A fotografia demonstra o quanto as pessoas aspiravam por participação, que era sentida na movimentação em relação ao processo eleitoral que se configurava no pleito para Prefeito de Natal.
Inclui-se um adendo para demarcar o envolvimento da população e dos educadores, em particular, nos movimentos políticos. Nesse período, a APRN organizava debates abertos com os candidatos a Prefeito e buscava apoio para conquistar espaços democráticos no ambiente escolar, naquela época, expressando- se na luta por eleição para diretores.
Nas conversas mantidas com os candidatos a Prefeito de Natal/RN, as associações se uniram na busca de firmar compromisso político com os candidatos para que houvesse eleição direta para diretor em 1986. A união em prol da bandeira comum era o que balizava o processo político de angariar apoio à causa da eleição direta para diretor na Rede Municipal de Ensino de Natal. Nela, as diferenças se diluíam.
E aí a gente conseguiu porque, naquela ocasião as entidades tinham uma unidade muito grande em torno da pauta e não tinha, não tinha/existia diferença entre nós, somente esse trabalho foi o que fez e o que deu a abrangência exatamente [para] acontecer (E7).
Portanto, como demonstra a fala do E7 e conforme observado neste tópico, a união de uma pauta comum a todos os profissionais esvaeceu as diferenças internas dos grupos opositores, tornando-os, naquela conjuntura política, sujeitos coletivos. O contexto de luta na sociedade em geral se concretizou e convergiu na educação em Natal/RN, com a pressão dos educadores para que ocorresse a eleição direta na Rede Municipal de Ensino, que foi implementada em 1987.
Nesse sentido, ressalta-se que a conjuntura que compunha a realidade na década de 198096 foi decisiva para a construção da luta dos profissionais da educação e para a implantação da eleição direta para diretores na Rede Municipal de Ensino de Natal/RN. Segundo o Entrevistado 7,
Foi um período também que a gente tinha muito mais facilidade porque nós estávamos rompendo um ciclo, nós estávamos fechando aquele ciclo da ditadura. As lutas eram muito mais efervescentes, as pessoas tinham muito mais coragem, não se intimidavam com as situações. De forma que Garibaldi encontra esse cenário e a gente soube aproveitar (E7).
Na fala dele, configura-se o momento histórico em que foi eleito o Prefeito Garibaldi Alves Filho e o quanto o momento era propício às inovações políticas. Nesse período, as associações do município de Natal/RN que representavam quem estava no interior da escola pública municipal se organizaram e pressionaram para que os candidatos a Prefeito firmassem o compromisso político de que, caso fossem eleitos, seria implantada a eleição para diretores das escolas públicas municipais de Natal.
Garibaldi Alves Filho, após eleito, nomeou como Secretário de Educação do Município de Natal o Professor Luís Eduardo Carneiro, pessoa com experiência em negociações com reivindicações populares97. Ele era respeitado e, compreendendo o momento político, contribuiu para que o Prefeito mantivesse a palavra dada durante a campanha em 1985.
No entendimento de quem assumia o poder, a eleição era uma força histórica. Nesse caso, era como insurgir contra um processo que, rompendo a história, colocou a própria prefeitura democraticamente sob a responsabilidade de Garibaldi Alves Filho. Assim, seria incongruente aceitar a eleição para si, mas não para o diretor de escola. Naquele momento histórico, ser contra a esse direito seria, nesta perspectiva, contraditório.
Para os Entrevistados 2 e 7, havia sido firmado um compromisso político na campanha de 1985:
Houve até uma conversa com os candidatos, naquela época a gente fazia até debate com os candidatos98 e Garibaldi se comprometeu a realizar a eleição,
o que de fato aconteceu em 1987 (E7).
Eu acho que todos os candidatos se comprometeram. Garibaldi foi eleito e nós cobramos. Eu não me lembro dos termos do acordo, mas foi a reivindicação, foi antes dele ser eleito. Na campanha já foi entregue, já foi discutido o documento, não só com ele, mas com outros candidatos, no sentido da implementação da eleição de diretor (E2).
Os Entrevistados 7 e 2 demarcam a disposição da APRN e demais entidades em garantir a eleição para diretor na Rede Municipal de Ensino de Natal em 1986. O
97 Ele já havia sido secretário de educação no governo de Lavoisier Maia e compartilhava da ideia de
participação que era apresentada pelos governos estaduais ainda sob a ordenação militar. Essa temática foi observada no capítulo anterior.
98 Naquele tempo, as associações promoveram um debate entre os candidatos para que os educadores
ouvissem suas propostas e definiram como uma das pautas a eleição para diretores de escola. Nenhum deles comentou acerca do posicionamento da candidata, mas se supõe que ambos se comprometeram.
“compromisso político” materializava, naquele momento histórico, um pacto firmado entre os profissionais da educação e o Prefeito eleito e registrado nesses termos no documento elaborado pela SME, em agosto de 1988, intitulado “Eleição de diretores de escola: alternativa para a democratização do Ensino da Rede Municipal de Natal” (Anexo 4).
A luta pela democratização do ensino público é o compromisso político assumido pelo Prefeito Municipal de efetivar a eleição direta nas Escolas Públicas da Rede Municipal, se constitui, na prática, num avanço substancial na forma de administração de escola e nas relações estabelecidas no seu interior (NATAL, 1988, p. 6).
O ex-Secretário de Educação, Luiz Eduardo Carneiro, também assim se expressou na reportagem do jornal Tribuna do Norte, de 06 de maio de 1987, para mostrar a razão de haver algo tão inusitado como a eleição direta para diretor na Rede Municipal de Ensino. A fotografia que se segue é de um trecho dessa matéria jornalística.