Ambiental
O Campus Fernando Costa, da Universidade de São Paulo, Pirassununga, era segmentado em diferentes propriedades rurais até 1945, quando foram transformadas na Escola Prática de Agricultura Fernando Costa, e, em 1989, tornou-se Campus da USP, sendo o maior Campus em área contínua, com cerca de 2200 hectares (PUSP-FC, 2019).
O campus conta com três unidades: a Prefeitura (PUSP-FC) que é o órgão responsável pela administração e manutenção da infraestrutura do campus, com prédios administrativos, produção agropecuária, abatedouro, indústria de laticínios, fábrica de ração, colônias de funcionários, moradia estudantil, restaurante universitário e Unidade Básica de Saúde (UBAS); a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) que possui 4 cursos de graduação e 5 cursos de pós graduação, contando com salas de aulas, laboratórios didáticos e de pesquisa, biblioteca e um hospital veterinário; e a Faculdade de Medicina veterinária (FMVZ) que oferece disciplinas teóricas e práticas, além de desenvolvimento de pesquisa. Esta complexidade de estruturas e atividades dentro do campus gera uma série de interações com o meio ambiente, que precisam ser conhecidos e gerenciados, principalmente porque o campus possui uma reserva Ecológica de 879,27 ha (quase 40% do campus), com grande diversidade de fauna e flora, em uma zona de transição entre dois importantes biomas brasileiros, o Cerrado e a Mata Atlântica (PUSP-FC, 2019; GOMES et al, 2018).
A comunidade interna no Campus é de cerca de 2460 pessoas, o que envolve alunos de graduação e pós-graduação, servidores docentes e não docentes e funcionários da empresa terceirizada que presta serviços de limpeza e segurança para o Campus (PUSP-FC, 2019; GOMES et al, 2018).
A Superintendência de Gestão Ambiental da USP tem sido, desde a sua criação em 2012, uma grande parceira para a implantação de programas, projetos e ações relacionadas às temáticas abordadas pela Política Ambiental da USP, não só com aporte financeiro, mas também por meio de assessoria técnica, em diferentes questões, como educação ambiental, tratamento de resíduos, mobilidade, gestão e conservação da fauna e flora, etc.
Dentre as principais ações e programas relacionados às questões de sustentabilidade no campus da USP, em Pirassununga, pode-se destacar:
• O Programa USP Recicla - da Pedagogia a Tecnologia: no Campus Fernando Costa, as comissões das unidades PUSP-FC, FZEA e FMVZ trabalham de forma integrada e promovem atividades de educação ambiental como: a redução no uso de descartáveis pela distribuição de canecas duráveis, a sinalização e orientação para o correto destino de resíduos no campus, feira da barganha que é uma feira de trocas de produtos, entre outras atividades.
• O Programa Permanente para o Uso Eficiente dos Recursos Hídricos e Energéticos na Universidade de São Paulo (PUERHE-USP): estabelece diretrizes,
108 propõe atuações, avalia e gerencia a utilização dos recursos hídricos e energéticos nas Unidades e nos Órgãos da USP, de modo a incrementar a eficiência do uso e reduzir o consumo dos mesmos por meio de ações de caráter tecnológico e comportamental.
• Ações de descarte e reuso de resíduos de informática: no Campus Fernando Costa, os resíduos eletroeletrônicos são enviados para o projeto Recicl@tesc um projeto contínuo em parceria com o SENAC, USP e Rede Social, de São Carlos.
• Programa de capacitação, Pessoas Aprendem Participando - PAP: este programa visa oferecer subsídios para a ampliação de consciência sobre as problemáticas socioambientais e a responsabilidade individual e coletiva estimulando um processo em que as pessoas aprendem participando, onde as pessoas que participam das palestras e oficinas são responsáveis por serem multiplicadores e fazerem este processo novamente com outros grupos da comunidade universitária. Este programa foi aplicado entre os anos de 2013 e 2014 para os servidores técnicos-administrativos, e teve o desenvolvimento de três projetos específicos no
campus de Pirassununga: (i) gestão administrativa, com foco na redução do uso
de papel; (ii) educação ambiental, pela criação de trilhas ecológicas; (iii) gestão de resíduos dos laboratórios.
• Projeto “Vamos de Bike” consiste em incentivar o uso de bicicleta pela comunidade interna, por meio da instalação de uma estação de compartilhamento com trinta bicicletas na entrada do campus e acesso direto à ciclovia, cujo empréstimo é realizado diretamente com a carteira de identificação USP, com gerenciamento informatizado.
• Biodigestor para tratamento dos resíduos da suinocultura, projeto desenvolvido por parceria com empresa privada, visa além de tratamento, também o ensino, como um “laboratório vivo” para a disseminação prática do conhecimento. • Levantamento qualitativo da fauna de pequenos vertebrados, projeto de
pesquisa/extensão que visa implementar ferramentas de acompanhamento das espécies silvestres levantando informações sobre a biodiversidade e suas áreas de maior ocorrência, realizar campanhas de monitoramento a fim de verificar os impactos causados pelos transportes nas principais estradas e ruas no campus, bem como nos seus arredores e comparar parâmetros de riqueza, abundância e diversidade das espécies nas proximidades das áreas.
• Grupo de Gestão Integrada de Resíduos do Campus: este Grupo de Trabalho que atua desde o 1º semestre de 2014, por iniciativa da Prefeitura do Campus Fernando Costa (PUSP-FC), tem o objetivo de melhorar a gestão de resíduos químicos e biológicos do Campus. É formado por representantes de todas as Unidades do
Campus.
• Projeto USP na Escolinha: projeto desenvolvido por uma funcionária e executado em parceria com a Prefeitura do Campus, FZEA e FMVZ. Este projeto coleta resíduos que fazem parte da logística reversa de algumas empresas, visando arrecadar fundos para fazer as escolas de Ensino Fundamental I conhecerem os cursos da Universidade de São Paulo de forma lúdica e também visitarem o
campus. Os materiais recolhidos são: materiais de escrita (logística reversa da
Faber Castell), esponjas de pia (logística reversa da Scotch-Brite), materiais de higiene bucal (logística reversa da Colgate). Desde o início do projeto, em 2013, já foram arrecadas mais de 13 mil unidades de produtos dos programas de logística reversa citados (USP na Escolinha, 2020).
109 • Site “Campus Fernando Costa Sustentável”: este site que existe desde 2014 é um esforço de integrar as ações ambientais dos diversos grupos atuantes Campus. Também compartilha as informações de boa parte do que se desenvolve do gerenciamento dos resíduos sólidos, bem como outras ações de promoção de sustentabilidade.
O Campus Fernando Costa não possui uma seção de Gestão Ambiental presente em seu organograma, mas o cargo foi criado em 2014.
Atualmente, as ações relacionadas à gestão ambiental do campus são executadas por uma servidora técnico-administrativa, alocado no gabinete do Prefeito, com atividades relacionadas: a gestão do contrato de gerenciamento de resíduos biológicos e intermediação junto ao campus da Capital, na contratação da empresa que executa o recolhimento dos resíduos químicos; requisições de compras dos serviços de destinação de lâmpadas; a coordenação das atividades da cooperativa de catadores de material recicláveis do município, a qual faz a retirada dos recicláveis gerados; o acompanhamento das licenças ambientais; a elaboração de relatórios de prestação de contas aos recursos destinados para as questões ambientais, principalmente os oriundos da Superintendência de Gestão Ambiental da USP; assim como o apoio na promoção de eventos relacionados ao tema.
Outra função, exercida também pela Gestora, é no sentido de centralizar as informações sobre as quantificações dos resíduos gerados, já que em muitos casos o descarte não é feito por esse setor, como por exemplo, os eletroeletrônicos, executado pelo Departamento de Informática; óleo automotivo, feito pelo Departamento de Transportes, e a Logística Reversa de embalagens de agrotóxicos realizado pelo Departamento de Atividades Agrícolas. Ainda discorrendo sobre os resíduos sólidos gerados durante as operações do Campus, muitos dados (pesagem, caracterização, etc.) não são produzidos, outros são, mas não têm uma rotina de compartilhamento da informação.
O controle das quantidades de resíduos gerados é mais efetivo para aqueles que trazem algum retorno financeiro ou que geram um custo pela obrigatoriedade de tratamento ou disposição final.
É evidente que as ações ambientais no campus de Pirassununga não estão pautadas por um programa ou por um sistema de gestão, também a falta de recurso humano destinada para essa finalidade é grande.
Para indicar falhas evidentes da gestão ambiental no campus pode ser citado o exemplo da coleta seletiva pela empresa terceirizada de limpeza, no contrato de prestação de serviço existe uma cláusula de colaboração com a coleta seletiva do campus. Para que isso ocorra, é necessário que haja um programa de treinamento periódico, principalmente pela alta rotatividade de contratação, entretanto não existe.
Outro exemplo, são os restos de alimentos gerados no restaurante universitário que são mantidos pela empresa terceirizada para controle de desperdício, pois gera um custo pela perda, mas não são monitorados pelo Campus e esta informação se perde quando ocorre a troca de empresa.
Ao se analisar as questões ambientais no tocante ao planejamento financeiro, tanto para solicitação de recursos financeiros, quanto para o uso, verifica-se não haver um programa estruturado que dialogue com as ações de implantação da Política Ambiental da USP.
110 Em seu artigo 30, a Política institui alíneas orçamentárias baseadas em indicadores. Ou seja, quando realmente houver um SGA estruturado que gere medições e indicadores, será possível gerenciar e buscar recursos, com clareza de atuação.
Um bom exemplo de caso, que mostra a efetividade de planejamento e parcerias é o projeto “Vamos de Bike”, a ciclovia, a estação de compartilhamento e as bicicletas foram fruto da parceria entre alguns atores. O material da ciclovia é fresa de asfalto, uma sobra da manutenção de rodovias doado à PUSP-FC pela Concessionária Arteris. A estação e as bicicletas do sistema de compartilhamento foram adquiridas com verba da Superintendência de Gestão Ambiental. Os paraciclos espalhados pelo Campus foram adquiridos com verba de multas ambientais do convênio entre o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e a PUSP-FC.
Todas estas formas de alcançar recursos são essenciais numa Universidade, mas não exclui a necessidade de recursos fixos para o funcionamento do sistema de gestão ambiental.
Outro ponto importante, além da centralização e análise da informação, planejamento para uso dos recursos financeiros e um maior contingente de recurso humano, é conseguir retroalimentar as ações ambientais com os resultados de pesquisas gerados no próprio campus. Muitas pesquisas relacionadas com a área ambiental são geradas, com resultados inéditos e com enorme potencial de sair da escala piloto para ser aplicada à realidade, trazendo resultados importantes na conservação dos recursos naturais.
No Campus Fernando Costa, a Comissão Técnica de Gestão Ambiental (CTGA), prevista na PA/USP, foi constituída, em 2017, por docentes com áreas de atuação próximas às das políticas temáticas que seriam trabalhadas no Plano Diretor Socioambiental Participativo (PDSAP) e com um servidor para secretariar a comissão. Com a comissão formada, foram disparados e-mails convidando a comunidade do
Campus, docentes, alunos de graduação e pós, e funcionários para serem voluntários para
comporem os Grupos de Trabalho (GTs) nas temáticas da PA/USP.
O PDSAP está em fase de conclusão, o que se pode observar desse processo sobre a participação dos voluntários, foi uma baixa adesão, o que dificultou a construção de um documento tão complexo. Inicialmente, houve colaboração dos setores em conseguir informações para o diagnóstico, mas à medida que o tempo passava e o documento demorava a ser finalizado, as informações precisavam ser atualizadas, percebeu-se que alguns setores não estavam tão dispostos a continuar colaborando, pelos mais variados motivos, inclusive porque eram dados ainda não consolidados e eles tinha outras tarefas mais urgentes para lidar dentro da sua área de trabalho.
Com a realização do diagnóstico pelo PDSAP, percebeu-se que existem várias ações relacionadas à sustentabilidade sendo encaminhadas em todas as áreas temáticas previstas pela PA/USP, porém em muitos casos se perdem ou não geram resultados, para que se tornem um indicador para alimentar um sistema de gestão, e assim voltarem a nortear a decisão de outras ações.