“Somes já enviou um dos lacaios para buscar o médico,” Penelope disse, retornando ao quarto correndo e quase sem fôlego.
“E aqui está o uísque,” Poppy disse, correndo atrás dela. “Eu trouxe alguns copos, também. O que há de errado com Olivia? Ela parece atordoada. Por que ela está piscando assim?”
Beast se levantou para pegar os copos das mãos de Poppy e colocá-los na mesa de cabeceira, ao lado da cama. “Acabei de pedi-la em casamento.”
A garrafa escorregou das mãos de Poppy e bateu no carpete.
Penelope congelou. “Quer dizer que O Livro do Amor funcionou?”
Olivia estava contrariada. “Você é o homem mais irritante que eu já conheci. Isso foi uma proposta ou uma ordem? Não quero que você se sacrifique por pena.” Ela tentou continuar falando, porém seu coração estava batendo forte mais uma vez e ela sentiu lágrimas se acumularem nos olhos. Não sabia se eram lágrimas de alegria ou de desespero.
Ela saiu correndo do quarto de Penelope e desceu as escadas, então parou no centro do corredor percebendo que não tinha para aonde ir. Ela tinha acabado de ter o maior susto de sua vida e o intruso ainda não tinha sido capturado. Ela estava alterada, mas não era tão tola a ponto de fugir sem destino.
Beast a alcançou, mas não tentou tocá-la. “Ganso, pensei que você me amasse.”
Ela assentiu. “Eu te amo, mas eu não sou o problema. Você me ama? Se sim, então por que você não pode simplesmente me dizer isso? Não quero que minta para mim. Apenas me diga como você se sente. Como você pode me propor casamento se você não me ama? Eu nunca poderia te forçar a um casamento que você não quer. Você quer se casar comigo?”
As perguntas ficaram sem resposta quando a porta da frente de repente se abriu, com Thad e Nathaniel carregando o culpado pelos braços. O estranho tinha sido obviamente o perdedor da luta. Seu
lábio estava inchado e um olho estava muito machucado. O dano parecia ter sido causado mais por um punho do que pelo cutucão que ela lhe deu no olho.
Nathaniel lhe deu um aceno, garantindo que tudo estava mais uma vez sob controle. “Mandarei um dos lacaios buscar o magistrado.”
Os olhos do homem se alargaram em claro terror. “Foi tudo um mal entendido, senhor. Minha Betsy vai esclarecer isso. Eu vim para vê-la. Ela é a criada de um de seus convidados, Lady Olivia Gosling.
Por favor, vocês devem acreditar em mim. Nunca quis fazer mal a ninguém.”
Matilda e Lavinia, que estavam sentadas na sala de estar esperando tensamente o retorno de Nathaniel e Thad, entraram no corredor. Penelope e Poppy também correram para baixo e estavam olhando para o culpado a partir dos degraus, obviamente com medo de chegarem mais perto.
Olivia estendeu a mão para Beast, aliviada que ele estivesse ao seu lado. Ele lhe lançou um olhar questionador e então colocou o braço levemente em torno de sua cintura em um gesto tipicamente protetor. A tensão pareceu se derreter, porque Beast sempre a fazia se sentir segura. A tensão dele também diminuiu, sabendo que ela não estava brava com ele por a pedir em casamento quando ainda não havia compartilhado o que estava sentindo.
O culpado caiu de joelhos, implorando e protestando sua inocência. “Estava escuro. Pensei que ela fosse a minha Betsy.
Então ela tentou gritar e eu soube que estava em apuros. Onde está a minha Betsy? Ela vai lhes dizer. Eu nunca machucaria ninguém.”
Nathaniel exigiu que chamassem a criada de Olivia.
A garota chegou apressada, deu uma olhada no homem diante dela e empalideceu. “Oh, Senhor! William Jennings, o que você fez?
O que você está fazendo aqui? Era você que estava sendo perseguido por Sua Graça?”
William assentiu. “Lamento muito, Betsy. Sei que não deveria ter vindo aqui, mas eu receava que te levassem de volta para Londres e eu não poderia deixar que você fosse embora sem saber como me sinto.”
Betsy o fitou. “O que você está dizendo?”
“Que eu te amo. Com todo o meu coração. Eu vim até aqui para te pedir que se case comigo.”
Olivia suspirou.
William se virou para ela e fez sinal indicando o bolso. “É verdade, minha lady. Eu comprei um medalhão para Betsy. É no formato de um coração porque ela tem o meu coração e sempre o terá.” O pequeno pomo de adão de sua garganta se movia para cima e para baixo, enquanto ele engolia com força e voltava os olhos marejados para Betsy. “Se Sua Graça não me enforcar, você se casa comigo?”
“Droga,” Thad murmurou, ainda apertando o homem, enquanto olhava para sua própria mão, que parecia inchada e machucada.
“Pensar que eu quebrei minha mão por causa de uma maldita proposta de casamento.”
Nathaniel suspirou. “Parece que não temos afinal um assassino entre nós.”
“Assassino!” Os olhos de William se arregalaram de horror e o sangue escorria de sua face. “Quem disse que eu mataria alguém?
Meu Senhor, não pode acreditar que eu faria uma coisa dessas.
Betsy, diga-lhes. Com certeza vou ser enforcado.”
Nathaniel se virou para a criada de Olivia. “Bem? Isso é verdade?”
Beth acenou com a cabeça e se virou, implorando para Olivia.
“Sei que ele fez uma coisa muito tola, minha lady. Mas ele é meu amor. Eu o conheço por toda a minha vida. Ele às vezes vem me ver. Sei que ele não queria fazer nenhum mal. Você quis dizer isso, William? Você deseja se casar comigo?”
Ele assentiu. “Tenho o medalhão para você bem aqui no meu bolso. Eu juro.”
Thad alcançou o bolso do homem e retirou o medalhão. “Aqui está.”
“Eu te amo, Betsy. Não importa o que aconteça. Você é a única garota que eu já amei e a única garota que tomaria como minha esposa. Quero que você saiba disso antes que eu seja enforcado.”
Nathaniel gemeu e se voltou para Beast. “O que você acha?”
Beast suspirou. “William, se você vive na cidade, então o que você fazia em Gosling Hall ontem à noite?”
“Eu moro em uma fazenda nos arredores de Wellesford. Sou um dos agricultores arrendatários do Magistrado Baldridge.” William franziu a testa. “Não estava em Gosling Hall, Sua Graça. Mas posso ter visto o homem que estava.”
“Você viu?” Olivia apertou a mão de Beast. “Então quem era ele?”
“Um estranho, minha lady. Conheço todo mundo por aqui e ele não era de perto. Um sujeito com aparência bem desagradável.”
“Descreva-o, Beast disse.”
“Um grandalhão, Sua Graça. Cara feia, do tipo que podemos encontrar numa taberna nas docas. Que não pensaria um segundo em espetar uma faca em você para roubar sua bolsa.”
“O que você acha, Beast? Procuramos por ele?” Thad perguntou.
“A bagunça provavelmente o assustou. Duvido que ele faça uma tentativa esta noite. Se é o homem de Gosling, deve saber que partiremos para Londres pela manhã. É muito provável que ele esteja voltando para a cidade para relatar o fracasso de sua missão.” Ele se virou para Thad. “Deixe William ir.”
“Obrigado, Sua Graça,” ambos, Betsy e William, disseram ao mesmo tempo.
“Mas William deve esperar pelo magistrado e conduzi-lo, junto com seus homens, para o local onde ele viu pela última vez esse suspeito,” Beast continuou. “Nathaniel, também deveríamos pedir ao magistrado que procurasse em Gosling Hall e nos arredores, caso ele ainda esteja à espreita.”
“Sim, concordo que devemos,” disse Nathaniel.
Beast franziu a testa e esfregou a mão na nuca. “Embora eu esteja quase certo de que será um esforço em vão. Ainda assim, não podemos tomar nada como garantido. Mas a minha aposta é em Londres. Seja lá o que ele pretende fazer, ele agora vai tentar quando voltarmos à cidade.”
“É por isso que você propôs casamento à Olivia?” Penelope perguntou, ainda parada nos degraus. “Duas propostas em uma noite. Isso é motivo de celebração.”
Nathaniel se virou para sua irmã. “Não faça gracejos a esta altura dos acontecimentos.”
Poppy saiu em sua defesa. “Não é piada. Eu também ouvi.”
“O quê?” Sua boca se abriu e ele se virou para Beast, em total descrença. “Você propôs casamento à Olivia?”
Penelope deu um suspiro. “Sim, ele propôs. Por que você acha isso tão chocante? Beast quer se casar com ela. Não é isso o que eu acabei de dizer?”
“Olivia, minha querida,” disse Lavinia, vindo ao seu encontro e lhe dando um abraço caloroso. “Isso é verdade? Que maravilhoso.
Matilda e eu temos observado vocês dois juntos. Esperávamos que algo pudesse acontecer.”
Olivia fechou os olhos enquanto Lavinia lhe dava um abraço carinhoso e maternal. Isso é o que ela sentia tanta falta desde que seus pais morreram. Ela queria uma família para cuidar e amar. Ela queria um marido que a amasse. “Ele realmente não quer se casar comigo. Ele acha que é a única maneira de me proteger.”
“Ah, eu vejo.” Lavinia pegou na mão dela. “Venha se sentar ao meu lado, criança. Deixe que eu te dê um olhar mais atento. Você está ferida? Foi por isso que Penelope chamou o médico?”
“Eu estou bem. Só um pouco alterada.”
Matilda se colocou a sua frente e acariciou seu braço. “Com toda razão.” Ela se virou para William com uma carranca. “Imagine encontrar um estranho na privacidade do seu quarto. Você tem sorte que Lady Olivia seja tão indulgente.”
William parecia abalado quando se voltou para Olivia. “Estarei sempre em dívida com minha lady.”
Matilda, em seguida, virou a carranca para Beast. “O que é isso sobre você não querer realmente se casar com a garota? É nisso que você levou Olivia a acreditar? Nunca ouvi tanta besteira em todos os meus anos vividos. Sobrinho, você deve engolir o orgulho e dizer a verdade para a garota. Como pode um estrategista brilhante como você estragar esta proposta tão deploravelmente?”
“Os homens são assim,” Lavinia completou. “Eles preferem enfrentar a morte do que entregar seus corações.” Ela franziu a testa para Beast. “O amor não é uma batalha. A mulher que você ama não é um inimigo a ser conquistado. Mesmo este agricultor tem mais compreensão do que você.”
Beast parecia estar lutando para conter sua crescente irritação, obviamente não acostumado a ter suas ações questionadas ou dissecadas na frente de todos. “As duas já acabaram de me insultar?”
“Não estamos te insultando. Estamos apoiando Olivia. Ela merece mais,” insistiu Matilda e, aparentemente não tendo terminado de repreender os homens, virou-se para Thad. “Por que você ainda está segurando o jovem da Betsy? Solte-o.”
Thad não parecia muito feliz. “Ele quebrou minha mão.”
“Colocando o rosto no caminho do seu punho?” Penelope replicou, revirando os olhos para ele. “Venha aqui, seu grande escocês tolo. Deixe-me dar uma olhada na sua mão.”
Ele se aproximou com cuidado.
“Pare de ficar tão assustado. Não vou machucá-lo.” Penelope inspecionou a mão dele com bastante gentileza. Na verdade, Olivia ficou surpresa. Sua amiga era frequentemente espinhosa com Thad, mas ela parecia realmente preocupada e teve muito cuidado com o ferimento.
“William Jennings,” Nathaniel disse, soando bastante sério e autoritário, tanto quanto um poderoso conde deveria soar. “Não vou prestar queixa desta vez. Nunca mais invada a minha casa ou vou vê-lo enforcado.” Ele se virou para Betsy. “Tome cinco minutos para vê-lo lá fora e, em seguida, volta aos seus deveres. E Betsy...”
“Sim, Sua Graça?” Os olhos da garota ainda demonstravam medo.
Nathaniel balançou a cabeça e suspirou. “Parabéns. Desejo-lhes felicidade.”
Ninguém disse nada até o par ter saído. Então, de repente, todos os olhos estavam sobre Olivia. Nathaniel deu um passo à frente mais uma vez. “Devemos dar os parabéns para vocês dois? Você parece não ter certeza, Olivia.”
Ela se virou em alarme para Beast. Até sua criada tinha conseguido um ‘eu te amo’ do galanteador um tanto estúpido. Ela estava pedindo muito de Beast? E dela mesma? Ele era a resposta para todos os seus problemas.
Mais importante, ela o amava com todo seu coração. “Beast?”
Ele entendeu o que ela estava perguntando. “Eu quis dizer isso, Ganso. Eu não vou voltar atrás.”
Ela liberou a respiração que estava segurando. “Sim, podem nos dar os parabéns.”
Poppy e Penelope aplaudiram.
Thad e Nathaniel ficaram admirados.
“Raios me partam,” murmurou Thad.
Nathaniel balançou a cabeça. “Preciso de uma bebida.”
Lavinia pediu champanhe.
Matilda deu um abraço em Olivia. “Bem-vinda à família, querida.
Bem, estou feliz que isso esteja resolvido. Você nunca mais terá que retornar para Lorde Gosling.”
Olivia se sentiu mais entorpecida do que eufórica. Se Beast tivesse expressado seu amor por ela, ela poderia ter se sentido alegre. Mas ele não tinha, e ela ainda estava preocupada que ele tivesse assegurado a cada um dos presentes sobre a seriedade do seu pedido apenas para aplacá-los. “Mas eu ainda vou precisar do consentimento do meu guardião para casar.”
Beast ficou ao seu lado mais uma vez. “Ele vai nos dar seu consentimento se ele sabe o que é bom para ele. Ganso, não se preocupe com ele. O homem é irrelevante. Ele não vai se atrever a atravessar o meu caminho.”
A hora seguinte foi gasta cuidando das pontas soltas e brindando seu noivado. O médico local, Angus Carmichael, levou-a para um canto da sala e lhe fez uma série de perguntas para determinar se ela estava sofrendo quaisquer efeitos ruins do incidente da noite.
“Posso lhe dar algo para ajudá-la a dormir, por outro lado, não vejo nada de errado com você. Você está saudável.”
Ela se recusou a tomar qualquer medicamento. Sua cabeça já estava enevoada e ela precisava de clareza para lidar com Beast.
O magistrado a felicitou quando ele ouviu a notícia do noivado.
“Gostaríamos de manter isso em segredo por enquanto,” Olivia disse, percebendo que Beast parecia terrivelmente sombrio para um suposto noivo feliz. Enquanto o médico não era de espalhar fofocas, o magistrado já não tinha tais escrúpulos. Olivia acreditava que a cidade inteira de Wellesford saberia da proposta de Beast antes da primeira carruagem sair da Mansão Sherbourne pela manhã.
Já passava da meia noite quando todos finalmente estavam prontos para se recolher. As duas viúvas subiram primeiro. Depois Penelope e Poppy retornaram para o quarto de Penelope. Olivia queria segui-las, mas Beast a segurou um momento.
Thad e Nathaniel lhes deram boa noite, mas não estavam indo dormir. Eles tinham decidido ficar de guarda do lado de fora do quarto de Penelope para o caso de haver outro incidente. Beast iria se juntar a eles na patrulha do terreno e da casa, mas primeiro pediu para falar com ela.
Ele já estava arrependido da sua proposta?
“Você não parece feliz, Ganso.”
“E você parece que acabou de enterrar seu melhor amigo. Como posso ser feliz quando obviamente eu o forcei a me fazer a proposta?”
Ele a atraiu para seus braços e a beijou com uma fome surpreendente. “Você não me obrigou a fazer nada que eu não quisesse.”
“O Livro do Amor–”
“Esqueça esse maldito livro. Eu sei o que ele diz.” Ele suspirou e lhe lançou um sorriso irônico. “Eu te prometo que não vou derramar minha semente em você e depois deixar você e minha prole para trás para serem comidos por lobos.”
Ela queria ficar com raiva dele, mas talvez Matilda estivesse certa. O Livro do Amor tinha falado disso também. Era da natureza de um homem derramar sua semente em toda parte. Dar aquele salto para se conectar com uma companheira e protegê-la por toda a vida não era tarefa fácil. Além disso, Beast estava acostumado a estar no comando. Ter que entregar algo tão precioso quanto seu coração poderia levar tempo.
No entanto, ele lhe deu aquela linda pulseira. Tinha que significar alguma coisa.
Ela estendeu a mão e o beijou de volta. “Eu te amo, Beast.”
Ela se virou rapidamente e correu para cima, preferindo não esperar pelo silêncio que certamente permaneceria entre eles quando Beast não dissesse nada em retorno.
Mas nem toda esperança estava perdida. Uma vez que eles estivessem casados, eles teriam os privilégios sexuais
proporcionados a marido e esposa. Ela precisava ler um tipo diferente de livro para aprender sobre essas coisas, e não seria tão difícil obter um. A Senhorita Billings tinha tais livros em sua livraria de Wellesford. Deixaria uma mensagem para que enviasse um deles a Londres para ela. Torcendo para que tivessem ilustrações vívidas que explicassem as várias posições.
Ela parou de repente e retornou correndo pelas escadas. “Beast, tenho uma pergunta importante para te fazer.”
Ele assentiu. “Faça-a.”
“Vamos partilhar a cama quando casarmos?”
A pergunta o surpreendeu, mas ele pareceu satisfeito por ela tê-la feito. Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu. “Você gostaria?”
Ela assentiu com a cabeça.
“Então, sim. Vamos partilhar a cama.” Ele deu uma ligeira risada.
“Será que eu devo perguntar por que você fez esta pergunta?”
“Não, você não deve.” Ela estava prestes a subir as escadas novamente quando ele gemeu e foi em direção a ela com um olhar ardente. Senhor, ele parecia tão lindo.
Ela amava esse homem.
Ele colocou a mão de leve no braço dela. “Isso é sobre outro livro?”
“Boa noite, Beast.”
“Um daqueles livros lascivos?” ele persistiu, ainda segurando o braço dela.
“Não é lascivo lê-lo quando se é casado, como eu serei em breve.”
“Droga, você é um pequeno ganso,” ele disse com um gemido dolorido. “Mas é por isso que eu te amo.”
Ela tinha ouvido corretamente? Ou ela estava dormindo e tudo tinha sido um sonho? “Você me ama?”
Ele assentiu e deu um passo para pegá-la em seus braços.
“Amo.”
“De verdade?”
Ele assentiu novamente e a beijou, desta vez com uma grande ternura. Sua boca parecia quente e reconfortante sobre a dela.
“Verdadeiramente.”
“Prometa.”
Seus braços se apertaram em torno dela e pareciam sólidos e maravilhosos. “Prometo, Ganso. Vou te amar até o dia da minha morte.”
Um súbito pensamento terrível a dominou.
Se seu guardião a estava roubando, então agora Beast representava a maior ameaça para ele. Como seu marido, ele iria ter o controle de sua herança tão logo estivessem casados, assumindo que ela tivesse qualquer herança para trazer para o casamento. Seu guardião estaria desesperado para impedir que isso acontecesse.
Ele se atreveria a matar um duque?
*
Beast sabia que deveria ter subido na carruagem com Ganso e se comportado como um futuro marido exemplar, mas ele não gostava que todos agora o considerassem como uma curiosidade. Ele preferia sua privacidade e estava ressentido pela forma como seus melhores amigos e até mesmo sua própria tia o olhavam, como se ele fosse um idiota. Ganso parecia aliviada que ele cavalgasse ao lado da carruagem em vez de se sentar ao lado dela.
Como ficou claro, Lavinia e Matilda decidiram viajar juntas na carruagem ducal dele. Ganso e suas amigas viajaram na carruagem de Nathaniel, junto com O Livro do Amor, que agora tinha tomado proporções míticas, desde que Ganso conquistou seu duque... ele.
“Tendo algum arrependimento?” Nathaniel perguntou, cavalgando ao lado dele quando se aproximavam de Oxford.
Thad se juntou a eles. “Vocês acham que há alguma verdade escrita em O Livro do Amor?”
“Sem arrependimentos. E o livro é apenas um livro. Seja qual for o feitiço que tenha sido lançado em mim, foi obra somente de Ganso.”
Thad sorriu. “Será que você nunca vai chamá-la de Olivia? É o nome dela, sabe. Ela pode preferir a Ganso.”
Beast balançou a cabeça e deu risada. “Vamos ver. Ela não reclamou sobre isso para mim.” Mas ele contemplou seus
companheiros e ficou pensativo. “Ela disse alguma coisa para qualquer um de vocês?”
“Não,” Nathaniel disse. “Na verdade, eu nunca a vi reclamar de nada. Nem mesmo sobre seu guardião odioso. Fico feliz que logo ela estará sob sua proteção. Vamos todos ficar mais tranquilos sabendo que ela está em boas mãos. Mas você deve dar um pouco de atenção a ela agora, ou Matilda vai puxar suas orelhas. Estamos quase na Estalagem Black Swan. Vou pedir comida e refrescos para todos quando chegarmos lá, mas comece a se comportar como um
“Não,” Nathaniel disse. “Na verdade, eu nunca a vi reclamar de nada. Nem mesmo sobre seu guardião odioso. Fico feliz que logo ela estará sob sua proteção. Vamos todos ficar mais tranquilos sabendo que ela está em boas mãos. Mas você deve dar um pouco de atenção a ela agora, ou Matilda vai puxar suas orelhas. Estamos quase na Estalagem Black Swan. Vou pedir comida e refrescos para todos quando chegarmos lá, mas comece a se comportar como um