E STUDO EMPÍRICO
C APÍTULO 7 C ONCLUSÃO
Os resultados indicam que a personalidade criativa pode potenciar o bem-estar da população reclusa, sendo que é preditora do otimismo e da resiliência. Desta forma ao aumentar a criatividade, aumenta-se o otimismo e a resiliência, o bem-estar.
Apesar da satisfação com o suporte social não surgir associado a nenhuma das restantes variáveis, ao contrário do esperado, é de salientar as associações encontradas para a satisfação com a família. Desta forma, pode ser este fator que mais pesa na relação entre a satisfação com o suporte social e as restantes variáveis de bem-estar, o otimismo e a resiliência, e a personalidade criativa.
Não foram encontrados estudos que se dedicassem à temática da presente investigação, pelo que é difícil interpretar com certeza determinados resultados.
Por outro lado, a desejabilidade social pode enviesar os resultados das escalas (Oliveira, 1998), como o próprio autor da escala de otimismo refere. Desta forma, é difícil saber se os resultados elevados obtidos na escala possam ser reflexo de algum enviesamento. No que diz respeita à amostra em estudo, e atendendo que as questões são referentes ao futuro, existe alguma pressão para que mostrem arrependimento e ambição em mudar de vida quando terminarem a pena, tal como uma enorme vontade e preparação para o fazerem, ainda em reclusão.
No entanto, com este estudo, a população reclusa é abordada de uma diferente prespetiva, na qual o problema central é o seu bem-estar.
É importante considerar, ainda, que apesar de não determinante, este estudo sugere que a personalidade criativa e a criatividade podem ser incluidas nos indicadores de bem- estar.
Seria interessante, futuramente, investigar a satisfação com o suporte social dando especial atenção à satisfação com a família, para melhor explicar os resultados aqui encontrados. Como parece pertinente continuar a investigar a relação entre a personalidade criativa e o bem-estar, podendo estender esse estudo a variáveis diferentes das aqui apresentadas.
Amabile, T. M. (1996). Creativity in Context.Oxford: Westwiew Press.
Brophy, D. R. (1998). Understanding, Measuring, Enhancing Collective Creative Problem-Solving Efforts. Creativity Research Journal, 11, 199-229.
Brower, R. (1999). Dangerous Minds: Eminently Creative People Who Spent Time in Jail. Creativity Research Journal, 12 (1), 3-13.
Burns, R. A., & Machin, M. A. (2010). Identifying gender differences in the independent effects of personality and psychological well-being on two broad affect components of subjective well- being. Personality and Individual Differences, 48, 22-27.
Busseri, M., Choma, B., & Sadava, S. (2009). ‘‘As good as it gets” or ‘‘The best is yet to come”? How optimists and pessimists view their past, present, and anticipated future life satisfaction. Personality and Individual Differences, 47, 352-356.
Carver, C. S., Scheier, M. F., & Segerstrom, S. C. (2010). Optimism. Clinical Psychology Review, 30, 879-889.
Chang, E. C. (1998). Dispositional optimism and primary and secondary appraisal of a stressor: Controlling for confounding influences and relations to coping and psychological and physical adjustment. Journal of Personality and Social Psychology, 74(2), 1109-1120.
Cohen, L. M., & Ambrose, D. (1999). Adaptation and Creativity. In M. A. Runco, & S. R. Pritzker, Encyclopedia of Creativity (Vol. I, pp. 9-22). San Diego: Academic Press.
Cropley, D. H., Kaufman, J. C., & Cropley, A. J. (2008). Malevolent Creativity: A Functional Model of Creativity in Terrorism and Crime. Creativity Research Journal, 20 (2), 105-115.
Csikszentmihalyi, M. (1999). Implications of a Systems Perspective for the Study of Creativity. In R. J. Sternberg (Ed.) Handbook of Creativity (pp. 313-335). Cambridge Cambridge University Press. Eisenman, R. (1999). Creativy Prisioners: Do They Exist? Creativity Research Journal, 12 (3), 205-
210.
Eisenman, R. (2008). Malevolent Creativity in Criminals. Creativity Research Journal, 20 (2), 116- 119.
social support and perceived control. Aging and Human Development, 71 (1), 43-68.
Fortin, M.-F. (2003). O Processo de Investigação: Da concepção à realização. Loures: Lusociência. Hiew, C. C. (1998). Resilience: Developement and Measurement. Japan: Faculty of Education
Hiroshima University.
Jesus, S. N., Morais, F., Pocinho, M., Imaginário, S., Duarte, J., Matos, M., et al. (2011). Validação da Escala de Personalidade Criativa: estudo psicométrico. Actas da XV Conferência
Internacional de Avaliação Psicológica: Formas e Contextos. Lisboa: Universidade de Lisboa.
Kahn, J. H., Hessling, R. M., & Russell, D. W. (2003). Social support, health, and well-being among the elderly: what is the role of negative affectivity? Personality and Individual Differences, 35, 5-17.
Karademas, E. C. (2006). Self-efficacy, social support and well-being: The mediating role of optimism. Personality and Individual Differences, 40 (6), 1281-1290.
Keyes, C. L., & Waterman, M. B. (2003). Dimensions of Well-Being and Mental Health in Adulthood. In M. H. Bornstein, L. Davidson, C. L. Keyes, & K. A. Moore, Well-Being: Positive
Development Across the Life Course (pp. 477-497). Mahwah, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates, Publishers.
Kirton, M. J. (1976). Adaptors and innovators: a description and measure. Journal of Applied Psychology, 61, 622-629.
Levy, B., & Langer, E. (1999). Aging. In M. A. Runco, & S. R. Pritzker, Encyclopedia of Creativity (Vol. I, pp. 45-52). San Diego: Academic Press.
Martins, M. H. (2005). Contribuições para a análise de crianças e jovens em situação de risco. Faro: Universidade do Algarve.
Morais, M. d. (2011). Criatividade: Desafios ao Conceito. In U. d. Minho (Ed.), I Congresso Internacional de Criatividade e Inovação (pp. 8-28). Manaus, Brasil: Criabrasilis. Oliveira, J. H. (1998). Optimismo: Teoria e Avaliação (proposta de uma nova escala). Psicologia,
Educação e Cultura, 2(2), 295-308.
Oliveira, J. H. (1998). Optimismo: Teoria e Avaliação (proposta de uma nova escala). In Psicologia, Educação e Cultura (pp. 295-307).
Psicologia, 19 (2), 467-479.
Pais-Ribeiro, J. L. (1999). Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS). Análise Psicológica, 3(17), 547-558.
Pestana, M. H., & Gagueiro, J. N. (2008). Análise de Dados para Ciências Humanas e Sociais: A Complementariedade do SPSS. Lisboa: Edições Sílabo.
Rego, A., Sousa, F., Marques, C., & Pina e Cunha, M. (2012). Optimism predicting employees’ creativity: The mediating role of positive affect and the positivity ratio. European Journal of Work and Organizational Psychology, 21 (2), 244-270.
Rhodes, M. (1961). An analysis of creativity. The Phi Delta Kappan, 41 (7), 335-310.
Runco, M. (2007). Creativity Theories and Themes: Research, Development and Practice. London: Elsevier Academic Press.
Scheier, M. F., & Carver, C. S. (1992). Effects of Optimism on Psychological and Physical Well- Being: Theoretical Overview and Empirical Update. Cognitive Therapy and Research, 16 (2), 201-228.
Segerstrom, S. C. (2007). Optimism and resources: Effects on each other and on health over 10 years. Journal of Research in Personality, 41, 772-786.
Seligman, M., & Csikszentmihalyi, M. (2000). Positive Psychology: An Introduction. American Psycologist, 55 (1), 5-14.
Silva, S. T., & Gonçalves, R. A. (1999). Sobrelotação prisional e perturbação da adaptação. In R. A. Gonçalves, A. I. Sani, & M. Matos, Crimes: e testemunhos. Actas do congresso "Crimes Ibéricos" (pp. 247-273). Braga: Universidade do Minho.
Siqueira, M. M., & Padovam, V. A. (2008). Bases Teóricas de Bem-Estar Subjetivo, Bem-Estar Psicológico e Bem-Estar no Trabalho. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(2), 201-209. Spooner, M. T. (2008). Commentary on Malevolent Creativity. Creativity Research Journal, 20 (2),
128-129.
Sternberg, R. J. (2006). The Nature of Creativity. Creativity Research Journal, 18 (1), 87-98. Ventura, J. P. (1999). Nascer e não ter sorte... Ser jovem, deserdado e delinquente... In R. A.
Gonçalves, C. Machado, A. I. Sani, & M. Matos, Crimes: Práticas e Testemunhos. Actas do Congresso "Crimes Hibéricos" (pp. 35-54). Braga, Minho: Universidade do Minho.
Psicologia escolar e educacional.
Winner, E. (2003). Creativity and Talent. In M. H. Bornstein, L. Davidson, C. L. Keyes, & K. A. Moore, Well-Being: Positive Development Across the Life Course (pp. 371-380). Mahwah, New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates, Publishers.
Wrosch, C., & Scheier, M. F. (2003). Personality and quality of life: The importance of optimism and goal adjustment. Quality of Life Research, 12 (1), 59-72.