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3.3 Efeito Hall de Spin

3.3.2 Bombeamento de Spins

Nesta se¸c˜ao analisaremos a interface FM/NM sob a excita¸c˜ao de um campo magn´etico externo de microondas. Na presen¸ca de um campo externo est´atico H0 e um campo

magn´etico rf h(t) (aplicado perpendicularmente `a H0), a magnetiza¸c˜ao M iniciar´a um

movimento de precess˜ao em torno da sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio (assumimos que na ausˆencia de h(t), M est´a alinhada com H0). Aqui a dinˆamica da rota¸c˜ao de M ser´a descrita pela

equa¸c˜ao de Landau-Liftshitz-Gilbert dM dt =−γM × Heff + αG M0 M× ∂M ∂t (3.37)

onde, por simplicidade, Heff = H0+ h(t). Na ausˆencia de amortecimento, a magne-

tiza¸c˜ao permaneceria precessionando em torno de H0 indefinidamente. Quando αG´e n˜ao

nulo temos o efeito do amortecimento na precess˜ao de M, que relaxa at´e sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio, perdendo assim, momento angular para a rede. Este momento angular perdido por M poderia ser visto como uma corrente de spins que penetra no material adjacente. Vale ressaltar que o momento angular perdido tem dire¸c˜ao paralela `a M, mas os spins associados `a este momento angular s˜ao orientados anti paralelarmente `a M, pois o fator giromagn´etico g = −2.002319 que relaciona o spin com o momento magn´etico do el´etron

µs= g( e

2me )

S ´e negativo, onde e e me s˜ao respectivamente o m´odulo da carga eletrˆonica e a massa do el´etron. O processo de bombeamento de spins em dire¸c˜ao `a camada NM, resultando em uma acumula¸c˜ao de spins na interface FM/NM, pode tamb´em ser visto como uma contribui¸c˜ao `a relaxa¸c˜ao que se soma `a relaxa¸c˜ao intr´ınseca de Gilbert.

A corrente de spin gerada pela precess˜ao de M ´e dada por [21]

jpumps = ~ ( Ar × d ˆm dt − Ai d ˆm dt ) . (3.38) Onde jpump

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Figura 3.2: Interface FM/NM. A magnetiza¸c˜ao M = M0+ m(t) pode ser decomposta em

uma componente est´atica M0 e uma componente oscilante no tempo m(t). Na interface,

momento angular µ na dire¸c˜ao de M0 ´e acumulado dentro do filme NM. Os spins

associados `a este momento angular (polariza¸c˜ao de spin anti paralela `a M0) parte deles

retorna para o filme FM, dando origem a uma corrente de volta jvoltas e parte decai dentro do material NM devido ao espalhamento de spin flip.

dire¸c˜ao da componente oscilante no tempo de M = M0+ m(t) (figura 3.2). Assumindo

um monodom´ınio uniforme espacialmente para todo t, A ≡ Ar + iAi ´e a condutˆancia de spin pumping. No regime de filmes magn´eticos ultrafinos podemos assumir Ai = 0, e

Ar ≡ depende da matriz de espalhamento do filme ferromagn´etico atrav´es de

A = g↑↓ gσσ′

mn

[δmn− rσmn(rmnσ′ )]

(3.39)

onde rmn (rmn ) ´e o coeficiente de reflex˜ao para el´etrons com spin up (spin down) no metal n˜ao-magn´etico e m e n denominam os modos transversos na energia de Fermi no material n˜ao magn´etico. Se assumirmos que o material NM n˜ao ´e um absorvedor perfeito de spins, ou seja, nem todo o momento angular que entra no material NM devido `a precess˜ao de M ´e absorvido pela rede, ´e de se esperar que ap´os um intervalo de tempo, uma acumula¸c˜ao de momento angular ir´a surgir na interface, no filme NM. Isto s´o ´e

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poss´ıvel pois a magnetiza¸c˜ao continua bombeando momento angular para o material NM (sistema fora do equil´ıbrio). Esta acumula¸c˜ao de spins µs(momento angular acumulado) tem dire¸c˜ao paralela `a dire¸c˜ao de equil´ıbrio M0 da magnetiza¸c˜ao. Note por´em que os

spins acumulados associados `a acumula¸c˜ao de spins µs possuem polariza¸c˜ao anti paralela `

a M0, isto se d´a pelo fato de g, o fator giromagn´etico, ser negativo.

O efeito resultante da acumula¸c˜ao de spins na dinˆamica do bombeamento de spins ´e uma corrente de spins total que decai dentro do material n˜ao magn´etico. Isto acontece pois parte dos spins acumulados na interface dentro do material NM retorna ao filme FM como uma corrente jvolta

s , e parte decai dentro do metal normal devido ao espalhamento de spin flip. Assim a corrente de spin total deve ser calculada por js = jpumps − jvoltas (note que js = 0 na ausˆencia de spin flip, pois todos os spins acumulados retornariam para o filme FM, anulando ent˜ao a corrente jpumps bombeada pelo filme FM). Esta corrente, na verdade, carrega momento angular perpendicular `a dire¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao M0 da

interface para o material n˜ao magn´etico. Assim js corresponde a um torque no filme ferromagn´etico. Se assumirmos que este torque τ =−js ´e inteiramente transferido para a magnetiza¸c˜ao temos uma generaliza¸c˜ao da equa¸c˜ao de Landau-Liftshitz-Gilbert para a componente oscilante no tempo, aplicada a interfaces FM/NM,

dm dt =−γm × Heff + αG M0 m× dm dt + γ V js (3.40)

com M0 o valor da satura¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao e V o volume do filme magn´etico. Encon-

trando a solu¸c˜ao para js = jpumps − jvoltas podemos escrever (3.40) na forma de (3.37) com um novo fator de amortecimento α = αG+ α′.

Para uma magnetiza¸c˜ao girante no tempo temos que tratar a acumula¸c˜ao de spin como um vetor µs para podermos levar em conta as diferentes dire¸c˜oes poss´ıveis da polariza¸c˜ao dos spins acumulados. Mesmo assim, a acumula¸c˜ao de spin µs permanece orientada paralelarmente `a dire¸c˜ao de equil´ıbrio da magnetiza¸c˜ao M, desde que a frequˆencia de

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precess˜ao ω seja menor que a taxa de spin-flip τsf−1 [21].

A corrente de spin antes definida como js = −∇δns precisa ser agora descrita como um tensor, para considerarmos a polariza¸c˜ao e a dire¸c˜ao de propaga¸c˜ao dos spins. No nosso sistema assumimos apenas propaga¸c˜ao na dire¸c˜ao (−y) de modo que

js=~(N/2)SDs

∂µs

∂y (3.41)

onde N ´e a densidade de estados de um spin, S a ´area da interface e Ds a constante de difus˜ao. Assim a corrente de spin tem polariza¸c˜ao na dire¸c˜ao de µs (paralela `a M0) e

difunde para dentro do metal normal, na dire¸c˜ao (−y), atrav´es da equa¸c˜ao (3.42) que descreve a polariza¸c˜ao local µs como:

iωµs = Ds∂y2µs− τsf−1µs. (3.42)

Satisfazendo as condi¸c˜oes de contorno de continuidade da corrente de spin na interface e valor nulo da corrente de spin para y =−LN (figura 3.2).

y = 0 : ∂yµs= 2(~NSDs)−1j0s,

y =−LN : ∂yµs = 0.

(3.43)

A solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de difus˜ao (3.42) satisfazendo as condi¸c˜oes de contorno (3.43) ´e dada por

µs(y) = cosh κ(y + LN) sinh κLN

2j0

s

~NSDsκ (3.44)

onde j0s ´e a corrente de spin na interface (y = 0). A solu¸c˜ao possui vetor de onda

κ = λ−1SD1 + iωτsf e λsd ´e o comprimento de difus˜ao caracter´ıstico do espalhamento spin-flip. J´a assumimos ω ≪ τsf−1, logo κ ≈ λ−1SD. Para um campo est´atico aplicado

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de 1T, tipicamente ω ∼ 1011 s−1. A taxa de espalhamento el´astico correspondente a

um livre caminho m´edio de λel ∼ 10 nm ´e da ordem de τel−1 ≈ 1014 s−1. Assim esta aproxima¸c˜ao ´e v´alida para metais com uma raz˜ao de conserva¸c˜ao de spin para spin-flip

ϵ ≡ τel/τsf ≥ 10−3. Esta condi¸c˜ao ´e facilmente satisfeita para ´atomos com n´umeros atˆomicos altos, pois ϵ∼ Z4.

Calculando o momento angular que retorna da interface atrav´es da difus˜ao [44][45]

jvoltas = 1 4πg

↑↓µ

s|y=0. (3.45)

Substituindo (3.44) em (3.45) encontramos a corrente de spin total na interface FM/NM j0s = jpumps − βg↑↓j0s (3.46) onde β τsfδSD/h tanh(LN/λSD) (3.47)

com δSD ≡ (NSλSD)−1. Invertendo (3.46) obtemos

j0s = 1 1 + βg↑↓j pump s = ~ ˜ Ar ( ˆ m×d ˆm dt ) (3.48)

onde ˜Ar = g↑↓/(1 + βg↑↓). Substituindo na equa¸c˜ao do torque (3.40) podemos agora re-escrever a equa¸c˜ao de Landau-Liftshitz-Gilbert como

dm dt =−γm × Heff + α′ M0 m× dm dt (3.49)

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espalhamento spin-flip ´e de aumentar o amortecimento da precess˜ao da magnetiza¸c˜ao. Atrav´es de t´ecnicas experimentais como a ressonˆancia ferromagn´etica ´e poss´ıvel obter o valor de α′. Deste modo calculamos ˜Ar indiretamente atrav´es de

˜ Ar = 4πM0V γ~ − α G). (3.50)

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