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FONTE: http://fraternidadeumbandistaluzdearuanda.blogspot.com.br

A Umbanda, como religião assentada em solo brasileiro, fundamentada pelo seu ecletismo religioso, apresenta a junção dos povos que formam o cenário cultural religioso do país, com as matrizes europeias, africanas, ameríndias. Conforme, a Dissertação de Mestrado em Psicologia, defendida na USP, em 2006, de Fábio Ricardo Leme, com o título Usos do imaginário nos estudos Afro-brasileiros e no culto umbandista81, é analisada sob uma vertente pouco abordada na relação com as Entidades da Umbanda que é o arquétipo religioso Oriental, ou melhor, Povo do Oriente82, conforme a denominação dos umbandistas, esta última através da

81 LEME, F. R. Usos do imaginário nos estudos Afro-brasileiros e no culto umbandista, Ribeirão Preto, 2006. 164p. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, USP – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2006.

82 Conforme trecho transcrito da entrevista com AZAMBUJA, L. C. Umbanda. Rio Grande, 18 abr.

2008. Entrevista concedida a PEREIRA, R. A.: Linha da Umbanda que é regida por são João Batista e dividida em 7 Falanges constituídas pela seguintes Legiões: 1. Legiões dos Hindus – chefiada por Zartú. 2. Legião de Médicos e Cientistas – chefiada por José de Arimatéia. 3. Legião de Árabes e

presença dos elementos do Budismo e do Hinduísmo em alguns Terreiros de Umbanda83. Para isto, o autor objetiva, em seu estudo, proceder a uma explicação da concepção umbandista sobre o imaginário. O seu estudo tem como contribuição advinda da pesquisa com médiuns videntes, o diálogo entre a produção científica e a cosmovisão desenvolvida no âmbito da religiosidade afro-brasileira, em especial, a Umbanda.

Porém, na seleção do material para a pesquisa, teve que sobressair perante os entraves, entre os quais a coleta da amostra, distribuída pela forma como alguns autores imbricam a Umbanda com outras religiões de matriz africana em suas pesquisas. Foram focalizados, porém nesta pesquisa, estudos vinculados à Umbanda. No entanto, foi possível captar recortes de um vivenciar religioso que atravessa o Brasil em seus extremos, chegando aos países vizinhos, a exemplo de Uruguai e Argentina84.

A pesquisa antropológica, organizada por Ari Pedro Oro, na forma de livro intitulado Religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul85, apresenta um panorama riquíssimo, apresentando uma trajetória que compreende o período escravocrata no Rio Grande do Sul com a estruturação das religiões afro-brasileiras (Batuque, Umbanda e linha cruzada) e o papel desempenhado pelo príncipe Africano Custódio (FOTO 5, p.54) que viveu no RS no final do século XIX, até 1935.

Marroquinos – chefiada por Jimbaruê. 4. Legião de Japoneses e chineses – chefiada por Ori do oriente. 5. Legião de Egipcianos, Astecas, Mongóis, Esquimós, Incas – chefiadas por Inhoarairi;

Imperador Inca antes de Cristo. 6. Legião dos Índios Caraíbas – chefiados por Itaraiaci. 7. Legião de Gauleses, Romanos e outros povos Europeus – chefiados por Marcus I – Imperador Romano.

Atuando com a arte da cura, as Entidades da Linha do Oriente buscam fazer o encarnado compreender bem as causas de suas enfermidades e a necessidade de mudanças nessas causas, bem como a necessidade de seguirem à risca os tratamentos indicados. São Entidades que vêm com a missão de humanizar corações endurecidos e fecundar a fé, os valores espirituais, morais e éticos no mental humano.

83 PINTO, A. Dicionário de Umbanda. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Eco, 1975. (p 190): “Nos Terreiros de Umbanda é onde baixam as almas das criaturas humanas sofredoras, que são trazidas pelos espíritos das Linhas, a fim de terem a certeza de que já deixaram o mundo material, e serem doutrinados. Nos Terreiros de Umbanda aparecem também os Espíritos da Natureza e os próprios espíritos de Quimbanda, inclusive os Exus”.

84 Em 1966 instalou-se o primeiro Terreiro de Umbanda na Argentina, na capital Buenos Aires;

atualmente, o país platino possui cerca de 400 Terreiros registrados. E no Uruguai, os primeiros Terreiros de Umbanda chegaram na década dos anos de 1950, e cresceu a sua popularidade no final dos anos 1970, início de 1980; nos últimos anos cerca de 5% da população frequenta Terreiros de Umbanda no país. ORO, A. P. Axé Mercosul: as religiões afro-brasileiras. São Paulo: Vozes, 1999.

85 ORO, A. P.(Org.). Religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Ed.

Universidade/URGS, 1994.

O estudo, na primeira parte do capítulo denominado Panorama das religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul, escrito por Norton Figueiredo Correa, abarca reflexões dessas religiões no Estado sulino do território brasileiro, com a presença de não negros nelas e, principalmente, o espraiamento para os países vizinhos e a sua relação com o poder político. O mesmo autor aponta os termos de pura ou cruzada para a Umbanda em sua pesquisa e define o primeiro do seguinte modo:

A Umbanda pura congrega elementos católicos, Kardecista, de inspiração oriental, de inspiração indígena e o africano, sendo que neste tem predominância maior o de origem banto. E cultua: a)Entidades católicas;

b)espíritos de todas as categorias; c)Entidades “do Oriente”; d)caboclos;

e)orixás “da Umbanda86 .

E com os artigos de Reginaldo Prandi87, Renata Schmidt de Arruda Gomes88 e Emerson Giumbelli89, a reflexão sobre a estigmatização da Umbanda por alguns não adeptos é analisada. E, através dos sons, a autora realiza uma análise da alocução dos membros do citado Terreiro Reino de Luz, pertinente aos estudos dos discursos para compreensão da Umbanda e suas tentativas de adaptação para melhor aceitação social. Ambos os autores realizam uma abordagem sobre as mudanças numéricas encontradas pelo Censo de 2000 em relação ao dimensionamento dos seguidores das religiões afro-brasileiras. Com isto, os autores analisam as características como: cor, sexo, escolaridade, e as respectivas organizações de cultos e Terreiros. E assim apresentam um panorama das mudanças que essas religiões vêm sofrendo na atualidade.

Encontraram-se, em algumas obras, análises vinculadas às concepções de comparação e até mesmo de confronto da Umbanda com outras confissões religiosas. São estudos os quais partilham da sistematização e da influência da análise estrutural de compreender a religião nas facetas do mercado religioso, o que

86 CORRÊA, N. F. Panorama das religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul. In: ORO, A.

P.(Org.). As religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Ed.

Universidade/UFRGS, 1994. (p.9).

87 PRANDI, R. O Brasil com axé: Candomblé e Umbanda no mercado religioso. Estudos Avançados, São Paulo v.18, n. 52, 2004, p.239-260.

88 GOMES, R. P. M. “A língua desse povo não tem osso, deix’ esse povo fala”: campo sonoro da linha de Quimbanda do terreiro de Umbanda Reino de Luz – som e preconceito. PER MUSI, Revista acadêmica de musica, Belo Horizonte, n.28, 2003, p.192-207.

89 GIUMBELLI, E. O “baixo espiritismo” e a história dos cultos mediúnicos. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 9, n.19, jul. 2003, p.247-281.

passa pelos parâmetros de organização social, lutas internas e externas para a difusão do seu discurso religioso neste mercado.

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