CAPÍTULO II. A DELIMITAÇÃO DA PLATAFORMA CONTINENTAL ALÉM
2.3 A Comissão de Limites da Plataforma Continental
2.3.3 Brasil
Em 17 de Maio de 2004136, o Brasil apresentou as informações sobre os limites exteriores de sua plataforma continental além das 200 milhas marítimas por meio do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas à Comissão de Limites da Plataforma Continental, em conformidade com o art. 76º, nº 8, da Convenção de Montego Bay, e dentro do prazo de 10 (anos) previsto para apresentação da submissão. Em sua submissão, o Brasil solicitou o reconhecimento de aproximadamente 911,847km² como área referente à extensão de sua plataforma continental, distribuída nas seguintes regiões: Northern and Amazonas Fan Region, the Northern Brazilian and Fernando de Noronha Ridges Region, the Vitória- Trindade Ridge Region, the São Paulo Plateau Region, e, the Southern Region.
Após a publicação feita pelo Secretário-Geral137 para notificar os Estados Membros da Organização das Nações Unidas e Estados Partes da Convenção de Montego Bay da submissão do Brasil, nos termos previstos pela Regra 49 do Rules
surrounding, enclaving, or host State—so that it has no communication with the territory of the State to which it belongs—the mother or home State—other than through the territory of the host State.”.
136 Cf. BRAZILIAN CONTINENTAL SHELF SURVEY PROJECT, Continental Shelf and UNCLOS
Article 76, Brazilian Submission, Executive Summary, disponível em: https://www.un.org/Depts/los/clcs_new/submissions_files/bra04/bra_exec_sum.pdf.
137 Cf. UNITED NATIONS. Receipt of the submission made by the Federative Republic of Brazil to the
Commission on the Limits of the Continental Shelf, 21 May 2004, disponível em:
64 of Procedure, os Estados Unidos138 apresentaram sua manifestação solicitando que a Comissão analisasse com cuidado as informações submetidas pelo Brasil, especialmente no que diz respeito à espessura do sedimento e à região da Cadeia Vitória-Trindade. A Comissão, por sua vez, decidiu139 não considerar o conteúdo da comunicação feita pelos Estados Unidos, tendo em vista que apenas nos casos em que houver disputa entre Estados com costas opostas ou adjacentes, ou em casos de disputas de território ou disputas marítimas ainda não resolvidas, é que a Comissão deve considerar as comunicações de Estados que não o que submeteu seu pedido de extensão da plataforma continental.
Em 1º de março de 2006, o Brasil transmitiu à Comissão de Limites da Plataforma Continental, por intermédio do Secretário-Geral, um adendo140 ao sumário executivo da submissão feita pelo Brasil com o objetivo de complementar informações previamente fornecidas à Comissão e à Subcomissão estabelecida para examinar a submissão brasileira, informando naquele documento que a área total referente à extensão de sua plataforma continental seria então constituída por 953,525km².
Em 4 de abril de 2007, a Comissão adotou o “Summary of the Recommendations of the Commission on the Limits of the Continental Shelf in regard to the Submission made by Brazil on 17 May 2004 of information on the proposed Outer Limits of its Continental Shelf beyond 200 Nautical Miles” e publicou suas recomendações no Statement by the Chairman141.
Em relação à extensão da plataforma continental na Northern and Amazonas Fan Region a Comissão recomendou que:
138 Cf. UNITED NATIONS. United States of America: Notification regarding the submission made by
Brazil to the Commission on the Limits of the Continental Shelf, 9 September 2004, disponível em:
https://www.un.org/Depts/los/clcs_new/submissions_files/bra04/clcs_02_2004_los_usatext.pdf
139 Cf. UNITED NATIONS. Statement by the Chairman of the Commission on the Limits of the
Continental Shelf on the progress of work in the Commission, Fourteenth session, New York, 30 August-
3 September 2004, CLCS/42, 14 September 2004, item 11-25, disponível em: https://documents-dds- ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/N04/510/12/PDF/N0451012.pdf?OpenElement
140 Cf. The Brazilian submission to the Commission on the Limits of the Continental Shelf pursuant to
article 76 of the United Nations Convention on the Law of the Sea - Addendum to the Executive Summary
dated 17 May 2004, 1 February 2006, disponível em:
https://www.un.org/Depts/los/clcs_new/submissions_files/bra04/bra_add_executive_summary.pdf.
141 Cf. UNITED NATIONS. Statement by the Chairman of the Commission on the Limits of the
Continental Shelf on the progress of work in the Commission, Nineteenth session, New York, 5 March-13
65 - o Brasil faça uma Submissão revisada ou nova em relação aos limites externos de sua plataforma continental além de 200 milhas náuticas na Região do Norte e Amazonas;
- o pé do talude continental seja determinado em uma Submissão nova ou revisada dentro da base do talude continental de acordo com as metodologias aplicadas e os resultados descritos pela Comissão nas Recomendações;
- o Brasil leve em consideração as descobertas e implicações descritas em relação à definição de pontos de espessura de sedimentos em uma Submissão nova ou revisada, e às preocupações levantadas em relação a algumas análises de velocidade e questões de interpretação sísmica na parte Norte da região do Cone do Amazonas e Cadeia Norte-Brasileira.
Em relação à Northern Brazilian and Fernando de Noronha ridges Region, a Comissão recomendou que:
- o Brasil investigue se o teste de tolerância pode ser satisfeito a partir da base das encostas continentais adjacentes à plataforma continental e declive da massa principal de terra do Brasil a uma profundidade de aproximadamente 3.000m;
- o Brasil investigue se o pátio sedimentar é contínuo desde o pé do talude continental até pontos potenciais de espessura de sedimentos localizados além do limite externo a uma distância de 200 milhas marítimas das linhas de base das quais a largura do mar territorial é medido;
- o Brasil investigue se dados e informações geofísicas adicionais podem ser necessários para apoiar uma Submissão para a determinação dos limites externos da plataforma continental além de 200 milhas marítimas.
Em relação à Vitória-Trindade ridge Region, a Comissão recomendou que: - o Brasil faça uma submissão revisada ou nova em relação aos limites externos de sua plataforma continental além de 200 milhas marítimas na região de Vitória-Trindade;
- uma nova linha batimétrica seja medida da quebra da plataforma continental ao longo da encosta continental até a posição e direção do perfil sintético produzido na Submissão para o fundo do mar de Minerva;
- em uma submissão revisada ou nova com dados científicos adicionais, a Cadeia Vitória-Trindade seja considerada pelo Brasil como uma crista submarina (“submarine ridge”) sob a Convenção.
66 Em relação à São Paulo Plateau Region, a Comissão recomendou que: - o Brasil estabeleça o limite externo de sua plataforma continental além de 200 milhas marítimas na região do Platô de São Paulo com base nos dados, informações e procedimentos contidos em sua Submissão, e de acordo com as coordenadas dos pontos fixos FP 194 até FP 341. Essas coordenadas estão contidas na revisão do limite exterior apresentado em 31 de março de 2005 e divulgadas pelo Brasil no Adendo ao seu Sumário Executivo submetido em 1º de março de 2006.
Em relação à Southern Region (região Sul), a Comissão recomendou que: - o Brasil utilize as localizações do pé do talude continental contidos em sua Submissão original para a Região Sul ao delinear o limite externo da plataforma continental onde se estende além de 200 milhas marítimas;
- o Brasil delimite o limite externo da extensão de sua plataforma continental utilizando o pé do talude continental acrescido da fórmula de espessura dos sedimentos de 1% estabelecida na Tabela 2, como pontos fixos para construir os segmentos de linha reta não maiores do que 60 milhas marítimas.
Após estas recomendações, o Brasil apresentou três142 submissões parciais revisadas que ainda estão pendentes de análise e recomendações pela Comissão de Limites da Plataforma Continental.