A PRESENTAÇÃO E D ISCUSSÃO DE D ADOS
C APÍTULO V – A PRESENTAÇÃO E D ISCUSSÃO DE D ADOS
5.1.INTRODUÇÃO
Os resultados serão apresentados de acordo com os objectivos e as questões investigativas. Na análise estatística efectuada recorremos à estatística descritiva das variáveis em que foram utilizadas medidas descritivas importantes como a percentagem, a média e o desvio padrão na descrição dos dados e à inferência estatística ou estatística indutiva, para avaliar o impacte do plano de intervenção curricular na área da alimentação (Pereira, 1999; Marroco, 2003; Pestana & Gageiro, 2003).
Os dados são apresentados na forma de percentagens, expostas em tabelas e diagramas ou gráficos circulares (Marroco, 2003, pp.35-39, 63) representativas das mesmas e consideradas pertinentes para o estudo, baseadas nas tabelas de resultados, os ‘outputs’ obtidos pelo SPSS.
As respostas aos questionários, alvo de apresentação e discussão, estão agrupadas nos seguintes blocos temáticos: dados pessoais e familiares, estilo de vida e saúde, contributo da escola em educação alimentar, noções de alimentação saudável e hábitos alimentares e de consumo.
A apresentação e discussão dos resultados é feita por grupos (grupo controlo e grupo experimental), pré e pós implementação do plano de intervenção curricular em educação alimentar, nos quais se faz a avaliação qualitativa do consumo alimentar nas diversas refeições, porque são os dados que melhores informações fornecem sobre a evolução e mutação das práticas e hábitos de consumo alimentar dos alunos.
Finalmente, procede-se à apresentação e discussão dos resultados do impacte da implementação do plano de intervenção curricular de educação alimentar na classificação qualitativa das refeições utilizando testes estatísticos de inferência
para determinar a existência ou não de relação/ões entre as variáveis em análise, ou para determinar a força dessa relação com a finalidade de fazer uma apreciação crítica acerca do impacte do plano de intervenção curricular de educação alimentar na avaliação qualitativa do consumo alimentar dos alunos.
5.2.APRESENTAÇÃO DE DADOS OBTIDOS PELO QUESTIONÁRIO
5.2.1.CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA DOS ALUNOS DO GRUPO CONTROLO
O número total de alunos é de 34, com 64,7% dos elementos do sexo masculino,
sinónimo de 22 em frequência absoluta, e com 35,3% do sexo feminino, correspondente a um valor de 12 em frequência absoluta.
A média de idades é de 13 anos, associada a um desvio padrão de 0,16, em que
o aluno mais novo tem uma idade de 12 anos e o mais velho de 15 anos. A média de altura é de 1,56 m, associada a um desvio padrão de 0,02, sendo que o aluno
mais baixo apresenta uma altura de 1,34 m e o mais alto tem uma altura de 1,82 m. A média do peso é de 47,97 Kg, associado a um desvio padrão de 1,47, com
um peso mínimo de 32 Kg e um peso máximo de 67 Kg. A tabela seguinte apresenta resumidamente os dados, como a frequência absoluta, o valor mínimo e máximo, a média e o desvio padrão, relativos às variáveis idade, altura e peso dos alunos do grupo controlo.
MÍNIMO MÁXIMO MÉDIA DESVIO PADRÃO
IDADE (n=34) 12 15 13,03 0,16
ALTURA (n=34) 1,34 1,82 1,56 0,02
PESO (n=34) 32 67 47,97 1,47
Tabela 5 – Estatística descritiva relativa às variáveis idade (anos), altura (metros) e peso (quilogramas) dos alunos no grupo controlo.
O número de pessoas do agregado familiar da maioria dos alunos é composto
por três elementos, isto é, 52,9 por cento dos alunos vivem num agregado familiar composto por três pessoas. No que concerne à caracterização do agregado familiar, 17 alunos, com uma percentagem correspondente a 50%, vivem com o pai, mãe e irmão. Num total de 8 alunos, com uma percentagem correspondente a 23,5%, o seu agregado familiar é composto por pai, mãe e dois irmãos.
Quanto à idade do pai, verificou-se que as idades mais frequentes são os 41
percentuais de 14,7% e 11,8%. As demais idades não têm qualquer expressividade quando analisadas conjuntamente. Nesta variável exceptua-se um ‘outlier’ (Pestana & Gageiro, 2003, p.73) de 67 anos, que corresponde à idade do avô, mas como traduz a imagem paternal do aluno decidiu-se integrá-la na figura do pai e, como tal, pertencente a esta variável. Como o tratamento e a análise estatística não foi feita pela medida de tendência central média, mas sim pela frequência relativa acumulada ou discriminada, tal facto não tem influência na eventual distorção da análise e/ou interpretação. Relativamente à idade da mãe,
constatou-se que as idades mais frequentes são os 36 anos, seguida pela idade 37 e 40/41, apresentando respectivamente valores percentuais de 14,7% e 8,8%. As demais idades não têm qualquer expressividade quando analisadas conjuntamente. Quanto à idade do(s) irmão(aos), dos 34 alunos inquiridos:
57,7% dos alunos têm um irmão com idades inferiores ou iguais a 16 anos, dois alunos, com um valor percentual correspondente a 5,9%, têm um terceiro irmão, com 5 anos de idade. Dos alunos com um segundo irmão constatou-se que as idades destes variam entre 4 e 19 anos.
Quanto à variável designada por grupo profissional, o grupo que mais
sobressai, no sexo masculino e feminino, é o 5 (operários semi-qualificados - motoristas, cozinheiros, subalternos das forças armadas e da segurança, artesãos, empregados de mesa, carteiros) traduzido em 64,5% e 68,8%, respectivamente. No que respeita ao grupo profissional do irmão, incluído no agregado familiar dos alunos com apenas um irmão, cerca de ¾ são estudantes, isto é, integram-se no grupo profissional 3 (profissões auxiliares qualificadas ou especializadas, estudantes, empregados de escritório e comércio, encarregados). Dos alunos que no seu agregado familiar possuem um segundo irmão, constata- se que cerca de 83,3% destes também pertence ao grupo profissional 3.
Na variável nível de escolaridade, do pai e da mãe, o valor com maior frequência
apresentado é o 4º ano de escolaridade que se traduz num valor percentual respectivamente de 32,4% e 35,3% seguido do 6º ano e curso superior traduzido em idênticos valores percentuais para ambos os progenitores de 17,6% e 14,7%,
respectivamente. As demais opções de resposta não têm expressão estatística que justifiquem a sua discriminação.
A caracterização do grupo controlo, relativamente ao aproveitamento escolar e estilo de vida/saúde (prática de desporto escolar e doença crónica) e quanto ao contributo da escola na educação alimentar e a noções de alimentação saudável, é apresentada antes e após a implementação do plano de intervenção em educação alimentar no grupo experimental.
Conforme os dados na tabela 6, relativamente à variável aproveitamento escolar:
- antes da implementação do plano de intervenção curricular em educação alimentar, 17,6% dos alunos, sinónimo de 6 alunos em valor absoluto, obteve um aproveitamento escolar no ano lectivo anterior descrito como insuficiente. Em função disto, a percentagem complementar desta variável traduz-se em 41,2% e 20,6%, valores percentuais correspondentes ao aproveitamento escolar suficiente e bom/muito bom, respectivamente, ou seja, um valor percentual total de 61,8% é sinónimo de um aproveitamento escolar dito positivo. Ainda é de referir que em cerca de metade (41,2%) destes alunos o aproveitamento escolar é bom e muito bom;
- após a implementação do plano de intervenção curricular em educação alimentar, 8,8% dos alunos, sinónimo de 3 alunos, obteve um aproveitamento escolar no ano lectivo anterior descrito como insuficiente; em função disto, a percentagem complementar desta variável traduz-se em valores percentuais de 41,2%, 26,5% e 23,5% atribuídos ao aproveitamento escolar de suficiente, bom e muito bom, respectivamente, ou seja, 91,2% é sinónimo de um aproveitamento escolar dito positivo; ainda é de referir que metade destes alunos tem um aproveitamento escolar bom e muito bom.
PRÉ PÓS