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4 O MOVIMENTO SINDICAL EM PERNAMBUCO E SUAS LUTAS SOB A ÓTICA DA MEMÓRIA, DOS JORNAIS E DOS ORGÃOS DE REPRESSÃO (1979

D) CAMPANHA SALARIAL DE 1981 E 1982, GREVE E DIVERGÊNCIAS INTERNAS

Ao assumir o Sindicato dos Metalúrgicos próximo da data-base da categoria, que ocorre em setembro, o grupo numa decisão conjunta deliberou que em um curto espaço de tempo não seria possível reunir os trabalhadores coma finalidade de discutir e aprovarem pautas fazendo exigências ao patrão na busca por melhores condições de vida e trabalho. Em virtude dessa situação, em Assembleia, a categoria decidiu aceitar o acordo proposto pelo patronato. Em 1982, a situação da Campanha salarial teve outros rumos. Agora, com mais tempo para se organizarem o Zé Ferrugem realizou reuniões com a diretoria e com a categoria tratando de esquematizar e encaminhar as exigências dos trabalhadores. Estes reivindicavam Cr$ 39.000,00 já os patrões queriam pagar apenas o piso salarial de Cr$23.040,00. Baseando- se na “animação” e disposição dos trabalhadoresnas portas das fábricas, parte da diretoria acreditava que era possível levar a diante uma greve com a finalidade de pressionar os patrões a pagarem o piso salarial exigido pela categoria. A maioria, no entanto, avaliava que uma greve poderia ser desastrosa levando em consideração o momento da acentuação da crise econômica e do grande número de fechamento de fábricas ocasionando, consequentemente, o aumento do desemprego. Esse impasse foi comentado nas entrevistas com os dirigentes. Selecionamos algumas para tratarmos aqui. Maria de Lourdes, mas conhecida por Lurdinha, nos fornece um indicativo de como foi o “clima” vivenciado naquela assembleia.

(...) era um salão imenso lotado de metalúrgico (...) E aí era uma discussão bastante acalourada, né? No sentido de que as negociações começaram e aí não avançava muito do ponto de vista das reivindicações, e aí cada vez a mobilização aumentava. Tinha que mobilizar nas portas de fábrica para o pessoal vir para as assembleias, né? E a assembleia ia crescendo até que decidiu pela greve, né? E dessa assembleia para decidir pela greve foi

inclusive uma assembleia bastante tumultuada, no sentido que tinha gente que não queria, mas terminou a maioria... não foi uma maioria esmagadora, mas a maioria... foi difícil, que era a primeira vez que ia ter uma greve sem comunismo, mais acirrado em termos de reivindicação, e de enfrentamento com o patronato218.

Vejamos a opinião de João Paulo sobre a divisão.

A diretoria, a gente tinha um pouco de centralismo democrático que ninguém poderia divergir das decisões da categoria. (...). Você não podia explicitar se você estivesse contra a posição da maioria. Então nós fomos para uma assembleia onde aí, aí, é uma avaliação minha, né? A gente ficou dividido, um campo que estava querendo fazer a greve, mesmo que a gente tivesse que parar depois, mas tinha que fazer a greve, e uma banda que queria negociar logo. Então foi majoritária a posição do acordo logo, que lutava contra, por que eu achava que pelo que nós preparamos da categoria, a gente teria que fazer a greve. Mas aí foi quando houve o racha. De um lado ficou o Jorge César, Siqueira, Marcos Pereira, Padre Henrique, Maria (...). O medo que faziam na peãozada “você sabe o que é greve? Vai ter demissão. Vai ter não sei o quê, não sei o que lá” e a gente tinha preparado para a greve, entendeu? Então, se era para fazer medo, tinha dito logo na hora da preparação e não depois que está todo mundo preparado para a greve, começar a fazer medo. (...) o sangue poderia dar no meio da canela, mas se eles decidissem greve a gente ia para a greve. Então eu fui numa posição à parte do conjunto219.

Na visão de Jorge César, a conjuntura econômica de recessão e a recém-chegada do grupo na diretoria exigia cautela, em sua opinião.

(...) surgiu uma determinada divergência na direção de fazer a greve, certo, pela pauta que foi apresentada, o que isso quer dizer? Ou os patrões dão isso, ou a gente não aceita, se é que você tá entendendo, e surgiu uma outra posição (...) Meu pensamento era que a gente tava numa recessão econômica, entrando na categoria, o valor da negociação que a gente pediu e a contraproposta do que foi proposto, não era o valor da negociação, mas era uma proposta mais ou menos dentro do contexto econômico da recessão, então o qual nesse raciocínio, eu achei e defendi e fui vitorioso na assembleia que aquele momento da recessão era importante a gente aceitar aquela pauta de reivindicação, contraproposta e tinha tido alguns avanços mediante acumulando força pra um futuro porque a minha visão era de continuidade, de luta, não era uma questão do hoje ou nada, era uma questão que ali vinha ampliando os dois espaços(...) A minha preocupação naquele momento era você fazer uma paralisação dentro de uma categoria, você tá chegando com um ano de gestão, né, faz uma dimensão de uma greve geral, não é uma greve por empresa, porque a gente fizemos muitas greve por empresa, dentro daquela categoria uma greve de uma proporção maior e uma correlação de força desfavorável do ponto de vista da recessão220.

Essa divisão foi sentida pela categoria na Assembleia realizada para discutir os rumos de uma possível greve. Ao final, depois de debates tensos, a posição majoritária foi a de não levar a greve adiante e aceitar o acordo com o patrão firmado no valor de Cr$

218 Entrevista com Maria de Lourdes, 1ª sessão realizada em

219 Entrevista com João Paulo, 2ª sessão realizada em 28 de dezembro de 2017. 220 Entrevista com Jorge César, 1ª sessão realizada em 03 de outubro de 2017.

26.000,00221. As divisões e os debates estavam presentes na diretoria do Zé Ferrugem, a começar pela trajetória de vida dos diretores, passando pelo posicionamento político partidário até chegar nos temas específicos da categoria. A diretoria que tomou posse no dia oito de julho de 1981 era formada por dezesseis membros oficiais sem contar com os demais trabalhadores que lhe prestavam apoio político e/ou material sempre que necessário. Obviamente que uma entidade de classe formada por tão distintos membros seria marcada por diversos conflitos inerentes a qualquer grupo. Indivíduos com trajetórias de vida e política distintascoexistiam sob o mesmo teto do Sindicato e que, dada a conjuntura política e econômica do país (a retomada do movimento de redemocratização), resolveram unir forças em prol de um mesmo objetivo: a reorganização da luta sindical. Naturalmenteque as dissenções iriam aparecer sob o nome e a ideia de unidade contida no grupo Zé Ferrugem.

Não apenas na questão da campanha salarial, de 1982, mas também em outros temas, ocorreram discrepâncias entre os membros da diretoria. Diante da experiência de vida dos ex- dirigentes ede tantos outros militantes que ingressaram no grupo desde os tempos de Oposição Metalúrgica foi que pudemos ter a noção do complexo de ideias e trajetórias pessoais que se uniram e se entrelaçaram para retomar de forma aguerrida a luta sindical na década de 1980. As divergências variavam de acordo como tema a ser discutido. Por exemplo, Inaldo aponta que a questão da atuação no meio rural era um ponto central discutido nas bases antes mesmo do grupo de oposição tomar do sindicado das mãos dos pelegos. Comenta que

(...) os companheiros ligado a Partido Comunista é que tinha uma

participação muito forte no movimento sindical naquela época. Aí tinha, como eu falei, o meu caso que eu era do PRC, que era um agrupamento de companheiros e companheiras, é... que estava dentro do Partido dos Trabalhadores, né? Mas que se organizava de forma paralela pra poder pensar, é... uma forma diferente, inclusive, de como organizar a luta política e tal, priorizar a questão do campo da cidade, que sempre foi uma defesa nossa, de que a gente não conseguia dar passos concretos se a gente não tivesse aliança camponesa, ou seja, os trabalhadores da área urbana com os trabalhadores da área rural, né? Então a gente tinha nosso agrupamento. O que eu participava, por exemplo, discutia essa questão, né?222

A criação nacional do Partido dos Trabalhadores, o PT, em 1980, contou com intenso debate entre o grupo dito combatente representado pelas Oposições Sindicais e entre a Unidade Sindical vinculado geralmente ao PCB considerado pelos combativos de terempostura conciliadora, pelega e sem envolvimento com a base223. Esses embates de ideias

221 Caderno de apoio à formação sindical do Centro Josué de Castro.Até chegar no Zé. 222 Entrevista com Inaldo, 2ª sessão realizada em 10 de abril de 2018.

eram sentidos também aqui em Pernambuco dentre o grupo que formou a oposição metalúrgica aqui no Estado. Inaldo mais uma vez nos conta que

(...) já havia dentro do PT naquela época um certo racha224. As pessoas que tinham ligação, por exemplo, com a Igreja, né? Tinham um... determinadas posições sobre alguns temas que não interessava muito a um outro lado. Quer dizer alguém achava que devia pensar na revolução, a ideia que, é... num país capitalista, como o nosso, a gente jamais conseguiria fazer as reformas que a gente queria, a luta que a gente queria fazer porque é... pensava em ser feito de uma forma de enfrentamento, né? E tinha outros que achava que devia prezar mais a negociação, mais a conversa e tal. E aí no PRC225 a gente via

isso, a gente estava sempre traçando a perspectiva de que um dia a gente pudesse conscientizar a classe trabalhadora de que ela devia ir para o enfrentamento para transformar a sociedade, em primeiro momento, socialista, e futuramente chegar a sociedade comunista. Então essa era uma meta nossa, mas não era uma meta não era coisa muito fácil. E a gente não tinha consenso isso na direção do sindicato. Nem todo mundo pensava assim. Nem todo mundo pensava assim. A gente trabalhou muito essa questão. (...) tinha companheiros também que se colocava como independente (...) dentro não concordava nem com um, nem com o outro, mas tinha a sua visão226.

Interessante percebermos que esses embates de opiniões por vezes extravasavam os limites das conversas internas, entre dirigentes, para ganhar espaço nas Assembleias.

(...)Isso fazia com que a gente geralmente tinha um embate muito grande nas assembleias porque nas assembleias cada um que se inscrevia para falar, defender a determinada proposta227.

Para João Paulo, a unidade possível na formação das Oposições Sindicais girava em torno de alguns pontos centrais e de comum acordo como

“(...) na essência, tinha aquela unidade em torno da luta dos trabalhadores, na

frente contra a exploração, por melhores condições de trabalho etc.etc.etc. Então, foi um pouco que inspirou e norteou esse debate228.

O resultado de um acúmulo de discrepâncias no grupo, segundo João Paulo, teria levado o Sindicato a

(...) divergências maiores que se deram depois de um processo, mais de disputa interna do aparato do sindicato, do aparelho de estrutura do sindicato, ou, do ponto de vista da condução em relação a alguns momentos de tensionamento da luta. Então, tivemos algumas divergências com relação a esse processo de condução. (...) A divisão era mais

224 Na verdade, o PT desde seu início comportava um serie de tendências políticas que, no plano mais geral, construíram seu programa. Para entender melhor essa questão cf. SILVA, Antonio Ozai. Op., Cit., parte II – As organizações e o PT.

225 PCR era a sigla para o Partido de orientação marxista que atuou no Brasil entre 1984 à 1989. Partido Comunista Revolucionário.

226 Entrevista com Inaldo, 2ª sessão realizada em 10 de abril de 2018. 227 Idem.

perigosa do que a polícia contra nós. Nós tivemos um momento, a meu ver, de enfraquecimento pelas disputas internas onde se quebra um pouco a verdadeira unidade dos trabalhadoresonde as disputas pelos aparelhos eles se dão de forma mais evidente, né, com rachas e etc. depois as disputadas dentro dos próprios sindicatos e, por último, a meu ver, a proliferação dos sindicatos e das centrais sindicais. Mas eu acho que foi um momento muito rico, do ponto de vista político, do ponto de vista das lutas229.

É evidente que naquele momento de consolidação da luta operária havia determinadas pautas que eram consideradas primordiais e de comum acordo por um número considerável de integrantes do Sindicato. Porém a longo prazo, as divergências ficaram mais nítidas e em certos tempos, se faziam mais latentes. Um desses momentos ocorreu em 1987, no final da gestão de João Paulo, de 1984 a1987, quando a diretoriado Zé Ferrugem se deparou com a greve de funcionários do Sindicato. Pedro Noé foi um dos que encabeçou essa movimentação230. Conta em seu depoimento, que, em nível nacional, já existia naquele momento movimentações de grupos de associaçõesque militavam dentro dos sindicatos reivindicando direitos para os funcionários. Afirma a necessidade de criar essas associações e comenta como foi a reação do grupo do Zé Ferrugem ao se deparar com a greve.

(...) você tem no Brasil como o todo a esquerda tomando os Sindicatos, as esquerdas é... dando direção ao seu próprio destino dentro da luta dos trabalhadores, não é? Onde questionavam o patronato. Evidentemente que os de esquerda achavam que já cumpriam com todos os direitos, não é? Então, ser questionado... quem questionava os patrões, quem defendia o direito dos trabalhadores, hoje ser questionado, né? Sobre a sua atuação junto aos trabalhadores da entidade que está presidindo, isso é um problema sério. (...) Associação dos Funcionários e Entidades Sindicais de Pernambuco. (...) eu vim para cá com o objetivo

229 Entrevista com João Paulo, 3ª sessão realizada em 25 de janeiro de 2018.

230Neto de um comerciante português do bairro da Torre, Manoel Moreira da Silva, Pedro Noé é filho do relacionamento de uma mulher branca com um homem negro. A contragosto do pai, casou com um homem simples deixando para trás uma vida confortável para viver em uma casa de capim e barro, segundo nos contou o entrevistado. Da parte paterna, as origens de Pedro Nóe estão ligadas ao avó que era caboclo e a avó que era indígena. Seu pai trabalhou por mais de trinta anos na empresa Telégrafo Frances Brasileiro e, mesmo trabalhando em um empreendimento estrangeiro, seu salário era modesto. Pedro Noé nasceu em Casa Amarela e passou grande parte de sua vida nos morros e córregos do Alto do Eucalipto, no bairro do Vasco da Gama. Sua mãe não pode continuar os estudos interrompendo-o ainda no curso primário. Teve dezenove filhos mas apenas oito sobreviveram. Mesmo com toda essa dificuldade para criar uma família numerosa, os pais sempre incentivaram os filhos aos estudos, segundo Pedro. Sempre estudando em escolas públicas. Em casa, as lições eram retomadas pela mãe que os auxiliava. Pedro acredita que sua inclinação, digamos assim, para a esquerda se deu através do contato com seu tio, esposo de sua tia, José Bartolomeu, que era militante do PC do B e que participava do Sindicato dos Estivadores do Recife. Influenciado pela religião de seus pais, Pedro participou de algumas atividades ligadas à Igreja Católica como a Cruzada do Sagrado Coração de Jesus além da JOC. O entrevistado nos contou ainda que graças as reuniões da JOC começou a participar de debates sobre política mas que, dentro de sua casa, esses assuntos não eram comentados e tão pouco discutidos em família. Posteriormente, Pedro ingressou no PC do B através de algumas pessoas que veio a conhecer. Trabalhou durante muitos anos no trabalho informal, chegando a vender gelada– suco –com sanduiches nas ruas do Recife. Em seguida, conseguiu se empregar de carteira assinada em um escritório de corretagem no ofício de contínuo. No período da ditadura, Pedro chegou a realizar algumas ações como distribuir panfletos de oposição ao golpe além de participar de reuniões com grupos clandestinos. Entrou no Sindicato dos metalúrgicos em 1982, um ano após a tomada do grupo de oposição. Além de auxiliar no ponto de vista burocrático da organização da Entidade também prestou apoio político.

de implantar essa associação aqui em Recife. Então essa associação aqui foi um divisor. Coloco um divisor(...) nos sindicatos pelegos e nos sindicatos de esquerda. (...) tivemos problemas sérios nos metalúrgicos, né? Porque a gente lutava para garantir os direitos que a categoria dava para os trabalhadores. Diga-se de passagem que a direção tentava fazer isso, né? Para nível percentuais, os percentuais de reajuste, o que saia a categoria era repassado para nós. Depois ele começou a desempenhar uma luta de vale refeição, vale transporte e algumas categorias, algumas fábricas davam e a gente começou pleiteando isso junto ao sindicato e aí começou haver algumas arestas em relação a isso. Foi meio difícil porque a própria direção se dividiu. Você tinha o pessoal que apoiava a associação e pessoas que não apoiavam a associação. Achavam até da possibilidade de associação estar a serviço da direita, né? Então era negócio sério. Não era negócio meio... como é que pode, né? E no caso específico dos metalúrgicos nós tivemos, fizemos uma greve. Foi em 1987 a greve. Porque como é que foi Sindicato dos Metalúrgicos estava sendo questionado pelos trabalhadores231.

Em seu depoimento é possível percebermos que Pedro coloca um elemento contraditório na postura de parte do Sindicato. Ora, um sindicato que se apresentou enquanto oposição a um grupo que não levava adiante a luta da classe metalúrgica estava, diante dessa situação, entrando em contradição. Discurso e prática não estavam alinhados, pelo menos para alguns membros da diretoria. Sobre o posicionamento frente à greve dos funcionários do sindicato, João Paulo tentou explicar que o pensamento, por parte de um grupo da diretoria, era de que os funcionários que se engajassem naAssociação dos Funcionários e Entidades Sindicais não estavam estabelecidos

(...)na relação entre capital e trabalho. Então, não pode ter o tratamento que um trabalhador normal tem. (...) isso era um pensamento de parte da diretoria, de como estava estabelecido o processo de luta de classe232.

Esse tipo de justificativa não permite perceber e ampliar, para as diversas categorias, a luta classe e de interesses nas mais diversas esferas do poder e das relações. Trabalhando em um sindicato considerado “combativo” e vivenciando de perto as conquistas dos metalúrgicos por meio da relação sindicato-categoria, era mais que natural ter consciência e cobrar os seus direitos frente ao patrão, que na situação descrita aqui, estava representado na figura da diretoria vitoriosa. A fala de Marcos Pereira sobre esse momento reflete um outro olhar, talvez influenciado pela lucidez do tempo presente, para no final minimizar a greve caracterizando-a como uma “parada de advertência”. Sobre isso, inicia sua fala comentado

Eu disse aqui no início dessa conversa, que a gente não era tão perfeito. A gente trabalhou muito e tal, mas na hora da perfeição a gente teve alguns vacilo (...)Então veja bem, então eles viam a gente fazer tanta luta, conseguir tanta coisa para os trabalhadores, mas na hora do Sindicato não era bem assim, mas tudo que se conseguia para os trabalhadores lá fora, o mesmo dissídio era aplicado inclusive para os trabalhadores do

231 Entrevista com Pedro Noé, realizada no dia 18 de junho de 2018. 232 Entrevista com João Paulo, 3ª sessão realizada em 25 de janeiro de 2018.

Sindicato interno, mas nós, numa avaliação assim muito por alto, a gente não sabia também que eles também se reuniam fora com outros tipos de segmentos, que é o que aconteceu. Então, aquela questão foi subindo, subindo, chegou a um ponto deles questionarem a direção do Sindicato, por que não? Decidiram inclusive se juntar e queriam contar aquilo como greve, que na verdade não foi greve, aquilo foi uma parada de advertência para chamar a atenção da diretoria, e que foi bom, e que foi bom. Primeiro deu maturidade para que a gente pudesse ver mais na frente. Aí foi quando a gente começou a trazer gente nossa para dentro, entendeu?233

O corpo de funcionários do Sindicato era formado por alguns que eram remanescentes deste dos tempos dos “pelegos” e por outros que foram indicados para os quadros burocráticos da instituição devido ao seu comprometimento com a luta do trabalhador, ou seja, devido ao engajamento em determinados grupos políticos e movimentos sociais convergentes com a ideologia política e sindical da nova gestão. Os dois funcionários entrevistados para esse trabalho, Maria de Lourdes e Pedro Noé, por exemplo, revelam as