1924 – Nasceu em Viena. Filho de um funcionário público e de uma costureira.
1940 – Convocado para o Arbeitsdienst (o serviço obrigatório do partido nazista).
1943 – Toma conhecimento do suicídio de sua mãe.
1944 – Condecorado com a Cruz de Ferro. Chegou à patente de Tenente. Proferiu palestras para a Escola de Oficiais.
1945 – Baleado na mão e na barriga durante uma retirada das tropas russas. O projétil lesionou nervos na coluna vertebral.
1946 – Recebeu uma bolsa para estudar canto e direção teatral em Weimar. Juntou
se à “Cultural Association for the Democratic Reform of Germany” (Associação Cultural para a Reforma Democrática da Alemanha).
1947 – Retornou a Viena para estudar História e Sociologia na Universidade de Viena. Logo em seguida, transferiuse para o curso de Física. Publicou seu primeiro artigo, sobre o conceito de inteligibilidade na física moderna. Na época, Feyerabend era “um positivista ferrenho”.
1948 – Primeira visita ao seminário da Sociedade do Colégio Austríaco em Alpbach.
Trabalhou como secretário dos seminários. Conheceu Karl Popper e Walter Hollitscher.
Casouse com a primeira esposa, Edeltrud.
1949 – Tornouse líder estudantil do “Círculo Kraft”, um clube de estudantes de filosofia formado em torno de Viktor Kraft, orientador da dissertação de Feyerabend e membro fundador do Círculo de Viena. Ludwig Wittgenstein visitou o Círculo Kraft para dar uma palestra. Feyerabend também conheceu Bertolt Brecht.
1951 – Obteve o doutorado em filosofia com uma tese sobre “sentenças de base”.
Se candidatou a uma bolsa do Conselho Britânico a fim de estudar sob a orientação de Wittgenstein em Cambridge. Mas Wittgenstein faleceu antes que Feyerabend chegasse à Inglaterra. Assim, escolheu Popper como orientador.
1952 – Viajou à Inglaterra para estudar com Popper na London School of Economics
LSE (Escola de Economia de Londres). Focou em teoria quântica e Wittgenstein. Estudou os manuscritos do livro Philosophical investigations45 de Wittgenstein e elaborou um resumo do livro. Aproximouse de outro dos orientados de Popper, Joseph Agassi.
46 N.T.: Edição brasileira: POPPER, K. A Sociedade Aberta E Seus Inimigos. 2 vols.
Belo Horizonte: Itatiaia, 1998.
47 N.T.: Edição castelhana: Paul Feyerabend. El problema de la existencia de las entidades teóricas. Tradução de Fernando Tula Molina. Scientiæ Studia, vol. 3, n. 2, 2005. p. 277312.
1953 – Feyerabend retornou para Viena. Popper sugeriu uma extensão da sua bolsa de pesquisa, mas Feyerabend preferiu permanecer em Viena. Traduziu o livro de Popper The Open Society and its Enemies46 para o alemão. Recusou a oferta para ser assistente de pesquisa de Popper. Agassi assumiu a vaga. Feyerabend se tornou assistente de pesquisa de Arthur Pap, em Viena.
1954 – Publicou seus primeiros artigos sobre mecânica quântica e sobre Wittgenstein.
Pap apresentou Feyerabend a Herbert Feigl.
1955 – Assumiu seu primeiro trabalho de dedicação exclusiva como professor de Filosofia na University of Bristol (Universidade de Bristol), na Inglaterra. Publicou sua síntese do livro Philosophical investigations de Wittgenstein no periódico The Philosophical Review.
1956 – Casouse com a segunda esposa, Mary O’Neill. Publicou um artigo sobre
“O paradoxo da análise”. Feyerabend conheceu o físico quântico David Bohm, cujas ideias o influenciaram profundamente.
1957 – Submeteu um artigo sobre medições na teoria quântica ao Colston Research Symposium na Universidade de Bristol.
1958 – Assumiu um posto de professor visitante na University of California (Universidade da Califórnia), Berkeley. Dois de seus mais importantes artigos, deste período inicial da carreira, foram An Attempt at a Realistic Interpretation of Experience e Complementarity, publicados nos Anais da Aristotelian Society. Neles, Feyerabend argumentou contra o positivismo e defendeu uma descrição realista da ciência quanto à relação entre teoria e experiência, partindo amplamente das concepções falseacionistas de Karl Popper.
1959 – Aceitou um emprego permanente em Berkeley e tentou o visto americano permanente para trabalhar nos EUA.
1960 – Como resultado de discussões iniciais com Herbert Feigl, Feyerabend publicou “Das Problem der existenz theoretischer Entitäten”47 , no qual argumentou que não existe um “problema” especial das entidades teóricas, e que todas as entidades são hipotéticas. Proferiu duas palestras no Oberlin College, Ohio, onde ornamentou a visão popperiana sobre os pensadores présocráticos.
48 N.T.: Edição castelhana: FEYERABEND, P. Límites de la ciencia: Explicación, reducción y empirismo. Traducción de Ana Carmen Pérez Salvador y Maria del Mar Seguí. Barcelona/Buenos Aires/México: Ediciones Paidós, 1989.
49 N.T.: Edição castelhana: FEYERABEND, P. Cómo ser em buen empirista: Defensa de la tolerancia em cuestiones epistemológicas. Traducción de Diego Ribes e Maria Rosario de Madaria. Cuadernos Teorema, 7, Universidad de Valencia, Departamento de lógica y filosofía de la ciencia: Valencia 1976, 62 p.
50 N.T.: Edição castelhana: FEYERABEND, P. Problemas del empirismo. In: OLIVÉ, L., RANSANZ, A. P. Filosofía de la ciencia: teoría y observación. México: Siglo XXI, 1989, p. 279311.
51 N.T.: Edição brasileira: POPPER, K. R. Conjecturas e refutações. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1982.
1962 – Publicação do artigo Explanation, Reduction, and Empiricism48 . Na ocasião, criticou as descrições empiristas da explicação científica e reduções teóricas (Hempel, Nagel) e no lugar introduziu o conceito de incomensurabilidade baseado na “teoria contextual de significado” o qual Feyerabend afirmou encontrar no Philosophical investigations de Wittgenstein.
1963 – Publicou How to be a good empiricist49 , um artigo que resumiu seu ponto de vista, juntamente com dois outros artigos sobre o problema mentecorpo nos quais ele introduziu a posição atualmente conhecida como “materialismo eliminativista”.
1965 – Publicação da primeira parte do ensaio Problems of empiricism50 , e de Reply to criticism, onde Feyerabend fez sua última tentativa séria de edificar um empirismo
“tolerante”, “desinfetado”. Embora já tenha começado a se distanciar de Popper, Feyerabend ainda escreveu uma revisão brilhante de Conjectures and Refutations51 de Popper.
19671968 – Muda o foco de seus textos publicados para o “pluralismo teórico”, a concepção de que os cientistas deveriam construir e defender tantas alternativas teóricas quanto possível para maximizar as chances de falsear teorias existentes.
Em On a Recent Critique of Complementary defendeu a visão de Niels Bohr contra a crítica de Popper, que não gostou das críticas feyerabendianas.
1969 – Em um pequeno artigo, Science without experience, Feyerabend finalmente desistiu da tentativa de ser um empirista, argumentando que em princípio a experiencia não é necessária em nenhum ponto para a construção, a compreensão ou o teste de teorias científicas empíricas.
52 N.T.: Edição brasileira: FEYERABEND, P. Consolando o especialista. In: LAKATOS, I.;
MUSGRAVE, A. (org.). A Crítica e o Desenvolvimento do Conhecimento. Tradução de Octávio Mendes Cajado. Cultrix/EDUSP: São Paulo 1979, p. 244284.
53 N.T.: Edição castelhana: FEYERABEND, P. Contra el Método: esquema de una teoría anarquista del conocimiento. Traducción de Francisco Hernán. Barcelona: Ariel, 1974.
54 N.T.: Edição brasileira: MILL, J. S. Sobre a Liberdade. Petrópolis: Vozes, 1991.
55 N.T.: Edição brasileira: POPPER, K. Conhecimento objetivo. Belo Horizonte: Itatiaia;
São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1975.
56 N.T.: Edição brasileira: FEYERABEND, P. Contra o Método. Tradução de Octanny S.
da Mota e Leônidas Hegenberg. Rio de janeiro: F. Alvez, 1977.
57 N.T.: Edição brasileira: FEYERABEND, P. A Ciência em uma Sociedade Livre.
Tradução de Vera Joscelyne. São Paulo: Editora UNESP, 2011.
1970 – Publicação de Consolations for the Specialist52 no qual Feyerabend atacou Popper a partir de um ponto de vista kuhniano. Publicou também a versão ensaísta de Against Method: Outline of an Anarchistic Theory of Knowledge53 na qual apresentou o “o anarquismo epistemológico” pela primeira vez. Feyerabend afirmou se tratar da aplicação do liberalismo de John Stuart Mill, em On Liberty54 ao campo da metodologia científica. Feyerabend publicou pouco nos anos seguintes.
1974 – Morre Imre Lakatos, amigo de Feyerabend, interrompendo os seus planos de produzir um volume de diálogos intitulado For and Against Method. Feyerabend, também doente, lecionou na Universidade de Sussex. Publicou uma resenha devastadora do livro Objective Knowledge55 do Popper.
1975 – Sai o primeiro livro de Feyerabend Against Method56 , estabelecendo o
“anarquismo epistemológico” cuja tese principal era a inexistência de uma tal coisa como O método científico. Grandes cientistas seriam oportunistas metodológicos que se viram com o que têm em mãos, ainda que isso signifique violar os cânones da metodologia empirista.
19761977 – Feyerabend responde à maioria dos grandes revisores do livro Against Method. Adoece de depressão. Publicou seu primeiro grande artigo sobre o relativismo: a primeira vez que ele o endossou explicitamente.
1978 – Publicou o livro Science in a free society57 , incluindo respostas aos revisores de Against Method. Alguns esclarecimentos sobre o anarquismo epistemológico, e muito poucas retratações em relação às posições adotadas no Against Method, levando adiante o debate sobre as implicações políticas do anarquismo epistemológico.
58 N.T.: Edição espanhola: FEYERABEND, P. Ciencia como arte. In: FEYERABEND, P.
Adiós a la Razón. 3. ed. Traducción de José R. de Rivera. Madrid: Editorial Tecno, 2005.
59 N.T.: Edição brasileira: FEYERABEND, P. Adeus à Razão. Tradução de Vera Joscelyne. São Paulo: Editora UNESP, 2010.
60 N.T.: Edição portuguesa: FEYERABEND, P. Contra o Método. Tradução de Miguel Serras Pereira. Lisboa: Relógio D’Água, 1993.
61 N.T.: Edição portuguesa: FEYERABEND, P. Diálogo sobre o Método. Tradução de Antônio Guerreiro. Lisboa: Editorial Presença, 1991.
62 N.T.: Edição brasileira: FEYERABEND, P. Diálogos sobre o Conhecimento. Tradução e notas de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.
O livro também incluiu um dos seus maiores endossos ao relativismo, uma das concepções pelas quais veio a ser mais conhecido. Aparece o primeiro volume da edição alemã do seu livro Philosophical Papers. (Feyerabend publicou cada vez mais em alemão a partir de então).
1981 – Publicação em inglês dos dois primeiros volumes da série Philosophical Papers de Feyerabend, incluindo um material inédito nos capítulos introdutórios.
1983 – Conheceu Grazia Borrini em suas conferências em Berkeley.
1984 – Publica “Science as an Art”58 e defende uma concepção explicitamente relativista da história das ciências. Nessa perspectiva, há apenas mudanças, mas não “progresso”. Segue na campanha de reabilitar o trabalho de Ernst Mach.
1987 – Publica o livro Farewell to Reason59 , coletânea de alguns artigos que Feyerabend havia publicado entre 1981 e 1987. Outra vez o relativismo assume da obra, especialmente em sua versão “Protagórica”.
1988 – Aparece a segunda edição (revisada) do livro Against Method60 , onde omite o longo capítulo sobre a história das artes visuais mas incorpora partes do livro Science in a free society.
1989 Paul e Grazia se casam em janeiro. No outono, em parte devido aos efeitos do terremoto em outubro na California, mudamse para a Itália e a Suíça.
1990 – Oficialmente se demite de Berkeley em março.
1991 – Aposentouse da universidade de Zurique. Publicados os livros Three dialogues on Knowledge61 e Beyond Reason62 , coletânea de ensaios editada por antigo pupilo, Gonzalo Munévar. Também publicou vários pequenos textos, muitos na Common Knowledge. As publicações de Feyerabend nessa época dão sinais de uma crescente desilusão com o relativismo. Ainda assim se opõe radicalmente ao “objetivismo”.
63 N.T.: Edição brasileira: FEYERABEND, P. Contra o Método. Tradução de Cezar Augusto Mortari. São Paulo: Editora UNESP, 2007.
64 N.T.: Edição brasileira: FEYERABEND, P. Matando o Tempo: uma autobiografia.
Tradução de Raul Fiker. São Paulo: Editora Unesp, 1996.
65 N.T.: Edição brasileira: FEYERABEND, P. A Conquista da Abundância. Organizado por Bert Terpstra; tradução de Cecília Prada e Marcelo Rouanet. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2005.
1993 – Publicação da terceira edição do livro Against Method63 . Feyerabend desenvolveu um tumor cerebral inoperável e foi hospitalizado.
1994 – Em 11 de fevereiro, Feyerabend falece na Clínica Genolier (Genolier, Canton de Vaud, Suíça). Diversos simpósios e colóquios importantes ocorreram nos dois anos seguintes.
1995 – Publicação da sua autobiografia Killing Time: The autobiography of Paul Feyerabend64 .
1999 – Publicação do livro Conquest of abundance65 .