ANEXOS 334 Anexo I Datações dos Sítios Relacionados à Ocupação Jê Meridional
3. ALFREDO WAGNER EM CONTEXTO
3.1. C ONTEXTO A MBIENTAL
O município de Alfredo Wagner possui uma área total de 732,768 km², localizada entre os paralelos de 27º 31’ 15” e 27º 53’ 29” de Latitude Sul e entre os meridianos de 49º 32’ 43” e 49º 07’ 13” de Longitude Oeste (Figura 7). Segundo dados do IBGE23, a população é de 9.410 habitantes. Dista, aproximadamente, 110 km de Florianópolis em direção oeste.
Situa-se em uma área de serra, transição entre litoral e planalto. Apresenta clima Cfb, segundo classificação de Köppen, ou seja, mesotérmico úmido, sem estação seca definida e com verão fresco, sendo que a temperatura média é de 17,7ºC e a precipitação anual média é de 1600mm.
Figura 7 - Localização do município de Alfredo Wagner.
Fonte: Benedet e Gúchert (2008, p. 15).
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Quanto à geologia, o embasamento cristalino em Alfredo Wagner é representado como Complexo Canguçu, o qual é constituído por rochas metamórficas (com presença notável de anfibolitos, granulitos localizados e granitoides). Contudo, também se faz presente os sedimentos da Bacia do Paraná, grupos Itararé, Guatá, Passa Dois e São Bento.
O grupo Itararé está representado pela Formação Rio do Sul, o qual é composto por “folhelhos e argilitos cinza-escuros, diamictitos cinza-escuros com matriz arenosa, contendo intercalações de arenitos finos e muito finos, folhelhos várvicos, ritmitos e siltitos cinza-escuros a avermelhados” (BENEDET; GÚCHERT, 2008, p. 77). Os componentes desta formação encontram-se localizados, sobretudo, na parte baixa do vale dos grandes rios.
O grupo Guatá, predominante em toda a extensão do município, está representado pelas formações Rio Bonito e Palermo.
A primeira apresenta três membros: Triunfo, constituído por arenitos esbranquiçados, siltitos, argilitos, folhelhos carbonosos, leitos de carvão e conglomerado; Paraguaçu, composto por siltitos escuros, folhelhos cinza-médio a esverdeado com níveis de carbonatos argilosos e camadas de carvão; Siderópolis, constituído por arenitos intercalados com siltitos, folhelhos carbonosos e carvão.
A segunda apresenta siltitos argilosos cinza-claros a cinza- escuros, esverdeados, contendo intercalações com siltitos arenosos cinza-claros bioturbados e com arenitos finos a médios.
O grupo Passa Dois, evidente em áreas de altitude intermediária a alta no norte e no sul de Alfredo Wagner, encontra-se representado no município por quatro formações: Irati, Serra Alta, Teresina e Rio do Rasto.
Conforme informações do CPRM24, a Formação Irati é composta por dois membros: Taquaral, que consiste em siltitos e folhelhos cinza- claros e azulados; e Assistência, “constituído por folhelhos cinza- escuros nos quais se intercalam folhelhos pretos pirobetuminosos associados a horizontes de calcários creme e cinza-escuros, dolomíticos” (ibidem).
A Formação Serra Alta engloba uma seqüência de folhelhos e siltitos cinza-escuros a pretos, com fratura conchoidal. Podem apresentar cores cinza-claro a cinza-esverdeado, e amareladas quando intemperizados.
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Segundo o CPRM, a Formação Teresina é composta por argilitos, folhelhos e siltitos cinza-escuros e esverdeados, intercalados com arenitos muito finos, cinza-claros. Quando alterada, apresenta cores diversificadas em tons cremes, violáceos, bordôs e avermelhado.
A Formação Rio do Rasto é classificada em duas unidades: Membro Serrinha, composto por arenitos finos, bem selecionados, intercalados com siltitos e argilitos cinza-esverdeados, amarronzados, bordôs e avermelhados, podendo localmente conter lentes ou horizontes de calcário margoso; e Membro Morro Pelado, constituído por lentes de arenitos finos, avermelhados, intercalados em siltitos e argilitos arroxeados, sendo que apresenta também cores em tonalidades verdes, chocolate, amareladas e esbranquiçadas (cf. CPRM).
O grupo São Bento aparece no extremo sul de Alfredo Wagner, em áreas de máxima altitude para o contexto municipal, sendo representado pelas formações Botucatu e Serra Geral. A primeira é composta por arenitos avermelhados, de granulometria fina a média, ricos em quartzo. A segunda é composta por rochas vulcânicas básicas, sobretudo basaltos e andesitos.
No que diz respeito ao regime hidrográfico, Alfredo Wagner integra a bacia do Itajaí – a maior de Santa Catarina com 15.500 km -, que possui vertente para o Atlântico. No limite sul/sudoeste do município, nas proximidades da divisa com o município de Bom Retiro, localiza-se a formação Serra Geral e o Morro do Lajeado, divisores de águas do estado, pois deste ponto em direção oeste as nascentes vertem para o interior.
A partir do limite leste do município em direção oeste, corre o Rio Adaga. Desde o limite sul e seguindo em direção norte, correm as águas do Rio Caeté. Da união dos dois rios, que ocorre na área onde está instalada a sede municipal, surge o Rio Itajaí do Sul.
Conforme classificação apresentada pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, há em Alfredo Wagner vinte unidades hidrográficas, as quais são denominadas conforme a nomenclatura das suas maiores drenagens.
O relevo do município é embasado em duas unidades geomorfológicas: Patamares do Alto Rio Itajaí e Planalto de Lages.
A primeira, predominante no município, está representada na paisagem sob a forma de “escarpas, interrompidas por patamares, alternando-se, encostas e patamares até a paisagem estabilizar-se em relevo plano/ondulado nos vales abertos dos rios” (BENEDET; GÚCHERT, 2008, p. 84). Constitui-se, sobretudo, por sedimentos, com predominância de arenitos, siltitos e folhelhos (ibidem, p. 81). Ainda
que a litologia da unidade seja sedimentar, há exposição do embasamento cristalino no fundo dos vales devido ao relevo encaixado. Apresenta grande amplitude altimétrica entre o topo dos morros e os fundos dos vales (idem).
A segunda, localizada na porção sudoeste de Alfredo Wagner, é caracterizada por um relevo de colinas originário da erosão homogênea realizada pela ação fluvial que apresenta Morros Testemunhos25 e ressaltos topográficos onde predominam altitudes de 850 a 900m. Diferentemente da unidade anterior, esta é drenada pela bacia do alto e parte do médio rio Canoas.
O município está inserido em uma área onde a vegetação primária é classificada como Floresta Latifoliada da Encosta Atlântica. Dentre as formações que compõe tal categoria, dois tipos são mais representativos: Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica), encontrada principalmente nas áreas de altitude mais baixas; e Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucárias), localizada originalmente nas porções de maior altimetria.
No Alto Vale do Itajaí como um todo, a Mata Atlântica é evidente ao longo do vale dos grandes rios e nas proximidades das escarpas. São mais frequentes matas de canela preta (Ocotea
catharinenis) e de canela sassafrás (Ocotea pretiosa), enquanto que
aparecem em menor número a canela fogo (Cryptocaria aschersoniana), a canela burra (Ocotea Kulmannii), a peroba vermelha (Aspidosperma
olivaceum), o pau de óleo (Copaifera trapezifolia), a sapopema (Slonea lasiocoma), a licurana (Hieronyma alchorneoides) e a guaruva
(Cinnamomum).
Quanto a Floresta de Araucárias, nas porções altas do Vale do Itajaí onde se iniciam as formações características do planalto, além do Pinheiro do Paraná (Araucaria angustifólia) em abundância, há matas de canela preta e de canela sassafrás – ambas dispersas também na Mata Atlântica –, bem como de imbuia (Ocotea porosa) e taquarais de taquara-mansa (Merostachis multiramea).
Em meados do século XX, foi introduzida a monocultura de
pinus elliottii - espécie exótica – em Alfredo Wagner. Tal produção visa
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“Colina de topo plano situada diante de uma escarpa de cuesta, mantida pela camada resistente. Representa um fragmento do reverso, sendo, portanto, um testemunho da antiga posição da cuesta antes do recuo do front”
(http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/glossario/conteudo.php?conteudo=M ).
o beneficiamento em madeireiras, bem como o aproveitamento em indústrias de celulose.
Os solos no município são classificados pela EMBRAPA como argissolos, cambissolos e neossolos. Em geral, estão inclusos na categoria de solos de aptidão restrita a agricultura, ou seja, apresentam limitações para determinado cultivos ou demandam o uso de insumos e/ou corretivos (OLIVEIRA, 2005, p. 82). Contudo, Alfredo Wagner destaca-se pela produção de cebola, principal cultivo no âmbito rural do município.
Oliveira (2005) desenvolveu um estudo cujo objetivo foi caracterizar o uso do solo no ambiente rural de Alfredo Wagner. Como resultado, classificou os usos em cinco categorias majoritárias: agropecuária (cultivo de cebola, pastagem mista e agroindústria de laticínios); reflorestamento (predomínio de pinus e eucalipto); solo exposto (sem cobertura devido aos usos de atividades agrícolas e reflorestamento); vegetação secundária (cobertura alterada pelo uso da agricultura e em estágios de regeneração diferentes); e área urbana.
A partir de analise de imagens de satélite e atividades de campo, a pesquisadora identificou que mais da metade do solo do município (52,93%) tem sido utilizado para agropecuária, seguido por áreas com vegetação secundária, áreas de solo exposto, uso para reflorestamento e área urbana.