• Nenhum resultado encontrado

Os conodontes são os microvertebrados mais comuns do Paleozóico. Foram descobertos por Christian Henrich Pander em 1856, que lhes deu o nome de conodontes devido a sua forma ser semelhante a cones. Os elementos ocorrem no aparelho alimentar, na porção anterior do animal e são microscópicos, com 0,25-2mm de tamanho, sendo compostos de fosfato de cálcio, mais precisamente de francolita, do grupo das apatitas. O aparelho alimentar completo compreende 15 ou mais elementos e só recentemente sua função como dente foi estabelecida pelos pesquisadores (Purnell, 1993a).

Os conodontes são muito estudados pela comunidade paleontológica por terem se tornado peça fundamental na discussão a respeito da idade dos primeiros vertebrados. Semelhantes à lampréia, eram organismos nectobentônicos, predadores, livre natantes, exclusivamente marinhos, vivendo em águas calmas e quentes, com salinidade até 35%o (estenohalinos).

Ocorreram do Cambriano ao Triássico, o que fez com que se tornassem importantes para Bioestratigrafia, pois são ótimos fósseis guias para a Era Paleozóica devido a sua ampla distribuição mundial e grande variação morfológica ao longo do tempo. Importantes indicadores termais, através do IAC – índice de alteração de cor, são utilizados como ferramenta essencial na indústria petrolífera, estudados na pesquisa de hidrocarbonetos (óleo e gás), para estabelecer a maturação da matéria orgânica.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL PROJETO TEMÁTICO EM GEOLOGIA

_______________________________________________________________________________________

26

Os elementos conodontes são compostos por fosfato de cálcio, formando a parte mineralizada do organismo destes animais, sendo durante muito tempo a única porção encontrada. Recentemente, entretanto, foi encontrado tecido mineralizado (fossilizado) pertencente a partes moles desses vertebrados primitivos. Contudo, estas recentes descobertas são extremamente raras de ocorrer, pois a preservação das partes duras já exige condições muito favoráveis, de ambientes calmos, sem correntes, ou bioturbações, para que permaneçam intactos em rochas sedimentares como folhelhos e carbonatos.

Os elementos conodontes apresentam traços de carbono, fixados na porção orgânica de sua estrutura. O carbono é um elemento sensível a processos de aquecimento, como hidrotermalismo e metamorfismo, alterando a cor original dos dentes destes animais. A variação de cor vai do amarelo pálido a marrom (temperaturas entre 50°C a 300°C) e do preto ao cinza (300ºC até 600ºC).

Apesar das inúmeras descobertas e dos trabalhos baseados na histologia dos elementos, que revelam características de vertebrados, ainda se discute a afinidade filogenética dos conodontes, porque alguns especialistas não acreditam que essas características sejam suficientes para considerá-los vertebrados.

Após serem classificados como pertencentes a diversos filos diferentes, tais como Cnidaria, Mollusca e até como plantas, hoje pertencem ao filo Chordata (Purnell et al.,1995).

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL PROJETO TEMÁTICO EM GEOLOGIA

_______________________________________________________________________________________

27

4.2. O ANIMAL

O primeiro registro de tecido fossilizado de Conodontes foi de um único espécimen contendo o aparelho alimentar completo na região cefálica (cabeça), no Carbonífero do Granton Shrimp Bed da Escócia (Briggs et al., 1983). Atualmente existe um total de 10 espécimens encontrados nesta formação, composta por dolomitos marrons pobres em matéria orgânica intercalados com silte muito escuro, rico em matéria orgânica, indicando fácies proximais, de água rasa.

Um único espécimem de um conodonte panderodontídeo pouco preservado, foi encontrado no Siluriano de Waukesha, Wisconsin (Smith et al., 1987) e traços de partes orgânicas foram encontradas em associações com aparelhos alimentares gigantes (em torno de 20 mm) de conodontes, no Ordoviciano superior da África do Sul (Aldridge & Theron, 1993). Os espécimens de Waukesha e da África do Sul revelaram detalhes sobre estruturas na cabeça e possíveis traços do tronco do animal. Porém, os espécimens de Granton fornecem as evidências mais completas a respeito da anatomia dos conodontes.

Através de novos espécimens encontrados no Granton Shrimp Bed (Aldridge et al., 1993), foi possível descrever que eram animais pequenos, com aproximadamente 4 centímetros, com forma de enguia, com olhos proporcionalmente grandes, uma notocorda na parte posterior, miômeros (blocos de músculos em forma de V nas laterais do corpo) e nadadeira caudal, colocando os conodontes no filo Chordata.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL PROJETO TEMÁTICO EM GEOLOGIA

_______________________________________________________________________________________

28

Figura 4.1 – Restauração do animal conodonte.(modificado de Scomazzon, 1999)

Na margem anterior da cabeça existem duas estruturas lobadas, de cor mais escura que as estruturas mineralizadas do tronco. Inicialmente, esses lobos foram considerados por Aldridge & Theron (1993) como “cápsulas ópticas”, mas logo essa hipótese foi descartada devido ao tamanho, forma e posição dos lobos.

Comparações com outros fósseis Agnatha, incluindo Jamoytius, um anaspídeo do Siluriano, sugeriram que os lobos representavam cartilagens escleróticas que ocorriam ao redor dos olhos. No animal do Granton Shrimp Bed, essa cartilagem parece ser profunda com buracos internos em forma de anel, indicando que os olhos eram relativamente grandes e lateralmente posicionados (Briggs et al., 1983). A

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL PROJETO TEMÁTICO EM GEOLOGIA

_______________________________________________________________________________________

29

presença de “olhos grandes", nesses espécimens sugere um aparelho cefálico mais avançado que o dos Cefalocordados (e.g. Amphioxus) (Purnell, 1995a).

Traços adicionais de partes orgânicas na região da cabeça foram, em princípio, relacionadas com os olhos (Aldridge & Briggs, 1989), mas atualmente são consideradas como cápsulas ópticas. Assim como alguns traços transversais pálidos que são interpretados como estruturas branquiais (Aldridge et al., 1993).

As principais feições encontradas no tronco do animal são a notocorda, os miômeros e a nadadeira caudal radiada. A notocorda é evidenciada por um par de linhas axiais paralelas, que se estendem anteriormente até próximo ao aparelho alimentar e posteriormente até a ponta da cauda. A posição da notocorda pode variar ao longo do comprimento do animal, porém, geralmente ocorre mais ou menos ao longo do eixo mediano da cauda e pode estar deslocada para a posição ventral no comprimento do tronco (Aldridge et al., 1993).

Os miômeros dos espécimens do Granton Shrimp Bed, são uma das peças mais importantes na discussão da afinidade destes animais aos Cordados. Em todos os espécimens pode-se observar estas estruturas que consistem em um arranjo de miômeros lateralmente pareados e com forma chevron. A posição desses músculos em relação a notocorda varia ao longo do tronco do animal. Segundo Aldridge et al., (1993), tais músculos poderiam ser uma adaptação para escavar o sedimento.

A nadadeira caudal é observada em alguns espécimens, mas não está bem preservada, sendo difícil definir se ela seria simétrica ou se ela se estenderia levemente mais para a região ventral ou dorsal. Em um dos espécimens, os raios da nadadeira são claramente evidentes em um dos lados da cauda. Do outro lado da mesma, ocorrem traços oblíquos indistintos, que poderiam representar a outra parte

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL PROJETO TEMÁTICO EM GEOLOGIA

_______________________________________________________________________________________

30

da nadadeira (Briggs et al., 1983). Apesar dessas evidências, a estrutura precisa da nadadeira caudal permanece indefinida.

Entretanto, considerando os elementos denticulados, a presença de tecido ósseo, esmalte, cartilagem calcificada e dentina, são evidências que caracterizam os conodontes como vertebrados primitivos.

Documentos relacionados