3.2 FORMULAÇÃO DO MODELO MATEMÁTICO
3.2.2 Cálculo dos elementos da matriz de custos do primeiro quadrante
Sem perda de generalidade, considere uma tarefa
iI
s a ser alocada a um técnico1, 2,...,
k =K
n
, e que este técnico teve a tarefajI
s− como a última tarefa alocada nos estágios anteriores. Na formação deste pseudo-custo diversas parcelas devem ser computadas, como descrito a seguir. A primeira parcela, denotada porc
ik(1), representa os custos com transportes, e é calculada por:𝑐𝑖𝑘(1)= 𝛽(𝑜𝑗𝑖+ 𝑜𝑖𝑐− 𝑜𝑗𝑐) (5)
A variável
c
ik(1) refere-se ao custo de transporte adicional caso a um técnicokK
, presente no local da tarefajI
s−, seja alocado a uma tarefaiI
s. Após a realização de uma tarefa (ou ao sair do depósito), o técnico pode ou voltar para a sua casa ou ir ao local de uma próxima tarefa, como mostra a figura 03.Figura 03 – Esquema de distâncias
Fonte: Autor
Neste figura, tem-se: ji
o
a distância, em quilômetros, do local onde o técnico se encontra até o local onde a tarefai
será realizada;ic
o
é a distância dessa nova tarefai
até a casa do técnico; jco
é a distância que o técnico precisa percorrer caso retorne do ponto onde se encontra a sua casa; e
é o custo em reais por quilômetro percorrido.A segunda parcela, denotada por
c
ik(2), é uma penalidade por realização da tarefa fora do prazo. Sejap
ik→N u(
ik,
ik)
o tempo de realização da tarefaiI
s por parte do técnicokK
, dado por uma distribuição normal com médiau
ik e desvio padrão
ik. Ao alocar uma tarefa i ao técnico k é necessário analisar a probabilidade desta tarefa iniciar dentro da janela de tempo acordada com o cliente, denotada porb e
i,
i
, já que tarefas com início posterior a esta janela são consideradas como “fora do prazo”. Além disso, de acordo com a empresa, outra condição que precisa ser satisfeita, para que uma dada tarefa seja considerada dentro do prazo, é que, aquelas cuja janela de tempo se encontra na parte da manhã terminem até as 12:00, enquanto que aquelas com janelas na parte da tarde devem ser finalizadas até as 18:00. No caso de tarefas com janelas extensas (8:00 – 18:00) ou janelas pela parte da noite (X – 21:00), o limite é o próprio final da janela. Sendo assim, aplica-se uma penalidade com o intuito de garantir que o número de tarefas que respeitem o prazo seja o maior possível. Pensando na primeira condição, aplica-se uma penalidade
multiplicada pela probabilidade da tarefaiI
s ser iniciada fora do intervalob e
i,
i
, caso seja alocada aotécnico
kK
. Já, com relação ao limite para o término da tarefa, a mesma penalidade
é multiplicada pela probabilidade que a tarefaiI
s tem de terminar após um limiar de tempoi
L
(sendoL
i igual a (12:00, 18:00, 21:00), dependendo do posicionamento da janela de tempo acordada com o cliente). Juntando as duas condições, chega-se na seguinte expressão:𝑐𝑖𝑘(2) =
𝛾𝑃
(𝜏𝑗𝑘 + 𝑡𝑗𝑖 ≤ 𝑒𝑖)+ 𝛾𝑃
(𝜏𝑖𝑘 ≥ 𝐿𝑖) (6)Ou seja:
𝑐𝑖𝑘(2) =
𝛾
{𝑃
(𝜏𝑗𝑘 + 𝑡𝑗𝑖 ≤ 𝑒𝑖) + [1 − 𝑃
(𝜏𝑖𝑘 ≥ 𝐿𝑖)]}(7)
Nas expressões acima
P
(
jk+ t
jie
i)
representa a chance que uma tarefaiI
s tem de ser iniciada antes do final da respectiva janela de tempo,e
i, ao ser alocada a um dado técnicokK
que estava realizando uma tarefajI
s− (que será nula caso ainda não exista alguma tarefa alocada ao técnico). O tempo de viagem entre os locais das tarefasjI
s− es
iI
, denotado port
ji, também é uma variável aleatória normalmente distribuída, enquanto que
jk indica o término da última tarefa alocada ao técnicokK
. Para um melhor entendimento dessas duas condições, veja a figura 04.Figura 04 – Cálculo da penalidade por realização da tarefa fora do prazo
Fonte: Autor
Por fim, é levada em conta a parcela referente às horas extras, denotada por
c
ik(3). Os técnicos possuem uma jornada de trabalho delimitada pelo intervaloB E
kd,
kd
, ondeB
kdé o início da jornada do técnicok
no diad
, eE
kd é o fim da mesma. Estipulou-se uma jornada de8
horas de trabalho (+1
hora para refeição), ou sejaE
kd=
B
kd+9
, podendoB
kd ser um horário matutino ou vespertino, a depender da primeira tarefa alocada para o técnico naquele dia. Assim, toda tarefa cujo final extrapolarE
kd implicará em horas extras, que, em outras palavras, significa maiores custos. Desta forma, o custo de horas extras de uma tarefaiI
s pode ser estimado como sendo o valor esperado do excesso de horas trabalhadas em relação ao final da jornada de trabalho, isto éh
=Emax
(
ik−E
kd;0
)
, quando realizada pelo técnicokK
, multiplicado pelo custo de cada hora extra
k (150% de uma hora de trabalho normal, em torno de R$ 13,50).Além disso, considera-se o fato de que cada técnico pode realizar até duas horas extras em uma mesma jornada de trabalho, e caso esta condição não seja satisfeita, uma penalidade, proporcional às chances de violação desta condição, é adicionada. Assim, tem-se:
Distribuição de probabilidade do tempo de chegada no local da tarefa i
Distribuição de probabilidade do tempo de término da tarefa i
Tempo Tarefa i Tarefa j jk p tji pik i L i e i b
(
ik i)
P
L(
jk ji i)
P
+ t e𝑐𝑖𝑘(3) = 𝜆𝑘ℎ̅ + 𝑀𝑃(𝜏𝑖𝑘 ≥ 𝐸𝑘𝑑 + 2)
(8)
onde
M
é uma constante, suficientemente grande, usada para desestimular o uso de horas extras em quantidades acima do permitido pela legislação.Por fim, considerando as expressões apresentadas em (5), (7) e (8), tem-se para o cálculo do custo de alocação do técnico
kK
à tarefaiI
s (custo do primeiro quadrante), a seguinte expressão:𝑐𝑖𝑘 = 𝑐𝑖𝑘(1)+ 𝑐𝑖𝑘(2)+ 𝑐𝑖𝑘(3)
(9)
Observe-se que, para o caso em que o técnico ainda não realizou nenhuma tarefa no decorrer da jornada de trabalho que se inicia, estas expressões são adaptadas para considerar que o técnico ainda encontra-se em sua residência, e antes da realização da primeira tarefa terá que passar pelo depósito, a fim de receber os materiais a serem utilizados nas tarefas do dia.
3.2.3 Cálculo de ℎ̅
A estimativa da quantidade de horas extras que serão acrescidas a um técnico
kK
caso este venha a ser alocado à tarefa
iI
s é calculada considerando o valor esperado das horas extras realizadas no dia. Considerando que a variável aleatória que define o instante de término da tarefaiI
s se aproxima de uma distribuição normal
ik→N
(
,
2)
, e qued k
E
é o instante de término da jornada de trabalho regular, as horas extras serão calculadas pela seguinte expressão:ou
ℎ = { 𝜏𝑖𝑘 − 𝐸𝑘𝑑 se 𝜏𝑖𝑘 ≥ 𝐸𝑘𝑑
0 caso contrário (11)
Assim, considerando que
ik segue uma distribuição normal, o valor esperado da expressão (10) é determinado por:ℎ̅ = 𝐸(ℎ|𝐸𝑘𝑑) = 𝜎 𝜂 (𝐸𝑘 𝑑− 𝜇
𝜎 ) (12)
como demonstrado por MAYERLE (2018), e apresentado no anexo A. Nesta expressão