• Nenhum resultado encontrado

1 A JUSTIÇA DO TRABALHO E OS PRINCÍPIOS DO PROCESSO LABORAL E

1.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E INFRACONSTITUCIONAIS

1.3.2 BREVES COMENTÁRIOS AOS PRINCÍPIOS DO DIREITO

CONSTITUCIONAL PROCESSUAL E AOS PRINCÍPIOS DO DIREITO

PROCESSUAL CIVIL EXTENSÍVEIS AO PROCESSO DO TRABALHO

. Para adentrarmos no próximo sub-item (1.2.3 PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DO PROCESSO DO TRABALHO) é conveniente/necessário um breve estudo acerca dos Princípios Gerais do Direito Processual e dos Princípios do Direito Processual Civil incidentes no Processo do Trabalho.

Oportuna, portanto, é a lição de Cândido Rangel Dinamarco46, para quem determinados princípios prevalecem em qualquer processo (trabalhista, civil ou penal), pois incidentes ao Direito Processual como um todo (e, consequentemente, aplicáveis no processo do trabalho):

46DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. 6. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2009, v. I, p. 202.

A Constituição impõe expressamente alguns princípios que devem prevalecer em relação a processos de toda espécie (civil, penal, trabalhista; jurisdicional ou não), a saber: o do devido processo legal, o da inafastabilidade do

controle jurisdicional, o da igualdade, da liberdade, do contraditório e ampla defesa, juiz natural e publicidade. Contém ainda as linhas das quais se

infere o princípio do duplo grau de jurisdição (ao estruturar basicamente o Poder Judiciário e indicar a competência recursal dos tribunais), embora não lhe dê contornos de autêntica garantia. Além disso, formula a exigência de motivação das decisões judiciárias, que não se qualifica como princípio porque lhe falta o caráter de idéia mestra, ou ponto de partida: trata-se de exigência técnica das mais importantes e de grande responsabilidade pelo perfil político-democrático do processo, sendo uma projeção especificada do princípio do due process of law - esse, sim, autêntico princípio.

Sérgio Pinto Martins47 lembra ainda que, o fato de determinado princípio ter maior incidência no processo do trabalho não faz com que ele deixe de ser um Princípio do Direito Processual Comum para se transmudar em um Princípio do Direito Processual do Trabalho. A título de exemplificação, menciona os princípios da celeridade, da informalidade, da oralidade, da concentração da maioria dos atos processuais em audiência e o do ius postulandi, os quais, de fato, refletem de maneira mais intensa na justiça do processo laboral – em razão de suas peculiaridades –, mas nem por isso deixam de serem princípios da ciência processual em geral.

Amauri Mascaro Nascimento48 coaduna com o entendimento acima, bem como aponta outros princípios que também adquirem especial relevo no Processo do Trabalho, mas que continuam como princípios do Processo Comum, tais como a gratuidade, a legitimidade do sindicato para atuar como substituto processual em casos específicos, equidade ampliada, revogação da coisa julgada em virtude de sentenças normativas, conciliação tida como fundamento/norte nos dissídios coletivos e individuais.

Seriam princípios específicos de direito processual estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, segundo entendimento doutrinário de Amauri Mascaro Nascimento49, os seguintes:

1) organização colegiada dos Tribunais do Trabalho (art. 111); 2)

competência conciliatória e decisória dos órgãos judiciais trabalhistas (art.

114); 3) poder normativo para decidir conflitos coletivos fixando normas e condições (art. 114); 4) respeito, nos dissídios coletivos, às disposições

47MARTINS, Sérgio Pinto. Direito processual do trabalho: doutrina e prática forense; modelos de petições, recursos, sentenças e outros. 33. ed. São Paulo: Atlas, 2012, p. 38-40.

48NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito processual do trabalho. 25. ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 131.

49NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito processual do trabalho. 25. ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 143.

convencionais e legais mínimas de proteção ao trabalho (CF, art. 114, § 2º);

5) obrigatoriedade da fundamentação das sentenças (CF, art. 93, IX).

Importante destacar os preceitos dos dispositivos acima elencados:

Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: [...] IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: I - o Tribunal Superior do Trabalho; II - os Tribunais Regionais do Trabalho; III - Juízes do Trabalho. Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II - as ações que envolvam exercício do direito de greve; III - as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; VII - as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII - a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; IX - outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. [...] § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente.

Com relação aos princípios do direito processual civil (previstos em leis infraconstitucionais – em sua maioria, no Código de Processo Civil) incidentes no direito processual do trabalho, a redação do art. 769, da Consolidação das Leis do Trabalho, permite explorá-los, dês que não haja incompatibilidade com as normas do Processo Judiciário do Trabalho e exista omissão legal acerca do caso em questão (de maneira subsidiária, portanto); a propósito:

Art. 769 - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título.

Luciano Viveiros50, de maneira extremamente didática, explica o porquê da existência desse dispositivo, em passagem que merece a sua respectiva transcrição:

O legislador do Texto Consolidado se voltou ao direito material e às normas de proteção ao trabalho, deixando de lado o processo do trabalho. Tal desprezo provocou a necessidade de recorrer a outro título para subsidiar a Consolidação das Leis do Trabalho no que concerne ao rito procedimental das ações sob a tutela da Justiça do Trabalho. Nesse sentido, o legislador permite que as demandas trabalhistas sejam acompanhadas pelas normas expostas no Código de Processo Civil, o qual servirá de fonte subsidiária ao processo do trabalho, contanto que não contravenham os preceitos contidos no referido Texto Consolidado. Vale salientar que a CLT repete essa atitude ao tratar do direito material do trabalho, especificamente no parágrafo único do art. 8º, que remete ao direito civil a capacidade de subsidiar o direito do trabalho, convalidando, portanto, a possibilidade de recorrer a outro texto legal nos casos de omissão da lei trabalhista.

Destarte, inegável a aplicação e importância dos Princípios Processuais Civis no Direito Processual Laboral. Mauro Schiavi51 destaca os princípios que ele alega serem os mais importantes, quais sejam: da ação, demanda ou da inércia do judiciário; da disponibilidade ou dispositivo; do impulso processual; da oralidade; da instrumentalidade das formas; da cooperação; da observância da ordem cronológica das decisões;

Como se infere da exposição acima, Mauro Schiavi identifica alguns princípios gerais como princípios do direito processual civil (aplicáveis ao direito processual do trabalho por força do teor do art. 769, da CLT), mas que, afinal de contas, teriam os seus respectivos reflexos no Processo Laboral, sejam como princípios constitucionais fundamentais (por incidirem em todos os ramos do direito processual), sejam como princípios do processo civil (se compatíveis) – em virtude do aludido dispositivo celetista.

Por fim, Carlos Henrique Bezerra Leite52 complementa o entendimento de Mauro Schiavi no que diz respeito aos princípios que percorrem de forma compartilhada as esferas do direito processual civil e do direito processual do trabalho; assim sendo, além dos princípios supramencionados, também incidiriam os seguintes: da impugnação especificada; da estabilidade da lide; da eventualidade; da preclusão; da

50VIVEIROS, Luciano. CLT Comentada: doutrina e jurisprudência. 7ª. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013, p. 321.

51SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 10. ed. de acordo com o Novo CPC. São Paulo: LTr, 2016, p. 108-114.

52LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 79- 91.

economia processual; da perpetuatio jurisdictionis; do ônus da prova; e da lealdade processual.