• Nenhum resultado encontrado

4 CANAIS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

4.1 CANAIS FORMAIS E INFORMAIS

Com o crescimento dos periódicos e respectiva evolução da comunicação cientifica foi possível delimitar duas classes diferentes de canais em que os resultados são publicados: os formais e o informais. Para Garvey9 (1979; apud OLIVEIRA, 1996), o primeiro grupo representa a parte pública e visível do sistema, envolvendo artigos de periódicos, livros, relatórios de encontros científicos entre outros. O segundo envolve conversas telefônicas, cartas, pré-artigos e relatórios técnicos. Meadows (1999) acrescenta ao último as conversas face-a-face, a troca de correios eletrônicos e também os encontros e congressos, com outra abordagem. Para ele, os documentos produzidos como proceedings são uma representação formal, mas o evento em si tem um caráter informal pelo tipo de interação (trocas e discussões) que é proporcionada.

Garvey e Griffith (1967, p. 1013) fizeram um extenso estudo sobre a diferença entre os canais formais e informais, comprovando a importância de ambos para qualquer disciplina da ciência em uma relação contrabalanceada de contribuição de

9 GARVEY, W. D. Communication: the essence os science. Oxford: Pergamon Press, 1979.

cada um para preencher as lacunas do outro. Os formais são em maioria públicos, com potencial para grandes grupos, além de uma disseminação mais eficaz por mensagem (custo e distribuição). A informação nesses é armazenada e recuperada com facilidade, com potencial para geração de relatórios. Os informais são, em geral, mais restritos, apresentando dificuldade de recuperação, com informação mais dinâmica e contemporânea, em forma desestruturada e de difícil monitoramento.

Apresentam ainda uma maior interação, geralmente face-a-face, algo que é considerado importante pela facilidade com que se pode julgar a relevância nestes canais.

Meadows (1999) afirma que durante o processo de comunicação científica, é provável que os pesquisadores utilizem-se dos dois tipos de canais. No início, a pesquisa é comunicada informalmente entre o círculo de pesquisadores e, a medida que avança e ganha relevância, segue para um evento científico por meio de uma apresentação. Esta etapa é muito comum nas Ciências, pela frequência dos eventos e característica de obtenção de resultados imediatos. Em geral, as Ciências Sociais e Humanidades envolvem pesquisas mais longas e, por conseguinte, empregam maior tempo antes da comunicação, ainda que parcial, dos resultados. O autor complementa uma consequência do comportamento: é mais comum que os comentários de pares ocasionem a reelaboração dos textos nestas últimas. A etapa seguinte é a publicação, geralmente em um periódico científico, ou seja, formal. O autor ainda situa que o tempo despendido para redação de um artigo de periódico é quase o dobro nas Ciências Sociais e Humanidades em relação Às Ciências.

O periódico científico estabeleceu-se como a fonte prioritária para a comunidade científica enquanto canal formal. Dentre suas vantagens está a agilidade e rapidez no processo produtivo e na distribuição, além do reconhecimento mundial enquanto formato de representação. Herschman (1970) posiciona suas três funções mais importantes: o registro público oficial, a disseminação da informação e, uma maneira de conquistar prestígio e reconhecimento. Tanto o periódico como os outros canais no processo de comunicação científica adquiriram relevância enquanto objetos de estudo da Ciência da Informação e correlatas. Snodgrass (2006) o ressalta como a forma mais objetiva de seleção em uma comunidade científica, sendo que é esta que o valida.

Ainda que os artigos de periódicos detenham esse reconhecimento, Meadows (1999) esclarece a maneira como as áreas da ciência se posicionam quanto ao seu uso enquanto canal de comunicação formal. O grupo de disciplinas agrupadas sob o rótulo Science, Technology and Medicine (STM), tais como Física, Robótica e Farmácia, está ligado a publicação de artigos em revistas submetidos à avaliação, haja vista que, conforme afirma Oliveira (1996), a área diminuiu significativamente a produção de livros nos séculos XIX e XX pela necessidade de agilidade nas publicações. Nas Engenharias e Tecnologia, os anais de congressos também são canais importantes. Nas Ciências Sociais e Humanidades há preferência pela publicação no formato de livro. Em alguns casos, os resultados de uma pesquisa acabam aparecendo em diferentes locais. Como exemplo, é feita a publicação por meio de teses e dissertações e, na sequência um artigo (até mais de um) como forma sintetizada de comunicar o mesmo conteúdo publicado anteriormente. Isso ocorre com maior frequência nas Ciências Sociais. Parte dos cientistas rejeitam as teses como meio formal de comunicação, ao considerar que a consequente redação de artigos como síntese dos resultados, equivale ao formato de publicação adequado. Considerar tanto a tese como o artigo oriundo dela como meios formais, por exemplo, seria uma aceitação de redundância.

Apesar das variações entre áreas quanto preferência, o reconhecimento enquanto canal formal é aceito basicamente para dois formatos: artigos e livros científicos. De certa forma, ambos seguem tradicionalmente um processo comum de produção. O insumo é fornecido pelos autores em potencial, os quais são submetidos à avaliação de qualidade por uma editora. Essas são classificadas em: (a) comerciais grandes, cobrindo tanto livros quanto periódicos, com enfoque no grupo STM, consideradas mais lucrativas; (b) comerciais pequenas, enfocando algum nicho, como aquelas menos valorizadas tais como como Humanidades e Ciências Sociais; (c) universitárias que, em geral, empregam mais atenção à produção de livros nas Humanidades e Ciências Sociais, devido a dificuldade de publicação nas editoras comerciais e (d) institucionais, com enfoque na pesquisa central dos institutos mantenedores. Independentemente da sua categorização, estas organizações se valem de parcerias com pesquisadores da área científica do autor (seus pares), os quais têm o papel de validar ou não a contribuição do material submetido. A última etapa é a produção do material, que pode ser impresso ou eletrônico (MEADOWS, 1999).

Desde o início da comunicação científica formal, influenciada pela invenção da imprensa e barateio no custo da distribuição, a disseminação da informação científica esteve ligada às facilidades do material impresso o que, inclusive, era a base do modelo de negócio das editoras (independentemente de área). Porém, esse mesmo motivo que impulsionou a comunicação iniciou uma etapa de estagnação e modificação, com a popularização da web e consequente ingresso de canais eletrônicos também para a ciência, sejam formais ou informais. Isso alterou – e segue alterando – o tempo para publicar, o modo de produzir, distribuir e até cobrar pela produção científica.