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educativo (prática na sala de aula e cultura escolar). Existe uma forte interação entre a história de vida e o contexto de trabalho (FLORES, 2015, p, 7)

Ao longo da formação inicial ele se insere na escola por meio de estágios e programas de iniciação à docência e passa por momentos de encantamento e desilusões, aprendizagens e reflexões, ganhos e frustrações. Forma-se, faz escolhas entre as oportunidades que surgem e que nem sempre são aquelas que tinha em mente, mas segue em frente. Torna-se, então, um professor iniciante e, como se não bastasse os próprios desafios da fase inicial da carreira docente, se depara com a complexidade da docência na Educação Infantil.

Quando se inicia a prática docente, os valores, imagens e ideais atribuídos ao significado de "ser professor" podem ser desconstruídos em razão do contexto de trabalho, para serem reconstruídos em virtude das interações estabelecidas e do reconhecimento de novos significados. Quando um jovem professor constata que o seu ensino não adere à imagem ingenuamente antecipada de uma transmissão sem sobressaltos dos conteúdos específicos da sua disciplina, e se dá conta de que há outras exigências no exercício profissional, dá-se um

"choque com a realidade", manifestando-se uma crise da identidade profissional à entrada na profissão (CARDOSO et al, 2016, p. 13).

A carreira, o salário, a desvalorização e os inúmeros desafios parecem não ter fim. Na escola, surgem outras demandas, diálogos com as famílias, com os colegas de trabalho e com inúmeras solicitações da gestão. À medida que avançam, começam a questionar e refletir sobre as políticas públicas educacionais, sobre suas práticas docentes e sobre suas crianças.

O êxito ou o fracasso do ensino e da aprendizagem dependem muito também de um conjunto de aspectos não acadêmicos, com forte destaque para o jogo das emoções que se desencadeiam no confronto com a realidade (CARDOSO et al, 2016, p. 13).

Percebem que o que sabem não é suficiente e buscam a Formação Continuada ou são colocados diante dela. São novamente confrontados, questionados, provocados à reflexão.

Paralelo a esse processo, o professor passa por um amadurecimento pessoal, tem suas crenças, valores e princípios que vão se refinando, ampliando e tornando mais latente, de modo que reflete em sua maneira de ser professor. Todos esses fatores contribuem para o entendimento do conceito de desenvolvimento profissional docente. Ressalta-se que “formação continuada refere-se à atividade formativa” comenta Marcelo Garcia (1995, p.136), a um aprimoramento

profissional. Logo, o Desenvolvimento Profissional Docente pode ser compreendido como progresso, crescimento e continuidade.

Cada um forma-se de um modo singular, único, com suas interpretações, aceitações e escolhas que o definem enquanto sujeito e, consequentemente, enquanto docente. E a Teoria Histórico-Cultural nos ajuda a compreender essa formação, na medida em que consideramos que cada pessoa é única em seu ser, por isso absorve suas certezas e incertezas moldando suas afirmações, dito de outro modo, dois professores podem ter a mesma formação, trabalhar na mesma escola, com as mesmas turmas e não terão o mesmo desenvolvimento profissional, pois cada ser é individual, assim como sua maneira de encarar seus desafias o torna mais singular.

Logo, temos que para a compreensão do conceito de Desenvolvimento Profissional Docente, faz-se necessário diferenciá-lo do conceito de “formação continuada” que refere-se à atividade formativa. Já o conceito de Desenvolvimento Profissional Docente, referendado por Marcelo Garcia (2009) refere-se a “[...] uma abordagem na formação de professores que valorize o seu caráter contextual, organizacional e orientado para mudança” o que significa que abrange

Que pode ser influenciado pela escola, pelas reformas e contextos políticos, e que integra o compromisso pessoal, a disponibilidade para aprender a ensinar, as crenças, os valores, o conhecimento sobre as matérias que ensinam e como as ensinam, as experiências passadas, assim como a própria vulnerabilidade profissional (MARCELO GARCIA, 2009, p.7)

Marcelo Garcia (2009, p.7) abre seus estudos com uma série de indagações, entre elas

“o que é que os professores conhecem e o que é que devem conhecer? Quais os conhecimentos relevantes para a docência e para o seu desenvolvimento profissional? Como é que este conhecimento se adquire? As categorias de análises apresentadas em nosso estudo oferecem subsídios para refletirmos sobre possíveis respostas às questões colocadas pelo autor para a discussão sobre Desenvolvimento Profissional Docente.

Ao elencarmos a categoria princípios da docência encontramos trabalhos que evidenciaram práticas de ensino que discutiram o papel da docência a partir do desenvolvimento da ação docente. Objetivamos analisar o trabalho docente na Educação Infantil mediante a ação intencional e planejada do ensino para as crianças . Para isso foi,necessária a compreensão de como tem sido constituído o planejamento pedagógico e a ação docente na Educação Infantil, tendo como respaldo de análise a Teoria Histórico-Cultural. Como resultado, encontramos pesquisas que evidenciaram práticas docentes na Educação Infantil com focos na aprendizagem e no desenvolvimento às crianças com ações sistematizadas e intencionais,

mesmo que ainda não sejam essas ações únicas e exclusivas, pois, há relatos de atividades sistematizadas, sem significado, de mera reprodução e engessadas numa educação tradicional.

Ao evidenciar, os princípios da Docência defendidos pelas pesquisas que debruçaram suas análises à luz da Teoria Histórico-Cultural, percebemos a necessidade de desenvolver novos olhares e ações didáticas para uma aprendizagem emancipatória e significativa das crianças.

Nesse caso, os conhecimentos dos professores incluem justamente o que afirma Marcelo Garcia (2009, p.19):

destaca-se a necessidade de que os professores possuam um conhecimento pedagógico geral, relacionado com o ensino, com os seus princípios gerais, com a aprendizagem e com os alunos, assim como com o tempo acadêmico de aprendizagem, o tempo de espera, o ensino em pequenos grupos, a gestão da turma, etc. Inclui, também, o conhecimento sobre técnicas didáticas, estruturas das turmas, planificação do ensino, teorias do desenvolvimento humano, processos de planificação curricular, avaliação, cultura social e influências do contexto no ensino, história e filosofia da educação, aspectos legais da educação, etc (MARCELO GARCIA, 2009, p.19)

Na categoria consequências da experiência e das subjetividades – trabalhos que apontam evidências da trajetória pessoal e profissional que constituem a docência e têm desdobramentos nas práticas de ensino. Nesta categoria, também se encontram trabalhos que abordam aspectos ligados à subjetividade, que variam de acordo com crenças, valores, princípios éticos e filosóficos que constituem o professor, refletem em sua constituição profissional e repercutem nas práticas de ensino. Para Marcelo Garcia (2009, p.5)

O desenvolvimento profissional pode adotar diferentes formas em diferentes contextos. Por isso mesmo, não existe um e só um modelo de desenvolvimento profissional que seja eficaz e aplicável em todas as escolas. As escolas e docentes devem avaliar as suas próprias necessidades, crenças e práticas culturais para decidirem qual o modelo de desenvolvimento profissional que lhes parece mais benéfico (MARCELO GARCIA, 2009, p.5).

Assumimos, para a análise dos dados, que os saberes dos professores que atuam na Educação Infantil perpassam pelas suas próprias experiências, crenças, valores e que estas os constituem. Assim, os valores, concebidos como crenças impregnadas de afeto, de uma docência por amor ou, ainda, um fazer docente que fundamenta-se em princípios próprios, precisam ser analisados e melhor compreendidos, especialmente considerando a necessidade de esta contribuir de forma mais efetiva para uma ressignificação do papel da docência na Educação Infantil, que fundamente-se em elaborações teóricas e o desenvolvimento de práticas de ensino que venham a contribuir para o desenvolvimento integral das crianças. Concluímos

que uma mediação acolhedora desempenha um papel fundamental no processo de ensino e aprendizagem, mas que supera as concepções de maternagem tão presentes nesta etapa. Ainda temos nesta categoria elementos que apontam para a cultura organizacional e a forma como a escola contribui para o exercício da função, sendo assim

A identidade profissional depende tanto da pessoa como do contexto. A identidade profissional não é única. Espera-se que os professores se comportem de uma maneira profissional, mas não porque adotem características profissionais prescritas (conhecimentos e atitudes). Os professores distinguem-se entre si em função da importância que dão as essas características, desenvolvendo uma resposta própria ao contexto (MARCELO GARCIA, 2009, p.6)

Por fim, na última categoria elencada por nós neste estudo, denominada saberes e fazeres na Educação Infantil – trabalhos que discutem essencialmente os elementos que constituem os saberes e fazeres docentes e que têm foco no desenvolvimento de competências e repertórios profissionais inerentes à docência e ao ensino de qualidade.

Conhecimento para a prática: nesta primeira concepção entende-se que a relação entre conhecimento e prática é aquela na qual o conhecimento serve para organizar a prática e, desta forma, conhecer mais (conteúdos teorias educativas, estratégias instruccionais) conduz, de maneira mais ou menos directa, a uma prática mais eficaz. O conhecimento para ensinar é um conhecimento formal, que deriva da investigação universitária, ou seja aquele de que se fala quando os teóricos dizem que o ensino gera um corpo de conhecimento distinto do conhecimento comum (MARCELO GARCIA, 2009, p.6)

Nesta etapa das análises, compreendemos a importância dos saberes como elementos para uma reflexão pedagógica e os desdobramentos desses saberes nas práticas de ensino.

Verificamos como o desenvolvimento de determinados saberes e fazeres que podem contribuir para a compreensão do protagonismo da criança, do desenvolvimento da autonomia, da diversidade que existe numa instituição de ensino, dos saberes e fazeres que devem ser mobilizados para um processo de ensino e aprendizagem, da importância da interação e cooperação, de como a organização do tempo e espaços podem contribuir para o ensino.

As categorias elencadas nos auxiliaram a situar o tema, a realizar um percurso por toda a etapa da Educação Infantil, a olhar essa etapa de dentro para fora e de fora para dentro.

Observar o importante papel do professor , que ultrapassa o entendimento de um sujeito mero transmissor de conhecimentos.

Dessa maneira, nos aproximamos do conceito de Desenvolvimento Profissional Docente proposto por Imbernón (2011, p. 47) quando afirma que

o desenvolvimento profissional do professor pode ser concebido como qualquer intenção sistemática de melhorar a prática profissional, crenças e conhecimentos profissionais, com o objetivo de aumentar a qualidade docente de pesquisa e gestão (IMBERNÓN, 2011, p.47)

Dado o conceito, elencamos o papel do professor na Educação Infantil através das análises realizadas como exemplos de ampliação e qualificação do desenvolvimento profissional.