CAPITULO II: MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS NA FLORESTA
2.3 CONVIVÊNCIA SOCIAL NAS MATAS
2.5 EM BUSCA DOS SABERES DOS “ANTEPASSADOS”
Será que nossos avós iam ao medico e ao farmacêutico regularmente, como se adotou esses procedimentos atualmente? É certo que não, basta-nos recorrer á memória dos mais idosos ou aos registros literários em que os patriarcas das áreas rurais se orgulhavam de nunca haverem ingerido uma colher de remédio, ao menos o sintético, isso porque tinham um estilo de vida diferente, sua alimentação
encontrava-se menos infectados com uma parafernália de produtos químicos, e também porque a sua farmácia era a mais natural possível, pois tinha seus medicamentos fresquinhos e naturais a seu dispor, sem nada químico que lhe pudesse curar de uma moléstia e ao mesmo tempo contribuir, para formação de outra, já as pessoas como dona Josefa afirma.
Nunca tive problema que não conseguisse resolver com as plantas, fosse febre, sarampo ou fosse o que fosse, e ficava boa mesmo. (entrevistada Josefa Ribeiro do Norte)
Assim os conhecimentos anteriores a esta década tem seu respaldo, garantido por heranças deixadas por pessoas que já adquiriram seus conhecimentos através de aprendizagem com outros seus parentes mais antigos.
Os conhecimentos eram transmitidos entre os familiares, onde um que sabia mais tinha melhor memoria, ia passando esse conhecimento para aquele que sabia menos. (Paulo Klein, entrevistado em 27/05/2014)
Portanto conforme Klein os familiares tinha, não so a obrigação, mas o compromisso de se cuidarem entre si, de transmitirem o que sabiam sobre o tratamento de alguma doença, com as plantas que dispunham, e pela simplicidade que é esse pessoal, não recusavam auxilio a quem os procurasse.
Nossa entrevistada fazia parte desses conhecedores do manejo do remédio da mata, e entre os mais utilizados estava, a casca de laranja, a folha de laranja, o quina-quina, o mastruz, o óleo de copaíba, a sabugueira, a folha de vassourinha, erva cidreira, carmelitana, eram plantas facilmente identificadas pelo olhar clinico dos mais idosos e experientes, a maioria se transformava em chá, porém era preciso identificar cada espécie a fim de não se cometer equívocos, pois cada erva tem seus benefícios para cada mal.
Eu usava a casca de laranja pra dor de estomago, já a folha de laranja, eu usava o chá pra febre, é um calmante muito bom, e, alivia a tosse também, a quina-quina é bom pra malária, já o mastruz eu usava pra cicatrizar ferida usava com o carvão pisado, uma vez meu irmão deu uma rebolada numa galinha e quebrou o osso da coxa, então minha mãe pegou pisou o carvão em brasa como o mastruz e deu, ela ficou boa, depois quando a gente nem lembrava mais, a mamãe matou a galinha e quando tratou a carne da coxa tava uma lista de verde com preto, o mastruz tinha
entranhado na carne, mas tava remendado o osso não sei como foi aquilo, eu usei muito também o óleo de copaíba que servia pra sarar pereba, so que ficava uma mancha rocha, tinha a sabugueira que servia pro sarampo também, eu já usei pra coqueluche, a folha de vassourinha so servia pra uso do benzedor, tinha que ser sem semente, tinha a erva-cidreira que era calmante igual a laranjeira, e a carmelitana que era pra quando a comida fazia mal.( Josefa Ribeiro do Norte entrevistada em 03/06/2014).
Como podemos perceber esses tratamentos as vezes surpreendia, os próprios atores que estão participando na data desse episodio dentro da historia, dona Josefa se surpreendeu com o efeito de um tratamento, sempre sabia que dava certo porem nunca imaginou como realmente se operava o efeito internamente após ser “medicado”.
Porém hoje esse conhecimento vem se perdendo da memória dos mais jovens, chegando-se ao ponto em que mal identificamos meia dúzia de remédios caseiros com toda segurança.
E, enquanto não preservamos a memória das próprias feições das ervas medicinais, quanto mais de suas propriedades, e assim nos tornamos cada vez mais dependentes de produtos de laboratórios, obtendo de fato alivio imediato, mas a um preço em longo prazo que são os efeitos colaterais que essas drogas vão fixar no nosso organismo, tornando-o lento e preguiçoso, incapaz de reagir a males que para as velhas donas de casas nossas avós, era melzinho na chupeta bastava um chazinho e pronto.
Dona Cleonice da Silva Teixeira de 81 anos que nasceu em Boca do Acre, em seringal que desconhece o seu nome por ter tido seu translado ainda na infância, para a cidade de Brasileia onde, ficou ate seu matrimônio aos 18 anos, então se transferindo para o seringal Nazaré na Bolívia.
Quando cheguei na colocação com meu marido foi muito difícil, pois não levamos remédio nada, e na primeira doença que foi uma febre que meu marido pegou, tratei com quina-quina, que minha mãe tinha me ensinado, usava também a folha de laranja que é bom também pra febre,a carmelitana pro estomago, em mim usei uma vez que tava com muita febre e sozinha o chá da folha de graviola, fiquei boa,boa.
Na figura abaixo temos a mostra de um canteiro, com cebola de cheiro verde, e couve que serve para combater a anemia, gastrite, consumindo através de suco, informações obtidas com Aglicia Fernanda Feliciano Mendes, agente de saúde.
Fonte: João Luiz Hoeffel, abril/2010
Portanto, aqui vemos claramente a importância e confiabilidade nos tratamentos praticados no meio do mato, onde para a dona Josefa o serviço médico era desconhecido, da medicina normal a mesma so utilizava a cibalena, sem saber que era remédio de farmácia, o regatão deixava junto com as outras mercadorias, para ela, era como o querosene para acender a lamparina.