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MITOS E LENDAS OU VERDADE?

16. Cada anel do guizo da cascavel corresponde a um ano de vida?

Para uma serpente poder crescer é necessário trocar a pele (ecdise). Dependendo da idade, saúde e alimentação elas podem trocar a pele de uma a cinco vezes ao ano. O guizo ou chocalho não está associado à idade e sim a troca de pele. A cada muda de pele é acrescentado um anel. Além disso, o guizo é frágil e se quebra com facilidade, tornando impossível calcular a idade da cascavel através do guizo.

ESCORPIÕES

Os escorpiões, conhecidos em algumas regiões do Brasil como lacraus, apresentam o corpo dividido em tronco e cauda. Possuem pinças que são utilizadas para a captura de presas e para defesa. É no final da cauda que se encontra o aguilhão ou ferrão, onde se alojam duas glândulas produtoras de veneno. Habitam os mais diversos tipos de ecossistemas, dando preferência para regiões tropicais e neotropicais. São responsáveis por um grande número dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil. No Estado de São Paulo as espécies de importância em saúde capazes de causar acidentes são: escorpião-amarelo e escorpião-marrom.

HÁBITOS:

De hábitos noturnos são mais ativos durante os meses quentes. Vivem sob troncos, cascas de árvores, pedras, fendas de rochas, buracos no solo e principalmente em locais habitados pelo homem, onde ocorre o acúmulo de lixo, entulho e materiais de construção.

DEFESA:

Quando se sentem ameaçados podem utilizar as pinças, porém sua principal tática de defesa é a inoculação de veneno através do ferrão ou aguilhão (Fig. 68) causando o envenenamento. Os principais predadores naturais dos escorpiões são siriemas, gaviões, corujas, galinhas, sapos e lagartos.

ALIMENTAÇÃO:

Eficientes predadores, localizam a presa através de vibrações no solo, já que possuem uma visão precária. São animais carnívoros que se alimentam principalmente de baratas e insetos muitas vezes considerados prejudiciais ao homem. Podem ficar longos períodos sem alimentação.

REPRODUÇÃO:

Reproduzem-se sexuadamente, realizando uma espécie de dança nupcial antes do acasalamento. São animais vivíparos (parem os filhotes prontos) e o tempo de gestação varia de acordo com a espécie. Assim que nascem sobem nas costas da mãe, onde permanecem até a primeira troca de pele (Fig. 69). Após esse período deixam a mãe e passam a ter vida independente. A reprodução do escorpião amarelo apresenta uma curiosidade: Se reproduzem através de um processo denominado partenogênese, onde os óvulos das fêmeas não precisam da fertilização dos machos

para se desenvolverem, ou seja, não há a necessidade do acasalamento.

Tityus serrulatus (Fig. 70)

Nome popular: escorpião-amarelo

Comprimento médio em adultos: Até 7cm Possui coloração amarelo claro com manchas escuras sobre o tronco e final da cauda. São os responsáveis pelo maior número de acidentes graves com registros de óbito. Essa espécie é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Bahia, Goiás e Distrito Federal. Introduzidos em Rondônia e Paraná.

Fig. 69 - Tityus serrulatus com filhotes

Tityus bahiensis (Fig. 71)

Nome popular: escorpião-marrom

Comprimento médio em adultos: Até 7cm Principal causador de acidentes no Estado de São Paulo. Possui coloração marrom avermelhado escuro, braços e pernas mais claras com manchas escuras. É encontrado nos Estados de Minas Gerais, Sul de Goiás, São Paulo, região oeste do Estado do Paraná e Santa Catarina.

Fig. 71 - Tytius bahyensis

Distribuição dos escorpiões amarelo e preto no estado de São Paulo

ARANHAS

Possuem o corpo dividido em cefalotórax (cabeça fundida ao tórax) e abdome. É na região do cefalotórax que se localizam as quelíceras contendo os ferrões onde se alojam as glândulas produtoras de veneno (Fig. 72).

Uma das principais características das aranhas são as glândulas especializadas, localizadas no abdome, que secretam fios de seda para a construção de teias. Existem dois tipos básicos de teias: as geométricas (bonitas e bem arrumadas) (Fig. 73) e as irregulares (Fig. 74). No Brasil as espécies consideradas perigosas para o homem não constroem teias ou constroem teias irregulares. São encontradas em praticamente todos os tipos de ambiente, com exceção da Antártica. No estado de São Paulo, as espécies de importância em saúde capazes de causar acidentes são: aranha-armadeira, aranha-marrom e as aranhas do grupo das viúvas-negras.

HÁBITOS:

Podem apresentar hábitos noturnos ou diurnos, e vivem em buracos no solo, árvores, arbustos, sob troncos podres, cupinzeiros, gramados, e se adaptam muito bem à ambientes ocupados pelo homem.

DEFESA:

Utilizam como tática de defesa o envenenamento. Picam quando se sentem ameaçadas utilizando o ferrão localizado na região das quelíceras. Seus principais predadores naturais são as aves, lagartixas, sapos e alguns lagartos.

ALIMENTAÇÃO:

Animais exclusivamente carnívoros, alimentam-se principalmente de insetos, embora algumas espécies de grande porte possam caçar pequenos animais vertebrados. Capturam a presa com ajuda da teia ou caçando ativamente.

Fig. 72 - Aranha armadeira

Fig. 73 - Teia geométrica

REPRODUÇÃO:

São animais ovíparos (botam ovos) que se reproduzem sexuadamente. As fêmeas reconhecem os machos de sua espécie através de movimentos característicos que eles realizam antes do acasalamento. Os ovos são guardados em uma espécie de bolsa de seda construída pela fêmea denominada ooteca (Fig. 75). Algumas espécies cuidam dos ovos e dos filhotes.

Phoneutria nigriventer (Fig. 76 e 77)

Nome popular: aranha-armadeira ou aranha-das-bananas

Comprimento médio em adultos: 3 cm de corpo e até 15 cm no total com as pernas

Possui o corpo coberto por pelos de coloração marrom acinzentado ou amarelado. Animal de hábito noturno, não constrói teias. Vivem em buracos, troncos (Fig. 76), bromélias, bananeiras e próximo a ambientes urbanos. Espécie agressiva, ataca quando se sente ameaçada, erguendo as pernas dianteiras (por isso o nome armadeira). Pode saltar até 40cm.

Fig. 75 - Lycosa sp. (aranha de grama) carregando sua ooteca

Fig. 77 - Phoneutria nigriventer (aranha armadeira) em posição de ataque

Fig. 76 - Phoneutria nigriventer (camuflagem)

Loxosceles sp. (Fig. 78)

Nome popular: aranha-marrom

Comprimento médio em adultos: 1 a 3 cm incluindo as pernas

Sua coloração varia do castanho claro ao marrom escuro. Ativa durante a noite, constrói teias irregulares em cascas de árvores, folhas, tijolos, telhas. Também se adaptam a ambientes urbanos, sendo encontradas em diversos locais no

Latrodectus geometricus (Fig. 79) e Latrodectus curaviensis. (Fig. 80)

Nome popular: viúva-amarela, viúva- negra e flamenguinha

Comprimento médio em adultos: 1,5 cm a 3 cm incluindo as pernas

Apresenta coloração vermelha com preto ou esverdeada com manchas alaranjadas. Possui na região ventral do abdome um desenho em forma de ampulheta. Constroem teias irregulares em folhas de arbustos, nas gramíneas, buracos e em locais urbanos. Os machos muitas vezes vivem na teia das fêmeas, e devido a seu tamanho menor podem ser devorados por elas após o acasalamento. Não possui comportamento agressivo, picando quando pressionada contra o corpo. Causam poucos acidentes no Brasil.

Fig. 80 - Latrodectus curacaviensis

Fig. 79 - Latrodectus geometricus

agressivos, picando apenas quando pressionados contra o corpo. Por isso os acidentes mais comuns ocorrem no momento em que a pessoa está vestindo roupas e sapatos.

Distribuição das aranhas armadeira, marrom e viúva negra no estado de São Paulo

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