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Não foi até nossa viagem de volta para casa que isso aconteceu.

A ideia.

Poppy tinha novamente adormecido depois de me fazer prometer ajudá-la montar a árvore de Natal, uma vez que chegássemos em casa. Uma vez que ela começou a ronronar, eu percebi que era seguro desligar a música de Natal que ela tinha colocado e ouvir o meu audiobook novamente.

O narrador estava relatando a história de Teseu e o labirinto de Creta, e quando eu pensava sobre o próprio labirinto, eu comecei a pensar em outros símbolos icónicos da mitologia. Nos celtas e nas cruzes e triskelion10 e seus espirais. E então eu pensei apenas sobre os espirais enquanto eu dirigia pela estrada molhada, mas quase vazia, e então veio a mim por que eu lutava com inveja sobre Anton, embora eu tenha deixado de lado o ciúme sobre Sterling.

A vida é uma espiral.

Enquanto nós vivemos, nós seguimos em frente. Mas em um caminho espiral, ficar mais perto de seu destino significava passar periodicamente as mesmas coisas - emoções, problemas, falhas de caráter - uma e outra vez, da mesma forma como uma pessoa subindo uma escada em espiral que continuamente se encontra de frente para a parede a cada dez passos ou algo assim.

Meu ciúme era meu norte, e talvez eu fosse mais sábio do que a última vez que eu o senti. Talvez desta vez fosse mais fácil de dominar, e então quando eu, inevitavelmente, o enfrentasse novamente, seria ainda mais fácil...

Mas minha mente não parou por aí. Porque eu percebi que isso não se aplicava apenas aos indivíduos. Era aplicado à instituições também. Como igrejas. Como a Igreja Católica, na verdade. Porque, historicamente, a igreja tinha seu próprio espiral, momentos em que

10 Triskelion:

tinham sido forçados a se modernizar ou adaptar, grandes saltos em frente a um humanitarismo e filosofia, e saltos gigantes para trás com seus dogma e perseguição.

A Igreja não precisava de mim para lhe dizer como mudar. Ela já sabia, porque tinha feito isso tantas vezes antes.

A Igreja Católica não precisa de receita médica para a reforma, escrevi mentalmente, desejando que eu estivesse com meu laptop e capaz de escrever isto. A Igreja só precisa de uma chamada para despertar...

Meu Deus. Eu realmente tinha quebrado a barreira da conclusão da minha dissertação? Eu poderia finalmente escrever esse filho da puta?

Animado, eu acelerei o carro e olhei para o relógio. Apenas um par de horas até chegar em casa. E então eu iria começar a detonar esta reescrita.

* * *

— Eu pensei que você tivesse dito que iríamos montar a árvore juntos? — disse Poppy, os braços cruzados.

Eu estava caminhando para fora da porta, e eu tinha parado para lhe dar um beijo distraído - erro de principiante. Porque então ela tinha notado a minha bolsa recheada de lanches e deduziu que eu estava pensando em ficar fora a noite inteira.

Corri a mão pelo meu cabelo. Eu odiava desapontá-la - Poppy amava o Natal da mesma maneira que a maioria das pessoas amavam bebês - ferozmente e às vezes irracionalmente - e montávamos a árvore juntos todo ano desde que tínhamos casado. Por outro lado, a cada minuto que eu estivava aqui discutindo com ela era mais um minuto desperdiçado, quando eu poderia estar colocando para fora as palavras que finalmente trariam essa tese a seu amaldiçoado fim.

— Podemos montar outra noite? — perguntei, tentando soar penitente e realmente sincero. (Eu não era nenhum dos dois).

Seu lábio inferior se curvou em algo perigosamente como um bico. Meu coração balançou com a visão, mas então meu cérebro

gritou escreva... escreva, finalize, finalize, para mim, e meu coração parou com a culpa.

— É dia de Ação de Graças, — disse ela. — Esse é o dia de montar as árvores de Natal, mas se você quiser esperar...

— Eu quero, obrigado. Eu prometo que a hora que eu terminar essa coisa podemos montar sete árvores de Natal, ok? Nós vamos montar muitas como sua mãe fez em Pickering Farm. — eu deixei cair um beijo em seus lábios imóveis. — Eu vou terminar com essa coisa o mais cedo possível. Eu juro.

Seus braços ainda estavam cruzados quando eu saí pela porta.

* * *

Na tarde seguinte, eu bati na porta aberta do escritório da professora Morales. — Professora? Posso entrar?

Morales estava parada na frente da pequena janela de seu escritório, esfregando suas costas com a palma de uma das mãos. Ela não me deu uma resposta imediata, então eu apenas pairei no limiar como um vampiro, até que ela finalmente se virou para mim. Seus lábios apertaram em uma linha infeliz e plana, e seus olhos estavam distantes e escuros.

— Este é um momento ruim? — perguntei. Eu quase pulei e bati meus pés no ar quando eu tinha visto a luz sobre sua porta quando eu andei do meu pequeno escritório compartilhado para a biblioteca, e eu decidi tomar a chance de lhe mostrar a minha última revisão. Eu passei a noite na biblioteca ontem, voltando para casa ao fim da manhã para tomar banho e entrar em um rápido cochilo antes de dirigir ao campus sob uma última rodada de congelante granizo. Poppy não estava em casa - eu tinha assumido que ela tinha fugido cedo para se preparar para o evento de gala - mas a árvore de Natal estava na sala de estar para me cumprimentar em vez disso, um monumento de três metros de altos para minhas falhas como marido, piscando brilhantemente, apesar da luz cinza escuro de inverno lá fora.

Eu disse a ela que poderia montar mais tarde, eu pensei, irritado. Montar sem minha presença parecia bastante passiva e agressiva, e eu deixei o ressentimento crescer em meu peito enquanto eu tomava banho e me deitei para dormir. Eu finalmente tive um grande

avanço, finalmente fomos ao jogo final, e ela estava começando a fazer as coisas sem mim agora? Agora, quando nós estávamos tão perto do fim de toda essa merda?

Mas eu não estava programado para a raiva. Eu estava programado para a culpa. E não demorou muito para que minha irritação fosse substituída por fantasias deprimentes de Poppy montando os ornamentos e se esforçando, bebendo sozinha, cantando as canções natalinas sozinha.

Sozinha. Essas eram as duas piores palavras no idioma Inglês agora mesmo, ou pelo menos as mais incriminadoras.

Com dificuldade, mudei minha mente da árvore de Natal de volta ao presente. Morales estava inclinada para frente agora, uma mão apoiada sobre a mesa enquanto ela olhava para baixo com um aperto na cara. E então ela soltou um gemido baixo - o tipo de ruído que eu normalmente ouvia quando minha esposa estava em suas mãos e de joelhos na minha frente - e então eu corei em resposta automática, até que percebi que Morales estava com dor, de verdade, uma dor insuportável, e eu dei um passo à frente para ir até ela.

— Professora? Você gostaria que eu chamasse alguém?

— Eu acho que eu preciso chamar a minha médica, — ela conseguiu dizer depois de um minuto ou algo assim. Seu corpo relaxou um pouco, mas ela se manteve inclinada para frente, como se tivesse medo de que em pé provocaria sua dor novamente.

— Hum, está bem, — eu disse, tirando minha mochila e cavando meu telefone no bolso do meu blazer. — Qual o nome dela? Talvez eu possa encontrar o número dela online.

— Eu posso fazer isso, — disse ela, e sua voz estava um pouco menos tensa agora, um pouco mais lúcida. — Você pode me trazer minha bolsa?

Eu fiz isso e ela encontrou seu próprio telefone, e dentro de alguns minutos ela estava conversando com uma enfermeira, coisas como seis minutos de intervalo e pensei que era apenas dor nas costas e não, não, não tem diminuído.

Foi quando eu percebi que ela estava em trabalho de parto. Puta merda.

Puta.

Que.

Pariu.

Uma vez eu era qualificado para batizar bebês. Eu tinha sido qualificado para me juntar as pessoas em casamento e eu era qualificado para rezar em sua cabeceira. Eu tinha guiado as pessoas através de algumas das partes mais felizes e infelizes da sua vida, os altos e baixos, agonias e êxtases.

Mas eu não tinha ideia do que diabos fazer com uma mulher em trabalho de parto. Especialmente uma mulher que potencialmente estava com o peso do meu futuro acadêmico em suas mãos.

— Tudo bem, — disse ela ao telefone. E então, — Sim, eu tenho uma carona para o hospital.

Como um personagem de uma comédia, eu instintivamente olhei para trás de mim, como se procurasse outra pessoa na sala, e então eu percebi - eu era a carona para o hospital.

Como se sentisse meu pânico crescente, Morales encontrou meus olhos quando ela desligou o telefone. — Tyler, — disse ela. — Você tem que parar com esses olhos de cachorro perdido. Eu não posso lidar com eles, mesmo quando eu não estou - ugh. — ela se inclinou outra vez, ambas as mãos sobre a mesa, respirando com dificuldade.

Sem saber o que fazer, eu lhe afaguei desajeitadamente nas costas.

— Não Toque. Em. Mim, — ela rosnou.

— Sim, senhora.

Depois de mais um minuto disto, ela finalmente se endireitou. — Onde você estacionou?

— No exterior do edifício no estacionamento da faculdade. Devo trazer o carro ou...

— Porra, vamos caminhar. — ela se colocou de pé, fez um movimento de bater com a mão para indicar que eu deveria pegar sua bolsa, e, em seguida, começou a andar. Eu me senti com quinze anos de idade, desajeitado e inútil. Eu não tinha ideia do que dizer ou mesmo que entrada do hospital parar até chegamos lá. Certamente eu deveria estar fazendo alguma coisa, certo? Toda a coisa de respiração estranha - eles sempre fazem isso nos filmes.

Quando vislumbrei seu anel de casamento piscando na luz do corredor quando saímos, eu perguntei, — Devo chamar o Sr. Morales?

Professora Morales me lançou o mesmo olhar fulminante que ela dava a classe nova de graduandos em suas aulas de história da igreja medieval. — Você honestamente acha que eu peguei o nome do meu marido quando eu me casei?

— Hum. Não?

— Claro que não. E o meu marido está visitando a família porque o bebê não era previsto até a próxima semana... oh merda. — ela parou cerca a alguns metros do elevador, as mãos estendidas, como se estivesse procurando algo para agarrar. Eu ofereci meu braço, o que me arrependi instantaneamente, porque ela cavou seus dedos dentro de mim tão forte que eu sabia que ia estar dolorido mais tarde. Mas eu aguentei estoicamente como pude, e quando ela trincou uma solicitação para alisar a parte inferior das costas dela, me aproximei e fiz, esperando que ninguém passasse e me visse, basicamente, abraçando um dos membros que jugaria a minha dissertação.

E assim foi todo o caminho até o carro, poucos minutos de caminhada, poucos minutos de parar e respirar, onde ela gradualmente transformou todos os ossos em minhas mãos em seixos soltos e eu a segurei de volta tão duro quanto eu podia. No carro, ela colocou o assento para trás e tirou o encosto de cabeça, enquanto eu ligava para seu marido e deixei uma (muito estranha) mensagem de voz explicando por que eu estava levando sua mulher em trabalho de parto para o hospital.

Só me levou dez minutos para fazer uma viagem de vinte minutos, mas quando entrei na entrada de emergência, a professora Morales tinha definitivamente ido de trabalho de parto para absolutamente e totalmente em trabalho de parto, e apenas dar poucos passos do carro para a porta da frente nos levou vários minutos. Uma enfermeira saiu com uma cadeira de rodas, recebendo um monte dos mais cruéis palavrões que eu já ouvi de Morales, e quando eu tentei me afastar para estacionar o carro, fui informado em uma língua incerta que eu estava intimado a ficar com ela. Então eu a deixei esmagar a minha mão e xingar palavrões que até mesmo os Business Brothers iriam corar, até ela ser levada a um quarto na ala de trabalho de parto.

— Você é o pai? — uma enfermeira me perguntou.

— Não, — eu gaguejei. — Eu sou seu candidato em PhD.

A enfermeira olhou para mim como se eu fosse uma pessoa insana, e eu meio que me senti como um cercado por todos estes enfermeiros e monitores em movimento e então eu cometi o erro de olhar por cima e ver uma enfermeira com sua mão em Morales-

— Eu vou estacionar o carro, — eu disse inquieto, recuando. — Existe uma irmã ou um amigo que podemos chamar para ajudar com...

— fiz um gesto para a enfermeira/mão/a situação da vagina dela. — Tudo isso?

Havia uma irmã. E, então o marido de Morales ligou de volta, animado como o inferno e correndo para o aeroporto em um táxi, e quando eu acabei de estacionar o carro, Morales sabia que seu marido estava a caminho e sua irmã estava entrando na sala. Eu fiquei na sala de espera, examinando meu braço e as contusões e me sentindo estranhamente nervoso. Por que eu estava nervoso? Este não era o meu bebê.

Mas então eu percebi que o que eu achava que eram tremores eram realmente lascas de alegria – brilhantes e vibrantes, o nevoeiro de trabalho e culpa. Morales estava tendo um bebê, agora, aqui neste mesmo lugar. E eu cheguei a ser uma parte disso, uma parte desta nova vida, essa incrível e bonita coisa que estava acontecendo apesar das guerras e genocídios e maus políticos e a política acadêmica de merda.

Eu mal podia esperar até que eu estivesse no hospital para ter o meu próprio bebê. Me sentei e me deixei fantasiar sobre isso, sobre Poppy com uma barriga inchada, sobre Poppy xingando obscenidades para mim. Sobre nós, nossa família aumentando. Isso quase se tornou muito doloroso para pensar - Poppy ter o meu filho - não porque me deixou chateado, mas porque isso me deixou tão feliz, quase incandescente. Eu comecei a sorrir só de pensar nisso, imaginando se ela concordaria em tentar ter um bebê assim que eu terminasse a minha licenciatura. Inferno, nós poderíamos fazer agora, porque um bebê não nasceria por mais nove meses depois que ele ou ela fosse concebida, embora eu realmente devesse cair na real e pensar sobre o que aconteceria após este PhD. Eu não poderia pedir a Poppy para ter o meu filho se eu não tivesse um plano para minha vida ainda.

— Sr. Bell? — uma enfermeira saiu para a sala de espera. — A Sra. Morales quer que você saiba que ela acabou de ter um bebé saudável, e que você está convidado a vir e conhecer.

Eu não deveria me intrometer, eu realmente não deveria...

— Tudo bem então, — eu disse, levantando e seguindo a enfermeira de volta para o quarto. No caminho, eu olhei para o relógio. Tinha sido apenas duas horas desde que tínhamos chegado ao hospital, o que parecia rápido para ter um bebê... não que eu realmente soubesse nada sobre ter filhos. Meus irmãos não tinham filhos, e os irmãos de Poppy tiveram seus filhos muito antes de eu a conhecer. Realmente, a minha única experiência com um bebê era de batismos, e aqueles tendem a ser assuntos bastante diferentes.

Quando entrei no quarto, Morales tinha passado um batom ameixa e um cardigã caro sobre seu vestido de hospital. — Sinto muito por todas as coisas que eu disse a você antes, Tyler, — ela se desculpou rapidamente. — Estou me sentindo muito melhor agora.

— Sim, agora que eles te deram algo para a dor, — sua irmã apontou.

Morales apontou para o pacote em seus braços. — Gostaria de conhecer a minha filha?

Me arrastei para a cama, de repente me sentindo tímido – um sentimento que a Sra. Morales queria que eu me livrasse rapidamente esticando o pacote pequeno para mim para que eu segurasse no segundo em que eu estava perto o suficiente. Eu não sabia muito sobre bebês, mas a etiqueta sugeriu que seria rude recusar um bebê oferecido, então eu aceitei, surpreso com o quão pouco a criança pesava.

A coloquei na dobra do meu braço e olhei para seu pequeno rosto, seus olhos ligeiramente inchados e com a cabeça coberta por um chapéu listrado azul e rosa. Mas ela estava acordada e quase sobrenaturalmente calma, seus olhos escuros piscando e sua boca pequena se separou, como se ela estivesse olhando com espanto para o mundo ao seu redor. Ela era tão sobrenatural, tão perfeita e tão frágil, e naquele momento, onde os olhos arregalados pareciam se prender nos meus, eu senti uma paz e uma alegria turbulenta, quase como uma tontura.

Eu tinha ouvido muitas explicações de por que Abraão tinha nomeado o seu filho de Isaque, o que significa ‘risada’ em hebraico. Isso foi porque Sarah riu quando o Senhor disse a ela que ela teria um filho, ou mesmo que ele foi nomeado para o próprio riso de Deus pela situação. Mas agora, eu sabia como Abraão poderia ter sentido, segurando seu próprio recém-nascido, uma felicidade tão triunfante e de euforia que ele não podia deixar de rir.

Eu beijei a testa da menina, meu peito se rasgando com adoração e esperança, e depois eu (relutantemente) lhe entreguei de volta a Morales, que me deu um sorriso cansado. — Aposto que você não esperava gastar seu sábado à noite desse modo.

— Eu estava escrevendo na biblioteca. — eu sorri de volta, exceto que em seguida, algo frio e em pânico atravessou os meus pensamentos, como um alarme estridente que só se torna gradualmente discernível quando você desperta de seu sono.

Sábado à noite.

Havia algo sábado à noite.

Por força do hábito, eu verifiquei o meu telefone, a notificação do calendário me mostrou exatamente que havia algo, e também que eu já estava uma hora atrasado para isso.

O evento de gala de Poppy.

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