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ARTIGO 451 (Burla)

Será punido com prisão por mais de seis meses, podendo ser agravada com multas, segundo as circunstâncias:

1. O que, fingindo-se senhor de uma coisa, a alhear, arrendar, gravar ou empenhar;

2. O que vender uma coisa duas vezes a diferentes pessoas, ou seja mobília ou imobiliária a coisa vendida;

3. O que especialmente hipotecar uma coisa a duas pessoas, não sendo desobrigado do primeiro credor, ou não sendo bastante, ao tempo da segunda hipoteca especial, para satisfazer a ambas, havendo propósito fraudulento;

4. O que, de qualquer modo, alhear como livre uma coisa, especialmente obrigada a outrem, encobrindo maliciosamente a obrigação.

§ único. É aplicável às infracções previstas neste artigo o disposto no artigo 431 e no artigo 432 e seus parágrafos relativamente ao furto.

ARTIGO 452 (Burla por defraudação)

Será punido com as penas de furto, segundo o valor da coisa furtada ou do prejuízo causado, aquele que defraudar a outrem, fazendo que se lhe entregue dinheiro ou móveis, ou quaisquer fundos ou títulos, por algum dos seguintes meios:

1. Usando de falso nome ou de falsa qualidade;

2. Empregando alguma falsificação de escrito;

3. Empregando artifício fraudulento para persuadir a existência de alguma falsa empresa, ou de bens, ou de crédito, ou de poder supostos, ou para produzir a esperança de qualquer acontecimento.

§ 1°. A pena mais grave de falsidade, se houver lugar, será aplicada.

§ 2°. É aplicável às infracções previstas neste artigo o disposto no artigo 431 e no artigo 432 e seus parágrafos relativamente ao furto.

ARTIGO 453 (Extorsão e chantagem)

Aquele que por meio de ameaça verbal ou escrita de fazer revelações ou imputações injuriosas ou difamatórias, ou, a pretexto de as não fazer, extorquir a outrem valores, ou coagir a escrever, assinar, entregar, destruir e falsificar, ou, por qualquer modo, inutilizar escrito ou título que constitua, produza ou prove obrigação ou quitação, será condenado às penas do furto, agravadas, mas só terá lugar o procedimento criminal havendo queixa prévia do ofendido.

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§ 1º. Se os valores não forem extorquidos, nem o título ou escrito foi assinado, entregue, escrito, destruído, falsificado, ou por qualquer modo inutilizado, a pena será a do § 1° do artigo 390.

§ 2º. Aquele que, com o pretexto de crédito, ou influência sua ou alheia para com alguma autoridade pública, receber de outrem alguma coisa, ou aceitar promessa pelo despacho de qualquer negócio ou pretensão, e bem assim o que receber de outrem alguma coisa, ou aceitar promessa com pretexto de remuneração ou presente a algum empregado público, será punido com pena de prisão e multa correspondente, sem prejuízo da acção que compete ao empregado público pelo crime de injúria.

SECÇÃO III

Abuso de Confiança, Simulações e outras Espécies de Fraude

ARTIGO 454 (Abuso de confiança)

Aquele que desencaminhar ou dissipar, em prejuízo de proprietário, ou possuidor ou detentor, dinheiro ou coisa móvel, ou títulos ou quaisquer escritos, que lhe tenham sido entregues por depósito, locação, mandato, comissão, administração, comodato, ou que haja recebido para um trabalho, ou para uso ou emprego determinado, ou por qualquer outro titulo, que produza obrigação de restituir ou apresentar a mesma coisa recebida ou um valor equivalente, será condenado às penas de furto.

§ 1º. A mesma pena será aplicada àquele que, nos termos deste artigo, gravar ou empenhar qualquer dos objectos nele mencionados, quando com isso prejudique ou possa prejudicar o proprietário, possuidor ou detentor.

§ 2º. É aplicável às infracções previstas neste artigo e seu § 1º o disposto no artigo 431 e no artigo 432 e seus parágrafos relativamente ao furto.

ARTIGO 455

(Abuso sobre incapazes)

Aquele que abusar da imperícia, necessidades ou paixões de menor não emancipado, ou de indivíduo interdito, em razão de afecção mental ou de prodigalidade, levando-o a contrair, em seu prejuízo, obrigação verbal ou escrita, ou a subscrever desobrigação ou transmissão de direitos, por empréstimo de dinheiro ou de bens móveis, ainda que debaixo de outra forma se encubra o empréstimo, será condenado a prisão de três dias a dois anos e multa correspondente.

ARTIGO 456 (Simulação)

Aqueles que fizerem algum contrato simulado, em prejuízo de uma terceira pessoa ou do Estado, serão punidos com prisão de um a dois anos e multa correspondente.

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§ único. É aplicável ao crime de simulação, que não seja em prejuízo do Estado, o disposto no artigo 431 e no artigo 432 e seus parágrafos relativamente ao furto.

ARTIGO 457 (Fraude nas vendas)

Será punido com um mês a um ano de prisão e multa correspondente:

1. O que enganar o comprador sobre a natureza da coisa vendida;

2. O que enganar o comprador, vendendo-lhe mercadoria falsificada, ou géneros alterados com alguma substância posto que não nociva à saúde, para aumentar o peso ou volume;

3. O que, usando de pesos falsos ou medidas falsas, enganar o comprador.

§ 1º. Se for ourives de ouro ou de prata, que cometa falsificação, metendo nas obras que fizer para vender alguma liga por que a lei, bondade e valia do ouro ou prata seja alterada, ou engastando ou pondo pedra falsa ou contrafeita ou que engane o comprador sobre o peso ou toque de ouro ou prata, ou sobre a qualidade de alguma pedra, a pena será a de prisão de três meses a dois anos e multa correspondente.

§ 2º. A simples detenção de falsos pesos ou de falsas medidas nos armazéns, fábricas, casas de comércio ou em qualquer lugar, em que as mercadorias estão expostas à venda, será punida com multa até um ano.

§ 3º. Consideram-se como falsos os pesos e medidas que a lei não autoriza.

§ 4º. Os objectos do crime, se pertencerem ainda ao vendedor, serão perdidos a favor do Estado, e bem assim serão perdidos e inutilizados os pesos e medidas falsas.

§ 5º. É aplicável à infracção prevista no nº.1º deste artigo o disposto no artigo 431 e no artigo 432 e seus parágrafos relativamente ao furto.

ARTIGO 458

(Aplicabilidade das medidas sócio-educativas e socialmente úteis) Nos crimes previstos nesta secção, punidos com a pena de prisão até um ano, são aplicáveis as medidas sócio-educativas e socialmente úteis referidas no nº 2 do artigo 115.

CAPÍTULO III

Abertura de Cartas Alheias ou Papéis e revelação de Segredos

ARTIGO 459

(Abertura fraudulenta de cartas ou papéis fechados)

Aquele que maliciosamente abrir alguma carta ou papel fechado de outra pessoa, será condenado a prisão até um ano e multa até três meses, se tomar conhecimento dos seus segredos e os revelar, a prisão até seis meses, se os não revelar, e a prisão até

Pág. 133 de 140 três meses se nem os revelar, nem deles tomar conhecimento, tudo sem prejuízo das penas de furto, se houverem lugar.

§ 1º. A disposição deste artigo não é aplicável aos cônjuges, pais e tutores, quanto às cartas ou papéis de seus cônjuges, filhos ou menores que se acharem debaixo da sua autoridade.

§ 2º. Se o criminoso for criado, ou qualquer outra pessoa habitualmente empregada no serviço da pessoa ofendida, será aplicada a pena de prisão de seis meses a um ano.

§ 3º. Se as cartas ou papéis abertos forem pertencentes ao serviço público e emanados de alguma autoridade pública ou a ela dirigidos, ou instrumentos ou autos judiciais, a pena será a de prisão e multa, nunca inferiores a um ano.

§ 4º. O procedimento judicial pelos crimes previstos neste artigo e seu § 2º depende de participação do ofendido.

§ 5º. Nos casos do § 3º o procedimento judicial depende da participação do funcionário que dirige o serviço público a que as cartas ou papéis abertos forem pertencentes ou dos superiores desse funcionário, ou da autoridade pública donde forem emanados ou a quem forem dirigidos.

§ 6º. Quando se trate de instrumentos ou autos judiciais, o procedimento judicial não dependerá de participação ou de acusação particular.

ARTIGO 460

(Intromissão através da informática)

Aquele que criar, mantiver ou utilizar ficheiro automatizado de dados individualmente identificáveis e referentes a convicções políticas, religiosas, ou filosóficas, a filiação partidária ou sindical, a vida privada, ou a origem étnica, será punido com pena de prisão maior de dois a oito anos e multa até um ano.

ARTIGO 461

(Revelação de segredos da indústria)

Todo o empregado ou operário em fábrica ou estabelecimento industrial, ou encarregado da sua administração ou direcção, que com prejuízo do proprietário descobrir os segredos da sua indústria, será punido com a prisão de três meses a dois anos.

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CAPÍTULO IV

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