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CENA II – COMO TUDO ACONTECE

2.2 CAMPO E SUJEITOS DA PESQUISA

A pesquisa foi desenvolvida na Escola Estadual Castro Alves - EECA, fundada em 03 de março de 1972, localizada no bairro de Nova Descoberta, cidade de Natal, no estado do Rio Grande do Norte. O bairro em que a escola se encontra é composto por um misto de classe social baixa e média. Nele há oferta de educação privada em preços acessíveis a sua comunidade no ensino fundamental anos iniciais e finais. Já no ensino médio, as escolas privadas do bairro atendem a classe média alta. Neste sentido, a EECA recebe no ensino fundamental uma parcela pequena de alunos advindos dessas escolas privadas e uma maior parcela das instituições públicas da redondeza. No ensino médio, a parcela de alunos vindos da iniciativa privada sobe bastante. Além disso a EECA é a única escola pública que oferece ensino médio no bairro. Seu funcionamento se dá nos turnos matutino, vespertino (ofertando o ensino fundamental anos iniciais e médio) e noturno (ofertando ensino médio regular), contabilizando cerca de 600 alunos.

De acordo com o Projeto Político-Pedagógico, considera-se função da escola:

[...] mediar o processo de ensino aprendizagem. A escola como instância mediadora, realiza uma ação de formação humana através do legado cultural da humanidade, configurando a compreensão do mundo e a sua transformação. A escola que queremos construir deve ser pautada pela articulação entre o mundo vivido e a cultura elaborada,viabilizando a vivência dos que dela fazem parte. A escola assumirá o papel fundamental de estimular e efetuar o espaço de ações pedagógicas enfatizando o trabalho coletivo, que irá formar o cidadão participativo, responsável e crítico (2018, p. 11).

Nesse sentido, quando a escola leva em consideração na aprendizagem do aluno o legado cultural da humanidade para a compreensão de mundo, implica-se levar em consideração não só o passado da sociedade humanidade, mas também as experiências vividas no presente. Sendo assim, ainda mais uma vez ressaltamos a necessidade de pensar em mídia-educação para a formação de professores no uso de Tecnologia Digitais de Informação e Comunicação na Escola.

A estrutura da escola oferece à comunidade sete salas de aula, um laboratório de informática (revitalizado no ano de 2019), uma biblioteca, um laboratório de ciências, um pequeno auditório improvisado, um pátio utilizado como quadra esportiva, quatro banheiros, uma sala de secretaria, uma sala de professores, uma direção, uma sala de coordenação e uma

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pequena área verde, além de uma ilha multimídia (sala de recursos tecnológicos), lugar em foco na nossa pesquisa.

A ilha midiática era a antiga sala de vídeo, lugar em que os professores levavam seus alunos para assistir filmes, ainda no tempo de fita VHS e depois dvd. Com o tempo esses aparelhos ficaram em desuso, por causa do surgimento do pendrive e da disponibilização de vídeos pela internet. Então o espaço tornou-se uma sala de projeções, o que não modificou o objetivo proposto para ela. No entanto, só era possível exibir filmes off-line, pois a internet da escola não chegava lá. Como esses computadores projetores eram móveis, os professores preferiam levá-los às salas de aulas, ao invés de ir com os alunos a outro ambiente. Então a sala de vídeo foi ficando cada vez mais abandonada. Até que, após a escola ser contemplada com o Concurso de Inovação Pedagógica, proposto pelo Banco Mundial, decidiu-se trocar o lugar da biblioteca com o da sala de vídeo, visto que esse espaço estava perto da secretaria da escola, que disponibilizava de internet Wi-Fi e também porque a escola receberia equipamentos multimídia, para os quais esse acesso seria muito importante. Assim, a sala de vídeo, deixou de ser sala de vídeo e passou a ser a sala de recursos multimídia, que, por ser o único lugar da escola em que os alunos teriam acesso à internet por meio desses equipamentos, chamamos de ilha midiática. Porém, mesmo com novos equipamentos e nova funcionalidade, a frequência de uso de equipamentos por alunos e professores é baixa, sendo então subutilizada, e é justamente a essa ilha que objetivamos dar funcionalidade.

O corpo docente, sujeitos desta pesquisa, é composto por vinte e nove professores. Sendo quinze mulheres (cinco especialistas e duas mestres) e quartorze homens (seis especialistas, dois mestres e um doutor). Todos os professores com graduação adequada na área em que atuam. Em relação à idade tem-se 3,3% até vinte e cinco anos, 26,7% dos professores tem até trinta e cinco anos, 33,3% entre trinta e cinco e quarenta e cinco anos e 33,3% acima de quarenta e cinco anos. Em relação ao tempo de serviço no sistema público de ensino, tem-se 33,3% dos professores com menos de cinco anos, 26,7% tem entre cinco e dez anos, 26,7% tem entre dez e quinze anos, 6,7% tem entre quinze e vinte anos de serviço e 6,9% tem mais de vinte anos de atuação. Atuam em apenas uma escola pública com carga horária completa 20% desses profissionais, 60% precisam trabalhar em duas escolas públicas, 16,7% trabalhando em três escolas, e ainda 3,3% que atuam em mais de três escolas para conseguir completar sua carga horária. Um outro ponto observado foi que 83,3% dos professores atuam exclusivamente em escola pública, enquanto apenas 16,7% atuam também em escolas privadas. Do quantitavo geral de professores vinte se comprometaram como

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participantes da investigação. Lecionantes das disciplinas de História, Arte, Português, Geografia, Matemática, Química, Biologia, Religião e Espanhol.

Podemos encontrar professores próximos da aposentadoria, ou que lecionam há muitos anos, ou ainda, professores recém-formados que têm proposto novas formas de ensinar na escola. Estes têm buscado colocar em prática a teoria sociointeracionista proposta no PPP. A expressão colocar em prática é proposital, pois, apesar de essa teoria está no PPP pelo menos desde 2008, professores mais antigos na instituição ainda conduzem sua sala de aula com práticas tradicionais. Esse encontro de formas de ensinar tem trazido para a escola novas possibilidades de diálogo e de experimentações. Inclusive, foi pela mão desses novos professores que começaram a esboçar o uso de recursos tecnológicos em salas de aulas. Podemos também “culpabilizar” os estagiários advindos de instituições como Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte – IFRN, que trouxeram aos professores tutores da escola planos de aula que incluíam o uso de recursos tecnológicos.