocar e sensibilizar a sociedade acerca do debate do tema. E, para melhor organização do território municipal e também por ser exigência do Termo de Referência da FUNASA (2012), propõe-se a setorização do município, a partir de áreas que variam de acordo com afinidades e proximidades entre as comunidades, como é possível visualizar na Figura 4 e Quadro 3. Esta organização no território do município é prevista de forma contínua, no que se refere ao planejamento, mesmo após a instauração do PMSB do município.

Figura 4 - Setorização Municipal de Bom Jesus.

Fonte: Elaboração Pesquisa PMSB.

Quadro 03 - Setores de Mobilização Social do Município de Bom Jesus/RN Setor de Mobilização Comunidades Participantes População

estimada

Setor 1 Zona urbana 7.801

Setor 2 Grossos, Passagem comprida, Pavilhão e Bezerros 892

Setor 3 Maleitas, Piabas e Capim 722

Setor 4 Vinte e nove, Lameiro, Lagoa do Mel, Riacho Fundo, Santa Catarina, Tanques e Muquem

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Sendo o Plano, um instrumento da Política, esta foi instaurada através da lei 375/2018 que institui a Política Municipal de Saneamento Básico no município de Bom Jesus. Nela, o município mostrou preocupação quanto assegurar a promoção e proteção da saúde e a salubridade do meio ambiente urbano e rural. Apontando o planejamento como fator integrante das ações, além de apresentar os instrumentos para regulação e fiscalização da prestação de serviços de saneamento básico, reafirmando os serviços públicos para o bem coletivo e não de caráter individual.

A Política coloca a participação da sociedade não só na elaboração, mas na implementação, apresentando o papel de estar presente no planejamento, regulação, fiscalização e avaliação da prestação de serviços por meio de instrumentos e mecanismos de controle social, através de debates, consultas e audiências públicas, conferência de políticas públicas e participação em órgãos colegiados de caráter consultivo ou deliberativo.

A Lei também prevê a forma como os quatro eixos do saneamento serão distribuídos, enquanto serviços e como devem atuar no município, elencando quais ações são referentes a cada serviços: Água, Lixo, Esgoto e Drenagem. Quanto às ações e como a Política enxerga a forma como cada serviço deve atuar, discutiremos de forma mais aprofundada no último capítulo.

Partimos à dimensão institucional do Saneamento Básico no Brasil, com o objetivo de compreender como a Política foi pensada e como se difundiu pelo território. A institucionalização do Saneamento Básico só pode ocorrer com a cooperatividade por parte dos estados da federação, no entanto, a efetivação da política apresenta dificuldade além da criação de diretrizes. Bom Jesus é um município que conseguiu elaborar seu PMSB, mesmo sendo município pequeno e não tendo aparato técnico como os municípios maiores. No próximo capítulo, localizaremos os equipamentos de Saneamento Básico em Bom Jesus e como atuam sobre o território municipal.

3 CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL E SANEAMENTO EM BOM JESUS/RN

Levado à categoria de município pela Lei Estadual n.º 2.794/1962, nossa área de estudo, Bom Jesus (5º 59’02” S e 35º 34’ 53” W), é um município do estado do Rio Grande do Norte, localizado na Microrregião Agreste Potiguar e na mesorregião Agreste Potiguar, ocupando uma área de 122,03 Km², equivalente a 0,25% da superfície estadual. Sua principal via de acesso é através da BR 216, possuindo poucas ruas e estradas pavimentadas fora de sua zona urbana. (IBGE, 2010).

Segundo o Censo de 2010, o município possui população estimada de 9.440 habitantes, distribuídos em 4.372 mulheres (50,13%) e 4.708 homens, (49,87%), aferindo uma densidade demográfica de 77,35 hab/km². Entre este conjunto de habitantes, 6.768 residiam em 1.962 residências na área urbana (71,69%) e 2.672 em 707 residências na área rural (28,31%).

Figura 5 - Mapa de localização de Bom Jesus

Bom Jesus (FIGURA 5) está enquadrado, junto com outros 86 municípios do estado Rio Grande do Norte, no projeto: “Capacitação e apoio técnicos à elaboração de minuta de Planos Municipais de Saneamento Básico de municípios do estado do Rio Grande do Norte, conforme Termo de Referência da FUNASA, a partir de pesquisa de perfil e diagnóstico socioeconômico e sanitário municipal.”, ou “Pesquisa PMSB”, projeto já mencionado anteriormente em nossa pesquisa.

É necessário explanar novamente, para a nossa análise, a importância do Território. Através deste conceito, é possível compreender o entendimento dos eventos, normas e formas (SILVEIRA, 2012). Estes elementos apresentam-se de forma relacionada uns com os outros, não desconexos, compreendendo o fato de que a sociedade está sempre em movimento (SANTOS, 1988).

A Configuração territorial apresenta-se como elemento primordial neste aspecto. Segundo Santos (1988), o conceito define-se na união do próprio território, acompanhada do conjunto de objetos existentes sobre ele, naturais ou artificiais. Em outras palavras, define-se por “um conjunto total integral, de todas as coisas que formam a natureza em seu aspecto superficial e visível” (SANTOS, 1988, p. 77). Este conceito pode ser visto de forma mais clara no processo de geografização da sociedade, tendo, como resultado, a própria totalidade do Espaço Geográfico (SANTOS, 1988)

A partir deste conceito, acreditamos ser possível compreender as formas, tendo em vista que os objetos, sejam artificiais ou naturais, estão presentes sobre a Configuração Territorial. E, neste contexto, não descartamos a importância das normas e eventos que contribuem na implementação da Política de Saneamento, os quais discutimos no último capítulo, mas apresentamos as formas, como terceiro elemento primordial para a compreensão da dinâmica do Saneamento Básico.

Atribuímos estas “formas” ao conceito de Sistemas de Engenharia, que, segundo Milton Santos (1988, p.88), são “[...] Instrumentos de trabalho que se localizam agregados à natureza e de outros instrumentos de trabalho que se localizam sobre estes, uma ordem criada para o trabalho e por ele”. Em nossa pesquisa, estes instrumentos de trabalho referem-se às infraestruturas de Saneamento Básico, sendo estes sistemas importantíssimos para nossa

pesquisa, pois, a partir da materialização das formas, é possível compreender a exposição destes equipamentos, no qual, o uso do território pode ser melhor identificado.

O quadro situacional, referente a distribuição dos serviços de Saneamento Básico, em Bom Jesus (TABELA 01), é complexo. Observa-se um crescimento significativo quanto ao abastecimento d’água no município, evoluindo de 59,2% para 87,5%, nos anos de 1991 e 2010, respectivamente. E no Serviço de limpeza do município, também se observa uma melhora, indo 58% a 75,3%, nos anos de 1991 e 2010, respectivamente.

No entanto, a rede de esgotamento sanitário é, praticamente inexiste, não apresentando nem percentual de 1% dos domicílios particulares em Bom Jesus. Neste contexto, observa-se o número assustador do uso de Fossas Rudimentares, conhecidas popularmente como “fossas negras”, caracterizadas por ser apenas “buracos” para deposição de detritos. Essa infraestrutura apresenta-se de forma ecologicamente incorreta, podendo contaminar os poços e áreas de agricultura.

Tabela 01 - Percentual de domicílios particulares permanentes, segundo características de infraestruturas de Saneamento Básico, Bom Jesus, 1991 - 2010.

Características dos Domicílios

Domicílios Particulares Permanentes

1991 2000 2010 Abastecimento D'água Rede Geral 59,2 72,7 87,5 Poço/Nascente 0,5 1,0 0,0 Outra Forma 40,3 26,3 12,5 Destino do Lixo

Coletado Serviço de Limpeza 58,0 75,3 75,7

Colocado em Caçamba 4,9 0,1 0,4

Outro 37,2 24,6 23,9

Esgotamento Sanitário

Rede Geral de Esgoto 0,0 0,3 0,2

Fossa Séptica 3,2 0,9 10,3

Fossa Rudimentar 85,0 93,8 85,7

Outra forma ou sem instalação 11,8 5,0 3,8

Para identificação destes equipamentos e seus cenários, partimos de um dos documentos que compõem o Plano Municipal de Saneamento Básico de Bom Jesus: O Diagnóstico Técnico Participativo. O Produto traz informações quanto às condições de serviços, indicadores sócio-econômico e ambientais, além de avaliação da infraestrutura dos quatro eixos do saneamento em todo recorte territorial pertencente ao Município.

Logo, neste capítulo, a seguir, buscaremos localizar onde estão materializados os equipamentos de saneamento, em nossa área de estudo, no que se refere a: Sistema de Abastecimento de Água Potável (SAA); Sistema de Esgotamento Sanitário (SES); Sistema de Limpeza Urbana e Manejo de Resíduos Sólidos; E Drenagem e Manejo das Águas Pluviais Urbanas.

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