Inicial de Professores do Ensino Primário em
Angola
Angola, é um país situado na África Austral, ocupa uma área de 1.246.700 km2 e cuja população estimada é de 25 789 024 pessoas segundo o censo geral, realizado em maio de 2014.
É um país plurilinguístico onde o português é considerado a língua oficial de comunicação entre os angolanos, apesar de existirem outras línguas nacionais como por exemplo: Umbundu, Kimbundu, Kikongo, Tchokwe e N'gangela. O ensino formal, é feito em língua portuguesa; no entanto, já existe a inclusão de línguas nacionais nos programas curriculares de algumas escolas do país.
Em Angola, os estudos empíricos em torno da temática sobre o currículo de formação inicial de professores do Ensino Primário são ainda incipientes e têm-se focado mais ao nível das questões ligadas à reforma educativa e à formação de professores em algumas disciplinas específicas, como é o caso da Língua Portuguesa, da Matemática, da Biologia, entre outras. Poucos são ainda os estudos que aludem ao currículo de formação inicial de professores para o Ensino Primário. Alguns apontam para a formação inicial de professores nas escolas de formação de professores e Institutos médios de Educação.
Entretanto, algumas pesquisas e estudos têm sido realizadas, mas ainda assim, acredita-se que as produções atuais ainda não satisfazem os anseios literários do país tendo em conta a sua vasta extensão geográfica e demográfica.
Destaca-se a dissertação de mestrado de Silva (2011) com o título: Processo de formação inicial de professores de Português em Angola. O autor refere-se a um plano mestre de formação de professores, que fornece várias diretivas para a formação inicial, para a formação contínua e para a formação à distância, sugerindo a adoção de uma nova metodologia de ensino que aponta para a necessidade de uma reflexão curricular, em prol da melhoria da qualidade de ensino.
Por seu turno, Lussinga e Leite (2014), num artigo intitulado, Formação inicial de Professores em Angola: um estudo focado nos cursos de Biologia e de Geografia do ISCED do Huambo, apresenta um estudo que aponta no sentido de se ampliarem as possibilidades de acesso à profissão docente e de melhorar a educação escolar da população angolana. Sugere que se deve fazer um forte investimento na criação de estruturas que resolvam problemas identificados no estudo. O gosto pela profissão docente, manifestado por alguns estudantes estagiários participantes do estudo e a vontade de contribuírem para o desenvolvimento do país merecem ser reconhecidos.
Ainda no âmbito do estado da arte, Cardoso (2012, citado por Chimuco, 2014) na tese de doutoramento com o tema: Problemas e desafios na formação inicial de professores em
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Angola: um estudo nos ISCED da região académica II, aponta para o facto de que a formação de professores constitui a “pedra” angular para o desenvolvimento de qualquer sociedade.
A formação e o desenvolvimento de conhecimentos e competências para a docência, nos dias de hoje, constituem os aspetos que mais preocupam as políticas e os sistemas educativos.
Em relação aos resultados, os dados da investigação efetuada revelaram entre outros resultados que que o modelo atual nos ISCED é sobretudo academicista e enciclopédico, que inclui uma breve e ténue formação pedagógica devido ao pouco tempo para esta componente, possui curta duração da prática pedagógica, falta de coerência entre a formação e a prática esperada do futuro professor, subjetividade na avaliação das aprendizagens, excesso de alunos por professor/orientador de prática pedagógica entre outros aspetos (Cardoso, 2012, citado por Chimuco, 2014).
Já em Portugal, existe uma vasta gama de produções relacionadas com esta temática, quer ao nível de dissertações, teses, artigos e obras literárias. Contudo pela dimensão restrita da presente investigação, passaremos apenas em revista alguns destes.
Teodoro (2006), no livro sobre Professores, Para quê? Desafios e mudanças na profissão docente, assinala que, os anos 1970 ficam assinalados pela criação não só de uma rede de formação inicial de professores no seio das instituições de Ensino Superior: primeiro, através da criação da Faculdade de Ciências das Universidades de Lisboa, Porto e Coimbra de ramos educacionais, e, nas chamadas Universidades Novas, da formação integrada, permitindo uma formação inicial, em todas as suas componentes, dos professores desde o 7º ano de escolaridade até ao final do ensino secundário; como também pela reforma das escolas do Magistério Primário, em 1974-1975.
Em Portugal, a formação dos educadores de infância e dos professores dos I e II ciclos do ensino básico realiza-se em escolas superiores de educação e a formação dos professores de III ciclo do ensino básico e ensino secundário em estabelecimentos de ensino universitário (Lei nº 49/2005, Art.34º).
De acordo com o livro, intitulado: Formação de Professores, Aprendizagem profissional e ação docente, coordenado por Formosinho (2009), desde as décadas de 70 e 80 do século XX, a União Europeia tem transformado toda a formação de professores em ensino de nível superior. Os professores de crianças deixaram, assim, de ter uma de nível médio e passaram a ter uma formação de nível superior. Tal foi o caso de Portugal, a partir da década de 80, com a criação das Escolas Superiores de Educação e com a entrada das novas Universidades na formação de educadores de infância e de professores do ensino primário.
Num artigo desenvolvido por Flores (2010), com o título: Algumas reflexões em torno da formação inicial de professores, alude que, é fundamental a clarificação duma política global e integrada de formação, bem como a reflexão sobre o papel das universidades e dos formadores de professores no sentido de ultrapassar a lógica fragmentada e desarticulada que tem prevalecido nos currículos de formação, mais ainda justificada pelas recentes