Os desvios de canais são utilizados para desviar parte do curso d´água principal, reduzindo dessa maneira a vazão de cheia do rio em determinado ponto, onde se pretende proteger. Para este tipo de obra a água desviada não retorna mais para o rio principal, e sim destina-se para outros cursos d’água como lagos ou diretamente ao mar. Um exemplo de canal de desvio executado é o rio Arno, na Itália (CORDERO, MEDEIROS e TERAN, sd).
Figura 18 - Canal de desvio
Fonte: CORDERO, MEDEIROS e TERAN (sd).
Já os canais paralelos são utilizados quando, por diversas razões, não pode aumentar a capacidade do rio principal, desta maneira é construído um canal paralelo ao rio principal em certa área onde deseja-se diminuir o nível da cheia. Obra deste tipo pode ser vista no rio Danúbio em Viena (CORDERO, MEDEIROS e TERAN, sd).
Figura 19 - Canal paralelo
Fonte: CORDERO, MEDEIROS e TERAN (sd).
De acordo com CORDERO, MEDEIROS e TERAN (sd) os canais extravasores tem as mesmas características dos canais de desvios e canais paralelos, a diferença é que o canal extravasor é alimentado pelo rio somente durante as maiores cheias, quando a vazão na seção do álveo em correspondência com o vertedor supera um valor pré-fixado e extravasa do canal principal.
Como o canal extravasor permanece sem água, durante a época de estiagem ou de pequenas precipitações, permitindo assim o crescimento de vegetação. Porém está sempre em condições de receber parcela das vazões do rio principal, quando este supera a vazão pré-fixado em projeto.
A grande desvantagem em utilizar estas medidas, está relacionado a diminuição da velocidade da vazão, onde acaba reduzindo a velocidade de transporte dos materiais, podendo ter como problema a elevação do leito do rio, perdendo assim toda finalidade destes dispositivos. Por isto, estas obras devem ser projetadas com muita prudência.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O modelo de drenagem convencional, que tem como funcionalidade a aceleração do escoamento através de canalizações, vem se tornando ineficiente devido a expansão das cidades, onde necessariamente vem sofrendo mudanças, aderindo novos conceitos.
Esses novos conceitos são as medidas estruturais apresentadas neste trabalho, com elas é possível alcançar soluções importantes para o sistema de drenagem convencional. Estas soluções, além de apresentarem melhora no sistema de drenagem convencional, pode-se fazer um tratamento primário para utilizar estas águas para fins não potáveis, como para aguamento de praças e jardins, limpeza, lavagem de veículos. Estas medidas além contribuir significativamente para os problemas de inundações também contribuem para conservar os recursos hídricos.
Com base nas teorias, é possível notar mesmo sendo mais custosa a implantação dessas medidas estruturais em relação a rede de drenagem urbana convencional, elas se tornam mais vantajosas tanto em sua funcionalidade que é mitigar os impactos causados pelas cheias, como nas considerações que devem ser levadas em conta, como os custos em relação aos danos ocasionados por uma enchente.
Com a utilização das medidas estruturais apresentadas, é possível verificar inúmeros benefícios associados à sua implantação, onde a principal vantagem está na redução do escoamento superficial. Para cada tipo de ocupação, como, residências, comércios e indústrias, existem diferentes medidas que podem ser implantadas, para isso é necessário fazer um estudo especifico para cada região, onde será inserida estas estruturas, e se houver a possibilidade de implantar as medidas extensivas e intensivas na mesma região melhor e menos custoso será o resultado final.
No Brasil os debates sobre enchentes e inundações, só acontecem depois de sua ocorrência, dificilmente se ouve falar sobre prevenções e projetos para que este tipo de evento não ocorra. Os valores gastos com os resgates e reconstruções são maiores do que valores gastos para prevenção de enchentes e inundações. Dentro
do contexto das cidades, a prevenção e a amenização dos problemas de enchentes e inundações estão nas ações e decisões tomadas pelos governantes.
Os conceitos atuais de drenagem urbana, em municípios menores, que estão em fase de crescimento, devem ser previstos o quanto antes, para criar soluções adequadas com a realidade local e suas necessidades com o crescimento, assim é possível evitar problemas futuros como podem ser observados em grandes centros urbanos.
Nos centros urbanos mais consolidados, se torna complexo a implantação de medidas estruturais intensivas, pois tais medidas precisam de grandes áreas para sua implantação, onde muitas vezes é necessário desapropriar casas. Já as medidas extensivas são mais viáveis por possibilitarem a aplicação em lotes menores.
Para o sucesso das práticas de drenagem apresentadas neste trabalho, é necessário primeiramente o interesse do setor público, inserindo tais mecanismos no planejamento urbano e promovendo a participação da sociedade. A eficiência desse tipo de prática depende da extensão da adesão do seu uso, sendo necessário, que sejam previstas formas de divulgação dessas práticas.
A grande dificuldade encontrada para implantação das medidas estruturais apresentadas neste trabalho está atribuída aos padrões que estão fixados, e também ao preconceito por parte de empresários e técnicos, para mudar este pensamento e começar a atribuir estas medidas nos projetos e planejamentos das cidades, é necessário conscientizar os profissionais e a população, para que assim, possam cobrar seus governantes.
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