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BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE AFETIVIDADE E INTERATIVIDADE

No documento São Paulo (páginas 67-71)

2 CONCEITOS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E AMBIENTE VIRTUAL DE

2.5 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE AFETIVIDADE E INTERATIVIDADE

Um aspecto importante de diferenciação do ensino presencial e o ensino a

distância é a forma como são estabelecidas as relações de aprendizagem. Com

efeito, o fato da ausência do professor no dia a dia do estudante e, por conseguinte,

não atuando como motivador e orientador das suas atividades, estabelece um

grande desafio dos professores quando se trata da educação a distância. Todavia,

os estudantes que optam por esse tipo de curso têm, em geral, um perfil mais

autônomo no que diz respeito à condução dos seus estudos; nessas circunstâncias,

então, o professor precisa manter a motivação do aluno. Para tanto, a proposta

docente deve ser pela busca de soluções motivadoras para um novo conceito de

ensino, preparado para enfrentar essa proposta que também é uma dificuldade. Por

exemplo, as brincadeiras habituais em sala de aula, e a improvisação do contato

pessoal, como elementos motivadores, deverão dar espaço a um contato por via

escrita, mensagens, cartas, telefone, ao invés do estereótipo tradicional professor –

sala de aula – aluno.

A simbologia da palavra escrita estabelece um novo código que deve ir além

da estrita comunicação escolar ou de ensino, devendo trazer em si questões

psicológicas, como afetividade e motivação, as quais ampliam o potencial de

aprender, valorizam e dão significado a este aprender. Segundo Moran (2000), o

sentido do verbo comunicar se realiza de inúmeras maneiras: entrar em sintonia,

aproximar, trocar, intercambiar, dialogar, expressar, influenciar, persuadir,

convencer, solidarizar, tornar transparente e comungar. Comunicamo-nos porque

somos limitados, porque nos faltam muitas informações, afetos e apoios. “Faz parte

da atividade da razão o componente afetivo amor ou ódio. Neste sentido a razão não

é neutra” (MORAN, 2000, p. 39).

E ainda, diz esse autor:

Educamos, de verdade, quando aprendemos com cada coisa,

pessoa ou ideia que vemos, ouvimos, sentimos, quando aprendemos

em todos os espaços em que vivemos – na família, nas escolas, no

trabalho, no lazer, etc. Educamos aprendendo a integrar em novas

sínteses o real e o imaginário: o presente e o passado olhando para

o futuro; ciência, arte e técnica: a razão e emoção (MORAN, 2000,

p.39).

Um outro lado dos principais aspectos que diferem um curso a distância de

um curso presencial diz respeito à relação tempo versus espaço. Em um método

presencial, todos os alunos devem estar reunidos ao mesmo tempo, em um mesmo

local para a aula. As trocas de experiências e os debates sobre os assuntos

propostos pelo professor são feitos frente a frente. Já no sistema não presencial, a

necessidade de reunião física não existe ou quando existe, é reduzida. Os alunos

recebem materiais didáticos e as atividades e avaliações propostas pelos

professores são desenvolvidas ao longo do curso em determinados momentos.

Assim como os cursos presenciais diferem de uma instituição para outra,

assim também os cursos a distância apresentam certa diferenciação. Basicamente,

o que difere um do outro na mesma modalidade é a proposta de cada instituição

pedagógica, são os recursos tecnológicos utilizados nessa proposta e a metodologia

adotada; e ainda, como esses recursos serão utilizados para atingir o objetivo final

que deve ser facilitar a aprendizagem.

Algumas instituições de ensino optam por fazer cursos nos quais o aluno

recebe em casa todo o material de estudo impresso, juntamente com as atividades

que devem ser cumpridas e com um cronograma de entrega dessas atividades. Se,

durante o seu estudo, ele tiver alguma dúvida, pode escrever uma carta ao professor

ou telefonar. Esse modelo de ensino a distância ficou bastante conhecido por “curso

por correspondência” e é ainda bastante utilizado, principalmente nas regiões mais

isoladas e carentes de acesso a tecnologias modernas. Hoje, esse modelo, sozinho,

não atende às necessidades de formação de grande parcela da população, que vive

em um contexto urbano permeado de diversas tecnologias de informação. Muitos

recursos são mais acessíveis e podem ser agregados para qualificar o processo

educativo atual, especialmente tecnologias que potencializam a comunicação e

cooperação como e-mail, salas de bate-papo, fóruns de debate, videoconferência,

teleconferência, entre outros. Atualmente, a interação professor-aluno, a relação

entre colegas de curso, mesmo ausentes, é uma prática válida, capaz de contribuir

para evitar o isolamento e manter um processo instigante, motivador de

aprendizagem – mesmo na prática, como facilitador de interdisciplinaridade - de

Algumas propostas utilizam recursos tidos como de alta tecnologia como, por

exemplo, equipamentos de videoconferência e teleconferência. Na videoconferência,

aluno e professor se veem e interagem; o professor pode encontrar-se em uma

cidade dando aula diante de uma câmera e ser assistido por uma turma reunida em

uma sala em outra cidade, por exemplo. Tanto o professor vê e ouve os alunos

como eles ouvem e o veem.

A teleconferência, por sua vez, é uma via de mão única: os alunos recebem

áudio e vídeo do professor, mas o professor não enxerga a turma, de forma

semelhante à transmissão de um programa de televisão. Assim, o aluno

(telespectador) precisa utilizar outro recurso para conseguir comunicar-se com o

professor, como o telefone.

Em ambas as propostas, os grupos estão reunidos em um mesmo horário e

local assistindo à aula do professor. Nesse exemplo, a característica principal da

educação a distância que faz referência à não necessidade de reunião física dos

alunos, se perde um pouco. É por isso que esse modelo de ensino a distância é

chamado por muitas instituições de presencial conectado. Um dia por semana ou

por mês, enfim, a critério de cada instituição, os alunos precisam comparecer à

instituição para assistir ao professor e no resto da semana, estudam isolados e

desenvolvem suas atividades conforme sua disponibilidade de tempo.

Existem ainda outros modelos que focalizam o uso da internet. As instituições

que adotam esse modelo disponibilizam uma sala de aula na internet a que

chamamos de Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Essa sala de aula virtual

fica disponível vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Por meio do AVA,

alunos e professores podem comunicar-se, trocar experiências, colaborar uns com

os outros, todos ao mesmo tempo ou em diferentes momentos, conforme a

disponibilidade de cada um.

Além do AVA, normalmente essas instituições fornecem material impresso,

livros digitalizados (e-books) ou videoaulas em DVD, como alternativas para

minimizar a necessidade de conexão à internet, fazendo com que o aluno tenha que

estar on-line apenas para realizar tarefas específicas e interagir com colegas e

No documento São Paulo (páginas 67-71)

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