2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.3 MATURIDADE DO PROCESSO DE SUCESSÃO
2.3.1 Modelos de Maturidade
2.3.1.1 Capability Maturity Model (CMM)
Como destacado anteriormente, o Modelo de Maturidade de Capacitação – CMM (Capability Maturity Model) foi desenvolvido pelo SEI (Software Engineering Institute) com a Carnegie Mellon University em Pittsburgh, na Pennsylvania, nos EUA (Estados Unidos da América). O objetivo de sua criação foi de dar respostas às necessidades do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (EUA), baseando-se numa estrutura que enquadra e avalia a maturidade do processo de desenvolvimento de sistemas de informação (softwares), além de
estabelecer melhorias no processo corporativo, classificando a situação da empresa pelo grau de maturidade.
O CMM evoluiu para CMMI (Capability Maturity Model Integration), o qual estabelece as melhores práticas a serem desenvolvidas nos processos de gestão de desenvolvimento de softwares. Esse modelo tem sido usado em diversas empresas e está consagrado como padrão de avaliação da qualidade dos processos de desenvolvimento de sistemas de informação (SEI - Software Engineering Institute, 2000).
Desta forma, o CMMI é representado por estágios, os quais oferecem um caminho sistemático e estruturado para a melhoria do processo organizacional baseando-se num estágio de cada vez, ou seja, quando uma organização atinge um nível de maturidade, considera-se que seus processos alcançaram uma determinada capacidade, possuindo mecanismos que garantem a repetição sucessiva de bons resultados. A melhoria contínua é obtida por meio de passos evolutivos entre os cinco níveis de maturidade do modelo, definidos e numerados de 1 até 5, conforme descritos a seguir (ANTUNES, 2001; SEI, 2000):
a) Nível 1 - Processo Inicial: não existe planejamento ou é imprevisível, processo caótico, informal, sem controle, descoordenado e desestruturado. Existe a incapacidade de obter sucesso. A falta de planejamento e de gestão são as causas básicas desse nível. A organização não possui um ambiente estável.
b) Nível 2 - Processo Comprometido ou Repetível: o processo é intuitivo e dependente de indivíduos chave. É disciplinado, mas medíocre. A passagem para o nível seguinte será alcançada com revisões do processo e implementação de projetos específicos.
c) Nível 3 - Processo Estabelecido ou Definido: o processo de desenvolvimento está claramente definido e institucionalizado, consistente e padronizado, sendo considerado com maturidade média. Existe um trabalho preventivo no gerenciamento do processo. Sugere-se a implementação de indicadores qualitativos e quantitativos no planejamento.
d) Nível 4 - Processo Gerenciado Quantitativamente: a gestão é previsível e controlada, com maturidade suficiente para evoluir para o nível seguinte, com alinhamento da tecnologia da informação (TI) e do planejamento estratégico. Nesse nível, o desempenho dos processos é controlado, utilizando estatística.
e) Nível 5 - Processo Otimizado: neste nível os objetivos são atingidos e a maturidade é considerada boa. O processo está sujeito ao aperfeiçoamento e melhoria contínua.
A Figura 5 apresenta os níveis de maturidade deste modelo.
Figura 5 - Níveis de maturidade.
Fonte: Adaptado de SEI – Software Engineering Institute, 2000.
Nível 01 – Processo Inicial Nível 02 – Processo Comprometido Nível 03 – Processo Estabelecido Nível 04 – Processo Gerenciado Nível 05 – Processo Otimizado
3 MÉTODO DE PESQUISA
Para a realização da pesquisa proposta, da estruturação dos processos de seleção, obtenção e análise dos dados, este tópico descreve os procedimentos que serão norteadores desta pesquisa, ou conjunto de questões que se definem como metodologia da investigação, e que são objeto dos parágrafos abaixo. Dessa forma, isso é relevante e útil a fim de orientar a resolução de problemas e superar obstáculos presentes no âmbito da pesquisa.
Conforme Vergara (2006), dentre os principais tipos de pesquisa, do ponto de vista dos objetivos a atingir, se encontram a exploratória, descritiva e explicativa. Segundo esta autora, a pesquisa exploratória é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado; já as pesquisas descritivas expõem características de determinada população ou de determinado fenômeno, e finalmente as explicativas, as quais visam esclarecer quais fatores contribuem, de alguma forma, para a ocorrência de determinado fenômeno.
Para esta pesquisa, o mais indicado é a pesquisa exploratória, uma vez que, aqui na Serra Gaúcha, há poucos estudos disponíveis sobre o tema proposto, buscando assim proporcionar maior familiaridade com o problema. Através da exploração, os pesquisadores desenvolvem, esclarecem e modificam conceitos de forma mais clara, estabelecem prioridades, desenvolvem definições operacionais e melhoram o planejamento final da pesquisa (MATTAR, 1996; GIL, 1999; COOPER; SCHINDLER, 2003; VERGARA, 2006).
Quanto à abordagem, a pesquisa pode ser qualitativa e quantitativa. A pesquisa quantitativa lida com números e usa modelos estatísticos para explicar os dados. Já a pesquisa qualitativa oferece a possibilidade de se obter um maior conhecimento sobre o assunto ou problema em foco, favorecendo o entendimento de conceitos e auxiliando na geração de informações para pesquisas específicas, pois a mesma lida com interpretações do contexto. A pesquisa qualitativa pode descrever a complexidade de um determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, contribuir no processo de mudança de determinado grupo e por fim, possibilitar em maior nível de profundidade e entendimento das peculiaridades do comportamento dos indivíduos (MATTAR, 1996; BAUER; GASKELL; 2003).
Neste trabalho, opta-se pela utilização da pesquisa qualitativa, pois a mesma confere grande importância ao contexto estudado, no caso desta pesquisa, as empresas familiares da
Serra Gaúcha, oportunizando e estimulando a construção de conceitos e a produção teórica, possibilitando ao pesquisador a compreensão sobre o que acontece na organização. Destaca-se ainda que, o caráter processual da pesquisa qualitativa valoriza o avanço na reflexão sobre os dados, no exame de documentos e realização de entrevistas gravadas, promovendo a construção da teoria e a evolução da pesquisa (LIMA, 1999).
Para Vergara (2006), a pesquisa se classifica também quanto ao procedimento. Nesse caso, têm-se como principais meios de investigação a pesquisa bibliográfica, a documental e o estudo de caso. Sendo que, a pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em livros, revistas, jornais entre outros; a investigação documental é realizada em documentos conservados no interior de órgãos públicos e/ou privados de qualquer natureza, ou ainda com pessoas, registros, anais, etc; e por fim o estudo de caso, o qual é o circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas como empresa, pessoa, sociedade entre outros e, tem caráter de profundidade e detalhamento.
Em decorrência disso, quanto aos meios de investigação, este trabalho tem como estratégia de pesquisa o estudo de caso. Para Yin (2005) o estudo de caso a partir do empírico investiga determinado fenômeno da atualidade dentro de seu contexto da vida real, principalmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão nitidamente definidos. Contudo, a investigação de estudo de caso, defronta-se com uma situação tecnicamente única em que haverá outras variáveis de interesse. Sendo assim, o estudo de caso baseia-se em diversas fontes de evidências, beneficiando-se do desenvolvimento da fundamentação teórica para conduzir a coleta e análise de dados e ainda, destina-se ao exame detalhado de uma situação particular. O mesmo autor diz que, um estudo de caso conduz o pesquisador no processo de coleta, análise e interpretação das observações às conclusões interpretativas, pois constitui um modelo lógico de provas que permite realizar inferências relativas às relações causais entre variáveis sob investigação. Portanto, o estudo de caso permite saber como e por que certos fenômenos acontecem, propiciando a análise de eventos para a descoberta de relações e explicações às questões como e por que.
Conforme Cooper e Schindler (2003), a relevância do estudo de caso consiste no destaque dado à análise do contexto que envolve as inter-relações de poucos fatos ou situações. Os autores destacam que a ênfase para detalhes, obtidos de múltiplas fontes, produz informações de grande valor para a solução de problemas e a formulação de estratégias. Assim, o estudo de caso é utilizado a partir do estudo de um fenômeno, sendo possível ampliar a compreensão sobre o mesmo, facilitando sua teorização. O valor do estudo de caso
está na oportunidade de, por meio dele, aprimorar uma teoria e provocar abordagens alternativas de estudo do fenômeno que poderão ser investigados posteriormente.