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4. ANÁLISE DOS DADOS

4.2. Cálculo da Dispersão Urbana

Em vários aspectos, os resultados obtidos confirmam os dados do estudo de duas décadas de Bertaud e Malpezzi (2003), que utilizou os dados do Censo de 1990, para o cálculo do índice de dispersão de 48 (quarenta e oito) cidades do mundo, e da tese de Ribeiro (2008), que remodelou a fórmula, utilizando os dados do Censo de 2000, para o mesmo cálculo de 10 (dez) capitais brasileiras. Entretanto, ambos os autores não analisaram as RIDES brasileiras, nem tampouco as cidades que as compõe, com exceção do Distrito Federal.

Por isso, este trabalho, vem atualizar os dados ao Censo de 2010, e ampliar a análise à RIDE do Distrito Federal, para avaliar se a configuração espacial do DF promove a articulação entre esses municípios como uma metrópole, ou se são caracterizados pela dispersão e fragmentação espacial.

73 Para a obtenção dos resultados, foram executados alguns procedimentos, com o uso do software ArcGIS27, para o cálculo das informações dos índices de dispersão e de densidade populacional; e do software Excel, para a geração dos gráficos de dispersão e de densidade populacional, além dos cálculos matemáticos para a obtenção das funções exponenciais de dispersão.

A partir da obtenção dos dados espacializados e não espacializados, disponíveis no banco de dados do IBGE, realizou-se o cruzamento dos dados dos setores censitários de forma a obter-se uma unidade espacial comum para análise, contemplando outros cálculos, como: das áreas urbanas; da população por setor; para a definição dos centroides; das distâncias ao CCS; para o cruzamento dessas informações na obtenção do Índice de Dispersão e para a geração dos mapas geográficos temáticos.

4.2.1. Resultados da Dispersão Urbana na AMB

Gráfico 7 - Dispersão Urbana por município da RIDE-DF (2010)

Fonte: Elaborado pelo autor.

27 Para o geoprocessamento da dispersão urbana, foi utilizado o ArcGIS Desktop 10.5, um dos softwares

SIG mais utilizados no mundo, desenvolvido pela empresa ESRI. O software fornece ferramentas contextuais para mapeamento, análise espacial para a exploração de dados e compartilhamento de informações baseados em SIG.

1,52 1,64 1,794,77 9,1110,72 10,9911,82 12,6218,29 19,8421,54 33,5134,31 44,66 44,9365,12 72,0776,47 83,8185,40 115,02115,95 129,34157,29 248,68266,86 0 50 100 150 200 250 300 BRASÍLIAAMB RIDE-DF Municípios Goiás ÁGUAS LINDAS DE GOIÁSLUZIÂNIA VALPARAÍSO NOVO GAMA PLANALTINA CIDADE OCIDENTAL SANTO ANTÔNIO DESCOBERTOFORMOSA CRISTALINA Municípios MinasALEXÂNIA UNAÍ ABADIÂNIA BURITIS PADRE BERNARDO PIRENÓPOLIS COCALZINHO DE GOIÁS CORUMBÁ DE GOIÁSCABECEIRA GRANDE CABECEIRAS ÁGUA FRIA DE GOIÁS MIMOSO DE GOIÁS VILA BOA

74 O Gráfico 7, mostra em ordem crescente a dispersão dos municípios ao CCS, chamando a atenção o fato dos municípios de Cocalzinho de Goiás e Padre Bernardo, com índices de dispersão acima de 75, fazerem parte da Área Metropolitana de Brasília - AMB (CODEPLAN, 2014). Observa-se também que, somente os municípios de Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Valparaíso, Novo Gama, Planaltina, Cidade Ocidental e Santo Antônio do Descoberto, possuem índice de dispersão abaixo de 20, e portanto, podem ser considerados como integrados ao DF.

Este resultado corrobora o estudo feito pela CODEPLAN (2014), com exceção ao município de Luziânia, que, não foi considerado como dependente do DF.

Gráfico 8 - Distribuição da Densidade Populacional da RIDE-DF, raio 180 km (2010)

Fonte: Elaborado pelo autor. Base de dados do Censo 2010 (IBGE, 2011).

Depreende-se do Gráfico 8, que a dispersão urbana na RIDE-DF segue uma função exponencial negativa, mostrando que, quanto mais distante do Centro, menor é a concentração de pessoas. Com isso, um menor número de pessoas precisa se deslocar, à medida que se afasta do Centro.

Entretanto, ao reduzir a área de influência para a AMB, considerando somente os primeiros 50 km em relação ao CCS (Rodoviária do Plano Piloto), temos uma medida concorrente de dispersão, com uma função exponencial positiva, como mostra o Gráfico 9, corroborando com as análises de Bertaud (2010).

y = 54,923e-0,044x R² = 0,4965 0 50 100 150 200 250 300 350 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Pe ss oa s p or h ectare Quilômetros ao CCS

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Gráfico 9 - Distribuição da Densidade Populacional na AMB, raio 50 km (2010)

Fonte: Elaborado pelo autor. Base de dados do Censo 2010 (IBGE, 2011).

Isso mostra que, quanto mais se afasta do centro, até uma faixa de 50 km, mais se aumenta a concentração de pessoas, provocando a necessidade de deslocamentos diários de uma grande massa populacional.

O movimento pendular retratado gera diversos problemas, como congestionamentos, sobrecarga na infraestrutura rodoviária, e segregação das classes sociais, onerando o custo e impactando na qualidade de vida urbana, como também identificado por Ribeiro (2008).

y = 9,1359e0,0433x R² = 0,0886 0 50 100 150 200 250 300 350 0 10 20 30 40 50 Pe ss oa s p or h ectare Quilômetros ao CCS

76 Gráfico 10 - Distância Média ao CCS para cada subdistrito do DF (2010)

Fonte: Elaborado pelo autor. Base de dados do Censo 2010 (IBGE, 2011).

O Gráfico 10 mostra as distâncias médias de cada subdistrito do DF ao CCS, permitindo identificar, numericamente a segregação espacial de cada setor, assim, é possível calcular os custos e o tempo com o deslocamento pendular das pessoas que vivem em cada parte do território, o que se reflete na qualidade de vida da população.

Desta forma, podemos identificar que a dispersão urbana do DF pode ser um dos grandes indutores do mau desempenho da mobilidade urbana, e para comprovar essa suposição, deverão ser feitos os cálculos estatísticos, correlacionando esta variável com o sistema de transporte público. De qualquer maneira, percebe-se claramente que a variável dispersão urbana é um indicador de segregação socioespacial, principalmente quando identificamos a concentração das pessoas com menor renda, e em maior número, vivendo em áreas mais distantes e as de maior renda, e menor número, no centro.