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Building Research Establishment Environmental Assessment Method (BREEAM)

III. Certificação Territorial

III.1. Sistemas de Certificação Territorial do Edificado e da Sustentabilidade Urbana

III.1.2. Building Research Establishment Environmental Assessment Method (BREEAM)

Sistema de avaliação elaborado no Reino Unido em 1990 por pesquisadores do BRE (Building Research Establishment) bem como do sector privado em parceria com a industria, visando a medição e especificação do desempenho ambiental de edifícios. O BREEAM fornece um processo formal de avaliação baseado numa auditoria externa (Santo, 2010).

O processo decorre da avaliação do edifício de forma independente por avaliadores formados e indicados pelo BRE (Building Research Establishment), que, por sua vez, são responsáveis por especificar os critérios e métodos de avaliação e pela garantia da qualidade de todo o processo (Santo, 2010).

O BREEAM possuí objectivos gerais como:

Mitigar os impactos do ciclo de vida dos edifícios no ambiente;

Permitir que os edifícios sejam reconhecidos de acordo com os seus benefícios para o ambiente;

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Fornecer um rótulo ambiental credível para os edifícios; Estimular a demanda por edifícios sustentáveis

(Adaptado de BREEAM, 2011).

Além dos objectivos gerais o BREEAM apresenta objectivos muito mais específicos como: Fornecer reconhecimento no mercado para edifícios com baixo impacte ambiental;

Assegurar que as melhores práticas ambientais estão incorporadas no planeamento, design, construção e operações do edifício;

Definir uma “performance standard” robusta e eficiente em termos de custos que ultrapasse o requerido por lei;

Desafiar o mercado a fornecer soluções eficientes em termos de custos e inovadoras que minimizem o impacte ambiental dos edifícios;

Aumentar a consciencialização junto dos proprietários, ocupantes, “designers” e operadores dos benefícios dos edifícios com redução do impacto do ciclo de vida no ambiente;

Permitir às organizações demonstrar o progresso em relação aos objectivos ambientais corporativos.

Este sistema é actualizado a cada 3 a 5 anos consoante os avanços nas investigações, legislação e tecnologia. Existem várias versões do BREEAM, algumas gerais e outras especificamente para determinado tipo de edifícios e também para comunidades ou bairros. (Tabela 3.2).

Tabela 3.2 – Versões do BREEAM.

Versões Tipos de Edificado

BREEAM Courts Tribunais ou edifícios similares BREEAM Education Escolas ou edifícios similares

BREEAM Industrial Novos Edifícios Industriais BREEAM Healthcare Hospitais ou edifícios similares

BREEAM Offices Edifícios de escritórios novos, existentes em utilização

BREEAM Prisons Prisões ou edifícios similares BREEAM Retail Edifícios comerciais BREEAM Multi-residential Edifícios multi-residenciais

BREEAM EcoHomes Edifícios habitacionais unifamiliares novos ou modificados

BREEAM New Construction Edifícios não-domésticos BREEAM Communities Comunidades ou bairros

BREEAM Bespoke Restantes edifícios que não estão incluídos nos sistemas anteriores

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III.1.2.1. Estrutura e Classificação

O BREEAM tem duas formas de avaliação, para edifícios novos ou submetidos a reformas e para edifícios existentes e em uso. No primeiro caso são examinados os parâmetros de desempenho ambiental e consideradas questões referentes às fases de projecto e execução. No caso dos edifícios existentes e em uso, são considerados os parâmetros de desempenho e questões referentes à operação e gestão do edifício (Lucas, 2011).

O sistema BREEAM é caracterizado por possuir um conjunto de instrumentos utilizados pelos diferentes agentes envolvidos na avaliação inicial; dimensionamento, inventário e compra de materiais; gestão e operação e controlo de qualidade (Lucas, 2011).

Relativamente à metodologia, este sistema utiliza uma checklist para edifícios novos e questionários para edifícios já existentes. Estes são divididos nas áreas de gestão, saúde e bem- estar, energia, transporte, uso de água, uso de materiais, resíduos, ocupação do solo e ecologia local, poluição e inovação (BREEAM, 2008).

Cada área possui uma ponderação de acordo com a importância determinada pelo sistema, com a tipologia de edifício e o contexto local. A inclusão destas ponderações permite que se obtenha um índice de desempenho ambiental (EPI – Environmental Performance Index) que permite a certificação de determinadas classes de desempenho (Tabela 3.3).

Tabela 3.3 – Níveis de Certificação BREEAM (BREEAM, 2008). Níveis de certificação

Insuficiente (Unclassified) <30%

Suficiente (Pass) ≥ 30%

Bom (Good) ≥ 45%

Muito Bom (Very Good) ≥ 55%

Excelente (Excellent) ≥ 70%

Extraordinário (Outstanding) ≥ 85%

A avaliação no sistema BREEAM é feita através de um conjunto de parâmetros de avaliação, parâmetros esses pertencentes a variadas áreas relacionadas com a edificação e a sustentabilidade urbana (Tabela 3.4).

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Tabela 3.4 – Áreas de avaliação do BREEAM (BREEAM, 2008). Áreas de Avaliação da Sustentabilidade Parâmetros de Avaliação

Gestão Aspectos globais de política e procedimentos ambientais

Saúde e Bem-estar Ambiente interno e externo ao edifício Energia Energia Operacional e emissão de CO2

Transporte Localização do edifício e emissão de CO2

relacionada com o transporte Água Consumo e águas residuais

Materiais Implicações ambientais da selecção de materiais Resíduos Eficiência dos recursos através de uma gestão

eficiente e adequada dos resíduos da construção Ocupação do Solo e Ecologia Crescimento urbano; Valor ecológico do sítio

Poluição Poluição da água e ar, excluindo CO2

Inovação Inovação no campo da sustentabilidade

III.1.2.2. Ponderação e Resultados

As várias áreas de avaliação da sustentabilidade que constituem o sistema BREEAM têm uma ponderação específica para cada uma delas, variando consoante a sua importância ao nível da sustentabilidade, dando-se aqui mais importância à Saúde e Bem-estar e à Energia (Tabela 3.5).

Tabela 3.5 – Ponderações entre áreas de avaliação do BREEAM (BREEAM, 2008). Áreas de Avaliação da

Sustentabilidade

Ponderações (%) Novos Edifícios, extensões e

grandes remodelações

Edifícios remodelados apenas (quando aplicáveis a

este esquema) Gestão 12 13 Saúde e Bem-estar 15 17 Energia 19 21 Transporte 8 9 Água 6 7 Materiais 12.5 14 Resíduos 7.5 8

Ocupação do Solo e Ecologia 10 N/A

Poluição 10 11

Inovação 10 10

A implementação do sistema BREEAM é feita através de checklists (lista de verificações) para edifícios novos ou através de questionários para edifícios já existentes. Para edifícios novos, as checklists auxiliam os projectistas a identificarem os itens de desempenho do edifício. Para edifícios

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já existentes, os questionários são preenchidos durante a visita técnica ao edifício e nas diversas reuniões com o gestor do mesmo. As checklists e os questionários são preenchidos com uma pontuação numa escala de 0-5, podendo ser atribuídos meios pontos, ou seja, 0, 0.5, 1, 1.5, 2, 2.5, 3, 3.5, 4, 4.5 ou 5 (BREEAM, 2008).

A checklist e os questionários são divididos nas áreas de gestão, saúde e bem-estar, energia, transporte, uso de água, uso de materiais, desperdício, ocupação do solo e ecologia local, poluição e inovação. Às áreas em estudo são atribuídos pesos específicos, consoante a relevância determinada pelo sistema segundo a tipologia do edifício em estudo. A atribuição de créditos ao edifício é feita quando se verifica que determinados requisitos são cumpridos. Deste modo, o conjunto de créditos e pesos das áreas permite obter um índice de desempenho ambiental do edifício que permite a certificação numa das classes existentes de desempenho (“Unclassified”, “Pass”, “Good”, “Very Good”, “Excellent” e “Outstanding”) (Lucas, 2011).

No Anexo I são apresentadas algumas checklists do sistema BREEAM.

III.1.3. Comprehensive Assessment System for Building Environmental