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4. Base de Dados do Modelo BRIDGE-ENERGY

4.3. Base de Dados Definitiva

4.3.1. Calibragem da Base de Dados Definitiva

O passo seguinte à adaptação da base de dados do modelo BRIDGE-ENERGY consistiu na calibragem do modelo, ou seja, na determinação de valores para os coeficientes e parâmetros que produzem uma solução inicial do problema. A solução inicial V* (definida na seção 3.4 do Capítulo 3) pode ser deduzida a partir (a) dos coeficientes estruturais do modelo – interpretados como participações nos custos e nas vendas e geralmente derivados de matrizes de insumo-produto para um ano determinado –; (b) de valores para os parâmetros comportamentais e (c) de algumas informações suplementares.

A Figura 4.1 apresenta a estrutura da base de dados do modelo BRIDGE-ENERGY, a partir da qual se procedeu à calibragem do modelo. A matriz de absorção constituinte da base de dados – reveladora do destino setorial (dispostos nas colunas como débitos) dos produtos (dispostos ao longo das linhas como créditos) – contém três grandes grupos de registros das transações envolvidas nos diferentes processos produtivos, a saber, (i) atividades que promovem o consumo intermediário; (ii) provisão de bens e serviços aos usuários finais; e (iii) absorções dos insumos primários pelas atividades (importação, impostos, margens e remuneração dos fatores).

O modelo BRIDGE-ENERGY encontra-se configurado para o ano de 2005, a partir de adaptação de classificação setorial e de produtos da matriz insumo-produto (IP) do IBGE22, originalmente composta por 55 setores, 110 produtos, cinco componentes da demanda final (consumo das famílias, consumo do governo, investimento, exportações e estoques), dois elementos de fatores primários (capital e trabalho), dois setores de margens (comércio e transportes), importações por produto para cada um dos 55 setores e cinco componentes da demanda final, um agregado de impostos indiretos e um agregado de impostos sobre a produção. A estrutura central do modelo BRIDGE-ENERGY guarda estreita similaridade com a matriz IP. Na Figura 4.1, as matrizes encontram-se dimensionadas por índices (c, s, i, m e o) que correspondem aos conjuntos definidos no modelo.

Relativamente às dimensões dos conjuntos originais (IBGE), os novos conjuntos do modelo BRIDGE-ENERGY foram alterados da seguinte forma: (i) COM: expandido de 33 para 125 bens; (ii) SRC: mantido em duas origens (doméstico e importado); (iii) IND:

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Tabelas de referência do IBGE (relativas ao ano de 2005) relacionadas à composição da matriz IP: (i) Tabela 1 - Recursos de Bens e Serviços; (ii) Tabela 2 - Usos de Bens e Serviços a Preços de Consumidor; (iii) Tabela 3 - Oferta e Demanda da Produção Nacional a Preço Básico; e (iv) Tabela 4 - Oferta e Demanda de Produtos Importados.

redimensionado de 27 para 58 setores; (iv) OCC: mantido como um único tipo de trabalho; e (v) MAR: alterada de uma para duas margens (comércio e transporte de carga).

Matriz de Absorção

1 2 3 4 5 6

Produtores Investidores Famílias Exportações Governo Estoques

Dimensões i i 1 1 1 1

Fluxos Básicos c x s V1BAS V2BAS V3BAS V4BAS V5BAS V6BAS

Margens c x s x m V1MAR V2MAR V3MAR V4MAR V5MAR N/A

Impostos c x s V1TAX V2TAX V3TAX V4TAX V5TAX N/A

Trabalho 1 V1LAB

Capital 1 V1CAP Índice Conjunto Descrição

Outros Custos 1 V1OCT i IND Indústrias

c COM Commodities Matriz de Produção Tarifas de Importação s SRC Origem (doméstica ou importada)

Dimensões i 1 m MAR Margem

(transporte e comércio)

c MAKE V0TAR o OCC Tipos de Ocupação

Figura 4.1 – BRIDGE-ENERGY: Estrutura da Base de Dados

Na base de dados do modelo BRIDGE-ENERGY, os fluxos básicos evidenciam a demanda a preços básicos (valor de produção) dos bens (“c” em COM), de origem doméstica ou

importada (“s” em SRC), por parte das indústrias (“i” em IND) e dos usuários finais (da

demanda final). Esses fluxos estão representados no modelo pelos coeficientes (matrizes) V1BAS (consumo intermediário das firmas); V2BAS (investimento ou formação bruta de capital fixo); V3BAS (famílias); V4BAS (exportações); V5BAS (governo); e V6BAS (estoques). Ademais, cabe destacar que os preços básicos (pb) mais margens e impostos líquidos de subsídios correspondem aos fluxos a preços de mercado (pm).

Ainda no tocante aos fluxos básicos de produtos, cumpre observar que os valores básicos da Tabela 3 (doméstico) e da Tabela 4 (importado) do IBGE incorporam as margens referentes às commodities Comércio e Transporte de Carga. Dessa maneira, para isolar esses valores (margens e valores básicos), a fim de checar a consistência com a matriz MAKE, desenvolveu-se uma rotina específica de preparação para uso nos modelos de testes.

No caso específico do investimento, cumpre registrar que as Tabelas 3 e 4 do IBGE trazem apenas os vetores da formação bruta de capital fixo (investimento), ao passo que o coeficiente V2BAS (investimentos) do modelo impõe a distribuição dos valores por indústria

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estrutura de V1CAP (remunerações do capital – Excedente Operacional Bruto), resultando em três dimensões (COM x SRC x IND).

Por outro lado, a ocorrência, na Tabela 4 do IBGE, de fluxos de reexportações (bens importados e depois exportados) dotados de valores pouco significativos possibilitou a sua realocação nos valores básicos do estoque de bens importados.

Ademais, a matriz de preços básicos para produtos importados (Tabela 4 do IBGE) considera os valores CIF, ou seja, valores a preços básicos menos a tarifa de importação. Como forma de adequá-la à estrutura do modelo, os valores básicos foram somados às respectivas tarifas de importação.

As Tabelas 2, 3 e 4 do IBGE incluem um usuário final – “Instituições Sem Fins de

Lucro a Serviços das Famílias (ISFLSF)” – que, a princípio, as incompatibiliza com a estrutura

de dados do modelo. Em virtude de sua magnitude marginal, e em face de certas similaridades, os seus valores (básicos e de mercado) foram realocados na categoria de demanda final das Famílias.

Por seu turno, os coeficientes representativos das margens representam a própria demanda por serviços de comércio e de transporte por parte de setores e usuários finais (exceto estoques). Conceitualmente, as margens podem ser entendidas como custos de transferência, ou seja, os bens que produzem margens têm por finalidade facilitar o fluxo de bens da sua origem de produção (domésticos ou importados) até o destino dos usuários. Não obstante, na estrutura original de dados do IBGE, as margens não se encontram discriminadas nem por origens (doméstico e importado) nem por usuários (indústrias e usuários finais), conforme requerem os coeficientes de fluxos de margens do modelo. Como solução para o problema, calculou-se, primeiramente, a tarifa das margens de cada bem (relação entre margem e total valor básico), multiplicando-se, posteriormente, os valores obtidos pelos fluxos básicos de origem doméstica (Tabela 3 do IBGE) e importada (Tabela 4 do IBGE). O procedimento adotado não se aplicou para o Governo e Variação de Estoque, dado que se trata de usuários não demandantes de margens.

Os coeficientes de impostos, por sua vez, agregam os valores de IPI, ICMS e “Outros

impostos menos subsídios” para todos os usuários (à exceção dos estoques). Não obstante a possibilidade de tratamento da incidência dos impostos sobre fluxos de exportações, no caso brasileiro, tais exportações estão desoneradas por lei. Dessa maneira, o coeficiente V4TAX no modelo assume valores nulos. Para os demais casos, a calibragem dos coeficientes representativos aos impostos sobre os fluxos básicos teve um procedimento semelhante aos dos coeficientes das margens. Desse modo, os vetores de IPI, ICMS e Outros Impostos (-

Subsídios) da Tabela 1 do IBGE foram distribuídos por indústria (casos de V1TAX e V2TAX) e, para os demais coeficientes, apenas por origem (doméstico e importado), a partir das tarifas calculadas sobre o total do valor básico. A exceção a esse procedime nto se concentrou no Governo, nas Exportações e nas Variações de Estoque, os quais não sofrem incidência de impostos.

Por fim, o coeficiente V1LAB, referente a remunerações de trabalho, encontra-se

dimensionado por tipos de ocupações (“o” em OCC). Todavia, apesar da possibilidade de

desagregação entre tipos de ocupação, o modelo manteve tão-somente um tipo de ocupação. Relativamente aos fluxos associados a fatores primários, outros custos industriais e tarifas, cumpre destacar que, em virtude da ausência de informações nas tabelas utilizadas, os elementos do coeficiente V1LND (remunerações fundiárias) mantiveram-se com valores nulos.

À luz de todas essas considerações, os procedimentos de calibragem do BRIDGE- ENERGY, em síntese, envolveram a preparação prévia de um banco de dados de referência para o modelo, elaborada em quatro etapas, quais sejam, (i) a construção de um arquivo de entrada de dados; (ii) o tratamento (ajustes, adaptações e testes de consistências) dos dados de entrada mediante programação específica; (iii) a geração de um arquivo de saída para aplicação no modelo; e (iv) a aplicação de testes de homogeneidade para validação dos trabalhos.