3. Cadeias de valor da EcoSocioBio-PA
3.1 Produtos dinâmicos entre os mais relevantes
3.1.2 Cacau-Amêndoa
Desde 2006, o valor bruto da produção rural do cacau, o segundo mais importante produto da EcoSocioBio-PA, cresceu 13% a.a., chegando a R$ 550 milhões em 2019. Resultado de um incremento médio de 8,5% a.a. ao longo do mesmo perío-do, a quantidade produzida nesse ano foi de 68 mil toneladas, que percorreram as cadeias explicitadas na Figura 2.1.2-1. Des-tacam-se, nessa estruturação, as seguintes características:
1. Os produtores rurais têm praticamente uma única entra-da nas cadeias: os atravessadores no interior, pelos quais transita 98% da quantidade produzida (Figura 5.3.1-1).
2. Os atravessadores abastecem os atacadistas fornece-dores da indústria de transformação extralocal, domi-nantemente nacional (99,7%) e internacional (0,3%).
Produção Rural 67.996
Atravessadores 66.651
Beneficiamento (Blank) Atacado Local - Entorno
Rural 66.353 Varejo Local - Periferia
Consumo Final Local Beneficiamento Transformação Atacado Local - Centro
Varejo Estadual -Exportação
Transformação Nacional
67.512 Atacado Nacional
Varejo Nacional 67.512
Consumo Final Nacional 67.996
Atravessadores 98%
Beneficiamento Artesanal
1%
Atacado Local -Entorno Rural
98%
Transformação Industrial Local
0,7%
Atacado Local Centros Urbanos
4,7%
Exportação 0,3%
Transformação Nacional
99%
Varejo Nacional 99%
Consumo Final Nacional 67.996
Consumo Final Total 100%
Fonte: Dados básicos do IBGE (PAM e PEVS e Censo Agropecuário de 2017); pesquisa de campo Idesp-Dadesa/NAEA-IPEA. Processamento para as CSα no Sistema Netz.
Figura 2.1.2-1 – Fluxos de produto que fundamentam as cadeias de valor do Cacau-Amêndoa (t)
O regime de oferta da produção rural de cacau se caracteriza por uma resposta da produção fracamente inelástica – uma vez que a variação de 1 ponto percentual no preço (corrente) resulta num incremento de 0,7159 ponto percentual na quan-tidade produzida – e por um crescimento do preço real pago ao produtor a 3,3% a.a., indicando a acumulação de demanda insatisfeita (Gráfico 3.1.1-1).
Os preços pagos aos produtores se estabelecem nas intera-ções com atravessadores de par com atacadistas na capta-ção da producapta-ção do cacau e sua colocacapta-ção à disposicapta-ção da indústria de transformação nacional. Na RI-Xingu, responsá-vel por 98% do valor bruto da produção rural (VBPR) desse tradicional produto da Amazônia na EcoSocioBio-PA, eles são 38 nessas duas posições, com três deles destacando-se como coordenadores em Medicilândia; na RI-Tocantins, os atravessadores, em número de 28, espalham-se por toda a região, com maior presença em Baião e Cametá. A pro-dução por eles captada é orientada a cinco atacadistas na própria RI, sendo que o mais importante deles localiza-se
Fonte: Gráfico 3.1.2-2. Elaboração dos autores.
Gráfico 2.1.2-1 – Regime de oferta do Cacau-Amêndoa: a) evolução da quantidade (1.000 t) e do preço (R$ 1.000,00/t, valores correntes e constantes de 2019); b) curva de oferta: Índice de Quantidade como função linear do Índice de Preços Correntes do produto, 2006 = 1
Preços Correntes (9,5% a.a)
Preços Constantes de 2019 (3,3% a.a) Quantidade (8,5% a.a)
4,0 8,5 4,9 9,6 6,3 11,4 8,0 14,6 7,4 12,2 7,1 11,0 6,2 8,5 9,7 12,8 11,5 13,7 13,6 15,1 6,3 6,9 8,4 8,7 8,1 8,1
6,6 9,5
2006 2010 2014
2008 2012 2016
2007 2011 2015
2009 2013 2017 2019
2018
26 32
36
41 42
47 58 51
79 82
64 68
55 63
EVOLUÇÃO DA QUANTIDADE E DO PREÇO
0 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5
1 2 3 4
Quantidade
Curva da oferta
Preço
y = 0,7159x + 0,628 R2 = 0,5028
em Mocajuba e os demais em Cametá (Figura 2.1.2-2 e 2.1.2-3 e Tabela A.1.2-1).
Todo o produto é transferido para a indústria de transforma-ção nacional, com unidades nos estados da Bahia e de São Paulo. A disposição hierárquica da cadeia pode ser avaliada na formação do preço: no arranjo local, os atacadistas têm markup de 40%, enquanto o de seus supridores, os atravessa-dores, não passa de 1% e o de seus compradores na indústria de transformação extralocal não passa de 16%. No arranjo extralocal, a indústria de transformação tem markup de 15%
e o comércio varejista, de 43% (Gráfico 2.1.2-2).
Fonte: Pesquisa de campo Idesp-Dadesa/NAEA-IPEA;
Sistema Netz das CSα. Processamento dos autores.
Figura 2.1.2-2 – Atores e suas relações nas cadeias do Cacau-Amêndoa na RI-Xingu por localização geográfica georreferenciada (representação em escala dos fluxos ponderados de compra e venda)
ATORES DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO
Xingu Guajará Guamá
Nacional Localização
Setor do ator
Rural e entorno (local) Centros urbanos (Estadual) Nacional/Internacional
FLUXO DE PFNM Produto analisado
Cacau-Amêndoa
Fonte: Pesquisa de campo Idesp-Dadesa/NAEA-IPEA; Sistema Netz das CSα. Processamento dos autores.
Figura 2.1.2-3 – Atores e suas relações nas cadeias do Cacau-Amêndoa na RI-Tocantins por localização geográfica georreferenciada (representação em escala dos fluxos ponderados de compra e venda)
ATORES DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO
Setor do ator
Rural e entorno (local) Centros urbanos (Estadual) Nacional/Internacional
FLUXO DE PFNM Produto analisado
Açaí Tocantins Guajará Guamá Nacional Localização
As condições descritas estabelecem o modo de distribuição do VA total (renda) gerado em 2019 ao longo das cadeias de cacau e seus arranjos constitutivos. Destaca-se o seguinte:
• O VA total gerado de R$ 1,3 bilhão de reais representa 2,4 vezes o valor original da produção rural de R$ 550 milhões (Tabela A.2.2-2).
• Os arranjos que, na economia do Pará, produzem cacau--amêndoa absorveram 61% do VA gerado: trata-se, portanto, de cadeias pró-local (primeira coluna no Gráfico 2.1.2-3).
• Da participação da economia local, 60,3 pontos per-centuais ficaram no interior – são cadeias, portanto, pró-interior (segunda coluna no Gráfico 2.1.2-3).
• No interior, a produção rural absorveu 43 pontos percentuais e os atravessadores 17,1. Considerando essa elevada participação no VA e o regime de ofer-ta comenofer-tado, no qual o preço pago ao produtor tem crescido, trata-se de cadeias pró-produção-rural (ter-ceira coluna no Gráfico 2.1.2-3).
• Os setores de processamento industrial são incipien-tes: 0,1% e 0,2% no centro e no interior da economia local (terceira coluna no Gráfico 2.1.2-3).
• A economia extralocal, para onde se destinou 100% do valor do produto, reteve 39% do valor adicionado no comércio de varejo (29,6%) e na indústria (9,4%). Isso caracteriza o cacau como importante base de exporta-ção da economia local (primeira e quarta colunas no Gráfico 2.1.2-3).
• O valor da exportação para o restante do mundo não passou de 0,4% do VA total (Tabela A.2.2-2).
• O emprego total associado às cadeias foi de 38,7 mil trabalhadores, sendo 64% na produção rural e 14%
no comércio (Tabela A.2.2-2). Fonte: Dados das pesquisas do IBGE (PAM e PEVS), Censo Agropecuário de 2017, Pesquisa de campo e processamento no Sistema Netz.
Produção Rural
Atravessadores
Atacado Local - Rural e Entorno
Atacado Local - Centros Urbanos
Indústria Transf.
Extralocal
Varejo Extralocal Ind. Transf. Local - Centros Urbanos
8,1 8,1
8,2
13,0
8,2
11,4
13,2 8,2
11,4
18,2
10,0
13,2
18,9 1%
40%
23%
16%
43%
40%
Gráfico 2.1.2-2 – Formação de preço e agregação de valor (markup) ao longo da cadeia de valor do Cacau-Amêndoa (R$ 1.000,00/t e % do preço de compra)
Preço de compra (Pc) Preço de venda (Pv) Mark-Up (Pv-Pc)
• A RI-Xingu concentrou 98% do VA do cacau na Eco-SocioBio-PA em 2019. Não obstante, com exceção da RI-Caeté, todas produziam cacau: a RI-Tocantins, na segunda posição, foi responsável por 1,5% do VA; a Rio Capim, por 0,7%; seguem, por fim, a Marajó e a Baixo Amazonas, com pequenas frações.
Gráfico 2.1.2-3 – Distribuição do Valor Adicionado/Renda e destino do Produto na Cadeia do Cacau-Amêndoa da EcoSocioBio-PA
COMPOSIÇÃO ESTRUTURAL DA RENDA COMPOSIÇÃO/DESTINO DO PRODUTO
Local
61,0% 60,3%Interior
Extralocal
39,0%
Com. Extralocal 29,6%
Prod. Rural
43,0% Demanda final
extralocal
100,0%
Atravessadores 17,1%
Indústria Processamento Comércio varejo 0,2%
Centro 0,5%
0,7%
Ind. Extralocal 9,4%
Fonte: Anexo 2, A.2.2, Tabela A.2.2.-2.
© KEVIN ARNOLD
Produção Rural
Transformação no interior Atacado no interior
Varejo no interior Consumo Final Local Beneficiamento no centro Transformação no centro
Varejo no centro Exportação
Beneficiamento no interior 84%
Atacado no interior 21%
Consumo Final Local 5%
Beneficiamento no centro 21%
Desde 2006, o valor bruto da produção rural da castanha-do-pará, o terceiro mais importante produto da EcoSocioBio-PA, cresceu 7,7% a.a., chegando a R$ 16 milhões em 2019.
Resultado de um incremento médio de 7,1% a.a. ao longo do mesmo período, a quantidade produzida nesse ano foi de 9,5 mil toneladas, que percorreram as cadeias explicitadas na Figura 2.1.3-1. Destacam-se, nessa estruturação, as seguintes características:
• Os produtores rurais têm três entradas na cadeia:
indústria de beneficiamento no interior (84% da pro-dução), atacadistas (21%) e atravessadores (7%) no interior. Esses agentes garantem o abastecimento do setor de beneficiamento industrial no centro da
economia local (região metropolitana de Belém) e o varejo extralocal nacional (78%) (Figura 2.1.3-1).
• O setor de beneficiamento industrial no centro exporta para os demais países do mundo o equivalente a 21%
da produção.
O regime de oferta da produção rural de castanha-do-pará se caracteriza por uma resposta da produção medianamen-te inelástica, uma vez que a variação de 1 ponto percentual no preço (corrente) resulta num incremento de 0,657 ponto percentual na quantidade produzida, e por um crescimen-to do preço real pago ao producrescimen-tor de 1,3% a.a., indicando a acumulação de uma demanda insatisfeita (Gráfico 2.1.3-1).
Fonte: Dados básicos do IBGE (PAM e PEVS e Censo Agropecuário de 2017); pesquisa de campo Idesp-Dadesa/NAEA-IPEA. Processamento para as CSα no Sistema Netz.
Figura 2.1.3-1 – Fluxos de produto que fundamentam as cadeias de valor da Castanha-do-Pará (t) 2019