Com o objetivo de levantar dados sobre a percepção dos trabalhadores a respeito do Programa de Gestão Ambiental, optou-se por coletar dados em organizações onde havia Programas de Gestão Ambiental implantados há mais de um ano. Obedecendo a esse critério, a escolha das organizações ocorreu observando se elas possuíam Programa de Gestão Ambiental e se estariam localizadas na região da Grande Goiânia; se eram de fácil acesso; se seus gestores aceitariam participar da investigação. As organizações foram escolhidas por serem do ramo de atividade industrial, um dos ramos considerados mais poluidores. As organizações em estudo serão denominadas Organização A e Organização B, siglas fictícias, assim designadas visando preservar anonimato.
Para conhecer um pouco mais sobre as organizações, apresentam-se alguns dados sobre cada uma delas.
1.1 Organização A
A Organização A iniciou suas atividades em outubro de 1991, tendo como principal área de atuação a Região Centro-Oeste brasileira. Trata-se de uma organização voltada ao segmento de indústria e transporte de produtos asfálticos, localizada no interior do Estado de Goiás; possuía 50 trabalhadores na época da coleta de dados.
A Política Ambiental da Organização A visava adequar a execução de sua missão de “industrializar e transportar produtos asfálticos com a preservação do meio ambiente”. Segundo documentos da Organização A, no cumprimento de sua proposta de Política Ambiental, serão mantidos os seguintes princípios:
Cumprir com as legislações e normas ambientais aplicáveis, honrando os compromissos e os requisitos subscritos por nossa organização, prevenindo a ocorrência de qualquer impacto ambiental negativo;
Otimizar a utilização da água, das fontes de energia e dos recursos naturais; Levar ao conhecimento de clientes, fornecedores e autoridades, as metas da política ambiental da Organização A, reavaliando-a, sempre que necessário, mantendo contínua harmonia com a sociedade;
Comprometer nossa equipe de colaboradores diretos com o respeito ao meio ambiente, estendendo o compromisso a nossos fornecedores e clientes;
Documentar todas as gestões empreendidas, facilitando seu acesso às autoridades ou a qualquer interessado, promovendo alterações, sempre que necessário, na política ambiental, mantendo-a atualizada e eficiente;
Buscar permanentemente a evolução tecnológica e o aprimoramento de nossos processos, promovendo ações voltadas para a prevenção da poluição e a melhoria contínua de nosso desempenho ambiental.2
A partir de outubro de 1997, a Organização A assumiu o desafio da busca permanente da qualidade dos produtos e serviços por todos os setores, com o inicio da implantação do programa de qualidade total. Com base nos seguintes princípios, estabeleceu-se a missão da organização:
Desenvolvimento profissional e motivação dos funcionários; Investimento na qualidade de seus produtos e serviços; Satisfação do cliente; Busca permanente de evolução tecnológica; Respeito às especificações técnicas de produção e controle; Adequação às necessidades do mercado; Lealdade aos compromissos assumidos.3
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Retirado do site da Organização A, em 11 de outubro de 2004.
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1.2 Organização B
A Organização B era uma empresa de economia mista, com aproximadamente 400 trabalhadores na época da coleta de dados. Foi criada pela Lei Estadual n. 4.207, de 6 de novembro de 1962, e iniciou suas atividades em 7 de janeiro de 1964, com a finalidade de comercializar medicamentos a baixo preço ao governo, ou seja, de produzir e distribuir medicamentos a todos os municípios brasileiros, visando prover o Serviço Único de Saúde (SUS). O parque industrial possui 38.750m2, sendo que a área construída é de 13.514,59m2, com capacidade de produzir mais de 500 milhões/unidades de medicamentos/ano.
A missão da organização, segundo documentos, é de “promover saúde, com medicamentos e serviços de qualidade e baixo preço, atuando como provedor de produtos de interesse da saúde pública e regulador de preços no mercado farmacêutico”. (Relatório Anual de Atividades de 2003 da Organização B).
No Relatório Anual de Atividades –2003 da Organização B constam transformações estratégicas para o aumento da capacidade produtiva e qualidade do sistema de produção, visando a melhoria contínua da organização.
Dentre as transformações ocorridas a partir de 1999, temos: a aquisição de novos equipamentos; construção das novas instalações do laboratório de controle de qualidade; construção de um setor específico para produção de medicamentos anti-retovirais; benfeitorias nos almoxarifados e construção da Estação de Tratamento de Efluentes. Além dessas modificações, consta no referido Relatório Anual o processo de implantação do sistema de combate a incêndio e o início, em 2004, do projeto de modernização do Setor de Líquidos.
Dentre as modificações implantadas no período de 1999/2003, a construção da Estação de Tratamento de Efluentes – ETE foi considerada, pelo diretor, um programa de gestão ambiental da organização. A ETE trata todos os resíduos produzidos na fabricação de medicamentos, por meio do um sistema de lodo ativado. Com essa Estação, portanto, a organização passou a atender às exigências da Vigilância Sanitária e de proteção do meio ambiente.
no tratamento aeróbico do esgoto produzido, com bactérias agindo para controlar o nível de oxigênio da água. O processo inicia-se com a chegada do esgoto "in natura" em um tanque séptico, seguindo para um tanque de equalização, onde é homogeneizado e encaminhado para o medidor de vazão, com capacidade de 15 metros cúbicos/dia. Daí, é direcionado para o tanque de aeração, onde a demanda biológica de oxigênio é controlada pelo lodo ativado, com as bactérias agindo para aumentar o nível de oxigênio. Todo o esgoto é, em seguida, levado ao tanque de decantação para a retirada do excesso de lodo e os resíduos, devidamente tratados, seguem para a rede pública” (Relatório Anual de Atividades –2003 da organização B).
Além da ETE, de acordo com os documentos, a Organização B, cumprindo as normas estabelecidas pela Vigilância Sanitária e segurança do trabalho, concluiu a rede de combate a incêndios, com a instalação de spincklers em todos os ambientes da indústria, bem como de hidrantes e mangueiras especiais. Em caso de algum foco de incêndio, os equipamentos são
acionados automaticamente.
De acordo com o diretor da Organização A, existe um projeto de coleta seletiva que até o momento da pesquisa estava em fase de aprovação, com previsão para o seu desenvolvimento em 2005.