5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 BUSCA PELA PROTEÍNA ACSL DO PARACOCCIDIOIDES SPP
Inicialmente, foi realizada uma busca com as ferramentas blastp e tblastn da proteína Acsl do P. brasiliensis 18 como query (a que teve sua abundância alterada nas análises proteômicas do Pb18 tratado por 24 horas com inibidor da calcineurina, quando comparado ao controle), cujo número de acesso do UniProt é C1G0P4, contra Paracoccidioides (taxid: 38946). Dos resultados, foram obtidos o total de 82 hits no blastp, com os isolados P. lutzii, P. brasiliensis 18, P. brasiliensis 03 e P. brasiliensis (segundo o “Specific Name” dos resultados do BLAST), e o total de 26 hits no tblastn, com isolados P. lutzii e P. brasiliensis 18 (tabelas 27 para blastp e 28 para tblastn, em
“ANEXOS”). Os grupos anotados somente como “Paracoccidioides brasiliensis” no banco de dados do NCBI, se trata dos isolados P. brasiliensis 300 e P. brasiliensis CNH. Essa informação foi alcançada através de suas classificações taxonômica no NCBI, e pelas posteriores análises nos bancos do UniProt e EnsemblFungi, que serão apresentadas no decorrer do trabalho.
Utilizando a fórmula de busca do Excel para procurar aquelas sequências que apareceram no blast C1G0P4 x Paracoccidioides (taxid: 38946) nas tabelas de resultados dos demais blasts (humanos x Paracoccidioides (taxid: 38946) e S.
cerevisiae x Paracoccidioides (taxid: 38946)), encontrou-se 41 proteínas comum a todos os blastp, e 16 proteínas comum a todos os tblastn, como apresentado na tabela 2 abaixo:
Tabela 2 - Proteínas em comum à todas as buscas de blastp (a) e tblastn (b). Sendo 41 resultados para blastp e 16 para tblastn.
Espécie Nome do P. brasiliensis 18 PADG_00434 XP_010755824.1 XM_010757522.1 XP_010755824.1 P. brasiliensis 18 PADG_06345 XP_010761699.1 XM_010763397.1 XP_010761699.1 P. brasiliensis 18 PADG_12430 XP_010763667.1 XM_010765365.1 XP_010763667.1 P. brasiliensis 18 PADG_08710 XP_010764011.1 XM_010765709.1 XP_010764011.1 P. brasiliensis 18 PADG_02625 XP_010758540.1 XM_010760238.1 XP_010758540.1 P. brasiliensis 18 PADG_02734 XP_010758585.1 XM_010760283.1 XP_010758585.1 P. brasiliensis 18 PADG_02836 XP_010758158.1 XM_010762831.1 XP_010761133.1 P. brasiliensis 18 PADG_11912 XP_010761133.1 XM_010763202.1 XP_010761504.1
P. brasiliensis 18 PADG_04495 XP_010760275.1 - -
P. lutzii PAAG_01336 XP_015701225.1 XM_015844317.1 XP_015701225.1 P. lutzii PAAG_03481 XP_002794936.1 XM_002794890.1 XP_002794936.1 P. lutzii PAAG_08052 XP_002789985.1 XM_002789939.2 XP_002789985.1 P. lutzii PAAG_08981 XP_015701611.1 XM_015846690.1 XP_015701611.1 P. lutzii PAAG_07803 XP_015700730.1 XM_015846336.1 XP_015700730.1 P. lutzii PAAG_05989 XP_015699977.1 XM_015845751.1 XP_015699977.1 P. lutzii PAAG_08527 XP_015701203.1 XM_015846539.1 XP_015701203.1
P. lutzii PAAG_07665 XP_002790366.1 XM_002793313.2 XP_002793359.1
P. brasiliensis 300 ACO22_03860 ODH28871.1 - -
P. brasiliensis 300 ACO22_01195 ODH42449.1 - -
P. brasiliensis 300 ACO22_07580 ODH13125.1 - -
P. brasiliensis 300 ACO22_00885 ODH44350.1 - -
P. brasiliensis 300 ACO22_00970 ODH43626.1 - -
P. brasiliensis 300 ACO22_04378 ODH26883.1 - -
P. brasiliensis 300 ACO22_03620 ODH30170.1 - -
P. brasiliensis CNH GX48_06438 ODH47463.1 - -
Os números de acesso que começam com XM_ (mRNA) e XP_ (proteínas) são referentes ao RefSeq, produzidos por pipeline de anotação de genoma ou copiado computacionalmente do International Nucleotide Sequence Database Collaboration (INSDC), um banco de dados colaborativo entre o GenBank do NCBI, DNA Data Bank of Japan (DDBJ) e o EMBL-EBI. Os demais números de acesso são referentes ao GenBank, retirados diretamente do INSDC. A diferença entre o GenBank e o RefSeq é que no GenBank pode ter dados redundantes, por estar diretamente ligado ao INSDC, já o RefSeq possui dados derivados do INSCD avaliados por um grupo do NCBI, evitando assim dados redundantes (National Center for Biotechnology Information (NCBI), 2020). Os Paracoccidioides brasiliensis 03, 300 e CNH não possuem informações sobre os seus genomas no banco de dados do NCBI, portanto não estiveram presentes nos resultados do tblastn, pois este não continha as informações sobre os genes e mRNA dessas espécies para traduzi-las em proteínas.
Das 16 proteínas que apareceram no tblastn, 15 delas também estavam presentes no blastp, sendo as 8 proteínas do P. lutzii e as 7 primeiras proteínas do P. brasiliensis 18 (referente a tabela de tblastn (b)), conferindo uma maior confiabilidade nesses dados. Entretanto, foi decidido observar os domínios conservados de todos os 41
resultados do blastp, com dados das outras espécies do complexo P. brasiliensis, trazendo uma oportunidade de ajudar na anotação dos dados relativos à essas espécies, além de incrementar a veracidade dos dados das espécies mais bem anotadas (P. brasiliensis 18 e P. lutzii).
A tabela 3 confere os dados de domínios e motivos das 41 proteínas apresentadas anteriormente, comparando com as proteínas Acsl das espécies bem conhecidas utilizadas no estudo (humanos e S. cerevisiae), bem como da porcentagem de cobertura (cov) e identidade (id) do alinhamento múltiplo realizado pelo ClustalO, utilizando a proteína de acesso C1G0P4 (com nome do gene de PADG_00434) como query.
Tabela 3 - Análise dos domínios conservados, dos motivos de ligação e da similaridade das proteínas em comum das espécies Paracoccidioides, comparado às espécies anotadas e bem revisadas. O KEGG Motif apresenta os motivos que também aparecem em humanos e S. cerevisiae, os demais motivos presentes são: 1 Condensation, 2 PP-binding, 3 TetR, 4 AATase, 5 GH3, 6 E3_binding e 7 PDZ_1. 8 Porcentagem de cobertura (cov) e identidade (id) fornecida pelo ClustalO do EMBL-EBI, com visualização pelo MView, utilizando o PADG_00434 como query. Algumas proteínas não obtiveram “specific hits” para os domínios conservados.
Gene Espécie Superfamily Domínio
Conservado KEGG KO KEGG Motif cov 8 id 8
PADG_00434 Pb18 AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain
acyl-CoA synthetase AMP-binding 100,0% 100,0%
PADG_06345 Pb18 AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C
100,0% 54,8%
PADG_12430 Pb18 AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain
acyl-CoA synthetase AMP-binding 90,5% 24,7%
PADG_08710 Pb18 AFD_class_I Firefly_Luc_like -
AMP-binding, AMP-binding_C
74,1% 17,0%
PADG_02625 Pb18 AFD_class_I Firefly_Luc_like -
AMP-binding, AMP-binding_C
75,6% 16,8%
PADG_02734 Pb18 AFD_class_I Firefly_Luc_like -
AMP-binding,
PADG_04495 Pb18 AFD_class_I FACL_fum10p_like oxalate---CoA ligase
AMP-binding, AMP-binding_C 5
69,6% 17,1%
PAAG_01336 P. lutzii AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain
acyl-CoA synthetase AMP-binding 100,0% 96,5%
PAAG_03481 P. lutzii AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C 6
100,0% 55,5%
PAAG_08052 P. lutzii AFD_class_I LC-FACS_euk long-chain
acyl-CoA synthetase AMP-binding 93,7% 24,2%
PAAG_08981 P. lutzii AFD_class_I Firefly_Luc_like -
AMP-binding, AMP-binding_C
67,9% 15,3%
PAAG_07803 P. lutzii AFD_class_I Firefly_Luc_like -
AMP-binding, AMP-binding_C
75,8% 16,8%
PAAG_05989 P. lutzii AFD_class_I Firefly_Luc_like 4-coumarate--CoA ligase
AMP-binding, AMP-binding_C 7
73,3% 15,6%
PAAG_08527 P. lutzii PRK12316,
C_NRPS-like, PP-binding CT_NRPS_-like ferricrocin synthase
AMP-binding, AMP-binding_C 12
79,7% 1,8%
PAAG_07665 P. lutzii AFD_class_I FACL_fum10p_like oxalate---CoA ligase
AMP-binding, AMP-binding_C 5
69,6% 16,9%
PAAG_04888 P. lutzii AFD_class_I Firefly_Luc_like -
AMP-binding,
ACO22_00885 Pb300 AFD_class_I Firefly_Luc_like - - 75,6% 16,8%
ACO22_00970 Pb300 PRK12316,
ACO22_03620 Pb300 AFD_class_I FACL_fum10p_like - - 69,2% 16,6%
GX48_06438 PbCNH AFD_class_I LC_FACS_euk1 - - 100,0% 54,6%
GX48_07463 PbCNH AFD_class_I LC-FACS_euk - - 93,7% 24,1%
GX48_01719 PbCNH AFD_class_I Firefly_Luc_like - - 75,6% 16,6%
GX48_03764 PbCNH AFD_class_I Firefly_Luc_like - - 73,5% 14,2%
GX48_3527 PbCNH PRK12316,
GX48_03869 PbCNH AFD_class_I FACL_fum10p_like - - 69,6% 17,1%
ACSL1 Humano AFD_class_I LC-FACS_euk long-chain
acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C
92,5% 25,1%
ACSL3 Humano AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain
acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C
96,5% 30,0%
ACSL4 Humano AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain
ACSL5 Humano AFD_class_I LC-FACS_euk long-chain
acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C
91,9% 23,9%
ACSL6 Humano AFD_class_I LC-FACS_euk long-chain
acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C
92,5% 23,7%
FAA1 S. cerevisiae AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C
97,6% 45,7%
FAA2 S. cerevisiae AFD_class_I LC-FACS_euk long-chain acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C
95,0% 21,8%
FAA3 S. cerevisiae AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain acyl-CoA synthetase
AMP-binding, AMP-binding_C
97,0% 41,8%
FAA4 S. cerevisiae AFD_class_I LC_FACS_euk1 long-chain acyl-CoA synthetase
A partir dos dados fornecidos na tabela 3 podemos notar que somente as três primeiras proteínas dos isolados P. brasiliensis 18 (PADG_00434, PADG_06345 e PADG_12430), P. lutzii (PAAG_01336, PAGG_03481 e PAAG_08052), P. brasiliensis 03(PABG_02037, PABG_06823 e PABG_07295), P. brasiliensis 300 (ACO22_03860, ACO22_01195 e ACO22_07580), e as duas primeiras proteínas do isolado P.
brasiliensis CNH (GX48_06438 e GX48_07463), totalizando 14 proteínas, apresentaram todas as seguintes correspondências: Superfamília = AFD_class_I;
Domínio Conservado = LC_FACS; KEGG Motif = AMP_binding; cobertura > 90%.
Além de terem uma identidade mínima de aproximadamente 24%, semelhante aos menores hits contra humanos (menor hit de 23,7%, para ACSL6) e S. cerevisiae (menor hit de 21,8%, para FAA2). E para os isolados P. brasiliensis 18 e P. lutzii, as proteínas mencionadas estão, ainda, anotadas como long-chain acyl-CoA synthetase no KEGG Orthology (KO), banco no qual foi feita a anotação da proteína que deu início ao presente estudo (PADG_00434) por Lima et al. (2018). A presença dos motivos AMP-binding e LC_FACS (long-chain fatty acyl-CoA synthetase) expande as chances dessas proteínas hipotéticas serem de fato Acsl, pois esses motivos são altamente conservados em acyl-CoA synthetases segundo a literatura (Black & DiRusso, 2007;
Roche et al., 2013). Devido a isso, as proteínas com cobertura < 90% e identidade <
20%, e que não contém os mesmos domínios conservados e, em alguns casos a superfamília também, presentes em humanos e S. cerevisiae, foram desconsideradas nas próximas análises.
Com as 14 proteínas selecionadas nos fungos do gênero Paracoccidioides (denominadas pbAcsl) e as proteínas de humanos e S. cerevisiae, buscou-se localizar os motivos AMP-binding (I), acyl-binding (II), adenine-binding (III) e gate domain (IV) em suas sequências baseado nas sequências presentes no trabalho de Roche et al.
(2013), que caracteriza o papel das proteínas acyl-CoA synthetase no metabolismo de Neurospora crassa (tabela 4). Pode-se notar uma alta correspondência entre as sequências dos motivos de cada grupo (pbAcsl1, pbAcsl2 e pbAcsl3), e que há pequenas diferenças entre os grupos. Podemos ainda notar que os quatro motivos apresentados, são bastante conservados entre as espécies. A sequência consenso (em destaque) do motivo II indica a especificidade à ácidos-graxos de cadeia longa (Asp-Arg-Xaa-Lys) (Roche et al., 2013).
Tabela 4 - Análise dos motivos conservados (I) AMP-Binding, (II) Acyl-Binding, (III) Adenine-Binding e (IV) Gate Domain nas sequências das proteínas Acsl putativas de Paracoccidioides spp. e das proteínas Acsl de humanos e de S. cerevisiae. * Genes renomeados pelo autor baseado na similaridade entre suas sequências.
Espécie Gene Motivo I AMP-Binding Motivo II Acyl-Binding
Motivo III
VMYTSGSSGPPKGV GWFMTGDIGEFDKYGHLKIIDRKKNLVKTLNGEYIALEKLESIY GYGLTE LPQAH Pb03 VMYTSGSSGPPKGV GWFMTGDIGEFDKYGHLKIIDRKKNLVKTLNGEYIALEKLESIY GYGLTE LPQAH Pb300 VMYTSGSSGPPKGV GWFMTGDIGEFDKYGHLKIIDRKKNLVKTLNGEYIALEKLESIY GYGLTE LPQAH P. lutzii VMYTSGSTGPPKGV GWFMTGDIGEFDKYGHLKIIDRKKNLVKTLNGEYIALEKLESIY GYGLTE LPQAH
Pb18
*pbACSL2
IMYTSGATGPPKGI GWFKTGDIGEWDRNGHLKVIDRKKSLVKTLNGEYIPLEKLESVY GYGLTE LPLAH Pb03 IMYTSGATGPPKGI GWFKTGDIGEWDRNGHLKVIDRKKSLVKTLNGEYIPLEKLESVY GYGLTE LPLAH Pb300 IMYTSGATGPPKGI GWFKTGDIGEWDRNGHLKVIDRKKSLVKTLNGEYIPLEKLESVY GYGLTE LPLAH PbCNH IMYTSGATGPPKGI GWFKTGDIGEWDRNGHLKVIDRKKSLVKTLNGEYIPLEKLESVY GYGLTE LPLAH P. lutzii IMYTSGATGPPKGI GWFKTGDIGEWDRNGHLKVIDRKKSLVKTLNGEYIPLEKLESVY GYGLTE LPLAH
Pb18
*pbACSL3
INYTSGTTGNPKGV GWFRTGDICTIDAHGRFTIIDRRKNLLKLSQGEYVAPERIEGIY GYGLTE LPLAH Pb03 INYTSGTTGNPKGV GWFRTGDICTIDAHGRFTIIDRRKNLLKLSQGEYVAPERIEGIY GYGLTE LPLAH Pb300 INYTSGTTGNPKGV GWFRTGDICTIDAHGRFTIIDRRKNLLKLSQGEYVAPERIEGIY GYGLTE LPLAH PbCNH INYTSGTTGNPKGV GWFRTGDICTIDAHGRFTIIDRRKNLLKLSQGEYVAPERIEGIY GYGLTE LPLAH P. lutzii INYTSGTTGNPKGV GWFRTGDICTIDAHGRFTIIDRRKNLLKLSQGEYVAPERIEGIY GYGLTE LPLAH
Humano
ACSL1 ICFTSGTTGNPKGA GWLHTGDIGKWLPNGTLKIIDRKKHIFKLAQGEYIAPEKIENIY GYGQTE LPLAH ACSL3 IMYTSGSTGLPKGV RWLCTGDIGEFEPDGCLKIIDRKKDLVKLQAGEYVSLGKVEAAL GYGLTE LPLAH ACSL4 VMYTSGSTGRPKGV RWFCTGDIGEFHPDGCLQIIDRKKDLVKLQAGEYVSLGKVEAAL GYGLTE LPLAH ACSL5 ICFTSGTTGDPKGA GWLHTGDIGRWLPNGTLKIIDRKKNIFKLAQGEYIAPEKIENIY AYGQTE LPLAH ACSL6 VCFTSGTTGNPKGA GWLHTGDIGKWLPAGTLKIIDRKKHIFKLAQGEYVAPEKIENIY GYGQTE LPLAH
S. cerevisiae
FAA1 IMYTSGSTGEPKGV GWFKTGDIGEWEANGHLKIIDRKKNLVKTMNGEYIALEKLESVY GYGLTE LPLAH FAA2 ISFTSGTTGLPKGV GWFSTGDVAFIDGKGRISVIDRVKNFFKLAHGEYIAPEKIENIY GYGLTE LPLAH FAA3 IMYTSGSISAPKGV GWFRTGDIVEWTPKGQLKIIDRRKNLVKTLNGEYIALEKLESVY GYGLTE LPLAH FAA4 IMYTSGSTGTPKGV GWFRTGDIAEWTPKGQVKIIDRKKNLVKTLNGEYIALEKLESIY GYGLTE LPLAH Fonte: Elaborado pelo autor, 2021.
O próximo passo foi alinhar as sequências das proteínas do Paracoccidioides (tabela 5) entre si, no qual podemos observar uma alta similaridade entre algumas proteínas dos diferentes isolados, formando três grupos distintos, cujos genes foram
denominados de pbACSL1 (PAAG_01336, PABG_02037, PADG_00434 e ACO22_03860), pbACSL2 (PAAG03481, PADG_06345, PABG_06823, ACO22_01195 e GX48_06438), e pbACSL3 (PAAG_08052, PABG_07295, ACO22_07580, PADG_12430 e GX48_07463) para facilitar a discussão dos resultados. Essa nomenclatura foi dada pelo autor de modo que leve ao entendimento de qual gene se trata (uma ACSL) e com base na ordem em que foram encontradas.
A primeira, pbACSL1, se trata da proteína que apareceu com abundância diminuída no proteoma do Pb18 tratado com inibidor de calcineurina, a segunda foi denominada pbACSL2 por ter uma maior semelhança com a primeira e a terceira de pbACSL3 por ser a mais divergente entre as três. Ainda na tabela 5, pode-se observar que os grupos dos genes mais semelhantes (pbAcsl1 e pbAcsl2) possuem uma identidade entre 55% e 56%, enquanto o grupo mais distante (pbAcsl3) possui uma identidade com os outros grupos entre 26% e 30%, um perfil parecido ao encontrado nas espécies nos quais esses genes encontraram-se mais bem caracterizados (tabelas 6 e 7).
Tabela 6 - Matriz de Identidade das proteínas Acsl de humanos.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Baseado nos dados obtidos no ClustlO do EMBL-EBI.
Tabela 7 - Matriz de Identidade das proteínas Acsl de S. cerevisiae.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Baseado nos dados obtidos no ClustlO do EMBL-EBI.
Além das matrizes de identidade, com o auxílio da ferramenta ClustalO do EMBL-EBI também se teve acesso a árvore filogenética das proteínas pbAcsl, baseado no alinhamento das sequências, como podemos ver nas figuras 11, 12 e 13 abaixo, para cada proteína uma árvore diferente foi formada, a única concordância entre as filogênias hipotéticas é que o P. lutzii é a espécie mais distante, compatível com a literatura, e embora diferentes, os clados gerados possuem certa compatibilidade com os quatros possíveis clados para as espécies Paracoccidioides de acordo com Turissini et al. (2017), essa diferença já era esperada pois estamos analisando apenas três proteínas de mesma função, e as espécies Pb18, Pb03, Pb300 e PbCNH fazem parte do complexo P. brasiliensis, indicando a proximidade entre elas. Necessitaria de uma análise mais completa e abrangendo uma maior gama de proteínas dos diferentes isolados para que possivelmente fosse encontrado clados iguais aos encontrados no estudo do Turissini et al. (2017).
Figura 11 - Árvore filogenética da proteína pbAcsl1 fornecida pelo ClustalO do EMBL-EBI.
Fonte: ClustalO, EMBL-EBI, 2021.
Figura 12 - Árvore filogenética da proteína pbAcsl2 fornecida pelo ClustalO do EMBL-EBI.
Fonte: ClustalO, EMBL-EBI, 2021.
Figura 13 - Árvore filogenética da proteína pbAcsl3 fornecida pelo ClustalO do EMBL-EBI.
Fonte: ClustalO, EMBL-EBI, 2021.
Com os dados do blastp (tabelas 8, 9, 10,11 e 12) das proteínas pbAcsl1, pbAcsl2 e pbAcsl3 em relação às proteínas Acsl de humanos e de S. cerevisiae, temos que a cobertura varia de 72% a 98%, sendo que dos 126 hits totais, somente 7 tiveram cobertura menores que 80% (pbAcsl2 dos cinco isolados x Acsl5, com 79% e pbAcsl3 do P. brasiliensis 18 e 300 x Acsl3, com 72%). Em relação ao percentual de identidade, para todos os isolados de Paracoccidioides, o pbAcsl1 e pbAcsl2 tem uma identidade de 29%-34% com as proteínas de humanos e, 42%-47% com Faa1p, Faa3p e Faa4p, de S. cerevisiae. Já com Faa2p de S. cerevisiae a identidade é de 25%-27%, para o pbAcsl3, de 28% para Acsl4, 30% para Acsl3, 35% para Acsl1 e 36% para Acsl5 e Acsl6, entre 27% e 28% para Faa1p, Faa3p e Faa4p, e 34% para Faa2p. Portanto, o pbAcsl3 pode ter a mesma função das proteínas Acsl1, Acsl5, Acsl6 e Faa2p, sendo necessário outros experimentos para confirmar essa hipótese. A proteína Faa2p apesar de estar anotada em alguns bancos como uma long-chain fatty acil-CoA
synthetase, tem uma preferência à ácidos graxos de cadeia média (C9:0-C13:0), sendo, também, anotada como uma medium-chain fatty acid-CoA synthetase localizada no peroxissomo, a ALLIANCE of GENOME RESOURCES version: 4.2.0 classifica as proteínas Acsl1, Acsl5 e Acsl6 de humanos, como ortólogas da Faa2p (The Alliance of Genome Resources Consortium, 2020), corroborando com os dados obtidos. Contudo, no geral, a identidade entre pbAcsl’s e Acsl’s das outras duas espécies estudadas são similares, e a nomenclatura da proteína long-chain acyl-CoA synthetase são diferentes para cada espécie, ou seja, não ficou totalmente claro qual era a correspondência do Acsl de Paracoccidioides com cada uma das ACSL de humanos ou S. cerevisiae. Portanto, mesmo que o pbAcsl3 possuísse uma correspondência um pouco mais acentuada com as outras espécies, preferiu-se por permanecer com os nomes dados pelo autor (pbAcsl1, 2 e 3) no presente estudo, para evitar confusões.
Enquanto o Faa2p tem preferência descrita para ácidos graxos de cadeias médias e de fontes endógenas, as outras três enzimas preferem cadeias mais longas e de fontes exógenas, Faa1p e Faa4p têm especificidade para cadeias de C12:0-C16:0, enquanto Faa3p prefere cadeias de C9:0-C18:0. No entanto, Faa1p e Faa4p se revelaram mais abundantes e importantes para a ativação de ácidos-graxos livres, enquanto Faa3p apresenta uma atividade muito inferior, em relação às outras duas, e não é essencial para a ativação de ácidos-graxos exógenos. Faa1p e Faa4p estão presentes no reticulo endoplasmático, além disso o Faa4p tem um papel chave em corpúsculos lipídicos (Adhikari et al., 2021; Fernandez-Moya et al., 2017; Knoll et al., 1995). Nesse sentido, o pbAcsl1 e 2, provavelmente estão associados à ácidos-graxos de cadeias maiores.
Tabela 8 - Resultado do blastp das proteínas Acsl do P. brasiliensis 18 em relação as proteínas Acsl1, Acsl3, Acsl4, Acsl5, Acsl6, Faa1p, Faa2p, Faa3p e Faa4p.
Paracoccidioides brasiliensis 18
Gene Paracoccidioides: pbACSL2 (PADG_06345)
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Baseado nos dados obtidos no BLAST do NCBI.
Tabela 9 - Resultado do blastp das proteínas Acsl do P. lutzii em relação as proteínas Acsl1, Acsl3, Acsl4, Acsl5, Acsl6, Faa1p, Faa2p, Faa3p e Faa4p.
Paracoccidioides lutzii
Nº de Acesso: XP_002789985.1
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Baseado nos dados obtidos no BLAST do NCBI.
Tabela 10 - Resultado do blastp das proteínas Acsl do P. brasiliensis 03 em relação as proteínas Acsl1, Acsl3, Acsl4, Acsl5, Acsl6, Faa1p, Faa2p, Faa3p e Faa4p.
Paracoccidioides brasiliensis 03
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Baseado nos dados obtidos no BLAST do NCBI.
Tabela 11 - Resultado do blastp das proteínas Acsl do P. brasiliensis 300 em relação as proteínas Acsl1, Acsl3, Acsl4, Acsl5, Acsl6, Faa1p, Faa2p, Faa3p e Faa4p.
Paracoccidioides brasiliensis 300
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Baseado nos dados obtidos no BLAST do NCBI.
Tabela 12 - Resultado do blastp das proteínas Acsl do P. brasiliensis CNH em relação as proteínas Acsl1, Acsl3, Acsl4, Acsl5, Acsl6, Faa1p, Faa2p, Faa3p e Faa4p.
Paracoccidioides brasiliensis CNH
FAA4 41.91 97% 541 541 0.0 699
Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Baseado nos dados obtidos no BLAST do NCBI.