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C.1.5 Relação dialógica entre a theoria e a praxis

Capítulo III – Apresentação e Análise de Dados

1. Análise de dados e interpretação dos resultados

1.1. C.1 Aprendizagem de Conteúdos

1.1.5. C.1.5 Relação dialógica entre a theoria e a praxis

Em primeiro lugar, devemos asserir que esta relação entre estes dois conceitos aqui utilizados não é unidirecional; este dialogismo pressupõe uma relação pendular entre a theoria e a praxis – pressupondo assim raciocínios em dedução e em indução. Afirme-se também que não defendemos – ímpio seria fazê-lo – que o ensino intra muros apenas se constrange a uma dinâmica dedutiva, antepondo-se ao ensino extra muros que seria somente indutiva. Estes imagens pré-concebidas, para além de hiperbólicas, são totalmente desapropriadas e imprudentes, porquanto bem sabemos que as práticas pedagógicas devem socorrer-se sempre que necessário destas duas posturas, não sendo o método dedutivo típico do ensino dentro da sala de aula ou o método indutivo característico do ensino fora da sala de aula. É nosso ensejo, portanto, desfazer essas pré-conceções, verificando que, nas Visitas de Estudo, os métodos indutivos e dedutivos concorrem para a vivificação do conhecimento, através do contacto com a rua. Tenhamos em consideração que estes alunos são essencialmente de Humanidades, sendo as matérias com que lidam de pendor mais teorético, o que poderá influenciar as suas respostas e as suas representações. Desta feita, vejamos quais as representações destes alunos no que concerne a esta subcategoria relativa ao modo e à lógica de aprendizagem dos conteúdos.

Fazendo o périplo normal pelos vários questionários utilizados, temos desde logo alguns elementos no Questionário a priori que nos ajudam a compreender as representações destes alunos. As respostas à questão n.º 11 (Considera que a visita de

estudo é uma atividade comparável a uma aula? Porquê?) evidenciam que estes alunos dos dois grupos de trabalho, na sua maioria (treze alunos), perspetivam que a Visita de Estudo, grosso modo, é uma oportunidade de tornar prático o conhecimento teórico adquirido em sala de aula. Sendo as visitas de estudo comparáveis a aulas em contexto escolar, estes alunos defendem que aquelas surgem como momentos de maior dinamismo, sendo uma ótima oportunidade de contactar diretamente com a realidade. Nesta lógica entroncam as representações oriundas das questões n.º 12 e n.º 14. Quando confrontados com a primeira questão (Considera que a realização de visitas de estudo enriquece o conhecimento que tem sobre as matérias trabalhadas na sala de aula? Porquê?), a grande maioria destes alunos do grupo de Espanhol e de Português (quinze) mencionou que as Visitas de Estudo são uma boa metodologia para conferir pragmatismo às matérias estudadas e trabalhadas em sala de aula. Assim, percebemos que estes alunos consideram que há um diálogo muito constante entre a theoria e a praxis, em contexto de Visita de Estudo, não alcunhando as aulas como somente momentos teóricos ou as visitas de estudo como totalmente pragmáticas, pois ambas as atividades participam dessas metodologias concomitantemente.

Nesta leitura entroncam igualmente as respostas à questão Se tivesse que organizar uma visita de estudo, que elementos privilegiaria? Porquê?. Estes alunos dos dois grupos de trabalho (doze), de um modo geral, consideraram que as Visitas de Estudo, na sua conceção, devem ao máximo ser práticas, isto é dar visibilidade no campo, na realidade, aos conteúdos e competências que se trabalham na sala de aula.

Estas representações adquirem mais pertinência quando estes alunos contactaram com as Visitas de Estudo propiciadas por este estudo. Nesse contexto, vejamos alguns dos resultados dos questionários in tempus. Alguns destes alunos (sete), no decurso das Visitas de Estudo em que participaram, referenciaram como aspeto positivo – resposta à questão n.º 5 Em termos de organização, que elementos considera positivos nesta visita de estudo? – o facto de o professor-guia ter implementando uma exploração das temáticas e dos locais que tendia a buscar conteúdos já trabalhados na sala de aula, dando exemplos na explicação dos monumentos ou na exploração dos locais em questão. Desta forma, colocando a exploração analítica e o modus operandi no parâmetro da organização das Visitas de Estudo, percebemos que as representações destes alunos se inclinam para

privilegiar essa dinâmica pendular entre theoria e praxis: a teoria que sustenta a prática, a prática que reifica a teoria.

O grupo da Visita de Estudo de Português foi ainda mais contundente nesta postura representativa, aquando da resposta à questão n.º 9 (Em que medida esta visita de estudo contribuiu para a compreensão dos conteúdos estudados em sala de aula?). Alguns destes alunos mencionaram que a Visita de Estudo que realizaram lhes permitiu ora clarificar algumas conceções ora adensar algumas considerações sobre o autor e a obra a partir dos exemplos in situ com que foram tendo contacto. No seu entender, o contacto direto com a realidade, com a praxis, foi um fator que os alunos apreciaram como elemento que contribuiu para uma compreensão dos seus conhecimentos que são proeminentemente teóricos.

Com inevitabilidade, algumas respostas às questões n.º 10 (A partir da visita de estudo em que, neste momento, está a participar, que diferenças pode indicar entre uma aula em sala de aula e as atividades desta visita de estudo?) e n.º 12 (Qual o contributo destas atividades para a aquisição dos conteúdos da disciplina, ou para o desenvolvimento de competências?) deste mesmo Questionário in tempus foram ao encontro das representações já apresentadas. Estes alunos (seis) referiram que tiveram a oportunidade de experienciar in loco muitos dos conteúdos trabalhados, o que os fez estar mais atentos e mais interessados. Desta forma, para os alunos do grupo de Português, esta Visita de Estudo mostrou-se eficaz porque propiciou momentos de pragmatismo sem descurar a teoria e o conceptualismo sem os quais os locais não poderiam ser entendidos na sua plenitude.

Neste capítulo, devemos dar nota das representações de alguns dos alunos do grupo de Espanhol. Alguns deles mencionaram que uma das grandes novidades desta Visita de Estudo, para além da possibilidade de visitarem locais diferenciados, foi o facto de poder ouvir e contactar com muitas das expressões linguísticas e conteúdos gramaticais (pela boca de falantes autênticos) que estudavam nas aulas, dando-lhes sentido. Podemos facilmente intuir que estes alunos, ao conseguirem ver na rua muito do sentido dos conteúdos estudados, têm uma representação que vai ao encontro desse movimento pendular entre a theoria e a praxis, dado que esta reflexão (de cariz metalinguístico) sobre a língua e sobre os elementos estudados implica um movimento inverso do prático para o teórico.

Estas mesmas representações foram subscritas pelas participações dos alunos nos grupos focais, estando em harmonia com as respostas ao Questionário a posteriori, facto que evidencia precisamente esta mais-valia que (est)as Visitas de Estudo propiciam no processo dinâmico de aquisição de conteúdos e desenvolvimento de competências.