3. C ARACTERIZAÇÃO DA P RÁTICA P ROFISSIONAL
3.1 E NQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 1 ENTENDIMENTO DO E STÁGIO P ROFISSIONAL
3.1.3 C ONTEXTO LEGAL E INSTITUCIONAL DO ESTÁGIO PROFISSIONAL
A organização do ensino superior ditada pelo processo de Bolonha estrutura-se em dois ciclos, sendo que na FADEUP, o EP está inserido no 2.º ciclo de estudos em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, mais especificamente nos 3.º e 4.º semestres e é constituída pela prática de ensino supervisionada (PES) (estágio anual em contexto real de ensino, na escola) e pelo Relatório Final de EP (relato da experiência da PES) (Batista & Queirós, 2013). As suas atividades iniciam-se no dia 1 de setembro e
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prolongam-se até ao final do ano letivo das escolas onde se realiza. “O EP envolve atividades de ensino-aprendizagem que consistem na regência de aulas pelo EE de acordo com o planeamento, realização e avaliação, as tarefas de observação e colaboração em situações de educação de ensino, as atividades letivas e não-letivas realizadas na escola, e o relatório de estágio (RE) (Normas Orientadoras Estágio Profissional, 2013-2014, p. 3)”.
Esta unidade curricular é enquadrada na junção de requisitos legais, institucionais e funcionais. A articulação destes três parâmetros influência o modo como são estabelecidas as condições, indiretas ou imediatas, nas quais as experiências em contexto real de ensino são vivenciadas pelos estudantes- estagiários (EEs) (Graça, 2013).
No que concerne ao enquadramento legal, o EP é superiormente regulado pelo Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro, o qual especifica as condições de obtenção de habilitação profissional para a docência. Institucionalmente, é determinado pelo Regulamento geral dos segundos ciclos da FADEUP2, o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação
Física² e, mais especificamente pelos, Regulamento da Unidade Curricular³ de EP e Normas Orientadoras do Estágio Profissional (2013-2014).
O EP, não se trata de uma prática isolada no final do curso de formação inicial de professores, é antes configurada como uma etapa constituinte, onde são mobilizados para a prática os conhecimentos e habilidades adquiridos durante o curso. Tem como propósito “a integração (do estudante) no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da PES em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão” (Decreto- lei nº 240/2001 de 17 de agosto, (cit. Por Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional, 2013-2014, p. 2) e, “(…) decorre num contexto balizado pelas condições gerais do sistema educativo, pelas condições locais das
1,2 e 3 Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de
Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP: 2013-2014. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Matos, Z.
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situações de educação e pelas condições mais próximas da relação educativa, obrigam a uma tentativa de integração e de interligação das várias áreas e domínios a percorrer no processo de formação, (…) de forma a retirar o formalismo das realizações e a promover as vivências que conduzem ao desenvolvimento da competência profissional ” (Normas Orientadoras Estágio Profissional, 2013-2014, p. 2) .
Ainda neste mesmo documento, são definidas três áreas de desempenho adstritas a componentes da PES, que procuram promover o desenvolvimento das competências profissionais que o EE terá de dominar para exercer a profissão de professor de EF, estando organizadas pela seguinte disposição: área 1- Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem, área 2 – Participação na Escola e Relações com a comunidade e por fim a área 3 – Desenvolvimento profissional.
A área 1 engloba as tarefas de conceção, planeamento, realização e avaliação, referenciando que o EE tem que conduzir um processo de ensino/aprendizagem promotor da formação e educação do aluno no âmbito da EF. A área 2 integra atividades não letivas, assumindo como objetivo a integração do EE na comunidade educativa e na comunidade envolvente. Materializa-se no conhecimento da escola e no envolvimento nas atividades que ultrapassam o âmbito da lecionação da turma que acompanha, tornando- se numa pessoa promotora de sinergias entre a escola e o meio. Por último, a área 3 pretende que o EE desenvolva a sua competência profissional, numa lógica de procura permanente do saber, através da reflexão, investigação e ação (Batista & Queirós, 2013).
Acresce que para a realização da PES do EP, são celebrados protocolos de cooperação numa rede de escolas do ensino básico e secundário.
Nas escolas cooperantes onde decorre a PES, a orientação fica a cargo de um docente da FADEUP, em colaboração com um professor do estabelecimento de ensino local. Batista e Queirós (2013, p. 40) descriminam os papéis e funções atribuídos aos principais agentes: “ao EE cabe a responsabilidade de conduzir o processo ensino/aprendizagem de uma turma
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do ensino básico ou secundário, a qual se encontra adstrita ao professor cooperante. Este, por sua vez, assume um papel preponderante na condução do EP, nomeadamente no acompanhamento do EE, estabelecendo uma ponte entre este e as instituições, escola e FADEUP. Embora o EE conduza uma turma em plenitude, todo o processo de conceção, planeamento, realização e avaliação é supervisionado, tanto pelo professor cooperante, como pelo professor orientador da FADEUP”.
Ao longo do meu percurso pude então contar com uma PC do estabelecimento de ensino local, além da PO da faculdade. Apesar de me ter sentido no papel de guia do processo ensino/aprendizagem relativamente à turma que lecionei, sem dúvida que a ponte existente entre as duas docentes e eu, fez com que todo o percurso tenha sido mais rico em aprendizagens e críticas construtivas acerca do meu desempenho, contribuindo para a minha evolução como professor. O processo de ensino-aprendizagem da turma que lhe é atribuída, fica responsável pelo EE que realiza as mais diversas funções de gestão, organização, cooperação e investigação (Normas Orientadoras Estágio Profissional, 2013-2014).
Quanto à avaliação da concretização dos objetivos do EP, “(…) privilegiará as competências pedagógicas, didáticas e científicas, associadas a um desempenho profissional crítico e reflexivo, apoiado numa ética profissional em que se destaca a disponibilidade para o trabalho em equipa, o sentido de responsabilidade, a assiduidade, a pontualidade, a apresentação e conduta pessoal adequadas na Escola. (…) A classificação do EP é a expressão da avaliação realizada pelos orientadores do NE, orientador da FADEUP e professor Cooperante, sob proposta do orientador da FADEUP e ouvido o Coordenador do Departamento Curricular da Escola onde decorre o EP” (Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional, 2013-2014, pp. 7-8).
Através da inclusão na escola, numa perspetiva de trabalho colaborativo entre PC, PO, NE e restante corpo docente e não docente da própria escola, o EP possui os meios necessários na demanda da competência profissional exigida.
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Por outro lado identifico-me com Albuquerque e Graça (2005) onde relatam que “a situação de estagiário é, ao mesmo tempo, de professor e de aluno (…). Esta mudança, possibilitada inicialmente pelo EP, é verdadeiramente complicada.
3.2