De acordo com Rubenstein (1992, p.21) o termo mall pode ser tradicionalmente empregado para definir uma via usada para o trânsito de pedestres. Um passeio contendo mobiliário urbano, equipamentos, árvores e vegetação em geral utilizadas em espaços públicos. Assim, para efeito de definição poderíamos chamá-lo também de rua pedonal, bulevar, alameda, calçadão. Porém, ainda segundo o autor, pode também ser considerado como um tipologia de espaço público relativamente recente, contendo características mistas de rua e praça, geralmente localizado em áreas centrais das cidades. Sua função seria orientada principalmente à circulação pública de pedestres, além de conter espaços de estar, conjugando assim espaços tanto para a movimentação quanto para a permanência.
Não temos no Código de Transito Brasileiro (CTB), uma definição específica para o espaço calçadão. Mas, em Gold (2003, p.1) a calçada é definida como “parte da via,
normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização, vegetação e outros fins”. Considerando que o calçadão apresenta um uso semelhante à
calçada, podemos partir disto para efeito das definições que nos interessam neste trabalho.
Em Vilaça (2008, p.28), o calçadão é definido como “uma faixa da via de circulação
pavimentada, mais larga que o habitual, por onde as pessoas podem trafegar em diferentes velocidades e experimentar várias formas de mobilidade”. Paula (2008) define como
calçadões as ruas que são de tráfego exclusivo para pedestres, com pavimentação homogênea em que inexiste diferenciação de nível e paginação de piso entre calçada e caixa carroçável, considerando que não se destina ao tráfego de veículos prioritariamente.
Aqui, consideramos as descrições acima apresentadas e adotamos como definição para calçadões, ruas que se destinam principalmente ao trânsito de pedestres, onde as pessoas podem se movimentar livremente, sem restrição ao âmbito da calçada, como ocorre nas ruas convencionais. Os calçadões podem contar com toda a sorte de mobiliário urbano e vegetação encontrados em praças, caracterizando espaços para estar, ou simplesmente serem ruas com
“grandes pisos de passagem” como apresentam Robba & Macedo (2003 p. 136). Apesar de se destinarem aos pedestres, os calçadões podem também conter parte de seu espaço reservado ao acesso e tráfego de veículos. Porém, quando há, a presença de veículos é reduzida e restrita somente aos que tem alguma permissão especial de acesso, como veículos oficiais, de transporte público, moradores ou para a carga e descarga de mercadorias, no caso de estabelecimentos comerciais, entre outras exceções. Por fim, para nosso estudo, importa dizer que os calçadões podem ser contabilizados como mais um tipo de espaço público, onde para além do simples trânsito, permitem a criação de uma ambiência de diversidade e encontros, rápidos ou prolongados, programados ou espontâneos, em que seus usuários são soberanos do espaço.
Para além da definição do que é um calçadão, podemos também dizer que existem variados tipos de calçadões. Em nossa abordagem, estes tipos podem ser definidos segundo duas formas de classificá-los: (1) pelo seu lugar de implantação, e (2) pela sua conformação física; considerando que a primeira tem grande influência sobre a segunda, e que esta última é muito influenciada pela finalidade de usos do calçadão.
Em Vilaça (2008, p.28), são enumerados diversos exemplos de acordo com seu local de implantação. Os calçadões podem ser implantados em orlas de praias, tal como em Copacabana, no Rio e Janeiro; margens de rios, como na margem do Tejo em Lisboa; em parques, como em Curitiba; e em ruas, como no centro de São Paulo.
De acordo com o objeto de estudo deste trabalho, nosso interesse se volta especificamente sobre os calçadões implantados em ruas de centros urbanos que anteriormente eram abertas para a livre circulação de veículos e passaram a serem exclusivas ou voltadas prioritariamente para o trânsito pedonal. Neste caso, adotaremos o termo
pedestrianização na designação da transformação de ruas em calçadões. Para estes calçadões,
Rubenstein (1992, p.21 – tradução nossa) e Brambilla & Longo (1977, p.9 – tradução nossa) nos apresentam classificações semelhantes, são eles: o calçadão pleno, o calçadão com trânsito, o semicalçadão, e o calçadão coberto. Sendo este último tipo mais raro de se encontrar. Esta classificação adota como parâmetro principal a acessibilidade de pedestres e veículos, distribuindo-se em graus de acesso que alteram as características do espaço resultante. Neste caso, é importante ressaltar que a adoção de um tipo ou outro se dá de acordo com a necessidade demonstrada pela área urbana em que o calçadão se insere. Esta necessidade se define em grande medida pelos usos já estabelecidos, ou que se pretendem estabelecer no calçadão.
O calçadão pleno é obtido pelo fechamento total de uma rua que anteriormente era usada para o tráfego veicular. A implementação do calçadão, nesse caso, ocorre com a colocação de nova pavimentação unindo as calçadas dos dois lados da via, além da instalação de mobiliário urbano, equipamentos, vegetação, entre outros elementos urbanos, tais como fontes e esculturas. O calçadão pleno provê continuidade física e visual para a rua onde é implantado.
O segundo tipo, calçadão com trânsito, é caracterizado pela remoção do tráfego de veículos em geral, permitindo apenas o acesso de veículos autorizados, em uma faixa de serviço, como transporte público, táxis, ou mesmo veículos de transporte de mercadorias para atender as demandas de abastecimento de estabelecimentos comerciais ou institucionais locados na rua. O estacionamento para a longa permanência de veículos é proibido, e o espaço para os pedestres é ampliado.
O terceiro tipo é classificado como semicalçadão. Neste caso, o trânsito veicular é reduzido drasticamente. As calçadas são alargadas, priorizando a circulação de pessoas, mas é mantido um leito carroçável para que automóveis possam circular. Neste caso, como o espaço deve ser dividido entre pedestres e automóveis, em geral o uso de mobiliários e equipamentos urbanos é reduzido para que o espaço atenda a demanda da circulação. Os semicalçadões têm sido os tipos mais utilizados nas intervenções recentes.
E, o quarto tipo listado apenas por Brambilla & Longo (1977, p.9 – tradução nossa), o calçadão coberto, é resultado de ruas que foram totalmente fechadas ao trânsito de veículos, cobertas e climatizadas. Estas ruas oferecem condições ambientais similares aos shoppings
centres. São mais apropriadas para lugares de climas muito frios ou muito quentes, em que as
condições de temperatura dificultam a circulação das pessoas pelas ruas abertas. Os projetos para este tipo de calçadão são mais complexos, e seus custos podem torná-los proibitivos, o que explica sua raridade.