(Psidium guajava L.) em resposta a fontes e doses de nitrogênio
Resumo
Psidium guajava L., conhecida vulgarmente como goiabeira, é uma espécie nativa, frutífera, do grupo ecológico das pioneiras, pertencente à família Myrtaceae, presente em amplas áreas tropicais e subtropicais do planeta. Trata-se de uma espécie considerada indispensável em plantios para recuperação de áreas degradadas, especialmente, em matas ciliares, devido à sua rusticidade e à apreciação da fauna pelos seus frutos. A produção de mudas é uma das fases mais importantes para projetos de reflorestamento, pois, o sucesso do empreendimento depende do estabelecimento das plantas em campo, e esse depende da utilização de mudas de qualidade. O fornecimento adequado de nutrientes às plantas é fundamental ao seu ciclo de vida. Num cenário onde o substrato utilizado para a produção de mudas não é capaz de atender à demanda de nutrientes pelo vegetal, a adubação se faz necessária. Neste estudo foram avaliados o crescimento e a qualidade de mudas de goiabeira (Psidium guajava L.) em função de fontes e doses de nitrogênio (N). O delineamento estatístico foi inteiramente casualizado com cinco repetições de 15 tratamentos, compostos por três fontes de N: sulfato de amônio [(NH4)2SO4], nitrato de cálcio [Ca(NO3)2] e nitrato de amônio (NH4NO3), e cinco doses de nitrogênio (0, 80, 160 240 e 320 mg dm-3), em esquema fatorial. O substrato utilizado foi um Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico, de textura argilosa. Decorridos 125 dias após a repicagem foram medidas a altura de parte aérea (H), o diâmetro de coleto (DC), as massas de matéria seca de parte aérea (MSPA) e de raízes (MSRA) e calculadas a massa seca total (MST), as relações H/MSPA, H/DC, MSPA/MSRA, e o Índice de Qualidade de Dickson (IQD). A aplicação de N mineral influenciou positivamente o crescimento e a qualidade das mudas de goiabeira. Não houve efeito
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significativo de fontes de N sobre as características morfológicas avaliadas. Em relação às doses de N, houve efeito significativo em todas as características avaliadas, cujas médias foram maiores entre as dosagens de 231 e 285 mg dm-3 de N, excetuando-se a RH/DC, que teve valor máximo na dose de 0 mg dm-3 de N. Recomenda-se adubação nitrogenada na dose de 270 mg dm-3 de N, com aplicação igualmente parcelada aos 40, 55, 70, 85 e 100 dias após a repicagem, utilizando-se de qualquer uma das fontes de N testadas para a produção de mudas de goiabeira.
Palavras-chave: nutrição florestal, espécies florestais nativas, espécies arbóreas nativas, qualidade de mudas.
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3.1 Introdução
Originária da América Tropical, onde ainda pode ser encontrada em estado silvestre (MENZEL, 1985), a goiabeira, Psidium guajava L., é uma árvore nativa frutífera (PEREIRA e ANDRADE, 1994) do grupo ecológico das pioneiras (SCHORN e GALVÃO, 2006) e pertencente à família das Myrtaceaes (ZIETEMANN e ROBERTO, 2007). Sua capacidade de rápida dispersão, adaptação e produção em diferentes ambientes possibilitaram sua presença em amplas áreas tropicais e subtropicais do planeta (MELETTI, 2000; MANICA, 2001).
A goiabeira é amplamente cultivada em diversas áreas do Brasil, destacando-se entre as frutíferas de maior valor econômico, devido à grande aceitação de seus frutos nos mercados interno e externo (PONTIKIS, 1996; FREITAS e ALVES, 2008). Seus frutos, as goiabas, são do tipo baga, formados por um pericarpo e uma polpa espessa e róseo-avermelhada (PEREIRA et al., 2003), com inúmeras pequenas sementes (ESCRIG et al., 2001). Dotada de notável sabor e alto valor nutricional (FRANCISCO et al, 2005), a goiaba apresenta excelentes características para consumo in natura e processamento industrial (ZIETEMANN e ROBERTO, 2007). A madeira da goiabeira, outrora muito utilizada na construção aeronáutica, é empregada para esteios, mourões, cabos de ferramentas, cangalhas e cangas (LORENZI, 1992). A espécie possui uso medicinal de suas raízes, cascas, brotos e folhas, onde há a presença de compostos capazes de promover ações antimicrobianas, antimutagênicas, hipoglicêmicas e antioxidantes naturais, dentre outras (ESCRIG et al., 2001; IHA et al., 2008).
A goiabeira é considerada indispensável em plantios mistos com destino à recomposição de áreas degradadas, sendo classificada como apta para plantios de recuperação de matas ciliares, devido à grande apreciação da fauna pelos seus frutos (LORENZI, 1992; MARTINS, 2007). Dentre as áreas em processo de degradação no país, destacam-se as matas ciliares.
As matas ciliares, também denominadas como florestas ribeirinhas, e definidas por Rodrigues e Leitão Filho (2001) como “florestas ocorrentes ao longo dos cursos d’água e no entorno das nascentes”, têm tido intensa
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perturbação, especialmente quando se encontram próximas aos centros urbanos, em função de desmatamento, despejo de esgoto doméstico e industrial, desvio e canalização de riachos e córregos e erosões urbanas devido à intensa impermeabilização do solo que resultam no aumento de escoamento superficial (CARDOSO-LEITE et al., 1995).
Essas áreas são de suma importância na proteção de mananciais, onde a vegetação das matas ciliares controla a chegada de nutrientes, sedimentos e a erosão das ribanceiras e interfere na absorção e interceptação da radiação solar, participando da determinação das variações térmicas da água e de suas características químicas e biológicas (CARDOSO-LEITE et al., 1995). Apesar do reconhecimento da importância do papel ecológico desempenhado pelas matas ciliares, no ano de 2006 estimava-se que a existência de áreas marginais a cursos d’água sem vegetação ciliar era superior a 1,3 milhão de hectares, indicando expressiva necessidade de recuperação (BARBOSA, 2006).
Ciente do cenário ambiental atual, a sociedade tem demonstrado preocupação em preservar áreas remanescentes e reintroduzir espécies nativas em locais degradados pela utilização do solo para fins agrícolas, construção civil e mineração (FERNANDES et al., 2000). No Brasil, projetos de reflorestamento com o plantio de espécies nativas são essenciais para o restabelecimento do equilíbrio ambiental de áreas degradadas, visto que a regeneração natural, em alguns casos, não se mostra capaz de recuperar satisfatoriamente a cobertura vegetal previamente existente em determinadas áreas (MARTINS, 2007).
A produção de mudas é uma das fases mais relevantes para projetos de reflorestamentos com finalidades comerciais ou ambientais (FREITAS, 2013). Mudas de goiabeira podem ser obtidas por via sexuada ou assexuada (CORREIA et al., 2005). No Brasil, o processo de propagação em escala comercial é predominantemente do tipo assexuada, realizada por meio de estacas de ramos herbáceos (MANICA, 2001). Este tipo de propagação é imprescindível para a rápida formação, início precoce de produção,
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homogeneidade e alta produtividade das árvores de goiabeira (FRANCO et al., 2008).
Por outro lado, a propagação por sementes resultantes da polinização natural (sexuada) gera descendentes com alta heterogeneidade quanto à forma, hábito de crescimento, estatura de plantas, produtividade e características dos frutos (TAVARES et al., 1995). Esses autores afirmam que a propagação sexuada (seminal) da goiabeira se caracteriza por facilidade e velocidade de obtenção de mudas, sendo recomendada para estudos de melhoramento genético, produção de porta enxertos (CORREIA et al., 2005) e recuperação de áreas degradadas.
O potencial de sobrevivência e crescimento após o plantio de uma muda em campo está relacionado à sua qualidade. O plantio de mudas de boa qualidade pode dispensar o replantio e reduzir a demanda por tratos culturais de manutenção. Uma muda de boa qualidade deve ser vigorosa, com folhas de coloração e tamanho típicos da espécie e bom estado nutricional (CRUZ et al., 2006).
O fornecimento adequado de nutrientes às plantas tem função fundamental no seu ciclo de vida, já que os nutrientes participam e compõem relevantes processos de seu metabolismo, como ativação / regulação de enzimas e produção de compostos orgânicos (GONÇALVES et al., 2013). Atributos morfológicos relacionados à qualidade de mudas como o crescimento em altura, diâmetro e produção de massa seca em viveiro dependem de que o substrato forneça os nutrientes necessários à espécie (CECONI et al., 2006). No entanto, em muitas vezes se faz necessária a utilização de fertilização mineral, devido ao fato do substrato não apresentar capacidade de fornecimento dos nutrientes em quantidades adequadas ao crescimento pleno das mudas (SCHEER et. al, 2010).
Apesar do reconhecimento da importância da fertilização mineral para a produção de mudas, existem dificuldades quanto à sua correta utilização. Neves (1983) reitera que o frequente insucesso das recomendações de adubação para determinada cultura baseadas em resultados de experimentos
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obtidos para outras é explicado por fatores como as diferentes condições e hábitos das espécies, bem como suas exigências nutricionais. Sabe-se que a goiabeira, em condições naturais, é uma planta pouco exigente em termos de fertilidade do solo (MIKAMI et al., 2000), porém Gonçalves et al. (1986) afirmam que deve-se conhecer as quantidades adequadas de cada nutriente demandado pela espécie para uma recomendação de adubação eficiente.
Dentre os nutrientes, o nitrogênio (N) é mais exigido pelas culturas (MARSCHNER, 2012) e sua nutrição, quando adequada, melhora os teores foliares de N e outros elementos, especialmente fósforo (P), colaborando para o aumento em produção e crescimento (BOVI et al., 2002). O nitrogênio possui importância para o metabolismo das plantas, pois é constituinte de inúmeros componentes da célula vegetal, dentre eles, ácidos nucléicos, aminoácidos e moléculas de clorofila (TAIZ e ZEIGER, 2007; MARSCHNER, 2012). Cantarella (2007) afirma que há respostas importantes das culturas ao nitrogênio, nutriente altamente restritivo à produção inicial de biomassa, tanto em espécies agrícolas quanto florestais.
Neste sentido, o presente estudo teve por objetivo avaliar o crescimento e a qualidade de mudas de goiabeira (Psidium guajava) sob influência de doses e fontes de nitrogênio.
3.2. Material e métodos
O experimento foi conduzido, em sua fase inicial, em casa de sombra e, subsequentemente, em casa de vegetação, no Viveiro de Pesquisas do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, no período de dezembro de 2017 a março de 2018. A espécie utilizada foi a goiabeira (Psidium guajava), cujas sementes foram fornecidas pela Sociedade de Investigações Florestais (SIF).
A terra de subsolo utilizada como substrato para a produção das mudas foi coletada cerca de 40 cm abaixo da camada superior de um Latossolo Vermelho-Amarelo de textura argilosa, em Viçosa, MG. Essa terra de
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subsolo, não esterilizada, foi submetida a secagem ao ar e peneiramento em malha de 5 mm.
A calagem, utilizada na correção de pH de solos, promove a diminuição das concentrações tóxicas de Al e Mn, o aumento na capacidade de troca catiônica (importante para a manutenção dos cátions que são nutrientes para as plantas), e contribui também com o fornecimento de Ca e Mg (CARNEIRO, 1995; MALAVOLTA, 1980). Assim, foi efetuada correção de acidez, utilizando- se de uma mistura de carbonato de cálcio (CaCO3) e composto de magnésio [Mg(OH)3 + Mg(OH)2 + 5 H2O] na proporção de quatro partes para uma parte, respectivamente. A necessidade de calagem (NC, em toneladas por hectare) foi calculada com base nos resultados da análise de caracterização química do solo (Tabela 1), elevando-se a saturação por bases até o nível de 60% (Marques et al., 2009), sendo: NC (t/ha) = (V2-V1) CTC (T) / 100, em que V2 é a porcentagem de saturação por bases desejada, V1 é a porcentagem de saturação por bases do solo, conforme análise, e CTC (T) é a capacidade de troca catiônica em pH = 7,0.
Tabela 1 - Características químicas da amostra do solo utilizada para a produção de mudas de goiabeira (P. guajava)
pH P K Al3+ Ca2+ Mg2+ H+Al SB CTC(t) CTC(T) V m MO
H2O mg dm-3 cmolc dm-3 % dag kg-1
4,79 0,7 6 0,92 0,11 0,01 3,93 0,14 1,06 4,04 3,5 86,8 1,66 pH em água – Relação 1: 2,5; P e K – Extrator Mehlich 1; Ca2+, Mg2+ e Al3+ - Extrator: KCl 1 mol L-1; H+ Al – Extrator CaOAc 0,5 mol L-1. pH 7,0; SB = Soma de bases; CTC(t) = Capacidade de troca catiônica efetiva; CTC (T) = Capacidade de troca catiônica, pH 7,0; V = Saturação por bases; m = Saturação por alumínio; Matéria orgânica (MO) = C.org x 1,724 – Método Walkley – Black.
Após a adição dos corretivos, a terra de subsolo permaneceu incubada por 30 dias, com manutenção do teor de umidade próximo à capacidade de campo. Após esse período, foi acondicionada em vasos com capacidade para 1,5 dm3 (11,9 cm de altura x 7,5 cm de raio de topo x 5,1 cm de raio de fundo).
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Por meio de incorporação ao substrato, foi efetuada adubação de base com macronutrientes, contendo as seguintes doses 300 mg dm-3 de fósforo (P) 100 mg dm-3 de potássio (K), de acordo com Passos (1994). Superfosfato simples (18% P2O5) e KCl (52,45% K) foram utilizados como fontes de P e K, respectivamente. Para a adubação de base de micronutrientes, foi utilizada a solução recomendada por Alvarez V. et al. (2006), composta por boro (B) = 0,81 mg dm-3 (H3BO3), cobre (Cu) = 1,33 mg dm-3 (CuSO4.5H2O), molibdênio (Mo) = 0,15 mg dm-3 [(NH4)6Mo7O24.4H2O], manganês (Mn) = 3,66 mg dm-3 (MnCl2.H2O) e zinco (Zn) = 4,0 mg dm-3 (ZnSO4.7H2O).
A semeadura foi realizada em canteiro (sementeira), e, após a germinação, foi realizada repicagem, transplantando-se três plântulas para cada vaso com substrato adubado. Os vasos com as plântulas permaneceram em estrutura de casa de sombra por 30 dias. Após esse período, foram transportados para casa de vegetação onde se realizou operação de raleio, optando-se pelo cultivo de apenas uma muda. Durante o período experimental, a umidade do substrato permaneceu em torno 60% da capacidade de campo, sendo a irrigação realizada quando necessária, de acordo com monitoramento diário.
Os tratamentos consistiram de combinação (fatorial) de três fontes de nitrogênio (N): sulfato de amônio [(NH4)2SO4], nitrato de cálcio [Ca(NO3)2] e nitrato de amônio (NH4NO3), e cinco doses de N (0, 80, 160, 240 e 320 mg dm-3), via solução, parceladas em cinco porções iguais aos 40, 55, 70, 85 e 100 dias após a repicagem. Como tratamento controle, cultivaram-se mudas sem adição das fontes de nitrogênio mencionadas. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com cinco repetições, totalizando 65 vasos com mudas da espécie (unidades experimentais).
Foi realizada realeatorização do arranjo espacial dos vasos nas bancadas, por meio de sorteio aleatório, a cada 15 dias, a fim de reduzir os efeitos de fatores ambientais porventura existentes na casa de vegetação, como temperatura e luminosidade.
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Na ocasião do término da condução do experimento (120 dias após a repicagem) foi realizada a coleta de informações sobre as características morfológicas das mudas: altura de parte aérea (H), diâmetro de coleto (DC), massa de matéria seca de parte aérea (MSPA), massa de matéria seca de raízes (MSR) e massa de matéria seca total (MST).
A altura de parte aérea das mudas (H) foi obtida com o uso de régua milimetrada, medindo-se do nível do substrato até o ápice da muda, especificamente, na última inserção foliar. O diâmetro de coleto (DC) foi mensurado com o auxílio de um paquímetro digital. O material vegetal foi coletado e submetido a secagem em estufa com circulação forçada de ar, a 60°C, até a condição de massa constante, para obtenção da massa de matéria seca de parte aérea (MSPA) e da massa de matéria seca de raízes (MSR). A massa de matéria seca total (MST) é resultante da soma de MSPA e MSR.
A obtenção das informações sobre as características morfológicas das mudas permitiu o cálculo das relações: altura de parte aérea / diâmetro de coleto (RH/DC), altura de parte aérea / massa de matéria seca de parte aérea (RH/MSPA), massa de matéria seca de parte aérea / massa de matéria seca de raízes (RMSPA/MSR) e o Índice de Qualidade de Dickson (IQD), apresentado na fórmula (DICKSON et al., 1960):
IQD = MST
H (cm) / DC (mm) + MSPA (g) / MSR (g)
O modelo estatístico do experimento, instalado no delineamento inteiramente casualizado, no esquema fatorial, foi:
Ykij = m + Fk + Di + (FD)ki + ekij, em que:
Ykij = valor observado da característica estudada (H, DC, MSPA, MSR, MST, RH/DC, RH/MSPA, RMSPAMSR e IQD), na fonte k e dose i, k = (NH4)2SO4, Ca(NO3)2 e NH4NO3;
Fk = efeito da fonte k;
Di = efeito da dose de nitrogênio D, na repetição j, j = 1,2,3,4,5; (FD)ki = efeito da interação F x D;
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ekij = erro associado à observação Ykij, isto é, efeito dos fatores não controlados sobre a observação Ykij. ekij ~ NID (0, σ²).
Para cada característica, foram avaliadas as seguintes hipóteses:
H0(1) = F1 = F2 = F3; Ha(1): não H0(1)
H0(2) = D1 = D2 = D3 = D4 = D5; Ha(2): não H0(2);
H0(3) = F1D1 = F1D2 = F1D3 = ... = F3D5; Ha(3) = não H0(3).
Quando significativos pelo teste F (ANOVA), os efeitos de fontes de N, (H0(1)), foram avaliados pelo teste Tukey, a 5% de significância. Os efeitos de doses de nitrogênio (H0(2)) foram avaliados por meio de regressão, empregando o modelo quadrático Ykij = β0 + β1Di + β2Di² + ekij. As equações estimadas para cada característica (variável) foram avaliadas com base no coeficiente de determinação ajustado para os graus de liberdade e significância das estimativas dos parâmetros, nesse caso, pelo teste t a 5% de significância. As doses ótimas de nitrogênio foram obtidas a partir de dY/dD = 0, resultando em: dose ótima de N = - β1/-2β2. Todas as análises foram realizadas com uso dos softwares R, disponível em http://www.r.project.org/ e Microsoft Excel.
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3.3. Resultados e discussão
No quadro de resumo da análise de variância das características e índices de qualidade avaliados verifica-se que não houve efeito significativo da interação fontes x doses de nitrogênio e das fontes de nitrogênio sobre as mudas (p > 0,05), com exceção do diâmetro de coleto. Contudo, foi constatado efeito significativo (p < 0,05) das doses de nitrogênio sobre as características e índices de qualidade avaliados (Tabela 2). A Tabela 3 mostra as regressões ajustadas, onde foram indicadas as doses ótimas de nitrogênio e o coeficiente de determinação para cada característica e índice estudados.
Tabela 2 - Resumo da análise de variância das características morfológicas e relações estudadas, na produção de mudas de goiabeira (Psidium guajava), avaliadas aos 120 dias após a repicagem
FV GL QUADRADO MÉDIO
H (cm) DC (mm) MSPA (g) MSR (g) MST (g) RH/DC RH/MSPA RMSPA/MSR IQD Fonte (F) 2 27,00ns 0,10 ns 0,65 ns 1,70 ns 8,70 ns 0,55 ns 0,06 ns 0,02 ns 0,02 ns Dose (D) 4 17646,80* 269,65* 2725,06* 795,26* 6563,30* 31,19* 727,32* 6,15* 80,07* F x D 8 219,00 ns 1,51 ns 25,47 ns 13,96 ns 64,00 ns 2,97 ns 1,05 ns 0,20 ns 0,73 ns Resíduo 60 1460,20 16,94 232,49 123,88 695,20 23,82 14,49 1,36 9,49
CV % 9,98 7,1 15,94 18,51 17,08 9,75 8,95 10,12 16,57
* Significativo a 5% de probabilidade, pelo teste F. ns
Não significativo a 5% de probabilidade, pelo teste
H = altura de parte aérea, DC = diâmetro de coleto, MSPA = massa de matéria seca de parte aérea, MSR = massa de matéria seca de raízes, MST = massa de matéria seca total, RH/DC = relação altura de parte aérea / diâmetro de coleto, RH/MSPA =
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relação altura de parte aérea / massa de matéria seca de parte aérea, RMSPA/MSR = relação massa de matéria seca de parte aérea / massa de matéria seca de raízes, IQD = Índice de Qualidade de Dickson.
Tabela 3. Equações ajustadas para a altura da parte aérea (H), diâmetro de coleto (DC), massa de matéria seca de parte aérea (MSPA), massa de matéria seca de raízes (MSR) e massa de matéria seca total (MST), relação altura de parte aérea / diâmetro de coleto (RH/DC), relação altura de parte aérea / massa de matéria seca de parte aérea (RH/MSPA), relação massa de matéria seca de parte aérea / massa de matéria seca de raízes (RMSPA/MSR) e Índice de Qualidade de Dickson (IQD), coeficientes de determinação ajustados (R²) e doses ótimas de nitrogênio para produção de mudas de goiabeira (Psidium guajava).
Psidium guajava
Variável Equação R² Dose ótima (mg dm-3)
H (cm) H = 22,0133333 + 0,3390250*N - 0,0006984*N2 0,8788 242,72 DC (g) DC = 4,10687616 + 0,04138060*N - 0,00008444*N2 0,8997 245,03 MSPA (g) MSPA = 1,7781524 + 0,1159912*N - 0,0002081*N² 0,9106 278,69 MSR (g) MSR = 2,0502476 + 0,0634005*N - 0,0001154*N2 0,8424 274,70 MST (g) MST = 3,6016000 + 0,1773442*N - 0,0003136*N2 0,8917 282,76 RH/DC RH/DC = 5,31946304 + 0,01527473*N - 0,00003392*N2 0,4897 - RH/MSPA RH/MSPA = 11,0543563 - 0,0721356*N + 0,0001556*N2 0,9248 231,80 RMSPA/MSR RMSPA/MSR = 0,96276934 + 0,00667508*N - 0,00001419*N2 0,7899 235,20 IQD IQD = 0,59695548 + 0,01946218*N - 0,00003414*N2 0,8859 285,03
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3.3.1. Altura de parte aérea (H), diâmetro de coleto (DC) e relação altura de parte aérea / diâmetro de coleto (RH/DC)
A adubação nitrogenada teve influência positiva no crescimento em altura de parte aérea (H) das mudas, bem como no crescimento do diâmetro de coleto (DC), aos 120 dias após a repicagem. Porém, não se observou efeito significativo da interação doses x fontes de nitrogênio e das fontes de nitrogênio (p>0,05). As médias de altura de parte aérea se situaram entre 48,91 cm e 50,28 cm (Figura 1). Já para o diâmetro de coleto, as médias apresentaram valores entre 7,45 mm e 7,54 mm (Figura 2).
Figura 1 - Altura média de parte aérea (H) de mudas de goiabeira (Psidium guajava) avaliadas aos 120 dias após a repicagem em resposta a fontes de nitrogênio.
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Figura 2 - Diâmetro de coleto (DC) de mudas de goiabeira (Psidium guajava) avaliadas aos 120 dias após a repicagem em resposta a fontes de nitrogênio.
Foi verificado efeito significativo das doses de nitrogênio sobre o crescimento em altura das mudas (p<0,05). O comportamento observado possibilitou a determinação da dose ótima de adubação nitrogenada, 242,72 mg dm-3 de nitrogênio, para um valor de altura de parte aérea igual a 63,2 cm, independente da fonte de nitrogênio aplicada ao substrato (Figura 3).
Figura 3 - Altura de parte aérea (H) de mudas de goiabeira (Psidium guajava) avaliadas aos 120 dias após a repicagem em resposta a doses de nitrogênio.
As doses de nitrogênio exerceram efeito significativo sobre o crescimento em diâmetro de coleto (p<0,05), sendo possível a determinação de
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uma dose ótima, 245,03 mg dm-3 de nitrogênio, a qual está associada ao maior valor, 9,18 mm (Figura 4).
Figura 4 - Diâmetro de coleto (DC) de mudas de goiabeira (Psidium guajava) avaliadas aos 120 dias após a repicagem em resposta a doses de nitrogênio.
As mudas de goiabeira que não receberam adubação nitrogenada (tratamento testemunha, dose = 0 mg dm-3 de nitrogênio) tiveram crescimento em altura de parte aérea com média de 22 cm, o que representa 34,8% do tamanho das mudas que apresentaram as maiores médias de crescimento (63,2 cm), na dose de 242,72 mg dm-3 de nitrogênio, considerada a melhor. Tal comportamento revela que a goiabeira é uma espécie responsiva em relação ao nitrogênio para o seu crescimento inicial.
A aplicação de nitrogênio se mostrou limitante, também, em relação ao crescimento em diâmetro de coleto. As mudas que não receberam adubação nitrogenada apresentaram diâmetro de coleto com média de 4,11 mm, tamanho que corresponde a 44,8% daquelas associadas à dosagem ótima de 245,03 mg dm-3, com média de 9,18 mm para essa característica.
O favorecimento do crescimento em altura e diâmetro de coleto das mudas de goiabeira em virtude da adubação nitrogenada mostra que a espécie pode ser considerada como responsiva ao nitrogênio em sua fase inicial de crescimento.
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Outros autores também observaram limitações no crescimento de mudas seminíferas de goiabeira quando houve ausência de aplicação de nitrogênio. Salvador et al. (1998) afirmam que a falta do nitrogênio, quando comparada à de outros macronutrientes, foi a mais determinante na redução do crescimento observado em mudas de goiabeira.
Efeitos significativos das doses de nitrogênio no crescimento de mudas de goiabeira também já foram observados, onde o maior valor de média de altura (39 cm) foi obtido na dose de 300 mg dm-3 de nitrogênio. Para o diâmetro de coleto, o melhor resultado (4,8 mm) foi obtido na dose de 450 mg dm-3 (FRANÇA et al., 2017).
De modo semelhante ao presente trabalho, foi verificado efeito quadrático sobre altura de parte aérea e diâmetro de coleto de mudas de goiabeira em relação a doses de nitrogênio, porém, fornecido via ureia (DIAS et al., 2012). Num estudo com mudas de goiabeira propagadas vegetativamente, submetidas a uma dose de 155 mg dm-3 de nitrogênio (via ureia), foi observado