2 CONCEITOS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E AMBIENTE VIRTUAL DE
2.5 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE AFETIVIDADE E INTERATIVIDADE
Um aspecto importante de diferenciação do ensino presencial e o ensino a
distância é a forma como são estabelecidas as relações de aprendizagem. Com
efeito, o fato da ausência do professor no dia a dia do estudante e, por conseguinte,
não atuando como motivador e orientador das suas atividades, estabelece um
grande desafio dos professores quando se trata da educação a distância. Todavia,
os estudantes que optam por esse tipo de curso têm, em geral, um perfil mais
autônomo no que diz respeito à condução dos seus estudos; nessas circunstâncias,
então, o professor precisa manter a motivação do aluno. Para tanto, a proposta
docente deve ser pela busca de soluções motivadoras para um novo conceito de
ensino, preparado para enfrentar essa proposta que também é uma dificuldade. Por
exemplo, as brincadeiras habituais em sala de aula, e a improvisação do contato
pessoal, como elementos motivadores, deverão dar espaço a um contato por via
escrita, mensagens, cartas, telefone, ao invés do estereótipo tradicional professor –
sala de aula – aluno.
A simbologia da palavra escrita estabelece um novo código que deve ir além
da estrita comunicação escolar ou de ensino, devendo trazer em si questões
psicológicas, como afetividade e motivação, as quais ampliam o potencial de
aprender, valorizam e dão significado a este aprender. Segundo Moran (2000), o
sentido do verbo comunicar se realiza de inúmeras maneiras: entrar em sintonia,
aproximar, trocar, intercambiar, dialogar, expressar, influenciar, persuadir,
convencer, solidarizar, tornar transparente e comungar. Comunicamo-nos porque
somos limitados, porque nos faltam muitas informações, afetos e apoios. “Faz parte
da atividade da razão o componente afetivo amor ou ódio. Neste sentido a razão não
é neutra” (MORAN, 2000, p. 39).
E ainda, diz esse autor:
Educamos, de verdade, quando aprendemos com cada coisa,
pessoa ou ideia que vemos, ouvimos, sentimos, quando aprendemos
em todos os espaços em que vivemos – na família, nas escolas, no
trabalho, no lazer, etc. Educamos aprendendo a integrar em novas
sínteses o real e o imaginário: o presente e o passado olhando para
o futuro; ciência, arte e técnica: a razão e emoção (MORAN, 2000,
p.39).
Um outro lado dos principais aspectos que diferem um curso a distância de
um curso presencial diz respeito à relação tempo versus espaço. Em um método
presencial, todos os alunos devem estar reunidos ao mesmo tempo, em um mesmo
local para a aula. As trocas de experiências e os debates sobre os assuntos
propostos pelo professor são feitos frente a frente. Já no sistema não presencial, a
necessidade de reunião física não existe ou quando existe, é reduzida. Os alunos
recebem materiais didáticos e as atividades e avaliações propostas pelos
professores são desenvolvidas ao longo do curso em determinados momentos.
Assim como os cursos presenciais diferem de uma instituição para outra,
assim também os cursos a distância apresentam certa diferenciação. Basicamente,
o que difere um do outro na mesma modalidade é a proposta de cada instituição
pedagógica, são os recursos tecnológicos utilizados nessa proposta e a metodologia
adotada; e ainda, como esses recursos serão utilizados para atingir o objetivo final
que deve ser facilitar a aprendizagem.
Algumas instituições de ensino optam por fazer cursos nos quais o aluno
recebe em casa todo o material de estudo impresso, juntamente com as atividades
que devem ser cumpridas e com um cronograma de entrega dessas atividades. Se,
durante o seu estudo, ele tiver alguma dúvida, pode escrever uma carta ao professor
ou telefonar. Esse modelo de ensino a distância ficou bastante conhecido por “curso
por correspondência” e é ainda bastante utilizado, principalmente nas regiões mais
isoladas e carentes de acesso a tecnologias modernas. Hoje, esse modelo, sozinho,
não atende às necessidades de formação de grande parcela da população, que vive
em um contexto urbano permeado de diversas tecnologias de informação. Muitos
recursos são mais acessíveis e podem ser agregados para qualificar o processo
educativo atual, especialmente tecnologias que potencializam a comunicação e
cooperação como e-mail, salas de bate-papo, fóruns de debate, videoconferência,
teleconferência, entre outros. Atualmente, a interação professor-aluno, a relação
entre colegas de curso, mesmo ausentes, é uma prática válida, capaz de contribuir
para evitar o isolamento e manter um processo instigante, motivador de
aprendizagem – mesmo na prática, como facilitador de interdisciplinaridade - de
Algumas propostas utilizam recursos tidos como de alta tecnologia como, por
exemplo, equipamentos de videoconferência e teleconferência. Na videoconferência,
aluno e professor se veem e interagem; o professor pode encontrar-se em uma
cidade dando aula diante de uma câmera e ser assistido por uma turma reunida em
uma sala em outra cidade, por exemplo. Tanto o professor vê e ouve os alunos
como eles ouvem e o veem.
A teleconferência, por sua vez, é uma via de mão única: os alunos recebem
áudio e vídeo do professor, mas o professor não enxerga a turma, de forma
semelhante à transmissão de um programa de televisão. Assim, o aluno
(telespectador) precisa utilizar outro recurso para conseguir comunicar-se com o
professor, como o telefone.
Em ambas as propostas, os grupos estão reunidos em um mesmo horário e
local assistindo à aula do professor. Nesse exemplo, a característica principal da
educação a distância que faz referência à não necessidade de reunião física dos
alunos, se perde um pouco. É por isso que esse modelo de ensino a distância é
chamado por muitas instituições de presencial conectado. Um dia por semana ou
por mês, enfim, a critério de cada instituição, os alunos precisam comparecer à
instituição para assistir ao professor e no resto da semana, estudam isolados e
desenvolvem suas atividades conforme sua disponibilidade de tempo.
Existem ainda outros modelos que focalizam o uso da internet. As instituições
que adotam esse modelo disponibilizam uma sala de aula na internet a que
chamamos de Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Essa sala de aula virtual
fica disponível vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Por meio do AVA,
alunos e professores podem comunicar-se, trocar experiências, colaborar uns com
os outros, todos ao mesmo tempo ou em diferentes momentos, conforme a
disponibilidade de cada um.
Além do AVA, normalmente essas instituições fornecem material impresso,
livros digitalizados (e-books) ou videoaulas em DVD, como alternativas para
minimizar a necessidade de conexão à internet, fazendo com que o aluno tenha que
estar on-line apenas para realizar tarefas específicas e interagir com colegas e
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São Paulo
(páginas 67-71)